Bradesco e Itaú valem mais que Merrill Lynch. Algo está errado.

jan 28, 2008 by     13 Comentários    Postado em: Economia, Finanças

banqueiros

Depois não sabem o motivo da Bolsa brasileira dar estas sacudidelas que deixam investidores desesperados.

Algumas coisas não podem ter fundamentos, e mesmo assim muitos analistas ainda insistem que o Ibovespa tem espaço para crescer.

Dois meses atrás a Vale do Rio Doce ficou valendo mais do que a Petrobrás, agora é o Bradesco e o Itaú que tem valor de mercado maior do que o Merrill Lynch.

Do mesmo jeito que a Vale não tem o mesmo valor que a Petrobrás, as ações dos bancos brasileiros estão fora da realidade. Ou o banco americano está muito subvalorizado pela crise imobiliária.

Mas algo está em desequilíbrio, podem ter certeza.

O Bradesco é o sétimo banco mais valioso do mundo, e o Itaú é o nono. Estão à frente, por exemplo, da American Express e do Morgan Stanley. Entre as vinte maiores instituições financeiras das Américas, o Brasil possui quatro. Além do Bradesco e Itaú, o Banco do Brasil e o Unibanco completam a lista.

Que banco no Brasil é muito rentável, disso ninguém duvida, mas não há modelo financeiro que explique esta valorização excessiva.

É apenas mais uma bolha que uma hora vai estourar.

Ranking por valor de mercado nas américas em bilhões de dólares

1o Bank of America – 160
2o JPMorgan Chase – 133
3o Citigroup -122
4o Wells Fargo – 85
5o Goldman Sachs – 74
6o Wachovia – 58
7o BRADESCO – 52
8o US Bancorp – 52
9o Itaú – 51
10o American Express – 51
11o Bank of NY Mellon – 50
12o Morgan Stanley – 48
13o Merrill Lynch – 44
14o Banco do Brasil – 41
15o State Street – 29
16o Lehman Brothers – 28
17o Unibanco – 26
18o Charles Schwab – 25
19o Mastercard – 23
20o Sun Trust Banks – 20

13 Comentários + Add Comentário

  • Em primeiro lugar, banco vende dinheiro. Não o dinheiro físico, mas ele vende o dinheiro que já é seu, mas que voce não tem agora. E te cobra uma pequena fortuna em juros por esse dinheiro que voce não tem agora mas precisa (ou às vezes não) e que você só pagará daqui há algum tempo, quando também irá precisar (ou não) de mais dinheiro do banco. É uma bola de neve chamada cheque especial, o problema é livrar-se dela. Em segundo lugar, a política do governo FHC e Lula sempre foi em favor dos juros altos, uma mão na roda para os banqueiros, uma vez que o brasileiro é um cara que está sempre endividado. Negócio da China, lucro certo. E que lucro, hein !!!

  • Meu caro Pierre,

    Tudo bem?

    Tenho minhas duvidas se a Vale nao vale mais do que a Petrobras. Uma tem governancia corporativa, transparencia,… A outra, os diretores sao indicados pelo governo, nao tem transparencia, patrocina o Flamego, … A pergunta eh: Quanto valeria a Petrobras se a mesma tivesse sido privatizada na epoca da Vale? Certamente, muito mais do que vale hoje. Um abraco,

    Tiago

  • Se a Petrobras tivesse sido privatizada na época da Vale, ela até poderia valer muito mais em ações. Entretanto, estaríamos pagando os olhos da cara pelos combustíveis, todo o lucro seria remetido para o exterior e o ingresso na empresa não seria da forma mais justa que é através do concurso público. Além disso, quem garante que, se privatizada, a Petrobras fizesse tantos investimentos no nosso país, gerando emprego, lucro e royalties para os estados e municípios onde ela atua.

    Quem defende a privatização como a solução para o Brasil, não consegue enxergar além dos números financeiros. A soberania nacional e a sociedade são sempres relegadas à margem desse pensamento neoliberal.

  • Como sempre os defensores do “é ruim mas é nosso” estão atentos. Mas a realidade é a realidade. O que conta para uma empresa são seus números, o resto é secundário.

    Quanto aos preços dos combustíveis, nós já pagamos os olhos da cara, a gasolina no Brasil está entre as mais caras. Mesmo entre nossos vizinhos não produtores ela é mais barata, e vem sendo assim há décadas.

  • Uma das poucas coisas quase públicas desse país que funciona muito bem e há gente pensando em vendê-la… malditos cultuadores do dinheiro.

  • E os defensores do dinheiro acreditam que o capitalismo deu certo. Pois saibam estes que, assim como o socialismo, o capitalismo também falhou à medida que aprofundou o abismo entre os mais ricos e os mais pobres. Afinal, esta é a lógica do capital: para uns ganhar outros têm que perder.

  • Prezados colegas socialistas

    Ao contrário do que pensam o abismo entre ricos e pobre diminui mais com o capitalismo moderno do que com qualquer outro sistema econômico anterior, falando de uma perspectiva histórica. Além disso somente com o advento do capitalismo moderno é que os setores intermediários da sociedade conseguiram se consolidar tanto como base econômica como base política.

    De fato, apesar de haver ainda muita desigualdade no mundo, o único sistema adotado em larga escala que permitiu crescimento da renda em todas as classes juntamente com aumento da participação política foi o mal afamado capitalismo. Ele permitiu inclusive que vocês e eu estejamos aqui filosofando sobre o sistema em nome da liberdade de expressão que tanto é útil para levar a novas idéias e processos mais eficientes. Tente fazer isto em Cuba ou na China.

    Ao contrário do que pensam os ditos socialistas de plantão, capitalista não pensa em dinheiro, pensa em termos de satisfação individual, pois o sistema preconiza o indivíduo com a base da sociedade. O dinheiro é apenas um instrumento para alcançar a satisfação.

    E também não existe esta estória que sempre alguem tem de perder, acreditar nisto é ceder a ignorância dos pseudo intelectuais. Se o sistema é baseado na busca individual por satisfação, então quando é melhor para um indivíduo que o outro também ganhe, então a ação deste indivíduo será para que o outro ganhe mais. Ou os ilustres colabores acham que os escravos foram libertos no século XIX e os salários passaram a ser a base da dinâmica econômica no século XX porque? Vocês acham que foi a luta de classes?

  • Meu caro Fernando,

    A luta de classes só interessa aos poderosos. Afinal, que os ratos comam as migalhas e jamais decubram o banquete, não é mesmo?

    Se voce acha que a concentração de renda, visivelmente separada no globo terrestre entre o hemisfério Norte e o hemisfério Sul, não foi o resultado de um ganha-perde não sei, então, o que pode ser. As nações colonizadas sofreram, ao longo dos séculos, uma pilhagem de recursos que trouxe danos eternos aos países pobres. No Brasil, a escravidão e a servidão aos senhores de engenho e os barões do café e do leite (os malditos coronéis que se infiltraram na política brasileira) subjugou toda uma população de degredados e desassistidos, formando uma pirâmide social “sui generis”, com milhões sobrevivendo com muito pouco e pouquíssimos ganhando milhões em dinheiro. Não é a toa que somos um dos campeões em desigualdade.

    E foi assim o processo embrionário de nossa cultura, sempre passiva aos interesses dos mais fortes, dos que estão no Poder. Por isso não foi tão difícil implantar o sistema capitalista no nosso país e em outros com características semelhantes a nossa. Decerto, o socialismo também não vingou, dado o seu regime ditatorial e que coibía a liberdade das pessoas, conquista maior da nossa Era. Mas não é possível acreditar que um modelo econômico baseado na economia de mercados, que pune a produçao em prol do capital especulativo seja o modelo ideal para a humanidade. Precisamos de alternativas ao neolibealismo, o capital não produz, somente especula o já escasso dinheiro dos países pobres. Pensemos no assunto e agradeço a todos pela edificante discussão.

  • Meu caro Daniel

    É a realidade, o sistema surgiu e se mantém como reflexo da própria sociedade. O caráter mercantil da organização humana não surgiu porque uma mente superior e maquiavélica o bolou e nos obrigou a segui-lo, ele surgiu porque se mostrou a melhor forma de organizar as demandas sociais.

    A questão não é se é bom ou justo, mas se funciona ou não. Até aparecer coisa melhor, o que ainda não ocorreu, é a melhor forma de organização conhecida, e olha que já tem mais de dois mil anos. Mas a humanidade evolui, quem sabe Marx estava certo ou se a humanização das relações de trabalho se torna parte do sistema.

  • Socialistas? Onde? Quando? Por quê?

    O pior é que você acreditam em toda essa teoria que escrevem…

  • Eu não poderia explicar melhor do que o Fernando Dias acima porque o capitalismo não trata do dinheiro mas sim do indivíduo.

    Só queria deixar um pedido: por favor nos chamem pelo nome correto. Somos “liberais”, não “neoliberais”.. esses tais “neoliberais” não existem..

  • Prezados

    Qual a Vale que você se referem?
    A Vale do Rio Doce que o Estado, através dos Fundos de Pensão das Estatais, detem o controle acionário.
    Que privatização é essa?
    Com dinheiro do BNDES e com participação substancial dos Fundos de Pensão das Estatais?

  • O mais importante em minha opinião é que a Vale não foi vítima de empreguismo, não foi sucateada e continua gerando riquezas em nosso país, dando emprego aos nossos trabalhadores. Muito mais empregos e riquezas aliás… E a empresa correria esse risco tanto na mão de PSDBistas, quanto de PTistas. Agora está livre e produzindo cada vez mais.
    Agora essa conceituação de neo-liberal, neo-socialista, neo-hippie, acho neo-nada-a-ver. Cada um com seu cada um, segmentação em grupos por ideais sociológicos não tem dado muito certo, vide nossos partidos políticos (argh!)…hehehehe

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).