Estado fica apenas com um terço do que arrecada

mai 16, 2008 by     Sem Comentários    Postado em: Atualidades, Economia

carga-tributaria.jpg

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea) divulgou, ontem, interessante levantamento sobre para onde vai o dinheiro dos impostos arrecadados no Brasil. Eis que o Ipea revela que carga tributária líquida seria de apenas 12% do PIB, caso fossem retirados os volumes destinados a transferências de renda (benefícios previdenciários e assistenciais) e pagamento de juros da dívida. Ou seja, o Estado fica com apenas 1/3 de tudo o que arrecada.

Ou seja, tudo o que o governo dispõe para custeio da máquina e  investimentos é de apenas 12% do PIB.

“Isso comprova o raquitismo do Estado. Temos sim um Estado raquítico. Como garantir saúde e educação de qualidade, prover justiça, fazer os investimentos do PAC, manter nossas fronteiras protegidas, fiscalizar o desmatamento na Amazônia, investir em pesquisa de ponta para o futuro com tão poucos recursos?”, questionou o presidente do IPEA, Marcio Pochmann.

O levantamento foi apresentado ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). Mostra que a carga tributária bruta cresceu de 30,4% para 35,7% do PIB, entre 2000 e 2007. Só que o estudo vai além do senso comum ao analisar a carga tributária líquida.

“O gestor público não tem governabilidade sobre dois terços do que é arrecadado. Na verdade, o Estado apenas intermedeia a troca desses recursos `de uma mão para outra`, mas continua tudo no mercado. É falso dizer que o setor público se apropria dos 35% da carga tributária”, declarou Pochmann.

Em estudo anterior do Ipea, apresentado em março deste ano, mostrou também que o Brasil tem dado preferência ao pagamento da dívida pública em relação ao investimento social. Comparando a evolução dos gastos do governo federal na área social com a política econômica adotada de 1995 a 2005, a pesquisa apontou que os gastos do país com a dívida pública passaram do equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB – o total das riquezas produzidas no país), para 6,5% nos 11 anos avaliados. Os gastos sociais federais aumentaram em proporções menores, passando de 10,1% para 13,4% do PIB.

Segundo o Ipea, o deslocamento da prioridade do governo para o pagamento de juros e encargos da dívida pública começou na segunda gestão de FHC (1999 a 2002), mas a política de austeridade fiscal, com altas taxas de juros, aumento da carga tributária e contenção de gastos para ampliar o superávit primário, foi intensificada no governo Lula.

O deslocamento para a área financeira dos recursos obtidos com o aumento da arrecadação foi evidenciado porque o seu crescimento foi 63% maior que o registrado no gasto social custeado por tributos no período.

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

XHTML: Você pdoe usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Enquetes

Em relação ao impeachment de Dilma Rousseff, qual sua posição?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Frase do dia

  • A riqueza de uma nação se mede pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.”, Adam Smith.

ARQUIVO

outubro 2019
S T Q Q S S D
« mai    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).