Empresário tem fortuna de R$ 700 milhões

fev 24, 2010 by     Sem Comentários    Postado em: Economia

por João Domingos
de O Estado de S.Paulo

Paulo Octávio Alves Pereira é o empresário mais bem-sucedido entre todos os que fizeram da capital do País seu lugar de negócios. Comanda, hoje, uma holding de 14 empresas nas áreas de construção, venda e administração de imóveis, concessionárias de automóveis, hotelaria, shopping centers, comunicações e propaganda e marketing. Aos 60 anos, completados no dia 13, dois dias depois da prisão de José Roberto Arruda, tem fortuna avaliada pelo mercado em cerca de R$ 700 milhões – ao TSE, declarou patrimônio de R$ 323,5 milhões.

O empresário que hoje exibe sua marca na maioria dos prédios de Brasília não nasceu rico. Desde adolescente, quando se mudou para a capital recém-inaugurada, aproximou-se de pessoas poderosas. A primeira foi Fernando Collor, então um playboy que residia em Brasília com o pai, o senador Arnon de Mello. Um outro garoto, que também se tornaria um próspero empresário, e se enredaria numa série de escândalos no futuro, também andava na mesma roda: Luiz Estevão.

Quando o já presidente Collor protagonizou o escândalo dos cheques assinados por correntistas fantasmas, misturado a extorsão a empresários feita pelo ex-tesoureiro de sua campanha, Paulo Cesar Farias, o PC, Paulo Octávio e Luiz Estevão emprestaram seus nomes para tentar salvar o amigo. Para justificar a origem do dinheiro, investigada por uma CPI, em 1992, Collor apresentou papéis de um empréstimo de U$ 5 milhões, tomado no Uruguai – a chamada Operação Uruguai. Os avalistas eram Paulo Octávio e Luiz Estevão. Este último, como todos sabem, acabou sendo eleito senador em 1998 e foi cassado em 2000 sob a acusação de ter desviado cerca de R$ 170 milhões da obra do TRT de São Paulo.

Paulo Octávio começou sua vida profissional vendendo seguros. Depois, virou corretor de imóveis. Casou-se com uma filha do então ministro da Marinha, Maximiano da Fonseca (governo de João Figueiredo de 1979 a 1985). Associou-se então ao empresário Sérgio Naya (que construiu o Edifício Palace II, que desabou no Rio de Janeiro). Na capital, eles levantaram o Hotel Saint Paul, numa das áreas centrais de Brasília. A Marinha comprou na planta 40 dos 272 apartamentos do prédio.

Quando Fernando Collor foi eleito presidente, em 1989, os negócios de Paulo Octávio cresceram ainda mais. Ele teria indicado os dirigentes da Funcef, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal. Conseguiu, por aí, financiamentos para três grandes obras: o Hotel Alvorada, que fica ao lado do Palácio da Alvorada, o Brasília Shopping e um grande projeto de construção de prédios de apartamentos.

Separado da filha do almirante, ele se casou com Anna Cristina, neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Assim como seus dois amigos de adolescência – Collor e Luiz Estevão – Paulo Octávio entrou para a política. Mas, assim como ocorreu com os amigos, parece haver uma maldição quando o trio se envolve em política. Collor foi cassado (cumpriu oito anos de perda de direitos políticos e voltou à atividade, como senador); Luiz Estevão também. Paulo Octávio renunciou ao governo quando corria o risco de sofrer um impeachment.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).