Dólar chegará a R$ 4,00?

set 3, 2015 by     12 Comentários    Postado em: Economia

Após a eleição do ano passado, o dólar iniciou uma trajetória de apreciação junto ao real que começou a desequilibrar uma série de relações econômicas. Hoje a moeda americana chegou a ser vendida a R$ 3,81 no comercial.

Cenário parecido foi visto em 2002, com a possibilidade de Lula ganhar as eleições. Naquele momento se discutia exatamente o impacto do dólar a R$ 4,00.

Algumas razões explicam a alta excessiva de 2015, e vale a pena discutir para tentar entender.

  1. O dólar também tem se valorizado em relação às outras moedas do mundo (como o euro). Menos do que em relação ao real, mas há uma clara apreciação da moeda americana, impulsionada pelo FED.
  2. Há um claro comportamento de desconfiança do mercado em relação ao Governo brasileiro, o que piora a situação, pois o dólar é claramente um local de sossego o risco.
  3. A alta dos juros não tem sido suficiente para atração de capital externo, o que ajuda o argumento de que é preciso baixar os juros pois a inflação é de demanda e o aumento do estoque da dívida não estaria servindo para nada.
  4. A desaceleração da China e das exportações tem piorado o quadro.
  5. Há um forte movimento especulativo no mercado brasileiro em relação à moeda americana.
  6. O envio do orçamento deficitário ao Congresso deixou sérias desconfianças quanto ao pagamento da dívida futura por parte do Governo.
  7. O Bacen aparentemente deixou de operar de maneira forte no mercado de câmbio.

A questão agora é: até onde chega o dólar? Há um claro descompasso, já que o dólar de equilíbrio estaria no máximo em R$ 2,90/R$ 3,00.

Neste momento há poucas dúvidas de que podemos ter o dólar comercial cotado a R$ 4,00 nos próximos dias. É uma barreira que não imaginaríamos no início do ano, mas com o Risco Brasil subindo a 381 pontos e o Governo mostrando que está mais preocupado em se manter no cargo do que em rearrumar as contas públicas, dificilmente esta trajetória terá uma inflexão nas próximas semanas. Na verdade nas casas de câmbio já está sendo vendido a R$ 4,40.

O Governo poderia aproveitar para ajudar quem pode se beneficiar do dólar alto: as empresas exportadoras. Nos últimos anos as exportações brasileiras ficaram restritas basicamente a agricultura, commodities (especialmente da Vale) e Embraer, além de um pequeno grupo restante. Esta pode ser a oportunidade para a recuperação industrial do Brasil, mas precisará enfrentar o desafio da queda de receita no mercado interno.

Quanto a quem gostaria de viajar nos próximos meses, só posso dizer que a situação piorou muito.

Foi o fim (pelo menos por enquanto) da “Bolsa Miami”.

12 Comentários + Add Comentário

  • se o BACEN soltar as redeas e o FED subir a taxa de juros, bate 5,0 brincando. Que morte horrível

  • Pierre, no item 4 você mencionou a desaceleração da China, seria interessante o blog fazer um artigo sobre esse freio no crescimento chinês e a repercussão disso nos mercados emergentes, sobretudo no Brasil.

    Com tanto problema no Brasil, por aqui o noticiário econômico esqueceu a China, mas em se tratando da segunda maior economia do mundo é bom ficar de olho.

    Um espirro na China é uma pneumonia crônica no Brasil.

  • Não sei por que chamar essa alta vertiginosa do dólar é o fim da “Bolsa Miami.” A inconveniência aos ricos não chega nem perto de compensar o aumento de preço dos produtos importados consumidos por todas a camadas econômicas da sociedade.

    • Parece que os horti-fruti-granjeiros nos supermercados estão cotados em dólar!

      Arre égua!!! Os preços subiram e não sei quem se beneficiou desses aumentos pois na minha casa o que aumentou foi o arrocho. Para quanto subirá o preço da carne?

      Vou cortar tv-a-cabo e reduzir o plano do celular, carro só em percursos essenciais e o lazer vai ser assistindo o Faustão e vendo o Sport cair na tabela.

      E eu pensei que ia conhecer os EUA ou a Europa mas pelo visto vou ter que me contentar com Boa Viagem (antes que o mar acabe com a praia) e ficar admirando as novas torres no Estelita.

      Se não perder o emprego e der para pagar as contas, já me darei por satisfeito.

  • No ponto 3. “O argumento de que é necessário baixar os juros pq a inflação é de demanda”? Eu sou da corrente contrária. Não vejo chances de diminuir por enquanto.
    O que tá faltando nessa história é o corte de gastos públicos, que todo mundo anuncia, mas ninguém coloca em prática.
    Sobre o momento da indústria brasileira para exportação, eu não vejo com tanto otimismo, já que a nossa pauta de exportação é pouco dinâmica. Nessa conjuntura, poucos são os beneficiados com o dólar alto, mas muitos são os prejudicados com o dólar nesse patamar. O que vejo é que nós só conseguimos competir com produtos no mercado externo por meio do câmbio e não por meio da qualidade. E no mercado nacional, os produtos nacionais só conseguem competir com barreiras alfandegárias e com moeda desvalorizada. O que fica evidente é que só conseguimos ganhar o jogo com malícia.

    Devia existir um órgão para a disseminação de conhecimento industrial em larga escala, com objetivo de ser mais competiitivo, assim como existe a embrapa para conhecimento agropecuário. A embrapa tem e teve um papel fundamental para a agropecuária brasileira.

    Esse momento o governo devia dar esperanças p gente aprimorando a transparência nas contas públicas, aqui em Pernambuco, por exemplo, quantas prefeituras, quantas câmaras de vereadores tem portal da transparência de verdade? Essa turminha pinta e borda.

    • Sobre o sistema S, pelo que eu sei, ele capacita mão de obra, ele tem como foco pelo que imagino que seus alunos consigam emprego. Eu proponho que ao invés disso, esse sistema capacite pessoas para criarem empregos. Deviamos ter um sistema para incentivar o empreendedorismo industrial, passar os melhores processos de fabricação para cada segmento de mercado, apresentar máquinas e que não tenha barreiras para acessar essas informações, ou seja, que as informações sejam livres, disponíveis. Desse modo, incentivariamos o empreendedorismo, nos tonariamos mais competitivos já que aconteceria um grande fluxo de informação, como acontece no vale do silício, que as pessoas respiram tecnologia o tempo todo.

  • -

    Rapaz …

    Acho que o próximo Post deve ser:

    – “Levy pega o beco ou não ?”

    .

  • Levy é da direita e, além de ser um técnico altamente qualificado oriundo do setor financeiro, parece ser alguém bem intencionado.

    O problema é que ele caiu num ninho de picaretas, marginais e vagabundos que é o PT.

    Ele deve estar aguentando o diabo com esse PT e ainda tendo que aturar uma criatura completamente desequilibrada e perturbada (Dilma).

    Se fosse outro com menos paciência, já teria pedido demissão desse hospício que virou Brasília.

  • Apesar de tudo que temos ouvido e visto, (alta dólar, inflação se descontrolando, corrupções, etc,etc) mesmo assim, creio que, tanto no meio empresarial, como nos Governos Federal, Estadual, Municipal e no STF, ainda existe gestores determinados, destemidos e competentes nas suas funções, que no devido tempo, farão com que o Brasil volte a crescer novamente no cenário Economico e social. É disto, que o povo brasileiro espera, e que sejam julgados e punidos, aqueles que se envolveram em corrupções com desvios de verbas públicas para benefícios próprios e enriquecimentos ilícitos. Povo brasileiro unido, jamais será vencido, e que estes bons gestores entrem logo em ação, haja o que houver e doe em quem doer, e que DEUS ajude a todos nós a superar estes momentos de crises.

  • E pesar que há três anos o Brasil era o Fodex em termos econômicos, com marginais petistas vomitando que ensinavam economia aos brancos de olhos azuis!

    • E pensar…..

  • O Dólar chegou a 4 ontem, fechou no negativo porque o bacen atuou.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).