seríamos macacos de novo?

stalin e lenin

“O dinheiro desaparecerá…O ouro pode ser preservado, de acordo com a vontade de Lênin, para a construção de lavatórios públicos…nas sociedades comunistas os bens serão disponibilizados ampla e gratuitamente. A organização da sociedade até as suas próprias origens será sem dinheiro…O desejo neurótico e frenético pelo consumo desaparecerá.

O novo homem se parecerá com seus ancestrais caçadores, que confiavam na natureza que os abastecia livremente e, com frequência, abundantemente com tudo que eles precisavam para viver; e que não tinham que se preocupar com o amanhã.”

Este trecho foi retirado de um dos principais textos comunistas, conhecido como O Mundo sem dinheiro: o comunismo, que seria uma espécie de cartilha universal da juventude socialista.

E pensar que metade do mundo viveu sob este pensamento, onde seria uma própria negação da existência do homem como indivíduo. Não podia mesmo dar certo.

Os mais lúcidos, como o próprio Marx, sabiam que não era possível viver sem o dinheiro. A proposta original foi centralizar o crédito em um banco centralizado, mas suas propostas originais acabaram sendo distorcidas, como mostra o texto acima.

Claro que a ascensão do comunismo teve muita relação com o momento histórico, principalmente pelo massacre a que era submetido o povo russo, mas sua insistência por parte de alguns faz hoje pouco sentido.

Foi um processo histórico, como foi a Revolução Francesa, mas era normal que a ideologia sofresse modificações e se aperfeiçoasse para se consolidar. E em alguns lugares isso está ocorrendo, como na China, que hoje pratica o “socialismo de mercado”. Herdou apenas o regime totalitário e centralizador. Mas está construindo bases como sistema econômico.

Com todos os problemas do capitalismo, é inegável seu avanço como meio de crescimento pessoal e de melhoria da qualidade de vida média da população. A busca de um sistema que fomente a equalização da riqueza é o grande desafio a partir de agora. A absoluta ausência de Estado também não se mostrou um modelo eficaz.

homem

De acordo com o texto acima, deveríamos voltar a viver como caçadores, esperando que a natureza nos fornecesse os meios de sobrevivência, esquecendo que a existência do dinheiro é muito anterior que a formulação da teria econômica.

O Manifesto Comunista acima, que poderia se chamar A Volta ao Planeta dos Macacos, só esquece de falar dos avanços do mundo e da qualidade de vida nos últimos séculos.

No século XVI, para se ter uma idéia, a expectativa média de vida para os homens era de 27 anos e das mulheres em torno de 25 anos. Os avanços obtidos através da ciência só foi possível com a derrocada de movimentos obscuros religiosos e políticos. A falta de alimentos, de saneamento, o excesso de doenças e pragas destruidoras tornavam a chegada à vida adulta uma vitória.

Da mesma forma colocar a culpa na existência do dinheiro não ajuda nada. Se não existisse o dinheiro como conhecemos, ele apareceria de outra forma. Na Idade Média moedas de ouro serviram como dinheiro, em alguns presídios o cigarro virou uma forma de moeda, e até o sal já foi uma espécie de moeda.

O surgimento de alguns instrumentos financeiros é de certa forma inevitável, e contra isso não dá para lutar. O entendimento dos instrumentos e das leis de mercado foi a forma mais eficaz de crescimento econômico e social que o mundo encontrou, como a Teoria Keynesiana. Sua negação não levou a lugar algum.

As nações que prosperaram socialmente e com liberdade são justamente aquelas que conseguiram buscar na essência de sua cultura o melhor que o homem pode fornecer. Os exemplos clássicos são os países escandinavos, em especial a Noruega, que aproveitou seus traços culturais para montar um Estado forte, e ao mesmo tempo que fomenta o empreendedorismo. Tudo isso calcado no fortalecimento educacional da população.

Claro que muitos outros fatores são responsáveis pelo progresso dos países, mas a negação do individualismo humano levou milhões de pessoas à tragédia econômica. O exemplo clássico foi a diferença de padrão de vida da Alemanha Ocidental e Oriental. Ou ainda dos países do Leste Europeu, que recentemente se incorporaram à Comunidade Européia, como é o caso da República Tcheca e da Polônia.

Mas o que impressiona é que a volta ao Planeta dos Macacos ainda mobiliza muita gente.

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