Diario de Pernambuco e protesto de 27/12: o desencorajamento da cidadania

dez 29, 2010 by     84 Comentários    Postado em: Economia

Foto do protesto.

por Robson Fernando*
para o Acerto de Contas

No começo da última semana de 2010, tivemos protestos em todo o Brasil, incluindo no Recife, contra os aumentos de a partir de 62% nos salários dos poderes Legislativo e Executivo em Brasília. A cobertura da mídia pelo Brasil geralmente foi de morna a fria, muitas vezes enfatizando as poucas colateralidades violentas dos protestos que pretenderam ser – e foram, via de regra – pacíficos. Mas chamou atenção negativa a forma como o Diario de Pernambuco (DP), o mais tradicional jornal do Norte-Nordeste e um dos mais antigos da América Latina, tratou a manifestação recifense.

O DP mostrou como parte importante da mídia brasileira investe na desmobilização sociopolítica, no conformismo e na não-cidadania dos seus leitores, forma opiniões contrárias a qualquer iniciativa de protesto e abalo pacífico da ordem contra o estado de coisas corrente. Para jornais como esse, o mais importante não é a demonstração de cidadania e inconformismo que tais manifestações são, mas sim o “tumulto”, a “perturbação da ordem”, os engarrafamentos. Se tiver algum incidente violento, por mais isolado e colateral que seja, o ocorrido é fortemente explorado para se aumentar a rejeição dos leitores à atividade como um todo.

Já no título da notícia – “Manifestação tumultua centro” –, situada na página A6 do DP de 28/12/2010 – dia seguinte à manifestação nacional –, percebemos a rejeição veemente do jornal ao protesto do Recife. Importavam menos a própria passeata e seus motivos do que o fato dela ter interrompido o trânsito e irradiado barulho (apitos e gritos de guerra) pelo velho centro da cidade.

A descrição da manifestação de 27/12, que começou “de verdade” no segundo parágrafo, após o anúncio de uma aparição de manifestantes no discurso de despedida de Lula, nada favoreceu o protesto. Ficou enfatizado que os manifestantes teriam sido um número pequeno – menos de cem, embora tenha aparentado que os repórteres não contaram os nomes nas atas de presença – e mesmo assim “fizeram barulho e congestionaram o trânsito”. Ou seja, teriam sido os manifestantes fracos em número mas muito irritantes.

Sem falar que, dos quatro parágrafos da notícia reservados ao fato propriamente dito, nada menos que dois e meio foram reservados ao seu único incidente violento expressivo – um manifestante, defendendo-se de um quase atropelamento, depredou o vidro frontal de um ônibus, refugiou-se da polícia no veículo, terminou detido e comprometeu-se a pagar o reparo ao ser liberado. Tanta ênfase no ocorrido acabou desenhando contornos ainda mais hostis no protesto: não bastou ter interrompido o tráfego das grandes avenidas e perturbado o sossego dos pedestres e comerciantes, ainda teve que causar uma depredação! – assim é a mensagem transmitida pelo jornal.

E mesmo quando se descreveu a declaração de uma senhora que aprovou o protesto, a redação fez questão de destacar que ela, “por causa dos estudantes, precisou esperar o ônibus mais do que queria” e dizer a aprovação ao movimento existiu “apesar dos transtornos e barulho”.

E pelo que pareceu ao se ler a notícia, apenas universitários estavam presentes. Ignorou-se que ali também havia trabalhadores e estudantes de ensino médio, e que várias pessoas aderiram ao longo do caminho, como foi o caso de um vendedor de pipoca.

Atitudes assim de jornais como o Diario de Pernambuco obstruem o exercício da cidadania e o usufruto da democracia e promovem grandemente a alienação. Graças a notícias como a descrita acima, nosso povo continuará conformista e desmotivado para expor sua indignação e desejo de mudanças, sem gás para empreender protestos. O que esperar de uma população que é frequentemente desencorajada da atitude de se manifestar nas ruas e induzida ao conformismo e à resignação perante os desmandos e omissões dos governos?

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Robson Fernando é autor do blog Arauto da Consciência.

84 Comentários + Add Comentário

  • Não via a manifestação.
    Não li a matéria do DP.
    Portanto, valho-me apenas do que dito aqui pelo Robson.
    É certo que o direito a Reunião pácifica em locais abertos ao público estrá garantido na Constituição Federal.
    Mas é certo também que o direito de ir e vir não pode ser desconsiderado, muito menos subtraido por grupos de manifestantes, por mais legitimas que sejam as reivindicações e justos os protestos. Também o direito ao sossego e a um ambiente livre de poluição sonora….
    Já fui vítima de algumas passeatas e protestos que pararam o transito, prejudicando não só a mim, mas também a diversas outras pessoas.
    Além dos atrasos ainda temos de suportar os estridentes apitos, as falas e os gestos agressivos, como se estivessemos sendo acusados pelo simples fato de não estarmos participando do ato.
    O proprio Robson tem se mostrado um atento observador das questões relacionadas ao Meio ambiente e qualidade de vida.
    O barulho feito pelos apitos e carros de Som nessas manifestações deve ser considerado também sob esse prisma.
    A disciplina (ou falta de…) dos manifestantes também vale uma ponderação.

    • Emanuel, se não fosse assim, com interrupção de trânsito e barulhada pra acordar o povo, não sei qual forma de protesto seria válida.

      Se puder, sugira alguma forma de protesto que não afete o ir-e-vir das pessoas e que funcione no termo de demonstrar insatisfação e pressionar os governos por mudanças.

      • Robson, qual a novidade dessa postura da imprensa e da propria sociedade?!

        • De novidade, nenhuma necessariamente. Mas vale denunciar e escancarar a fuleiragem quando ela se faz visível. Pras pessoas se ligarem no comportamento da mídia e pensarem, em vez de acreditarem cegamente no que ela vomita.

        • Sua denúncia é válida, mas eu acredito que as pessoas que frequentam esse blog já sabem disso.

          Sucatearam a educação, sucatearam o nosso povo!

          Agora é interessante ver que a mídia golpista tem o “poder” de dizer que movimentos sociais são ruim, mas não consegue usar esse mesmo poder para tirar o presidente. Claro, segundo alguns acreditam. Eu acho incoerente…

        • Muito incoerente mesmo.

      • Robson,

        É certo que algum inconveniente sempre haverá. Dificil evitar.
        Mas é certo também que não se faz necessário fechar o transito totalmente para protestar.
        E as vezes isso acontece…. (muitas vezes)

        Quanto a alternativas, não sou bom de protestos, mas aceito seu desafio:
        Que tal uma panfletagem nos sinais?
        Que tal uma passeata obstruindo o mínimo possivel as faixas destinadas aos veiculos? ( Ah… mas assim não tem graça, alguns dirão….).
        Enfim… há outras formas. Se quisermos, há outras formas de protestar sem pertubar os outros.
        ………

        Mas vem cá, vc acha mesmo que o povo está dormindo?
        E se estiver vc acha mesmo que um grupo de estudantes, de sem tetos, de trabalhadores em greve ou qualquer outra corporação tem o direito/obrigação de acordar o povo?
        Quem deu ao hipotético “sindicato dos empregados em lava-jatos” autorização para “acordar o povo”?
        Essa pretendida atribuição de “despertador do povo” não seria um sintoma do nosso velho e bom autoritarismo….?

        • Ué, e povo agora não é sábio (pois escolhem homens “do povo” para governar,segundo dizem) ? Como precisam desses protestos para “acordar”?

      • “Se puder, sugira alguma forma de protesto que não afete o ir-e-vir das pessoas e que funcione no termo de demonstrar insatisfação e pressionar os governos por mudanças”.

        Sem grandes pretensões, mas queira ver:
        http://despertador-br.blogspot.com/2010/12/ao-alcance-das-maos.html

        Abraço!

    • emanuel rego lima, concordo contigo cara, já participei dessas porras quando era professor e vi que esse tipo de coisa não dá em nada.

      Propuseram greve de fome coletiva na frente do palácio do governo de PE e só tinha dois voluntários, quem propôs e eu, foi votado em assembléia e o sindicato fez camapanha contra, nem precisa dizer o resultado, mas fazer algazarra e atrapalhar o trânsito todo mundo queria.

      Por mim colocava era a tropa de choque em cima desses porras toda vez atrapalhassem o trânsito.

    • Bom dia, Dalto.
      Acho que você não entendeu minha intenção, ou melhor, talvez tenha entendido errado. Por opção minha, não busquei uma resposta padrão de assessoria, mas procurei incentivar todo mundo a manifestar seu repúdio, porque eu acredito que todo mundo deve exercer sua cidadania (esse é o lance da internet, inclusive). Minha parte foi acompanhar o assunto, escrever sobre ele e divulgar os e-mails (que são públicos). Se você acha que é inválida uma manifestação em cadeia, minha pretensão não é lhe convencer do contrário.

      Abraço.

      • Ok, André.
        Minha intenção foi questionar os editores do blog quanto ao fato de dois dos candidatos apoiados por vocês terem votado a favor do aumento.
        No meu entendimento imaginei que seria uma boa o blog contactá-los e buscar a razão dos parlamentares terem votado a favor do aumento.
        Vamos em frente.
        Um 2011 próspero para todos nós.
        Abraços, Felicidades.

  • Nada se conquista sem suor e sacrifícios. O problema é que essas manisfestações são sempre feitas por grupos de pessoas que apesar da boa intenção e disposição a protestar, o fazem de maneira incompetente e primária.

    Vejam qual divulgação foi feita. Quantas faculdades foram contactadas. Quantos blogs noticiaram a data e hora da manisfestação para que pudéssemos estar presentes.

    Pra mim, trata-se de pessoas com o único objetivo de criar currículo para adentrar na política. Tipo, o que você já fez, “ahh, já participei de diversas mobilizações e blá blá blá”.

    Passeatas assim resultam em nada, criam a sensação de dever cumprido praqueles que dela participaram e um sentimento de revolta naqueles prejudicados em seu ir e vir por uma manifestação que resultaria, desde o seu início, em nada.

    Apoio as manisfestações, inclusive participei de uma que falava sobre a extinção do 13º salário ainda na época de FHC e quando JP tinha se lançado candidato a Prefeito do Recife (mais ou menos em 2001/02). Aquela manisfestação foi grande, muito grande. Causou um verdadeiro impacto. Nada parecido com essa conduzida por professores de história e sociologia com seus alunos do 3º ano ¬¬.

    • Carlos, algumas observações:

      - A manifestação foi marcada pelo Orkut. Na mesma comunidade em que diversas outras capitais marcaram seus protestos.
      - As faculdades estão de férias.
      - A blogosfera pernambucana é fraca demais (André Raboni até comentou isso comigo hoje de tarde) e não tem um público grande de leitores. Pra se ter uma ideia, mesmo com o Acerto de Contas e todo o seu prestígio regional, Pierre ainda é o candidato a reitor menos conhecido na UFPE. Assim sendo, a blogosfera pernambucana ainda não é um lugar bom pra se chamar as pessoas pra um protesto de médias ou grandes proporções.
      - Se houve um caráter de imaturidade no protesto, devemos entender que o povo brasileiro não tem uma tradição de lutar nas ruas por seus direitos. Diretas-já e caras-pintadas foram praticamente episódios isolados. E fico até feliz com esse protesto, porque ele talvez signifique que parte de nossa juventude está aprendendo a exercer a cidadania ativa nas ruas. É impossível exigir maturidade e solidez a uma juventude que, começando agora, não tem a tradição de promover manifestações de rua.
      - Mesmo que os protestos de 27/12 e talvez de 08/01/11 nada adiantem, eles podem representar o surgimento de uma juventude cidadã disposta a protestar contra aquilo que veem de errado. E é daí pra cima.

      • Pessoal, o povo só quer saber quem matou Totó.

        • Totó morreu?

        • Quem é Totó?!

        • o cachorro do vizinho

      • Só quero deixar claro que acho necessário para qualquer sociedade ter uma juventude que se importe em se manifestar contra episódios de escárnios, como o do aumento dos parlamentares.

        Só fiz a ressalva, pois há muito vejo essas manifestações em PE, todas com a mesma ideia de PSTU, PCdoB, à frente segurando bandeira e gritando palavras de ordem. Se brincar o mesmo que participou da manifestação contra a reforma das leis trabalhistas estava lá guiando o movimento.

        Parabéns para ele por ser integrado aos movimentos, e meus pêsames por tantos anos de experiência não terem dado a ele competência para organizar um de maiores proporções.

        O final do seu contra-argumento “Mesmo que os protestos de 27/12 e talvez de 08/01/11 nada adiantem, eles podem representar o surgimento de uma juventude cidadã disposta a protestar contra aquilo que veem de errado. E é daí pra cima”, é inocente, porém, verdade. Tudo começa com um pequeno movimento aqui outro li. MAS, não é disso que estou falando. A importância é óbvia. O fato é que os organizadores não sabem se articular em prol do movimento.

        É como se não importasse o objetivo alcançado, mas, apenas, os ganhos em participar desses tipos de movimento.

        Abçs.

        • Não teve partido no meio, nenhuma bandeira. Ali diferentes orientações ideológicas se juntaram pra uma só causa. A não ser que um e outro tenham se estapeado por ser um de direita e o outro de extrema-esquerda (se bem que não vi isso acontecer).

          Sobre a parte que foi “inocente, porém verdade”, realmente pode ser inocente. Porque até hoje os protestos nas ruas do Recife (e em qualquer outra capital) foram coisas isoladas. As ocasiões do Fora Renan, Fora Sarney e Fora Gilmar não tiveram continuidade ou interligação visível.

        • Carlos, o problema não está somente na organização.

          Houve movimentos contra o aumento da passagem de onibus, a sociedade recifense foi contra.

          Isso é algo que vem da sociedade. É óbvio que quanto mais noticiado melhor, mas a nossa sociedade é critica o suficiente para apoiar manifestações sociais ou só está interessada no seu bem estar?!

  • Imprensa golpista, dificilmente está alheia as necessidades e interesses do povo, só visa interesse próprio. Vejo e sei de instituições realizando almoços, jantares e cafés da manhã regados a prêmio$ e brinde$ (passagens aereas, estadias em hoteis de luxo…).

    • Peraí, outro dia desses nesse mesmo blog houve uma manifestação dos próprios editores não tão conivente com manifestações.

      A nossa própria sociedade não é solidária com manifestações e está longe de ser culpa da grande imprensa.

      Nós dizemos que ssomos inteligentes, mas nos deixamos dominar pelo ideário do “PiG” quando nos é conveniente… Acredito que se não temos senso crítico pra apoiar movimentos sociais não é culpa da imprensa, é da educação…

  • Manisfesto o meu apoio ao post. De fato, grande parte da imprensa quer conduzir o senso-comum como se não fosse abominável e desonroso a população aceitar mansamente um aumento de 62% dos salários que são pagos com os nossos impostos? Por que não ter a mesma cobertura e enfoque que o movimento dos ‘Caras Pintadas’, ou das ‘Diretas Já’?

    Por favor, brasileiros, não deixem de lado esse sentimento de revolta ante aos abusos! Do contrário eles serão perenes. A política existe para o cidadão. E não o contrário.

  • Afinal de contas, nesse Brasil do “nunca antes na história…” qual a definição para “desmobilização sociopolítica”?

    O que vem a ser “conformismo” nesse contexto?

    Somos todos “não-cidadãos”??

    Culpar apenas a midia por essa realidade não é simplista demais?

    Quem somos nós, ou quem é vc, Sr. Robson, para de dedo em riste assacar contra esse status-quo do qual vc é parte integrante e “cabeça pensante”, para julgar essa omissão coletiva quanto a podridão em que estamos mergulhados?

    Esqueceste que somos responsáveis pela eleição de dezenas de tiriricas?

    Esquecestes que estamos inebriados por um falso moralista e populista da pior espécie?

    Por essas e outras, meu caro, textos desse naipe soam como ensaios puramente oportunistas.

    • Chico, não dirigi nenhuma acusação ao povo, não critiquei o “povão alienado” no artigo. Mas sim a mídia que induz a população ao conformismo.

      Se você interpretou meu texto como um “dedo em riste”, não posso fazer nada. Você procurou pelo em ovo.

    • Pois é, é tudo culpa da mídia malvada.

      Quando eu era mais novo acreditava nisso. Mas, não. A culpa é nossa.

      Nossa por não garantir educação de qualidade. Nossa por não explicar a importância do povo.
      Nossa por tolerar falta de ética generalizada.

      Por ter orgulho do jeitinho…

      A mídia não faz escola, ela não está presente na escola! Agora, a escola se tornou omissa. Hoje a escola só ensina a marcar X para passar no vestibular. A prova do ENEM é uma piada, ainda não exige que a escola ensine o que é ser cidadão.

      Já foi o tempo do pessoal de cara pintada, que ia protestar. Viram como aquele metódo de ensino era nocivo para o poder e agora nos tornam em ovelhinhas. alguns culpam a mídia. Ela não é santa, mas devemos nos culpar também…

      • Esse negócio de cara pintada é meio supervalorizado, se tivesse algum valor efetivo o colorido tinha era renunciado…

        Protestos na Argetina, Europa, leste asiático, etc., terminam é na mão mesmo, o país para geral, esse pessoal não brinca em serviço.

        • O negócio é que não tem protesto pacificio… E o país apoia…

      • a educação fraca e a mídia são ambas grandes responsáveis pela desmobilização sociopolítica da população.

  • Tem jeito não, conheço uma pessoa com verdadeira ira por João da Costa, Eduardo Campos, Lula e agora Dilma. O caso dele deve ser o de muitos, na época da vaca gorda e peitinho, ele tinha um cargo de confiança e ia com raiva pegar o soldo na época R$ 4.500,00 (devia dar um trabalho). Pois a boquinha dele acabou, os “padrinhos” dele não estão mais no poder e trabalhar ele não quer. Entendo o motivo de tanta revolta.

    • Isso acontece mesmo. E de ambos os lados. Por isso que Lula, mesmo Dilma nem tendo assumido ainda, já anda falando de reeleição.

      É a galerinha do pt tb não querendo perder a tetinha ;) .

      A olimpíada de 2016 será muito disputada, mas os atletas estarão vestidos de terno e gravata e serão os melhores amigos do povão ¬¬, pelo menos até conseguir a faixa de campeão.

  • Mudando de assunto:

    Gostaria de fazer coro ao pedido de Dalto Pessoa feito acima. Diversos frequentadores do blog pediram para que vocês se manifestassem e fico triste em ver que sequer estão nos respondendo, uma atitude muito rara e chata.

    De novo: http://acertodecontas.blog.br/politica/entre-em-contato-com-seu-parlamentar-cobre-principalmente-transparencia/#comment-181175

    Gostaria de pedir que o blog convide os dois deputados que vocês apoiaram e foram reeleitos, Maurício Rands e Raul Henry, a explicarem seus votos na questão do aumento dos salários.

    E por favor, não nos ignore, principalmente o Raboni. O post pede que entremos em contato com “seu parlamentar” e cobre principalmente transparência. Se nos é permitido racicionar, não é difícil chegar à conclusão que o apoio do blog é uma forma de voto, que foi feito em público. Mas não vejo o blog cobrar de “seus parlamentares” tal transparência.

    Espero que dessa vez respondam. Grato.

  • Análise perfeita, o problema desses movimentos é a falta de divulgação. E André, não é só culpa dos jornais não, o povo brasileiro já tem a cultura conformista, é um povo alienado. Lá na faculdade, tem gente que tem medo até de protestar contra professor, medo de retalhação, mesmo quando os professores tomam atitudes absurdas. Se você é Universitário e tem medo reivindicar seus direitos dentro da própria Universidade, como você vai reinvidicar os direitos da sociedade? O papel do universitário deveria ser de difundir idéias e conhecimentos pela sociedade, concientizar a sociedade, ser um contraponto em relação à alienação proposta pela grande mídia, mas infelizmente vemos que estes tipos de atitude são reprovadas e retalhadas pelos próprios professores da UFPE.

    • O problema está desde o inicio da educação, ele não começa na faculdade.

      No colégio você é obrigado a assistir aulas de religião, não interessa qual é a sua posição sobre isso. No colégio você é constrangido a fazer o que eles querem, a arbitrariedade deles, desde sempre você é ensinado a aceitar o cabresto. É complicado…

      Ouça a música de Gabriel o Pensador, “Estudo Errado” e veja se não é a educação hoje!

  • Pra quem acha um absurdo professores que retalham a liberdade de expressão dos alunos, olhe o post desse blog.

    http://compilousofaltatestar.blogspot.com/2010/09/foguinho-rulez.html

    Vocês sabem o que aconteceu no final do semestre? eu não sei se o aluno da história passou ou não, mas o professor “botou pra fuder nos projetos e provas” por causa disso, e “fudeu toda a sala”. Alguém protestou? Alguém se juntou ao aluno que na minha opnião foi constrangido? Não, cada um foi “tirar o seu da reta”, com medo de reprovar.

    • Pois é, veja, pelo comentário do cara ele não fez nada.

      Já esse fulaninho fez um post chamando o cara de “restart”. Uma crítica contra quem agiu de forma coerente.

      Veja, a atitude do professor foi extremamente autoritária. Lembra alguém… mas enfim,a postura do professor não merecia ser acolhida pelos alunos, que só pensam no seu e por isso ficaram inertes. Agora, os alunos são tudo um bando de CAGÃO e só quer saber do “jeitinho”.

      É o que já foi dito mil vezes por aqui, a galera RI DA HONRA, DA ÉTICA! É uma esculhambação!

      Olhaí ROBSON FERNANDO o EXEMPLO que a GALERA ESCLARECIDA DÁ SOBRE PROTESTOS E CRÍTICAS!!!

      • Profº Zé Ruela. Nem merece ser chamado de professor. Ele é ensinador de matéria. Professor tem que dar exemplo, não apenas conhecer o assunto e saber passá-lo. Tem que ser exemplo de vida e ter postura digna do mister.

        Isso aí é apenas um exemplo de como anda a Federal. Cheia de donos do saber, que não aceitam críticas e, ao mesmo tempo, se dizem democráticos e abertos ao diálogo. ¬¬.

        Vejam a foto que ele colocou, aquilo é ameaça clara. E se tivesse força, alguém “poderoso” dando guarida, esse professor tava ferrado se fizesse alguma coisa com ele, v.g, dificultar sua aprovação.

      • Vi a palhaçada no blog agora, e pelo visto a Federal é cheia dessas peças autoritárias. Eu até gostaria de saber o que Pierre, como candidato a reitor, tem a propor em relação à questão “professores sanguinários”.

        E a alunada também deixa muito a desejar no que diz respeito à solidariedade. Até em Ciências Sociais, um curso que propõe mudar os valores egoístas presentes na sociedade, essa falta de solidariedade acontece.
        Eu posso dizer que, em última análise, a baixa intersociabilidade e a falta de solidariedade foram um dos fatores secundários que me levaram a trancar o curso.

        • Ciências Sociais e Direito, são cursos que você espera que as pessoas tenham noção do seu papel na sociedade, mas não tem… Cada um foi fortemente doutrinado desde pequeno para aceitar as verdades absolutas.

          Aí entra também a religião, para ajudar na criação e manutenção dos dogmas…

          Depois, cada um cuida de si…

        • Exatamente, falta de solidariedade, falta de companheirismo, falta de espírito de grupo. Se os alunos se unissem contra esse tipo de autoritarismo, isto não aconteceria corriqueiramente na federal. Infelizmente fomos ensinados a aceitar e baixar a cabeça, e os poucos que não aceitam este tipo de situação “pagam o pato”.

  • um protesto com a imensidão de 100 pessoas já mostra que o protesto nem deveria ter começado. O absurdo é toda vez que surge um protesto, a cidade ter que ficar parada. Daqui a pouco teremos protesto todo o dia por coisa simples. Se o governo aumentou o salário dele fecha a conde da boa vista, se o ônibus aumenta de preço fecha a conde da boa vista, toda vez é isso, agora me diga quantas coisa foram resolvidas com esse protesto de fechar as ruas, Acho que nenhuma. A única coisa que se faz nesses protestos é parar a cidade, pois é preciso provocar um caos no caótico trânsito da cidade, só me lembro de uma vez, que passei quase 2 horas na avenida agamenon magalhães sem que eu possa andar 10 metros, com um simples detalhe, logo atrás de mim tinha uma ambulância com a sirene ligada, e esse ambulância não estava conseguindo desviar dos carros, pois todos estavam praticamentes estáticos nos seus lugares há longas horas.
    Assim, esses protestos são inúteis, como inúteis devem ser para a sociedade os seus idealizadores, pois no lugar de estudar ou trabalhar, estão inutilizando a produtividade de quem precisa fazer alguma coisa útil.

    • O absurdo nesse caso é alguém achar que toda manifestação pequena deve ser descartada porque é pequena. A Guerra Mundial começou com um estudante matando um príncipe, lembre disso.

      • Pra você ver como movimentos sociais são mal vistos.

        Na minha concepção não adianta parar recife um dia. Tem que parar até resolver.

        Para-se um dia, o pessoal rotula logo de baderneiros.

        Para-se dois dias, vão querer saber o que está acontecendo, vão se informar sobre a proposta do movimento social.

        Para-se três dias, a revolta começa a culpar, além dos “baderneiros” também os políticos.

        Talvez assim os “baderneiros” consigam que a sociedade os apioe e se mobilize… Mas é só teoria…

        • Faz sentido.

        • Seu comentário tem todo o meu apoio, Laccosta.

          Foi assim em 2005, quando aumentaram as passagens e houve quase uma minirrevolução no Recife.

        • O preço das passagens caíram?

        • Jarbas fez de conta e deixou de aumentar na sua integralidade reduzindo o imposto…

        • Laccosta, a teoria é interessante mas na prática não funcionaria afinal estamos no Brasil.
          “Para-se um dia, o pessoal rotula logo de baderneiros.”
          Para-se dois dias e os políticos,para tirarem o seu da reta, aparecem na TV dizendo que os manifestantes são vagabundos( É o que normalmente fazem em greves de médicos e professores).
          Para-se três dias e algum juiz declara o movimento ilegal.
          Isso é Brasil.

        • Exatamente, Laccosta. Tem que ser feito protesto corriqueiramente.

          Dia desses foi noticiado um protesto na Plaza de Mayo em Buenos Aires. Perguntei para um amigo que mora lá se ele tinha visto e a resposta dele foi: esse tipo de protesto acontece quase TODOS OS DIAS aqui.

        • Ah, já ia esquecendo.
          Será que o salário do JUDICIÁRIO não é tão absurdo quanto o do Legislativo e Executivo?

  • Depois dizem que conspirações não existem!

  • O protesto deve ser feito nas urnas, não nas vias públicas, gerando transtornos para a população!

    • O problema é que as urnas não previnem atos de traição.

      Quando um político faz besteira mesmo tendo sido eleito com a confiança da população, o jeito é ir pras ruas mesmo.

  • Que protesto de m#$% foi esse, esses palhaços não representam a sociedade de forma nenhuma, se a sociedade rejeitasse o aumento teria ido em peso as ruas. Na Inglaterra quando alteraram o equivalente ao IPTU teve foi 7 dias de carros queimados e confrontos nas ruas.

    • E você? O que fez?

  • Agora o casal SS está sorrindo com a chegada de um novo integrante para o grupo… o novo presidente da Empetur vai estourar a bolota do balão. Pode se juntar aos incompetentes Fernando Duarte e ao jornalista, dublê de secretário, Renato L.

  • ô povinho para não ter o que fazer…
    Qual salário que o pessoal acha justo para os parlamentares?

    • 15 mil no máximo. E com as verbas de gabinete caindo pela metade.

    • O problema não é nem tanto o salário em si, mas o retorno que esses fanfarrões geram a sociedade. Com a vagabundagem atual acho que 1.500 tava bom demais.

  • Achar que um protesto prejuduca a si é de uma pequenez de pensamento sem medidas. Na verdade quem está protestando está te ajudando, num papel que você não está cumprindo, a cobrar do poderr público responsabilidade com o dinheiro do contribuinte.

  • Caro Robson, temos que parar de raciocinar em padrões pré-determinados. Um deles é que arte,mídia e etc só prestam se tiver “utilidade social”. Não necessariamente. Não vejo problema em ver “quem matou Totó”. Chorar contra a “mídia malvada” é um atestado de que nossa educação vai mal. Um povo educado tem ciência de que Totó é ilusão, é arte e não há problema em ver Totó como lazer. Já num país onde a educação vai mal, como o nosso, Toto virá razão de viver, futebol vira um meio de descarregar frustrações (muitos acham que um estado é melhor que outro se tal time ganha) e não uma atividade de lazer. Pessoas com acesso a educação sabe interpretar as intenções de qualquer jornal, assim como entenderão que num sistema democrático ele pode ter essa posição. Qual problema?
    O contrasenso que vejo é que essa entidade abstrata chamada povo parece um ioiô segundo a conveniencia do momento. Quando elegem certos políticos, que pertencem a nova elite que veste vermelho e se diz do povo, é sábio. Quando aceitam na boa aumentos absurdos de nossos parlamentares são alienados manipulados pela mídia. Fico com a segunda, até porque, até hoje não vi políticos mais midiáticos que a nova elite vermelha.

    • De fato, comentário excelente…

      Demonstra a incoerência no discurso.

      E num país aonde a educação vai mal, o governo só quer o “bem do povo” e aí a gente vê a história se repetir…

  • Perfeito Alexsandro!

    E a educação ainda vai piorar muito se depender desse tipo de pensamento: http://ultimosegundo.ig.com.br/algumas+propostas+para+a+educacao+em+2011/a1237904480600.html

  • HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! Alexsandro, Krishnamurti e Laccosta formam um grupinho especializado em auto-elogios!!!

    • Não é possível que todos falem por aqui…

      • Krishnamurti usa palavrões e termos chulos em 100% de seus comentários.

        Ói o nívi, minino!

        • Martins usa rotulos em todos os seus comentários.

          Ele é um marketeiro do PT que quer reduzir o debate?!

        • Pra tratar com fdp só assim mesmo…

      • *falem merda

  • Jarbas, Marco Maciel e Sergio Guerra. Os três patetas…

  • Gente, os editores entraram de férias foi?
    Nem fizeram o post sobre a posse de Dilma!
    Foi lenta demais, nossa senhora.
    Sarney tava tremendo tanto lendo o discurso q fiquei com medo da saúde do homem.
    Quem roubou a cena foi a “senhora” Marcela, a mulher de Michel Temer! Cês viram aquilo? Parece que o cerimonial mandou trazer a mulhe da Suécia!

    • rapaz… isto merece um posto a parte.

    • Parece que o cerimonial mandou trazer a mulher da Suécia! 2

  • Enfim?

    Mauricio Rands e Raul Henry serão entrevistados pelo Blog ou não?

    Quanto ao post lembrem-se que o Diario de Pernambuco tem faturado uma grana alta com os cadernos que Eduardo Campos todo mês publica sobre o desenvolvimento em PE, Suape, blá ,blá, blá.

    Um jornal desses jamais vai figurar uma lista de nomes (que incluiria Ana Arraes) como votantes do aumento escandaloso do salários dos deputados.

  • É visível nos “grandes” jornalões do país e principalmente nas TVs abertas a completa falta de interesse em noticiar fatos que não estejam diretamente conciliados com a visão de mundo radicalmente capitalista predominante no “mundo dos negócios”, inclusive midiáticos.
    Reivindicações de trabalhadores por melhores condições de trabalho, de miseráveis por um mais amplo acesso à moradia e a uma terra para plantar etc. são vistas como manifestações de COMUNISTAS (OU PETISTAS) BADERNEIROS desinteressados no progresso do país.
    O resultado, como sabemos, é essa absurdamente deturpada visão da democracia, entendida apenas como um regime político garantidor de liberdades econômicas, com total desprezo à necessidade de realização de muitos direitos humanos sociais historicamente negligenciados. Nessa “democracia”, o papel do cidadão é limitado somente ao ato de votar. Que pobreza!
    Que bom seria se muitos jornalistas saísssem de uma medíocre inércia em relação à real realidade de nossa sociedade, que bom seria se eles fosses às ruas e frequentassem as comunidades, que bom seria, enfim, se os seus patrões permitissem nas redações esse perfil de jornalistas…

    • Ué, mas na hora de “COMUNAS” se elegerem com a bandeira do crescimento econômico ela, a economia, não é boa ? Dudu, o governador de Pernambuco, privatizador do SUS do estado ganhou eleição com essa bandeira, ou não ?

  • Caros companheiros, mesmo bem atrasado quero externar minha opinião sobre o fato.

    Estive presente no dia do protesto e fiquei bastante intrigado com o mesmo. sou ligado aos movimentos sociais, já militei no movimento secundarista, sou mititante do MST dentre outros. mas ao ver este protesto não pude constatar a presença dos tradicionais movimentos sociais, dos Sindicatos, dentre outros. vi apenas um meia dúzia de jovens (engomadinhos) que estavam fazendo um protesto extremamente esvaziado. Sou totalmente contra a abordagem dos jornais mas acho que deve-se ter responsabilidade social. pois o que vi foram milhares de trabalhadores e trabalhadoras presos no transito todos revoltados e o pior nem sabiam o que estavam acontecendo. desci do meu ônibus no Derby e percorri toda a Boa Vista a pé e vários comentários surgiam alguns extremistas chegavam até a falar que eram arrastões e isso provocou panico nas pessoas que estavam nas ruas e ônibus, quando cheguei no miolo da passeata vi que não tinha nem 40 pessoas, descobri que alguns faziam parte de coletivos estudantis ligados ao PSTU. sinceramente foi muito fraca apesar de a causa ser relevante a mobilização foi totalmente desorganizada e não cumpriu o seu principal papel que era o de alertar a população, pelo contrario deixou-a indgnada, inclusive contribuindo para a idéia vendida pelos jornais. ainda acredito em protestos e passeatas como formas de luta mas acho que toda e qualquer mobilização deve ser organizada e ter responsabilidade social, e sobretudo deve objetivar o envolvimento da população.

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).