A preconceituosa manchete da Folha de S.Paulo

fev 26, 2007 by     31 Comentários    Postado em: Atualidades, Economia

Foto: Daniella Rosario?

Foi com espanto e indignação que li a matéria que estampa a capa da Folha de S.Paulo, neste domingo. “Benefícios sociais afastam trabalhador do emprego formal”, diz a manchete, com detalhamento logo abaixo: “Trabalhadores rurais do Nordeste estão se recusando a aceitar empregos com carteira de trabalho assinada. Temem perder benefícios sociais pagos pelo governo, como o Bolsa Família.”

A matéria é preconceituosa do início ao fim. Primeiro, não apresenta dado científico algum ou?qualquer pesquisa que comprove a afirmação. Segundo, atribui o suposto fenômeno tão somente ao Nordeste. Terceiro, dá a entender que os nordestinos (esses preguiçosos!) fogem do trabalho como o diabo foge da cruz.

Não há um único depoimento de organizações sociais dos trabalhadores. Falam apenas o patronato, o governo e dois ou três do que chamamos no jornalismo de personagens – pobres coitados que servem tão somente para?dar credibilidade à?tese do jornalista e que provavelmente nunca verão o jornal ao qual emprestaram suas imagens e palavras.

Humildemente, este blogueiro gostaria de se contrapor à Folha.

Na minha opinião, o Bolsa Família não é a solução para todos o males. Mas se há um papel que ele está cumprindo é o de servir como?elemento regulador?à remuneração aviltante que se costuma pagar no campo por um trabalho exaustivo. O parâmetro agora é outro, pois o trabalhador tem os parcos R$ 106,00 da bolsa para custear?o mínimo de?alimentação à família.

Quem não se conforma são?usineiros, fazendeiros e aliciadores de mão-de-obra semi-escrava!

Ao contrário do jornalão, tomemos alguns dados científicos.

Segundo estudo do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um trabalhador que corta hoje 12 toneladas de cana em média por dia de trabalho (absolutamente normal no setor) realiza as seguintes atividades ao final do expediente de até 12 horas:

  1. Caminha 8.800 metros;
  2. Despende 366.300 golpes de foice;
  3. Carrega 12 toneladas de cana em montes de 15 Kg em média cada um. São 800 trajetos levando 15 Kg nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros;
  4. Faz aproximadamente 36.630 flexões de perna para golpear a cana;
  5. Perde, em média, 8 litros de água por dia, por realizar toda esta atividade sob sol forte, sujeito aos efeitos da poeira, da fuligem expelida pela cana queimada, trajando uma indumentária que o protege da cana, mas aumenta a temperatura corporal.

O piso dos cortadores de cana, em Pernambuco, fica em torno de R$ 355,00. Mas esse valor serve apenas para regularizar licenças, porque o que determina quanto o trabalhador vai ganhar no fim do mês é o?volume de toneladas cortadas por ele.

O cortador recebe R$ 1,50 por tonelada cortada no estado. Para atingir o piso, são quase 10 toneladas a serem derrubadas por dia, de segunda a sábado – lembrando que se trata de emprego sazonal, com duração de cinco meses por ano.

Houve a notificação de 14 mortes, nos últimos dois anos, por parada cardíaca decorrente de esforço excessivo no corte da cana. Obviamente, essa estatística está contaminada pela subnotificação.

E ainda me vêm falar que o nordestino está acomodado por causa do Bolsa Família… Ah, façam-me o favor!

Está na cara que a reportagem é mais um golpe de facão articulado por nossa elite egoísta, que não se conforma em ver quase R$ 9 bilhões gastos ano passado no programa de distruibuição de renda federal. Fosse dinheiro público para empreiteiras construírem mais uma centena de rodovias em São Paulo, nada seria questionado.

Para finalizar, gostaria de fazer uma proposta ao colega da Folha que escreveu o texto dominical:?Topa trocar o ar-condicionado central da redação por um estágio na safra da Zona da Mata canavieira de Pernambuco? Vamos lá, deixe a preguiça de lado.

PS: Esse post foi publicado originalmente no domingo. Republico-o hoje para também compartilhar minha indignação com quem esteve fora no final de semana.

31 Comentários + Add Comentário

  • Uma só frase, mesmo que antiga, para resumir esse paulistano: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
    Vamos ver se ele topa seu desafio.
    Abraços e parabéns pelos comentários.

  • caro bahé,

    o pior é que este discurso é reproduzido a torto e a direito por aí. não é a primeira nem a segunda vez que eu leio ou ouço algo semelhante – na maioria das vezes, vindo da boca de engravatados que passam o dia sentadas na sua sala climatizada.

    no mais, parabéns pelo blog.

  • Sem dúvida matéria preconceituosa do início ao fim, a começar pela fotografia que serve de ilustração a reportagem!!!!! Adorei seus comentários e confesso que estou virando sua fã! Abraço!

  • Caro colega, aqui em Fortaleza estou conferindo seu Blog e estou gostando. Vez em quando, aproveito dicas suas no meu Blog. Ah, fiz esse mesmo tipo de comentário por aqui sobre a Folha. Abraços.

  • É, JÁ QUE NÃO PUDERAM DERRUBAR O NORDESTINO MAIS FAMOSO DA ATUALIDADE, ENTÃO NÃO PERDEM TEMPO FALANDO MAL DOS CONTERRÂNEOS. ESTRANHO SERIA ESPERAR OUTRA COISA DESTAS VIÚVAS DA POLÍTICA DO CAFÉ COM LEITE.

  • Jornalista nordestino que se preze, em primeiro lugar defende o nordeste. Continuando assim, o blog, passará a ser de leitura obrigatória. Parabéns!!!

  • INFELIZMENTE E DE FORMA RECORRENTE, A TURMA DE SÃO PAULO SE ABESTALHA PENSANDO QUE SÃO PAULO E ALGUNS DE SEUS NATIVOS DE HOJE CONSTRUÍRAM O BRASIL.
    NÃO AMINÉSEM QUE OS DIVERSOS BRASILEIROS(PRINCIPALMENTE OS NORDESTINOS) ERGUERAM A HOJE GRANDE, PORÉM, ONTEM MICRO VILA DE SÃO PAULO.
    O GRANDE ESTADO DE SÃO PAULO PRECISA MAIS DO RESTANTE DO BRASIL DO QUE O BRASIL PRECISA DE SÃO PAULO.

    SEUS….
    RSPEITEM O NORDESTE E SEU POVO!!!
    O BRASIL COMEÇOU AQUI!!!
    CASO TENHAM DÚVIDAS, CONSULTEM OS ESCRITOS!!
    O QUE POSSO DIZER A MAIS DESSES INCAUTOS NACIONAIS QUE INSISTEM EM QUERER SE DIFERENCIAR EM COMPORTAMENTOS BARRISTAS…

    O BRASIL É DE TODOS OS BRASILEIROS(SEJAM ELES NATOS, NATURALIZADOS E IMIGRADOS)!!

    RECOLHAM-SE A SUA MEDIOCRIDADE MEDIEVISTA…

  • Muito bem!

    Jornalismo deveria ser feito à base de pesquisa, subsídio para os comentários, fundamentação dos argumentos…

    O cara não se fundamenta e dana-se a escrever asneiras, joga logo uma imagem preconceituosa e induz o leitor a concordar com ele.

    Se ele escreveu com essa ideologia e a Folha não cortou é pq a Folha compactua.

  • Moro em São Paulo e estou com vocês. Esta é a província mais conservadora e reacionária do Brasil. Aqui manda a direita e extrema-direita apoiada pela mídia fascista que financiam. A manchete da Folha, prontamente desmentida por este blog, é apenas mais uma pérola do pensamento fascista, da qual Veja é a principal publicação, seguida pelo jornalões que levam o nome desta infeliz província, onde reinam tucanos e apaniguados.

  • Bom senso não é algo que se deve elogiar em uma pessoa inteligente. Faz parte de sua natureza. Entretanto, em tempos de sectarismos exacerbados, a lucidez, quando vem à luz, deve ser exaltada e aplaudida. Portanto, parabéns ao Jornalista Bahé pela equilibrada indignação revelada em seus comentários.

  • Caro Bahé, parabéns pelo post. Aproveito para divulgar a palestra imperdível sobre Blogosfera e jornalismo cidadão, que será realizada hoje à tarde na Livraria Cultura. Eis os detalhes:

    http://www.cultura.gov.br/foruns_de_cultura/cultura_e_pensamento/2006/debates/index.php?p=23561&more=1&c=1&pb=1
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/eventos/palestras.asp?local=3#1916

    26 de fevereiro, 15h
    Blogosfera e Jornalismo Cidadão

    Palestrantes: Bob Fernandes, Marcos Palácios e Jefferson Assunção
    Local: Livraria Cultura Paço Alfândega – R. Madre de Deus, s/n – loja 135 – Recife/PE

    O jornalismo cidadão e a web 2.0 parecem abalar as clássicas noções de ‘editoria’, ‘publicação’, ‘periódico’ e ‘jornalismo’ no ambiente colaborativo da internet. Podemos dizer que o modelo de representação do real operado pelas mídias centralizadas está sofrendo transformações em sua base de sustentação? No atual conjunto de forças informacionais, a almejada imparcialidade jornalística, por exemplo, estaria sendo re-ideologizada? O muro que resguardava os formadores de opinião, os defensores da chamada realidade objetiva, no ambiente colaborativo da rede, transfigura-se no partidarismo da verdade editorial? Os mecanismos que possibilitam a postagem de comentários nos blogs seriam os grandes legitimadores da informação produzida em ambiente digital? De que forma a blogosfera e o jornalismo cidadão contribuem com o processo de democratização da formação opinião pública? Quem são hoje os formadores de opinião? O que, por si só, já é uma grande novidade no clássico jogo de forças entre os interesses editoriais das empresas e o compromisso ético.

  • Caro Bahé,
    Infelizmente não causa espanto este tipo de comentário. Não que seja normal ou natural (se é que podemos usar esse tipo de nomenclatura). Mas essas pechas aindas são recorrentes na imprensa nacional, que trata tudo acima da Bahia de “Norte” e não conhece bem a relaidade do próprio país. Concordo com seus comentários e considero uma lástima que reportagens assim ainda sejam constantemente publicadas.
    Abraço,
    Marcus Bezerra.

  • Bahé, adorei o seu comentário de hoje. Quando li a matéria também fiquei indignada, pois não se via no texto, nada que comprovassem os fatos. Era uma matéria que não apontava dados, pesquisa ou até mesmo subsídios que oferecessem, a nós, – leitores desse jornal que, para muitos, é sinômimo de imparcialidade e credibilidade, – fundamentos nos argumentos expostos. E obviamente, tem que falar mal do nordestino. Bem, parabéns pela atitude de não ficar calado diante de uma matéria preconceituosa que denigre ainda mais a imagem desse povo que já é tão sofrido.

  • Meu velho,

    esse foi seu melhor texto desde a criação do Acerto de Contas. Vale a pena enviá-lo para os blogs do Noblat, do Zé Dirceu e do Mino Carta. Se você não enviar, eu mesmo farei.

    os leitores do blog poderiam também copiar o texto e reenviá-lo para seus amigos, coisa que farei em seguida.

    Inácio

  • Apenas para corrigir seus dados. Não sei ao certo qual a quantidade de golpes de foice que um cortador de cana dá durante uma jornada de 12 horas, mas mesmo que fossem 12 horas x 60 minutos x 60 segundos daria no máximo = 43.200 golpes, considerando 1 por segundo, initerruptamente, o que sabemos se impossível.
    Vai que esse paulistano pega seu comentário e diz que nós não sabemos fazer nem conta, quanto mais comentar sobre problemas sociais.
    Abraços

  • Reforço o comentário da colega Ana Paula Viana. Um jornal que para muitos sempre foi referência de credibilidade (uma frase que escutei muito na adolescência – “ler a Folha de S.Paulo no domingo vale mais do que ler os jornais locais três dias seguidos”) não pode incorrer em um jornalismo parcial, comprometido tão descaradamente com interesses que vão de encontro ao bom senso comum. Usar a máquina editorial contra o povo, manipulando informações, é um absurdo que está se tornando artifício recorrente, não só em jornais. Somos bombardeados constantemente com informações fabricadas pelo rádio, jornal e TV. Jornalismo imparcial hoje em dia a gente só vê na internet, né não? ;)

  • Carlos Eduardo,

    De fato, o número é estranho. Mas fui rever o artigo do professor Francisco Alves, autor do estudo da UFScar, e o dado é esse mesmo. Vou tentar contato pessoal com ele para checar. Obrigado!

  • Despende 366.300 golpes de foice!
    para com sua matematica rsrsrsrs nao sei onde vc estudou mas nem o super homem consegue isso
    contrata um professor de matematica por favor… ou seria intencional o engano (sic)
    abraço.

  • QUEM NUNCA TEVE UMA FAZENDA não deve dar palpite! Pela sua natureza, a materia da Folha não precisa comprovação! É real!

    Na década de 70, em meio às duas alegrias que tive, fiz uma plantação de Maracujás no municipio de Itu! (nem por isso grandes maracujás) Enquanto outros plantadores pagavam diária de 2 cruzeiros (por algumas horas apenas) mandei o Administrador pagar 3 cruzeiros supondo assim ter melhores catadores… (Porque a fruta CAI do pé, não precisa nenhum esforço sobre humano do “infeliz” lavrador. (Putz)

    No meio da semana o administrador veio ao meu escritorio se lamentar: Os homens trabalham um dia e ficam o dia seguinte no boteco, jogando bilhar.

    Então, para espanto do administador, mandei pagar 5 cruzeiros na ingênua suposição de que os homens ganhando mais trabalhariam mais assiduamente.

    Logo o administrador estava de volta: Ah, Seu Joel agora piorou de vez… agora eles trabalham UM DIA e ficam DOIS noilhar!

    Este fato é real e ainda acontece na maioria das emprezas. Autorizo a publicação do meu nome, endereço, atestado de vacina, qualquer coisa. Só não admito “defesa” trabalhista com DESCONHECIMENTO de causa!

    Defensor de vagabundo é tanto quanto ele! Zangado estou eu, não o jornalista.

  • Parabéns pela sua análise Bahé. Aline Moura

  • Ei, Bahé, gostei da análise e do texto.
    Jornalismo no ar-condicionado dá nisso, né?
    Falta uma dose de Ricardo Kotscho para essa moçada.
    Aquele abraço,
    sama

  • Prezado Bahé.

    Realmente não sou dado à entrar em blogs. Em 2006 entrei 2 vezes e neste ano é o primeiro e talvez o único. Aos 60 anos, já com os cabelos brancos sou daqueles poucos que tem, por dever de trabalho, a oportunidade de viajar constantemente por todo o Brasil. Quando digo todo, é realmente todo. Não apenas passando por cima de avião mas, ficando até 15 dias em uma cidade, quer no Rio Grande do Sul ou do Norte, Amazonas , Acre, Pará, Mato Grossos, enfim, em todos os estados desta nação. Saio 2? e volto em casa aós 15 dias , cada semana em um estado., em alguma cidade nos cafundós do judas. O nordeste todas as regiões.
    Sou paulista, formação universitária, ?péssimo em português , portanto com todo os direitos de êrros em meus comentários.
    O grande prazer de minha vida é a leitura, e em todas as áreas, e nem com isso consegui dominar nossa lingua tão complexa.
    Gostei de seu comentário, caso contrário não estaria aqui colocando meus pensamentos.
    Não vou entrar especificamente na reportagem da FÔLHA, pois considero-a ainda uma de nossas melhores fonte de informação. Não vou condena-la pela reportagem de apenas um de seus jornalistas, PORÉM , gostaria de colocar minhas observações quanto ao assunto em pauta.
    Talvez o jornalista não tenha idéia o que é sentir fome, e o quanto vale uma cêsta básica para uma família. Eu sei.
    O Brasil não é um país . É um continente onde cabem 37 Bélgicas. Sua administração é complexa e seus políticos a pior das piores escórias que pode existir, cujos interêsses são apenas os pessoais.
    Falar que o político nordestino é ruim, é não conhecer nossos Malufes e Quércias que temos aqui em São Paulo.
    Infelizmente tenho que observar, que o maior inimigo do povo nordestino é o próprio povo nordestino. Isso de dizer que são solidários é balela para discurso de político ou algum sociólogo desavisado. Convivo muito com ambientes nordestinos , gaúchos, catarinenses, cariócas e demais. O bom de gostar de leituras sociológicas , embora muito pobre, é o poder que lentamente vamos adquirindo na análise de comportamentos sociais. Sou daqueles que cultiva sentar em um banco de jardim, ou em uma calçada e bater papo com as pessôas que estão ao meu lado. Diria sem nenhuma dúvida , que esse é o maior prazer que cultivo em minha vida. Ouvir , ouvir, ouvir as pessôas. Tenho bons e muitos amigos nordestinos. Ricos e pobres, doutores e analfabetos, religiosos e agnósticos . Morei em república estudantil ná época de universidade com nordestinos, minha cidade natal no Estado de São Paulo tem bastante nordestino , iclusive vereadores e ex-prefeitos. Portanto dá para se der idéias que conheço um pouco da cultura e mentalidade nordestina.
    Agora , PASME o que vou declarar. Todo os nordestinos pobres que conheço sempre falam ” Dr. Carlos , nordestino quando está por cima pisa no que está em baixo e esse papo de solidariedade e furado ” . Infelizmente tenho observado que isso é quase uma constante. Por sinal, ontem, assistindo o Jornal da Record aqui em São Paulo, mostrou um jovem que para vir tentar a vida aqui em São Paulo teve que emprestar dinheiro para a viagem e seu querido conterrâneo cobrava apenas 10% de juros ao mês. É miserável explorando miserável. Quantas reportagens, de todos os canais de TV nordestina, mostram cidades que dependem dos aposentados para sobreviver ? Não são reportagem Paulistas.
    O PATRONATO NORDESTINO talvez seja o que pior explore seus conterrâneos , pagando-lhes esse salário de FOME , que mantém essa região na eterna miséria. Há 50 anos atráz, quando ainda estudante de ginásio, nos estudos de história e geografia o assunto NORDESTE sempre foi ligado à miséria . No império é conhecida a historia do Imperador que queria vender o anél para combater a miséria nordestina. Portanto, prezado amigo, não é uma reportagem da FÔLHA que tem que ser discutida.
    A pergunta que se faz é a seguinte.
    Onde está esse tão bravo povo nordestino que se submetem a essa elite empresarial e política sem resistir ?

    Com respeito e consideração.

    Antonio Carlos Tocha ( acticha@hotmail.com )

  • Sou carioca e moro na Bahia a mais de 10 anos.
    Porque razão os “movimentos sociais” não se pronunciaram?
    Porque se o fizerem; serão desmentidos, se afirmarem que isto não está acontecendo.
    Não tem nada a ver com perseguição Sulista e todo este bairrismo atrasado.
    O que está sendo dito pelo jornal é que isto está acontecendo em geral, mais especialmente no nordeste; onde o bolsa-família direcionou os seus recursos.
    É a mais pura verdade.
    E o bolsa-família na verdade não passa de compra de votos indiretamente, pela forma em que o sistema esta sendo implementado.
    Só acho meio ridículos, alguns aqui tentarem confrontar a verdade em razão dela ter partido de um Jornal do Sudeste.
    Algum jornal do Nordeste confrontaria estes fatos com números, como aqui foi lembrado por um postulante?
    Os maiores problemas que o Nordeste sempre enfrentou foi os próprios nordestinos que o criaram, ao elegerem maus políticos para os representarem.
    Recursos e investimentos sempre foram feitos no Norte e Nordeste pela SUDAM E SUDENE.
    Lembram-se por que razão foram extintas?
    A maioria destes recursos foi sempre desviada, justamente pelos políticos que vocês mesmo elegeram.
    A maioria desses recursos, vieram do Sul e do Sudeste por intermédio dos impostos repassados a união, e por terem maior industrialização.
    Se o Nordeste hoje se encontra nesta situação em que uma camada específica da sua população; que é justamente a mais carente e a que foi menos assistida por todos estes políticos que vocês próprios colocaram para lhes defender e não o fizeram, acho meio hipócrita a afirmação de alguns ao não aceitar esta realidade.
    Já houve entrevistas na televisão, em que estás pessoas afirmaram que é bem melhor receber o dinheiro da ajuda governamental do que trabalhar para ganhar uma porcaria e ainda ter que suar de sol a sol.
    Vamos ser realistas e menos barristas.

  • Não façam essa defesa do nordestino.
    Pois tenho certeza que apesar de alguns aqui acharem a reportagem como que pejorativa ou discriminatória, o senhor além de mentir na foiçada do cidadão; esqueceu-se de que quando a foice era o símbolo maior do comunismo; ela serviu para cortar a linha de muitos jornalistas e matar muitos cidadãos que eram contra aquele regime.
    E o que senti em alguns comentários foi uma total alienação com o governo que aí esta.
    Se formos analisar algumas coisas que vieram à tona neste governo em relação à corrupção, e as analises que a maioria dos periódicos do mundo inteiro andam divulgando fica muito feio e totalmente antidemocrático ficar defendendo o que está acontecendo neste momento no país.

  • Recebi a resposta do professor Francisco Alves, da UFScar e autor do estudo sobre o esforço físico do cortador de cana, quanto ao número de golpes de foices dadas num dia de trabalho. Eis a resposta:

    “É Marco,
    Você tem rtazão,
    terei de refazer estes cálculos.
    Porque estes estão baseados em duas premissas:
    1)a quantidade de cana por touceira; entre 5 e 10
    canas a cada 30 cm, que é uma indicação
    agronômica da germinação da planta e 2) a
    quantidade de metros necessárias para cortar 6
    toneladas de cana, considerando uma cana de boa
    germinação, ereta, que é um dado obtido diretamente dos cortadores.
    Refarei estes cálculos e te mando o resultado.
    Muito obrigado pelo olhar atento”

    Fica explicado que o pesquisador pode ter errado no método. Mas este blog reproduziu a pesquisa fidedignamente.

  • Não havia lido a reportagem toda.
    Faça-me o favor rapaz não compartilhe o seu distúrbio mental doentio de esquerda, o que é muito comum; para deturpar as verdades e alienar pessoas para esta ideologia não.
    Seja mais honesto com a realidade e com a verdade.
    Achei que isso fosse de praxe dentro do jornalismo, mas já entendi qual é a sua.
    Já está no bolso dos aloprados.

  • Marco,
    tu enviaste essa sua réplica para a Folha? Espero que sim. Fiquei tão indignada quando li essa reportagem, que é a um só tempo preconceituosa e mal informada, desconsidera a perspectiva histórica do NE brasileiro e a realidade atual, enfim, para mim o fim da picada é aquela parte: “a Folha contou 9 adultos dentre de uma casa em plena 4? feira à tarde”(…) qual é? Com que lógica esse cara olha o Brasil? Um horror de jornalismo…

  • Bahé, parabéns pela analise. Mas queria lembrar que esta perspectiva preconceituosa em relaçao aos trabalhadores da cana nao é apanagio da Folha nem dos paulistas. Nossos usineiros rezam pela mesma cartilha. Veja o editorial do nosso Jornal do Commercio do dia 15 de outubro de 2006:

    Jornal do Commercio
    Edição de 15/10/2006

    Esmola vicia o cidadão

    Já dizia, ou melhor, cantava, o nosso grande Luiz Gonzaga, o eterno Rei do Baião, que a esmola, para um homem são, ?ou mata de vergonha ou vicia o cidadão?. Ele se referia, há mais de 50 anos, à necessidade de aproveitamento da cachoeira de Paulo Afonso como fonte de energia para o desenvolvimento do Nordeste, em vez de o governo continuar investindo na indústria da seca. Até hoje, muitas décadas após a inauguração da primeira usina termelétrica da Chesf, e com todo o avanço da região, essa vergonhosa ?indústria? continua sendo um dos empreendimentos mais prósperos para enriquecimento de coronéis e manutenção de currais eleitorais. Naquela época e hoje ainda, em vez da criação de empregos para as vítimas das estiagens e sertanejos em geral, políticos e coronéis arrebanham miseráveis em troco de migalhas, em ridículas e improdutivas frentes de trabalho.

    O atual governo, que pregava mudanças sérias e não cosméticas no modo brasileiro de fazer política e de governar, criou e desenvolveu o programa Bolsa-Família com a louvável intenção de fazer uma mínima redistribuição de renda entre os mais miseráveis. Um programa assim só teria sentido emergencialmente, enquanto se azeitassem as máquinas de um grande projeto de desenvolvimento capaz de gerar riquezas, empregos, prosperidade, não só nas zonas rurais, com suas vítimas e sobreviventes de secas centenárias e outros flagelos criados pelo homem, mas também em cidades inchadas por uma migração forçada e desordenada.

    Em vez do prometido espetáculo de desenvolvimento do presidente Lula da Silva, o que vemos é uma longa estagnação, com juros altíssimos e carga tributária que sufoca as classes médias e encurta os salários dos trabalhadores em geral, através de uma política econômica que vem desde pelo menos o primeiro mandato de FHC. Empresários não têm ânimo nem incentivo para investimentos produtivos e, conseqüentemente, eliminam-se postos de trabalho e não são criados novos. O poder público também não investe como deveria e gera o espetáculo do atraso. O que eterniza a dependência do Bolsa-Família e contribui para dar ao programa uma conotação eleitoral, reeditando a política coronelista de ?combate às secas?, que tantos votos rende desde a República Velha.

    O que se constata ultimamente é que o Bolsa-Família sem o prometido espetáculo de desenvolvimento está, segundo a sábia predição do nosso sanfoneiro-mor, viciando o cidadão. Quem está recebendo a esmola governamental tende a acomodar-se e não procurar outra fonte de renda. É o que se está constatando, desde o início da colheita e moagem de cana na nossa Zona da Mata. Na área canavieira, engenhos e usinas necessitados de mão-de-obra estão com dificuldade para obtê-la em quantidade suficiente. Em busca de uma explicação para tal retração, descobre-se que beneficiários do Bolsa-Família estão preferindo ficar em casa a pegar no duro do corte de cana. Com uma renda mínima garantida pelo dinheiro governamental, dá para ir levando.

    Muitos bolsistas justificam a não-procura de emprego nas usinas pela dureza e baixa remuneração do trabalho, além de sua sazonalidade: cinco a seis meses por ano. De todo modo, a situação é estranha e anômala, embora líderes dos canavieiros achem que os usineiros estariam preferindo ir buscar mais longe mão-de-obra mais barata.

    Qualquer que seja o governo eleito no final deste mês, sua prioridade urgentíssima terá de ser uma correção em políticas que só têm conduzido o País a ficar muito atrás de outros emergentes, como China, Índia, Coréia do Sul e até a vizinha Argentina. Precisamos é de criação de empregos duráveis, desenvolvimento sustentável, o que só poderá ocorrer com novas políticas. Manter indefinidamente um programa assistencial que incentiva a indolência e vicia não engrandece nem gera progresso para o Brasil.

  • Eu gostaria de ler a reportagem da folha, você teria como me mandar um link? Adorei os comentários.

  • Senhor Bahé, quando li a reportagem na Folha,fiquei boba de ver o preconceito não só contra o nordestino,mas,principalmente contra o bolsa família.O que achei mais engraçado na reportagem é que o Brasil inteiro sabe que,a maioria dos fazendeiros, não assinam carteira de empregados,que como você disse eles ganham pelo que fazem por isso levam a família inteira prá roça,isso quando não mandam gatos recrutar mão de obra escrava nas regiões pobres como o Vale do Jequetinhonha em Minas.A verdade é que os tucanos estão com os programas sociais do governo,principalmente, o bolsa família atravessados na garganta e como a Folha é o porta voz do tucanato paulista, chegou a este absurdo:transformar os fazendeiros em” santos” ,tentando manipular a opinião pública contra o governo.Adorei sua resposta,creio que muita gente,inclusive eu, teve vontade de escrever contestando,mas, desistiu porque,atualmente, no painel da Folha só se publica carta que for contra o Lula.O resto vai para o lixo.

  • eu acho que nao tem que ter preconceito contra ninguem

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).