Está provado: quem ganha menos, paga mais impostos!

jul 1, 2009 by     10 Comentários    Postado em: Economia

carga-tributaria

O mundo está ao contrário e ninguém reparou. É o que prova o interessantíssimo estudo que o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) apresentou, ontem, sobre a injustiça fiscal reinante no Brasil. Através dele ficamos sabendo, por exemplo, que os trabalhadores que ganham até dois salários mínimos carregam uma carga tributária bruta de 53,9%. E quem ganha mais de 30 salários mínimos, sabe quanto paga em impostos? 29%.

Isso significa que a massa trabalhadora trabalha 197 dias (dos 365 que há num ano) para o governo. A parcela mais rica da população deu praticamente meio expediente ao Leão: 106 dias. Na média, o brasileiro trabalha 132 dias para o Estado, ou seja, quatro meses e 12 dias.

“O princípio importante em qualquer sistema tributário é o da Equidade ou da Capacidade Contributiva, por permitir que o estabelecimento da contribuição dos cidadãos para o financiamento do Estado deve ser compatível com a sua capacidade econômica. Ou seja, não se deveria impor aos cidadãos de menor capacidade econômica – normalmente entendidos como aqueles de menor renda e menor patrimônio – o mesmo esforço tributário exigido dos cidadãos de maior capacidade econômica. Nesse sentido, o sistema tributário deve buscar a progressividade – tributar mais os ricos do que os pobres.”

Quem diz isso não sou eu, não, é o Ipea.

Vamos ver agora como se gasta o nosso suado dinheirinho. Deixemos de lado, por enquanto, as mamatas, os desvios, as corrupções… Vamos nos limitar aos gastos legais.

O cidadão brasileiro trabalha 7,7 dias para pagar as aposentadorias e pensões integrais dos servidores públicos federais inativos e os pensionistas, bem como alguns benefícios específicos como assistência médica, auxílios refeição, transporte e creche, dentre outros.

Sabe quanto você trabalha para custear o Bolsa-Família, que atende as necessidades básicas de 11,6 milhões de famílias? Um dia e meio.

Somos ou não somos o país dos barnabés?!

E se você não acha importante discutir se o governo está gastando bem ou mal, saiba que 20 dias e meio de seu suor vai para pagar apenas os juros da dívida pública da União, estados e municípios. Quase um sexto de toda a Carga Tributária arrecadada em 2008 se destinou ao pagamento de juros.

PS: Estou em Fortaleza, dando uns dias de trabalho para que o pessoal lá de Brasília possa empregar mais alguns parentes por ato secreto… Desculpem-me pela ausência no blog.

10 Comentários + Add Comentário

  • Reforma tributária só em sonho. Com informações desse tipo, todo mundo se revolta, acha absurdo. Mas depois passa e fica tudo na mesma. Infelizmente, os trabalhadores não percebem, na prática, o impacto dos tributos e tudo parece abstrato. Pagamos sem sentir. Enquanto o brasileiro trabalha e perde parte de seu suado salário para o governo, este mantêm um sistema inchado, cheio de apadrinhados políticos que são verdadeiros sangue sugas, cargos comissionados e desvio de verba pública p/ o bolso de bandidos que usam terno e gravata.

    Os governos federal, estaduais e municipais, estruturados em poderes executivo, legislativo e judiciário, gastam mais do que os cidadãos pagam. Os governantes devem tornar a máquina pública eficaz. Deve haver tb combate firme aos sonegadores. Os governantes deveriam prestar contas com máxima transparência.

    E como ngm tá preocupado com os brasileiros, se o governo manda para votação uma proposta de reforma tributária eficiente, a oposição, por puro jogo político, trata de desqualificar. Não importa como beneficiaria o país, e sim como afetaria a influência na eleições.

  • Disse tudo Bahé (que danado de sobrenome é esse?). Contra números, não há argumentos. Parabéns ao IPEA, órgão de excelência no setor público, por desnudar esta TRÁGICA (permita-me a ênfase) situação. Tenho chamado esse quadro de “sovietização da sociedade” (não só da economia) nacional. Todo mundo quer ser barnabé (a propósito, Bahé, vc já assistiu ao filme com Oscarito? Meu Deus, o mesmo quadro representa o grupo de servidores do senado mostrado ontem na TV!). As pessoas mais capazes, com mais preparo educacional, tratam logo de fazer um bom concurso público. Essa elite, vamos chamar assim, tão logo consegue seu desejado emprego, trata de auferir a maior gama de benefícios possíveis: os tais “planos de cargos e salários”, eufemismo para aumento. Esse pessoal é cheio de direitos! Ai do entregador de pizza que atrasa! Vão logo dizendo: isso é um absurdo! Ai da operadora de telefonia que não responde logo ao que for perguntado. Claro, eficiência é para os outros, os que servem. E a sociedade fica, então, dividida: os que demandam e o que entregam as pizzas. A propósito, o que vc achou do benefício concedido aos fazendários pelo governardor?

    • Germano,

      Seu comentário me fez lembrar do debate que promovemos, em maio passado, na universidade federal. Certa hora, Marcos Magalhães, pernambucano e ex-presidente da Philips na América Latina, perguntou para a platéia (composta majoritariamente de estudantes universitários) quem dali iria fazer concurso público. Sem medo de errar, 99% levantou a mão.

      É triste, mas é o retrato da realidade.

      PS: Tem gente que diz que meu sobrenome vem da França, outros dizem que é árabe. Não faço a menor idéia.

  • Como disse Germano, com adapções, a sociedade fica divida em servos e servidos. Ou seria servos senhores?

    Precisamos discutir isso. As pessoas não querem mais produzir, não querem se submeter a controle de eficiência algum.

    Essa “sovietização da sociedade” é perigosa, pois o Estado não tem como reproduzir esse nível de rendimentos nem para 20% da população.

    Se continuarmos assim, teremos um criação de uma nova nobreza (uma nobreza Barnabé). Naqueles moldes do seculo XVIII. Uma nobreza que maximiza o ócio, trabalha pouco. é improdutiva e, o mais grave, inviabiliza o Estado. Inviabiliza a capacidade de investimento do Estado.

  • Caro Bahé

    Muito embora os principais princípios tratados em teoria da tributação seja o da capacidade de pagamento e o do benefício, há de se lembrar do princiípio máximo que rege qualquer sistema tributário, que é o da necessidade de arrecadação.

    Existem diversas formas de arrecadar, e a cada uma pode ser associado um custo, e um efeito sobre os dois primeiros princípios. Infelizmente a forma mais barata de arrecadar, e que é a que gera melhor resultado financeiro em termos de receita, é também uma das piores em termos do princípio do benefício, e a pior em termos do princípio da capacidade de pagamento. Tratam-se dos famigerados tributos indiretos.

    É bem simples, como existem muito menos agentes na ponta da produção que no consumo ou no trabalho, e desde que estas ações são sujeitas a controles mais efetivos que as demais, se lançam tributos sobre a cadeia de comercialização. Como o efeito é fixo sobre o preço final, o peso é maior para quem tem renda menor, a chamada regressividade.

    Em países menos desenvolvidos, como o nosso caso, este é tipicamente o principal tipo de tributo. Em países mais desenvolvidos o imposto de renda prevalece.

    Aliás neste tipo de discussão é fácil perder o foco e se ficar achando que o sistema foi feito para prejudicar o pobre. É uma visão muito equivocada, pois o imposto de renda é progressivo, e o sujeito da arrecadação dos impostos indiretos é justamente o empresário. O problema está no efeito final.

    Enquanto isto a reforma tributária está empacada no congresso. A razão é simples, migrar com intensidade para um sistema progressivo pode levar a queda na arrecadação, implica uma estrutura maior de acompanhamento, centraliza a arrecadação em impostos repartíveis junto ao governo central, retira capacidade de criar tributos da União, afeta imediatamente a renda disponível mas a longo prazo os preços, só para citar algumas questões.

    É um bocado de trabalho, com muitas implicações, para que nossos congressistas encarem a empreitada. Enquanto isto…

  • Bom, eu reparei. Mas tudo bem :-)

  • Eita que lascou tudo!
    Como professor de escola pública devo estar pagando pelas mordomias desta buena gente, dourada de sol e encastelada nos palácios.

  • Imagino que os especialistas terão de refazer o cálculo de que o pobre tem que trabalhar duas vezes mais (3 meses e meio) que o rico para pagar suas contas.

    A Aneel aprovou um aumento de 13% na energia elétrica…

    Agora vamos trabalhar mais para pagar as contas e do jeito que vai, no escuro!

    tsavkko.blogspot.com

  • Valeu Caras, tô aprendeno com ôces, tô fazendo uma pesquisa e esse trabaio foi bom demais da conta, nau sabia disso, poi é sou um Barnabé, sou brasileiro.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).