Estadão dá o bom exemplo e anuncia apoio a José Serra em editorial

set 26, 2010 by     60 Comentários    Postado em: Economia

newspapers

Antes tarde do que nunca. Apesar de faltar apenas uma semana para a eleição no Brasil, o Estado de São Paulo publicou hoje um editorial que deveríamos ter lido há tempo no Brasil: um veículo de comunicação impresso apoiar um candidato.

A Carta Capital tinha feito isso há algum tempo, declarando apoio a Dilma Rousseff, mas acredito que o Estado de São Paulo seja o primeiro jornal diário a declarar seu apoio.

Isso é extremamente benéfico para a democracia brasileira, e também para o jornalismo. É bobagem acreditar que existe isenção, quando por trás dos textos e da edição existe uma pessoa, com valores e ideologias.

Para o leitor do Estado de São Paulo, fica a missão de tentar compreender o que o jornal quer dizer, sabendo agora que este apoia José Serra para a Presidência. Garanto que ele vai dar muito mais credibilidade ao jornal que apoia José Serra do que aos pseudoisentos, como a Veja, Folha, etc.

O grande desafio é apoiar um candidato sem perder o senso crítico e o bom-senso. Os leitores e os veículos precisam entender que apoiar um candidato não significa atuar como torcidas uniformizadas e militantes ignóbeis, que são maioria nas campanhas, muito menos como partidos políticos.

Espero que sirva de exemplo para os demais.

Segue o editorial.

Editorial: o mal a evitar

A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, oEstado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” Este é o mal a evitar.

60 Comentários + Add Comentário

  • Realmente, antes tarde do que nunca.
    agora…
    Jornal do Commercio?
    Diário de Pernambuco?
    Folha de Pernambuco?
    Alguém?

    • Jornal do Commercio? JCPM

      Diario? Vendido a quem quer que esteja no poder.

      Folha? É do irmão de Armando Monteiro.

      Aqui não tem jeito não.

    • O problema com o Estadão, talvez seja:

      os contratos de publicidade não saíram com a presidência de LULA e sim com o governo estadual de São Paulo.

      É revanche?

  • É, precisamos evitar o: “sou amigo do presidente!”

  • Finalmente …

  • O Estadão jogou fora sua hipocrisia e assumiu-se ser um autêntico ajudante de Serra. Pra democracia isso não é nada ruim, pelo contrário.

    Mas percebam a argumentação: o jornalão só assume o apoio a Serra porque vê o governo Lula como um demônio antidemocrático, não pelos méritos e qualidades de Serra.

    O jornalão pode pensar ideologicamente o que quiser, mas, assumidamente, não conseguirá convencer ninguém de que Serra é um candidato realmente bom e recomendável.

    • Robson,

      eu te pergunto: qual o problema de um jornal considerar um presidente o mal para a democracia?

      O jornal, ao meu ver, não está tentando convencer a votar em Serra.

      O foco do argumento está exatamente na tentativa de demonstrar o mal que Lula faz à democracia. E expõe fatos concretos e irrefutáveis.

      Eu pergunto à militância vermelha da qual fiz parte no passado: onde está aquela indignação, a mobilização inigualável ao menor sinal de práticas de corrupção, escândalos políticos, fisiologismo, etc da “oposição”?

      É como o Estadão bem observou: estão todos hipnotizados. Não conseguem olhar para o próprio umbigo e refletir sobre estes fatos sem primeiro apontar o dedo.

      Abraço!

      • André, melhor reler o editorial. O Estadao tenta sim se posicionar a favor de Serra. Mas passa mais tempo desancando o governo Lula (ou seja, pq nao votar em sua candidata) do que dizendo os meritos do candidato (pq votar em Serra).

        • Luis,

          o jornal se posiciona clara e literalmente em favor de Serra. Posicionar-se é bem diferente de tentar convencer.

          E realmente, centra o foco da argumentação no malefício que Lula faz à democracia brasileira.

          Abraço.

      • Falcão, é “a meu ver”.
        Abraço

    • Concordo!

  • Ainda assim continua a ser um jornal medíocre de extrema direita, como a Folha e O Globo, pois se acham acima do bem e do mal. Jornalismo e jornal excelentes são os que se limitam a RELATAR, DENUNCIAR COM PROVAS os acontecimentos e, não fazer o trabalho da polícia e da justiça fazendo prejulgamentos que na maioria das vezes mais atrapalha que ajuda. A forma de se fazer jornalismo no Brasil precisa ser revista pelas faculdades porque esses profissionais estão ficando sem credibilidade na sociedade e não estão percebendo isso.

    • Vc descreveu a mídia a nível global minha cara…

    • Uma definição copiada quase que palavra por palavra do blog do PHA, mas corretíssima em sua essência.

    • Emília,

      Você lê o Estadão? Me parece que não… conheço um monte de gente que se acha inteligente e crítica sem ler.

  • O Mal a evitar.

    Esse é o título do edital do jornal o Estado de São Paulo. O medo dos editores ou donos deste jornal é que Lula possa atropelá-los como relata o final do editorial.

    Realmente, Pierre. O desafio é apoiar um candidato sem perder o bom-senso ou o senso crítico como vc mesmo falou. Imagine que um belo dia um professor tenha sua aula interrompida pela polícia invadindo a Universidade. Isto aconteceu na USP quando Serra era governandor. Ou seja, apoiar Serra também não dá certeza de nenhuma garantia consititucional, se é que é este o medo do jornal O Estado de São Paulo. Na verdade, qual o poder dos profs tomar o poder? os profs não usam armas. Os profs usam ideias e estas são mais fortes que as armas e por isso Serra mandou a polícia invadir a USP.

    O fato é que o próprio José Serra foi ministro do governo FHC e que naquele governo havia tanta ou mais corrupção quando este de Lula. A questão não é apenas contar o número de casos de corrupção deste ou daquele governo para compará-los. O que me parece evidente é que quando ocorre uma corrupção há um desprezo pelas instituições e principalmente pelo povo. O governante, ou assessor, ou diretor de uma empresa pública, enfim, qualquer um que pratique um ato corrupto despreza e ignora a tudo e a todos se achando acima de qualquer coisa. Se este é o medo do Estado de São Paulo, não vejo diferenças entre Lula e Serra neste aspecto.

    O que me parece é que o editorial tem sua preferrência por Serra por motivos bem mais fortes que a preocupação com a ordem democrática. Os interesses financeiros falam mais alto e num mercado onde a cada ano a mídia impressa perde valor, o Estado de São Paulo há de se apegar a aqueles que permitam a manutenção de um estado em que permitam a continuidade dos lucros. Embora que muitos dos grandes empresários não tem muito o que reclamar do governo Lula.

  • A Folha de SP (ou FOrca Serra Presidente como querem alguns) foi em sentido absolutamente contrario: declara ems eu editorial uma isencao que nunca existiu. Publicaram ficha fake de Dilma, atribuiram-lhe um prejud e 1 bi q era de FHC, e vai por ai afora.

  • Compra e ler quem quer.

    Na minha casa, nós fomos assinantes da Folha de São Paulo durante muito tempo. O melhor jornal do país disparado, mas em virtude da sua partidarização escandalosa, nós cancelamos a assinatura.

    Os jornais daqui de PE, não vale à pena nem ler a capa.

    Acredito que os jornais e revistas tenham pleno direito à opção política e/ou ideológica, mas sempre centrada no limite do respeito a verdade factual. Em suma, quando perde o escrúpulo, perde leitores.

  • Mau exemplo, eu diria. Há oito dias da eleição, depois de posar como imparcial durante toda a campanha, agora vem o Estadão, como diria Galvão Bueno, dizer o que todo mundo já sabia.

  • [...] This post was mentioned on Twitter by natália figueiredo, Gabriel Moraes. Gabriel Moraes said: Galera, da uma lida nesse posicionamento do Estadao em relaçao as eleiçoes @joseserra_ @dilmabr. Exemplar! http://tinyurl.com/2b5ftbo [...]

  • Deveria ter feito antes, concordo. Mas há alguma mentira aí sobre o Lula?! Acho que dá pra fazer um texto igualzinho, colocando a direita no lugar da esquerda…

  • A Veja se diz isenta? Eu já li várias “cartas ao leitor” onde ela se coloca a favor de privatizações, estado menor, menos impostos, etc. Pra mim isso é se declarar de direita.

    • Sei… é que bom mesmo é um monte de gente em cargos de comissão, roubo escandaloso nos Correios. E além de tudo você gosta de impostos altos, é isso?

  • Perfeito. Antes tarde do que nunca. Está na hora da Veja, Folha, JC, Diário, etc fazerem o mesmo.

    Resumindo o que o Estado de São Paulo quis dizer em seu editorial:

    LULA É O MAIOR DESPERDÍCIO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA.

    Ele sim, representa um tipo de liderança (como a de Cristina Kirchner, Chaves, Morales) que precisamos extirpar se quisermos uma democracia plena e de fato consolidada. Extirpemos no voto, não na paulada.

    Apesar de uma certa frustração, esta minha convicção me faz um dos “viúvos” mais felizes deste indivíduo. Livrei-me!

    Abraço!

    • Vc só faz comentário infeliz, meu brother. Se não tem nada de proveitoso pra falar, cala a boca! Aposto que vc se sentirá melhor. ;)

      • Pois é, Barbosa. Talvez não seja proveitoso para você, “meu brother”. Eu não faço comentário para agradar ou desagradar ninguém. É só uma opinião.

        Bem vindo à democracia! ;)

        • Sei… Deixa ver se entendi direito. Vc só comenta pra vc mesmo??? Não deseja agradar ou desagradar os outros??? Na boa, isso não existe. Caso contrário, vc faria o que eu disse: guardaria seus comentários pra vc. Não sentiria necessidade de externá-los. Vale ressaltar que respeito demais a democracia. Porém, sou um ser pensante e, pra mim, toda opinião requer, obrigatoriamente, um fundamento. Só a religião é capaz de sobreviver assim, às cegas, pq depende da fé, exclusivamente. Já quem manifesta opinião deve se basear em algo que a sustente, ainda que minimamente. Propagar teses preconceituosas, como faz o editorial do Estadão (que não gosta do Lula simplesmente pq ele representa o povo brasileiro pobre e marginalizado), constitui grave ameaça à democracia. Pois é. Também vivo nela. E pretendo defendê-la.

        • Pois e… deu pra ver que o Barbosa e bem democratico… rsrsrsrsrsr. Faz-me rir… Engracado que nao vejo ninguem falando da ISTOE… a capa dessa semana foi ” A onda vermelha toma conta do pais” e fala da importancia de eleger os senadores ligados a onda vermelha… bem imparcial e fundamentado nao e Barbosa??

        • Eduardo, nem estava sabendo da capa da Isto É. E se o que vc diz é verdade, também vejo com maus olhos a conduta da revista. Imprensa é pra informar, na minha modesta opinião. Tomar partido é algo que esconde, muitas das vezes, negócios escusos. A Folha de SP e a Veja, por exemplo, defendem o Serra e lascam o PT pq o governo de São Paulo mantém viva essas organizações com dinheiro público, advindo de processos licitatórios nebulosos (vide Carta Capital da semana passada e blog do Paulo Henrique Amorim). Some-se a isso o fato de serem (os veículos citados), tradicionalmente, de direita e pronto: adeus dever de informar!!! Pouco me importa quando assumem que estão do lado de fulano ou de beltrano, na medida em que o leitor minimamente inteligente já percebe isso com facilidade na leitura diária dos textos. É só observar os comentários tendenciosos que compõem as “matérias” e as ditas “colunas” (é cada “craque”…). Acho que vc deveria, Eduardo, ter lido melhor o meu post. Apenas citei o caso do Lula pq repliquei o que disse o André Falcão.

    • “Democracia”… aiaiai.
      A América Latina é quem está dando aula de democracia p/ Europa. Isso mesmo q vc leu. Esses q vcs chamam (reproduzindo globo vejas etc) de “ditadores” como Morales, Correa, Chavez, estão dando AULA de DEMOCRACIA PARTICIPATIVA (esse modelinho q a direita odeia e denigre em seus editoriais manipulados). Porque vamos escolher as coisas diretamente se podemos deixar essa tarefa p/ parlamentares e sobrar tempo p/ ir ao shoping? Essa é a lógica capitalista. A lógica do comodismo (lembram dos gordinhos de Wall-E? Os travadinhos de hj serão os gordinhos wall’Es de amanhã.
      Mas a maioria é TRAVADA quando se fala em repúblicas Latinoamericanas de esquerda (faça um teste pra saber se é mais um TRAVADO. Basta saber se vc está rindo ao ler este comentário). Se nao tiver preguiça procure saber quem é Laclau e leia essa entrevista do opera mundi.

      ‘Venezuela, Bolívia e Equador dão lição ao mundo com democracia participativa’, diz economista

      “A democracia liberal representativa não foi abolida em favor de uma ditadura, foi superada em favor de uma democracia participativa e protagonista”. É dessa forma que o professor Nildo Domingos Ouriques, do departamento de economia da Universidade Federal de Santa Catarina e membro do Observatório Latino-Americano, define e analisa o processo de revolução e transformação que governos como o boliviano e venezuelano colocaram em curso nos últimos anos.

      Em entrevista ao Opera Mundi, Ouriques também falou sobre a política internacional do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, principalmente, das relações de influência que o Brasil desempenha sobre a América Latina. Além disso, explica o que é o “novo constitucionalismo” latino-americano.

      Qual a sua avaliação a respeito da política internacional do governo Lula? Nesses oito anos de governo, ela pode ser considerada homogênea?
      Ela tem uma diferença com o servilismo total que configurou o governo do Fernando Henrique Cardoso, uma política conduzida por figuras como Rubens Barbosa, Botafogo, embaixadores cujo DNA é pró-Washington. Já o governo Lula, em função da evolução da economia mundial e das condições favoráveis, pode exercer uma autonomia relativa, então é uma mudança que merece menção. Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães entenderam que o Brasil pode conquistar graus de autonomias maiores.

      Mas, essa diferenciação não configura uma ruptura com o padrão clássico de enfrentamento com o imperialismo estadunidense, daí sua grande limitação. E, por outro lado, é uma política externa que está vinculada aos interesses do plano real, da política econômica, portanto, não é uma política externa destinada a romper com o subdesenvolvimento e a dependência. Ao contrário, o Brasil, nos últimos tempos, é um país que se caracteriza por exportar produtos minerais e agrícolas, daí a expansão dos seus interesses na América Latina. O uso do excedente e o financiamento do BNDES e política externa são para consolidar grupos econômicos na área de serviços, agrícolas e minerais, ou seja, um desenvolvimento capitalista subdesenvolvido e dependente. A política externa do governo Lula não rompe com isso, mas se diferencia do governo FHC por um maior grau de autonomia, mesmo deixando claro o seu limite.

      A aproximação com países latino-americanos e alguns africanos foi nomeada pelo presidente Lula como uma política “sul-sul”. Como você definiria essa política? E o êxito ou o insucesso dela?
      O latifúndio brasileiro tem se expandido na África, indo lá fazer o que? Produzir soja para exportar para a China. O Brasil tem um ativismo no Haiti. O vice-presidente brasileiro e uma camada importante de empresários quer entrar no Haiti para explorar a mão de obra baratíssima do país na produção têxtil. Diante do protagonismo bolivariano, da alternativa bolivariana de união das Américas, proposta por Hugo Chávez, a elite brasileira começou a ver que a integração latino-americana era inexorável e passou a se interessar por essa integração. Mas isso não caracteriza uma política “sul-sul”.

      Lula está propondo na OMC (Organização Mundial do Comércio) que os países centrais abram seus mercados para a importação de produtos agrícolas na base de maiores concessões de produtos industriais. Ora, isso consagra o Brasil numa divisão internacional do trabalho que é da época de Davi Ricardo, 1817, Inglaterra. Tudo o que os países centrais querem é isso. Eles nunca vão abrir os seus mercados internos, porque eles têm uma política protecionista, razão pelas quais as concessões são sempre unilaterais. Foram dessa forma, de maneira escancarada, no neoliberalismo de FHC e continuam sendo unilaterais, ainda que mais moderadamente, no governo Lula, mas isso não caracteriza uma política “sul-sul” ativa. Nosso drama não é ter um política sul-sul, e sim não ter uma política anti-imperialista, tal como vemos na Bolívia, Equador, Venezuela e Cuba, obviamente.

      Então, o senhor acredita que o interesse brasileiro pela América Latina está limitado somente à questão econômica?
      Não. Há um interesse do Brasil não só no Mercosul, mas na integração latino-americana. Mas, veja, a elite brasileira se interessa pela integração, na medida em que se apresenta como o objetivo de impedir que a proposta bolivariana cresça sem um adversário. E nesse propósito Washington apoia o Brasil.

      Sendo assim, pode-se dizer que a integração não engloba questões culturais ou políticas?
      A aproximação com a América Latina tem interesses culturais, políticos, sociais, mas é um interesse claramente subimperialista, hegemônico. O Brasil quer vender seus produtos, colocar suas novelas no ar, fazer política, ter controle militar. É uma política subimperialista verdadeira e essa ideia não é uma invenção, é um conceito muito importante de Ruy Mauro Marini [cientista social brasileiro criador do termo subimperialista, um capitalismo nacional que expande seus capitais sobre as economias vizinhas, porém, sob os limites impostos pelo monopólio mundial].

      Como o senhor define o constitucionalismo? O que poderia ser feito para o Brasil desenvolver um sistema de governo mais participativo do que representativo?
      O novo constitucionalismo americano é a versão jurídica desse novo conceito da superação do horizonte liberal de democracia. A democracia, até agora, foi uma democracia representativa e ela já não dá mais conta. Precisamos de uma democracia participativa em que as grandes decisões estejam na mão do povo. Não dá mais para confiar no Congresso Nacional. Esse novo constitucionalismo está caracterizado, primeiro, pelo protagonismo popular; segundo, se relaciona com a superação do bicamerialismo (Câmara e Senado) – típica imitação brasileira dos EUA. É unicameral na Bolívia, Equador e Venezuela. Porque o Senado é um mecanismo de controle das elites sobre o povo.

      Terceiro, o novo constitucionalismo representa uma avanço significativo em relação aos povos indígenas, sobretudo no Equador e Bolívia, onde esses povos têm um protagonismo extraordinário. Na constituição do Equador, por exemplo, o Estado não pode salvar banco. O novo constitucionalismo é uma inovação importante, a democracia liberal representativa não foi abolida em favor de uma ditadura, foi superada em favor de uma democracia participativa e protagonista, onde o povo decide. Para que a democracia exista é absolutamente indispensável que tenhamos revolução. E essa revolução tem uma profunda convecção democrática, aliás, esse fenômeno não é só de dimensão latino-americana é a lição que a América Latina está dando para o mundo.

      Último exemplo, o novo constitucionalismo admite agora o caráter plurinacional de um povo, o que significa isso: um estado, vários povos. Nós, latino-americanos, estamos dando uma lição histórica, pois depois de 500 anos os povos originários são reconhecidos com direitos absolutos. A criação de um Estado que abriga várias nações é um exemplo único de civilidade, universal, sem precedentes na história da humanidade.

      Há espaço político no Brasil para esse “novo constitucionalismo” ou para a criação de governos com mecanismos mais participativo?
      O sistema político brasileiro não é democrático, o que é muito importante para a classe dominante. Também, temos que ver que o Estado está sob controle exclusivo de domínio burguês e, nisso, os meios de comunicação têm exercido um peso decisivo. Finalmente, as universidades são cada vez mais alienadas, cujos conteúdos programáticos não estão voltados para a realidade brasileira.

      O senhor apontou a força dos meios de comunicação. No Brasil, eles classificam as mudanças políticas da Bolívia e da Venezuela como personalistas e centralizadoras.
      Não há processo de transformação sem liderança. Não existiu na Inglaterra, França, EUA. Porque Venezuela, Bolívia e Equador não podem ter líderes? Agora, nesses países, não há a excrescência das medidas provisórias, isso é inconstitucional. O Lula rasga a constituição todos os dias quando emite as medidas provisórias, assim como FHC fazia. Agora, o protagonismo de figuras como Evo, Correa e Chávez e a tremenda representatividade deles vêm de líderes revolucionários, não são presidentes que ficam quatro anos e vão embora. Nesses países estão em curso revolução populares e precisamos compreender isso.

      O senhor acredita que o presidente Lula, mediante a imensa popularidade que possui, perdeu a oportunidade de estabelecer um debate socialista, mais à esquerda?
      O maior erro do Lula, ou melhor, erro não, o compromisso do Lula com a classe dominante brasileira, foi enorme. Ele não convocou o povo para fazer nenhuma mudança. Me diga qual foi o dia em que o Lula convocou o povo para lutar por uma reforma? Temos um governo que joga dentro das regras da elite para a elite, com migalhas para o povo.

      O que podemos esperar de Dilma Roussef e de José Serra, os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenções de voto, quanto a uma política com a América Latina?
      Não sei exatamente como trataria, obviamente a tendência é o Serra seria um pouco mais hostil do que a Dilma, como o FHC foi mais que o Lula, mas não muito. Tem uma política que eles sabem que podem latir agora, mas depois quando vão a fóruns vão se comportar como a maioria dos presidentes. Além disso, a direita já tem os seus representantes, são eles: Juan Manoel Santos, da Colômbia, Alan García, do Peru, e Pinerã, do Chile. O Serra não vai conseguir ser mais direita do que Santos, o principal pitbull dos Estados Unidos. Por isso, não vejo grandes mudanças, mesmo com a vitória do tucanato.

      • Quá, quá, quá, quá, quá, quá….

        VIVA A DEMOCRACIA!!

  • E isso lá é bom exemplo! Um veículo de comunicação tem o dever de informal, de maneira imparcial, os fatos à sociedade. E não ficar tomando partido de fulano ou beltrano. Se faz isso com a política, também o faz com a economia e etc. A mídia, de uma forma geral, é uma vergonha. Não tem compromisso nenhum com a função social atribuída a ela.

    • Corrigindo: dever de informaR e não de informaL, como escrevi.

      • Acho que inforMAL estava melhor porque informa muito MAL. ahahhahahahah

        • Eheheheh.

  • Corrupção na imprensa: noticiário lobista na privatização das Teles, em causa própria

    “A imprensa está muito favorável, com editoriais”,
    diz Mendonça de Barros.
    “Está demais, né?”, diz FHC em tom de brincadeira.
    “Estão exagerando, até.”

    Diálogo telefônico
    durante as negociatas prévias
    à privatização das teles em 1998
    entre FHC
    e o então ministro das comunicações,
    Mendonça de Barros (PSDB,
    levado para governo por indicação de José Serra),
    .

    O diálogo completo acima pode ser lido aqui, nos arquivos de Carta Capital.

    Por quê a imprensa estava até “exagerando” nos editoriais e na cobertura do noticiário na privataria das teles, em 1998?

    Os “impolutos” lobistas da família Mesquita, do Estadão, saíram do processo sócios da empresa de telefonia celular BCP (atualmente comprada pela Claro), na região Metropolina de São Paulo, com o Grupo OESP (Estadão) participando com 6% do consórcio:

    Banco Safra (44%)
    Bell South – EUA (44%)
    OESP (6%)
    Splice (6%)

    O lobby dos Mesquita junto com lobby da família Sirotsky (Grupo gaúcho RBS) pela privataria, também resultou em 6% e 7% de participação de cada grupo, no consórcio BSE (Estados do Nordeste à exceção da BA e SE):

    Banco Safra (40,5%);
    OESP (6%);
    Splice (6%);
    RBS (7%)

    Os “impolutos” lobistas da família Frias, mais cautelosos, saíram do processo com opção compra de 5%, do consórcio Avantel Comunicações (disputava telefonia celular no interior do estado de SP), que ficou em 2º lugar no leilão, mas ganhou com a desclassificação do 1º (Consócio Tess), mas o Avantel acabou desistindo em fins de 1998:

    Air Touch – EUA (25%);
    Stelar (25%);
    Camargo Correa (25%);
    Unibanco(25%);
    Jornal Folha de São Paulo (opção de compra de 5%)

    Opção de compra significa que se o Grupo Folha achasse o negócio bom depois de algum tempo, poderia exercer o direito de ser sócio de 5%. Se não achasse o negócio bom o suficiente, não compraria os 5%, não correndo nenhum risco.

    Os “impolutos” lobistas da família Marinho (Globopar), participaram do consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo:

    Globopar (40%);
    ATT – EUA (37%);
    Bradesco (20%);
    Stet – Itália (3%)

    O consórcio acima perdeu o leilão para o Grupo Telefonica da Espanha, mas a família Marinho não ficou no sereno. Ganharam com o consórcio Vicunha Telecomunicações, a telefonia celular na Bahia e Sergipe:

    Stet – Itália (44%);
    Grupo Vicunha (37%);
    Globopar e Bradesco (20%)

    Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/09/corrupcao-na-imprensa-noticiario.html

    Meu comentário: embora o blog seja lulista, logo passional e parcial, as provas estão todas lá.

    Isso é que eu chamo de quadrilha!!!

  • Coloca aí Revista Carta Capital apoia o PT, pois nunca vi uma revista para gostar tanto desse governo. Por que será?

    • Ela diz que apoia felipe.

      O pessoal da Seita só lê essa revista, daí não veem nada de critica e qualquer pessoa que seja contra é do PIG.

    • Não é só a Carta Capital que apoia o governo. A maioria da população o aprova.

      • Só 4% acha ruim.

  • E hj, dizem, que o filho de lulinha é acionista da Oi.

    Se comenta que a Oi comprando a Br turbo foi ilegal.

    A telefonia continua uma bosta, a Anatel é inoperante, não serve nem pra fiscalizar o CDC!!! Como que a anatel não proibiu a venda casada de banda larga e provedor?!

    A única que permite acesso sem provedor é a GVT.

    E tu vai falar que só FHC gostou? Se lula achasse que estava errado teria corrigido, mas é o lula mamador…

    • A GVT vende acesso a internet com a compra da linha telefônica. É venda casada! Eu já procurei a GVT querendo apenas a internet porque já tenho telefone e fui informado que só pode ter a internet se comprar a linha telefônica também. Pra mim, isso é venda casada.

    • Procurei a GVT pra compar apenas a internet. E eles me falaram que eu precisaria comprar a linha telefônica deles também. Pra mim, isso é venda casada. Eu já tenho telefone e não preciso adquirir uma linha telefônica. Eu queria apenas a internet. Mas não teve jeito, a internet da GVT só comprando a linha junto. Ou seja, venda casada.

    • Eu sou acionista da OI, Laccosta.
      Comprei ações da Petrobras também.

      • E é? E tu tem o mesmo poder do que os acionistas com direito de voto?

        não imaginava que você fosse soltar uma dessas Carlos, logo você…

        A GVT também faz venda casada, mas a Oi tá aí a quanto tempo mesmo? E quando alguém faz alguma coisa?

        Pra mim as duas deviam ser punidas, valendo-se do CDC, legislação que já existe…

        A GVT pra, pelo menos disfarçar, aumenta o preço da internete banda larga de forma absurda… Como ninguém é doido de pagar 400 reais só pra internete, aí não vende…

  • Para quem esperava uma bomba, esse editorial é um traque de massa. Nao diz pq é bom votar em Serra, apenas pq nao se deve apoiar Lula e sua candidata. Alias, ate a linguagem foi mt chula, pobre, pouco elegante. Poderia ser melhor escrita.

    Mas já é um avanço. Melhor do que negar o óbvio, como fazem Veja, FSP e Globo. É mais transparente e honesto com o público leitor.

    Só que demorou demais. Uma semana antes da eleição e foram descobrir a identificacao eleitoral agora? É como se Ciro, jogador ídolo de um time de Recife, resolvesse sair do armário! Que novidade!!!

  • Isso vai dar uma certa credibilidade ao que doravante o Estadão escrever. Ao menos pra quem estiver ciente do apoio. Mas vai, de certa forma, descredibilizar tudo aquilo que foi escrito antes.

  • “Grande” coisa! Agora estão livres para mentir, como fazem os meios oficiais ? Estão achando bom pois só assim está justificada a grana que o governo bota na facção bajuladora da imprensa.

  • Não concordo com a expressão “bom exemplo”, embora concorde que é digna de algum elogio a atitude do Estadão em finalmente admitir o óbvio. Porém seria bom exemplo se o tivessem feito há pelo menos dois meses e não agora, faltando uma semana para as eleições, depois de todas as tentativas de sabotar o processo manipulando a opinião pública. Assumir a polarização descarada agora, chega a ser um ato de cinismo. Talvez admissão de culpa. Talvez aceitação da derrota.

  • Porque será que a “cúpula” petista está questionando a exigência de dois documentos para votar?
    Tal norma foi aprovada na Camara, com as bençãos dos petistas e sacionada pelo molusco, digo, pelo Lula.
    Ademais fica deveras estranho, muito estranho, eu diria até estranhissimo, a essas alturas dos acontecimentos, estarem questionando um dispositivo que dará mais segurança ao ato de votar.
    Esquesito.
    Estranho.
    Atípico.
    Com a palavra os bajuladores do poder, que para tudo tem uma justificativa, algumas bizzarras.

  • Ótimos argumentos!
    Concordo com teu texto!

    Porém, é semprebom lembrar que o buraco é mais embaixo do que imagina nossa mera compreensão…

    No final sempre acabamos pagando de bobos… pois as “boas intenções” das instituições que representam a sociedade escondem sempre uma troca de favores com alguém.

    Sou do Sul, mas gostei muito do Blog, pois vcs não se atém à região de NE, mas abrangem muito mais.

    PArabéns!

  • Diante da postura elogiável do “Estadão” é preciso que se fale: é apoio a DESTEMPO!

    O importante e o que talvez tivesse mudado o atual quadro eleitoral teria sido o “Estadão”, como no tempo de sua 1ª. geração e da 2ª. geração da família Mesquita, fosse realmente o fiscal da sociedade, o “guardião da democracia”, analisando, criticando e ajudando o Brasil com a postura de uma imprensa atenta e formadora de opinião. Não foi o que se viu…Infelizmente! Lula governou sem a crítica da chamada grande imprensa: nem com o Mensalão, nem com as infindáveis viagens internacionais do presidente, etc… E o “Estadão” restou calado…

    É preciso que se fale e que se faça comparações. Não é possível ficar calado e não exercer a cidadania. No período da implantação da Democracia no Brasil, entre 1934 a 1937, as eleições aconteceram com o tão desejado VOTO SECRETO, e exatamente por isso, chamado de período de implantação da Democracia… O VOTO SECRETO foi uma conquista da intelligentzia paulista e que ganhou o apoio de idealistas de todo o país, com destaque para as lideranças de Marrey Junior e Assis Brasil. E o “Estadão” foi uma trincheira importantíssima nessa luta!

    Pois bem, o então Interventor do Estado de São Paulo, Engº Armando de Salles Oliveira (sócio e genro de Júlio de Mesquita), candidato do Partido Constitucionalista ao cargo de Governador do Estado, nas eleições de 1934, PEDIU AFASTAMENTO DO CARGO que exercia para poder participar da campanha eleitoral. Com essa atitude, Armando Salles mostrou os seus profundos e legítimos princípios democráticos, podendo lealmente defender seus ideais políticos e expor aos paulistas o seu trabalho administrativo, sem o uso da máquina e das “benesses” do Poder. Hoje, tudo segue de forma diferente. O Presidente Lula é transformado em “Tutor da Nação” em “Grande Líder” com índices de aprovação “nunca antes vistos”… Mas a verdade é que o excelente momento econômico vivido pelo Brasil e a ausência de oposição, exceção feita ao valoroso Senador Arthur Virgílio, restou CALADA a oposição liderada pelos tucanos, com a “grande imprensa” em um silêncio incomodo… Colocando o ex-presidente FHC no armário por 8 anos e vivendo da inocente esperança de que Lula, não podendo ser candidato a um 3º mandato, “sobraria” para a oposição fracote e pusilânime “pegar uma carona” com o vergonhoso mote: “O Brasil pode mais”… E nada de críticas… E nem se apresentou um Plano de Metas! Então mudar para quê?!? Nem reforma Política, nem reforma Tributária, nada… E ainda teve o traíra do Aécio “roendo” a corda…

    Não pegou e…dançou! Neste final de campanha tentam fazer oposição…É oposição a DESTEMPO ! A DESTEMPO é o apoio do “Estadão”!

    FHC e LULA fizeram uma gestão NEO-LIBERAL. Possando de esquerda para o exterior e, internamente, de forma explícita, fazendo um governo neo-liberal que deixaria qualquer partido político de centro ou de direita com a sensação de lhes terem roubado as bandeiras políticas…E, por outro lado, o crescimento das desigualdades sociais e o aumento absurdo e vergonhoso dos lucros bancários…

    Para fazer política como está fazendo e promover descaradamente a sua candidata, o Presidente Lula DEVERIA, ao menos, AFASTAR-SE DA PRESIDÊNCIA, e, daí sim, assumir o papel que esta fazendo: cabo eleitoral partidário e radical. Posição incompatível com as funcões de Magistrado da Nação Brasileira!

    E não houve campanha cívica do “Estadão” contra essa aberração e abuso de poder!

    A continuação da CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA no Brasil PRECISA que a Elite Brasileira reaja e pegue em suas mãos os destinos da Nação.E antes que os “apressadinhos” torçam o nariz para a palavra elite, vamos esclarecer. E aqui, mais uma vez, quero buscar o ensinamento perene do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, de que elite representa a vanguarda, o que de melhor temos na sociedade, ou seja, o melhor do movimento sindical foi o Luiz Ignácio Lula da Silva, o melhor do futebol foi o Pelé, o melhor sociólogo foi Gilberto Freire, o melhor empresário foi Antonio Ermírio de Moraes, o melhor do Basquete foi o Oscar Schmidt, o melhor da medicina foi o Adib Jatene, o melhor jurista foi Ruy Barbosa, etc.

    Somente com a união e a participação da intelligentzia brasileira é que conseguiremos dar continuidade à Construção da Democracia no país, contando com o INDISPENSÁVEL apoio da imprensa a TEMPO E HORA!!!

    Armando Moraes Delmanto

    Av. das Cerejeiras, 707 – Vale do Sol

    18607220 – Botucatu/SP

    Site: http://WWW.armandomoraesdelmanto.com.br

    e-mail: adelmanto@hotmail.com

    tel.: (014) 97147474

  • Saiu no site do Azenha e vale a pena divulgar:

    “A carta aberta de juristas em defesa de Lula
    Reproduzo o que me foi sugerido por dois leitores:

    Em uma democracia, todo poder emana do povo, que o exerce diretamente ou pela mediação de seus representantes eleitos por um processo eleitoral justo e representativo. Em uma democracia, a manifestação do pensamento é livre. Em uma democracia as decisões populares são preservadas por instituições republicanas e isentas como o Judiciário, o Ministério Público, a imprensa livre, os movimentos populares, as organizações da sociedade civil, os sindicatos, dentre outras.

    Estes valores democráticos, consagrados na Constituição da República de 1988, foram preservados e consolidados pelo atual governo.

    Governo que jamais transigiu com o autoritarismo. Governo que não se deixou seduzir pela popularidade a ponto de macular as instituições democráticas. Governo cujo Presidente deixa seu cargo com 80% de aprovação popular sem tentar alterar casuisticamente a Constituição para buscar um novo mandato. Governo que sempre escolheu para Chefe do Ministério Público Federal o primeiro de uma lista tríplice elaborada pela categoria e não alguém de seu convívio ou conveniência. Governo que estruturou a polícia federal, a Defensoria Pública, que apoiou a criação do Conselho Nacional de Justiça e a ampliação da democratização das instituições judiciais.

    Nos últimos anos, com vigor, a liberdade de manifestação de idéias fluiu no País. Não houve um ato sequer do governo que limitasse a expressão do pensamento em sua plenitude.

    Não se pode cunhar de autoritário um governo por fazer criticas a setores da imprensa ou a seus adversários, já que a própria crítica é direito de qualquer cidadão, inclusive do Presidente da República.

    Estamos às vésperas das eleições para Presidente da República, dentre outros cargos. Eleições que concretizam os preceitos da democracia, sendo salutar que o processo eleitoral conte com a participação de todos.

    Mas é lamentável que se queira negar ao Presidente da República o direito de, como cidadão, opinar, apoiar, manifestar-se sobre as próximas eleições. O direito de expressão é sagrado para todos imprensa, oposição, e qualquer cidadão. O Presidente da República, como qualquer cidadão, possui o direito de participar do processo político-eleitoral e, igualmente como qualquer cidadão, encontra-se submetido à jurisdição eleitoral. Não se vêem atentados à Constituição, tampouco às instituições, que exercem com liberdade a plenitude de suas atribuições.

    Como disse Goffredo em sua célebre Carta: Ao povo é que compete tomar a decisão política fundamental, que irá determinar os lineamentos da paisagem jurídica que se deseja viver. Deixemos, pois, o povo tomar a decisão dentro de um processo eleitoral legítimo, dentro de um civilizado embate de idéias, sem desqualificações açodadas e superficiais, e com a participação de todos os brasileiros.

    ADRIANO PILATTI – Professor da PUC-Rio

    AIRTON SEELAENDER – Professor da UFSC

    ALESSANDRO OCTAVIANI – Professor da USP

    ALEXANDRE DA MAIA – Professor da UFPE

    ALYSSON LEANDRO MASCARO – Professor da USP

    ARTUR STAMFORD – Professor da UFPE

    CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO – Professor Emérito da PUC-SP

    CEZAR BRITTO – Advogado e ex-Presidente do Conselho Federal da OAB

    CELSO SANCHEZ VILARDI – Advogado

    CLÁUDIO PEREIRA DE SOUZA NETO – Advogado, Conselheiro Federal da OAB e Professor da UFF

    DALMO DE ABREU DALLARI – Professor Emérito da USP

    DAVI DE PAIVA COSTA TANGERINO – Professor da UFRJ

    DIOGO R. COUTINHO – Professor da USP

    ENZO BELLO – Professor da UFF

    FÁBIO LEITE – Professor da PUC-Rio

    FELIPE SANTA CRUZ – Advogado e Presidente da CAARJ

    FERNANDO FACURY SCAFF – Professor da UFPA e da USP

    FLÁVIO CROCCE CAETANO – Professor da PUC-SP

    FRANCISCO GUIMARAENS – Professor da PUC-Rio

    GILBERTO BERCOVICI – Professor Titular da USP

    GISELE CITTADINO – Professora da PUC-Rio

    GUSTAVO FERREIRA SANTOS – Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco

    GUSTAVO JUST – Professor da UFPE

    HENRIQUE MAUES – Advogado e ex-Presidente do IAB

    HOMERO JUNGER MAFRA – Advogado e Presidente da OAB-ES

    IGOR TAMASAUSKAS – Advogado

    JARBAS VASCONCELOS – Advogado e Presidente da OAB-PA

    JAYME BENVENUTO – Professor e Diretor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Católica de Pernambuco

    JOÃO MAURÍCIO ADEODATO – Professor Titular da UFPE

    JOÃO PAULO ALLAIN TEIXEIRA – Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco

    JOSÉ DIOGO BASTOS NETO – Advogado e ex-Presidente da Associação dos Advogados de São Paulo

    JOSÉ FRANCISCO SIQUEIRA NETO – Professor Titular do Mackenzie

    LENIO LUIZ STRECK – Professor Titular da UNISINOS

    LUCIANA GRASSANO – Professora e Diretora da Faculdade de Direito da UFPE

    LUÍS FERNANDO MASSONETTO – Professor da USP

    LUÍS GUILHERME VIEIRA – Advogado

    LUIZ ARMANDO BADIN – Advogado, Doutor pela USP e ex-Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça

    LUIZ EDSON FACHIN – Professor Titular da UFPR

    MARCELLO OLIVEIRA – Professor da PUC-Rio

    MARCELO CATTONI – Professor da UFMG

    MARCELO LABANCA – Professor da Universidade Católica de Pernambuco

    MÁRCIA NINA BERNARDES – Professora da PUC-Rio

    MARCIO THOMAZ BASTOS – Advogado

    MARCIO VASCONCELLOS DINIZ – Professor e Vice-Diretor da Faculdade de Direito da UFC

    MARCOS CHIAPARINI – Advogado

    MARIO DE ANDRADE MACIEIRA – Advogado e Presidente da OAB-MA

    MÁRIO G. SCHAPIRO – Mestre e Doutor pela USP e Professor Universitário

    MARTONIO MONT’ALVERNE BARRETO LIMA – Procurador-Geral do Município de Fortaleza e Professor da UNIFOR

    MILTON JORDÃO – Advogado e Conselheiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

    NEWTON DE MENEZES ALBUQUERQUE – Professor da UFC e da UNIFOR

    PAULO DE MENEZES ALBUQUERQUE – Professor da UFC e da UNIFOR

    PIERPAOLO CRUZ BOTTINI – Professor da USP

    RAYMUNDO JULIANO FEITOSA – Professor da UFPE

    REGINA COELI SOARES – Professora da PUC-Rio

    RICARDO MARCELO FONSECA – Professor e Diretor da Faculdade de Direito da UFPR

    RICARDO PEREIRA LIRA – Professor Emérito da UERJ

    ROBERTO CALDAS – Advogado

    ROGÉRIO FAVRETO – ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

    RONALDO CRAMER – Professor da PUC-Rio

    SERGIO RENAULT – Advogado e ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

    SÉRGIO SALOMÃO SHECAIRA – Professor Titular da USP

    THULA RAFAELLA PIRES – Professora da PUC-Rio

    WADIH NEMER DAMOUS FILHO – Advogado e Presidente da OAB-RJ

    WALBER MOURA AGRA – Professor da Universidade Católica de Pernambuco”

  • O Jornal “O Estado de São Paulo” assume seu apoio ao José Serra, porque sabe que o seu papel perante a sociedade, nem para limpar o CÚ serve

  • O Jornal “O Estado de São Paulo” assume seu apoio ao José Serra, porque sabe que o seu papel perante a sociedade, nem para limpar o C__ serve

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

XHTML: Você pdoe usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Enquetes

Em relação às punições de corruptos...

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Frase do dia


  • “O homem de bem é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu.”
    Nelson Rodrigues.

ARQUIVO

maio 2013
S T Q Q S S D
« abr    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).