Amelia é que é mulher de verdade…

jun 29, 2009 by     7 Comentários    Postado em: Economia

amelia-andersdotter_do-partido-pirata-sueco

Não. Não é da Amélia destituída da menor vaidade que falo. Não trago a imagem daquela que sentia fome ao lado do seu companheiro, achando bonito não ter o que comer. Definitivamente, não falo da Amélia desenhada no samba de Ataulfo Alves e Mário Lago.

Falo de Amelia Andersdotter. A sueca de 21 anos da foto aí de cima, integrante do Partido Pirata (Piratpartiet). O partido surgiu há 3 anos na Suécia, e depois se propagou para vários outros países. Inclusive, já chegou ao Brasil (olhe aqui), sendo tema de debates no 10º Fórum Internacional Software Livre – onde o presidente Lula classificou como o projeto Lei inventado pelo senador tucano Edurado Azeredo como uma tentativa de censura na internet (se acha que estou de conversa mole, leia você mesmo, aqui).

Amelia, a Andersdotter, integra uma nova articulação política na Europa. Compõe o quadro do citado Partido Pirata – cuja plataforma principal é a liberdade na internet e a liberalização da prática de downloads, um contraponto de aguda crítica às indústrias do entretenimento e às organizações de direitos autorais.

Por muito pouco, o Partido Pirata não elegeu um nome para o congresso sueco. Obtendo 7,1% dos votos na Suécia, o partido já tem uma vaga garantida (e está perto de conseguir outra cadeira) no Parlamento Europeu – um Congresso que legisla sobre assuntos comuns entre os 27 integrantes da União Européia.

Ganhará outra vaga se, por ventura, a legislação atual for modificada para ampliar o número de assentos naquele Parlamento. Resta apenas a Irlanda votar – isto acontecerá em outubro próximo.

Se essa lei for aprovada, Amelia Andersdotter é o nome para ocupar esta segunda vaga. Uma delas já está garantida, a de Ellen Söderberg, 18 anos, conterrânea de Amelia. A Alemanha também foi um forte reduto eleitoral do Partido Pirata nas últimas eleições.

Em 2006, Amelia Andersdotter era uma estudante universitária de Economia. Neste ano, aderiu às ideias do Partido Pirata. Já neste ano, o partido quase elege um representante para o congresso sueco. No ano seguinte, 2007, Amelia se dedica às questões internacionais, tornando-se, em 2008, coordenadora internacional do partido. Colaborou com a disseminação da plataforma ideológica dos piratas em vários países – se dedicando a aprender a falar espanhol.

Como não poderia ser diferente, o suporte tecnológico de campanha da Amelia foi a internet – onde criou o site http://www.ameliatillbryssel.se/, e postou vídeos no youtube. Também participou de vários debates e publicou artigos em jornais.

Sobre seu possível ingresso no Parlamento Europeu, Amelia disse o seguinte:

“Sei que será difícil. Mas é preciso uma nova geração. Hoje, o Parlamento é um local onde, basicamente, os políticos vão quando se aposentam. É necessário uma voz radical contra toda essa política de restrições de hoje, como cortar a rede de quem baixa.”

Mas seu radicalismo não significa que seja sem-noção. Sobre a plataforma ideológica do partido, ela diz que “Não somos contra todo o tipo de direito autoral, mas queremos um direito mais equilibrado“. E prossegue afirmando que “Todos os usos não-comerciais de músicas e filmes seriam liberados. Se você baixar algo para si próprio e não for revender, tudo bem“.

As propostas do partido ganham cada dia mais adeptos. Em especial, as pessoas mais jovens. As ideias defendidas pelo Partido Pirata amedrontam os defensores de direitos autorais, pelo fato de que propõe que “toda a obra possua direito de proteção por apenas cinco anos. Depois, cairia em domínio público.”

Atualmente, a depender do País, uma obra pode demorar cerca de 50 anos para se tornar de domínio público.

Sobre como as indústrias irão faturar, Amelia diz que isso é um problema delas. Ela sugere que ganhem dinheiro com shows, merchandising, licenciamento de músicas, etc.

Saiba mais sobre o Partido Pirata do Brasil no link abaixo:

http://www.partido-pirata.org/

Cuidado com o vídeo abaixo. Se a coisa engrossar, você pode se tornar um “criminoso” se clicar para a música tocar…

Aos que estão dispostos (como eu), cantemos pois, às indústrias, aquele samba bom…

Ai, que saudades da Amélia
Ataulfo Alves e Mário Lago
Interpretação: Demônios da Garoa

“Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai meu Deus que saudade da Amélia
Aquilo sim que era mulher

As vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado dizia
Meu filho o que se há de fazer

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era a mulher de verdade”

PS: qualquer semelhança da letra com as atuais críticas à indústria do entretenimento pode ser mera coincidência. Ou não…

______________________________

Leia também:

• O projeto do senador Eduardo Azeredo: uma coleta de dados e informações para os leitores do Acerto de Contas

• Controle e dispersão: querem saquear a internet

• Juízes “contaminados” julgaram o Pirate Bay

7 Comentários + Add Comentário

  • A discussão é interessantíssima, e a menina É gatinha. ;-)

  • Discussão interessante, mas não vai levar a lugar nenhum. A questão é que o direito autoral é necessário para o desenvolvimento das obras, e de tudo mais em uma visão mais ampla.

    O problema é de restrição de acesso, o que é muito particular em conteúdos digitais ou digitalizáveis, como o caso de filmes, softwares e músicas.

    Um detalhe, contudo, pouco avaliado, é de fato existem tecnologias para restringir o acesso a conteúdo digital, o problema é que elas são caras e muito “restritivas”, no sentido de impedir a disseminação maciça de material em cima de uma estratégia de padronização.

    Uma ação como esta pode, neste caso, ter efeito inverso. Em cima de uma Lei “pró-pirata” se viabiliza economicamente o uso de estratégia anti-piratas no período permitido, e que terminam por tornar o conteúdo digital mais restrito e mais caro para todo mundo.

    Já imaginaram se as ações esporádicas contra piratas no EUA se tornam o lugar comum.

    • Acontece, meu caro, que seu pretenso medo já é realidade desde que a miserável (mental e moralmente) indústria fonográfica conseguiu derrubar o Napster, há quase uma década.

      Desde lá, esses camaradas que vivem de vender O MEIO DE SUPORTE da obra, não a obra em si (que, por sinal, jamais será algo tão “enlatável” quanto sua forma) têm recrudescido contra USUÁRIOS, justamente aqueles que podem se interessar por um conteúdo, POR ESTAREM EXPOSTOS A ELE, e PAGAR VOLUNTARIAMENTE o preço cobrado pela gravadora. Esta semana, uma mãe de classe média “baixa” americana foi condenada pela (in)Justiça a indenizar os palhaços da RIAA em alguns milhões de doletas pelo conteúdo musical que SUA FILHA baixou pela Web. Será que o presidente da Sony Music nos EUA também experimentará a cadeia? Ele admitiu que o próprio filho também fazia isso, que é o que todo mundo quer: conhecer novidades, formar opinião e um gosto ou crítica sobre o material visto e ouvido. Quando o cidadão acha que aquele conteúdo vale (como obra de arte que é), ele vai e paga.

      Irracional é achar que um bando de magnatas da cultura, que encabresta moralmente a maioria dos artistas que lhes caem nas mãos, vão mudar sua visão reacionária sem a guerra que o cidadão pode empreender, que é a luta pelo direito justo de uso: pagou por aquela cópia, É SUA PARA QUALQUER FIM NÃO-COMERCIAL. Isto já está nas leis há muito tempo, mas mudou pra muito pior a partir do DMCA americano.

      Poderíamos discutir esse assunto infindavelmente, abordando a miríade de formas que um pensamento ou manifestação cultural pode assumir: software, livros, revistas, pesquisas acadêmicas, etc., etc., etc. Lula acabou de dizer, em entrevista, que a Internet, como forma de divulgar experiências e promover INTERAÇÃO, já tem derrubado o poder tradicional da chamada mídia, que controla, filtra e concentra o poder de ACESSO sobre a informação, qualquer que seja seu cunho.

      E aí, você quer continuar sendo mais um daqueles mentalmente lavados por esses caras, como a Madonna, que “gravou” SETE MINUTOS DE SILÊNCIO COM UM PALAVRÃO NO MEIO e soltou a pretexto de novo trabalho dela???

    • Antes que alguém rebata, lembro que a RIAA e sua irmã gêmea europeia, a IFPI, são tão contra o direito justo de uso quanto àquele direito que consideram injusto (e é bem mais abrangente), que é o direito à informação em geral (que, mesmo taxado, pode ser replicado e tornar o custo absolutamente irrelevante, já que vivemos numa sociedade e uma ecomia ditas “da informação”).
      Transplantem tal pensamento para as ações da indústria cinematográfica americana, da qual consumimos a parte mais significativa de nossos filmes, ou mesmo da ação local recente da polícia civil contra as copiadoras no entorno do Campus da UFPE. SINTAM o drama.

  • Ela tem uma abordagem preciosa da parte que toca à indústria mediática. Elas que se virem para ganhar dinheiro. Os problemas da indústria não podem aprisionar os autores e os destinatários de conteúdos.

    Realmente, os problemas da indústria são dela e não de todos. Ela tem que convencer o destinatário a comprar seu produto, não vendê-lo a quem não tem alternativas.

    Ou seja, mudaram os paradigmas. Se o indivíduo compôs uma música e quer com ela ganhar dinheiro, que a venda em concertos e shows. Se não quer vender assim, nem quer que se espalhe, guarde-a.

    Essa estória toda de limitar a internet lembra-me a do poeta popular, a quem reclamaram por ter ridicularizado uma situação. Ora – respondeu – você me dá o mote e não quer o verso?

  • Pois é caro Andrei, o problema é se ele resolver guardar.

  • rapaz, acho q os direitos autorais são importantes ate mesmo para os artistas, por exemplo, ja imaginou se um jovem, de algum paisinho por ai, escreve uma musica, grava em casa e coloca na internet… qual o sonho dele, ficar rodando na internet ou assinar com uma gravadora e fazer shows
    no final das contas as gravadoras são tao importantes para a musica quanto os proprios musicos… afinal, qual o bom valor que se paga pelos downloads de musicas na net
    sera que boas bandas teriam chance ou ficariam apenas ali, rodando rodando e sem sair da internet…
    e não vem dizer q o underground(é assim ne…) ta ai para me calar… quantas bandas do underground ficam ali sempre com o mesmo discurso: gravar por uma grande gavadora e mostrar sua musica em bons palcos…

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).