Na semana passada vi uma propaganda de uma editora de livros jurídicos, onde falava que estava fazendo também os lançamentos de seus livros para ebook, em versão PDF.
O release dizia que os livros em PDF estavam sendo vendidos com “30% de desconto”.
As editoras, inclusive a Amazon, vendedora do fenômeno Kindle (da foto acima), ainda não perceberam que se agirem desta forma serão engolidas como foi a indústria fonográfica.
Os livros que estão sendo lançados em ebook tem algum desconto, mas muito pouco em relação ao que realmente representa a transformação tecnológica. Os livros da Amazon estavam sendo lançados a US$ 14,99 em papel, e US$ 11,99 na versão do Kindle. Vai ser impossível vencer a pirataria dessa forma.
O custo do livro pode ser dividido em 3 pedaços (ou 4 se for traduzido): os direitos autorais (em torno de 10% do valor de capa), a produção (impressão e diagramação), e a comercialização (que chega a 40% do valor de capa). Se for traduzido, ainda temos este custo, que é significativo para livros com vendagem baixa, como alguns livros didáticos. Isso tudo além do lucro, é óbvio.
Com o ebook, e preservando os direitos autorias, o custo de produção e de comercialização são reduzidos drasticamente. Não é preciso gastar papel ou fazer impressão, e a venda pode ser feita diretamente pela internet. Então quando a editora vende com 30% de desconto, e diretamente pelo seu site, o que ela na verdade está fazendo é aumentando drasticamente a sua margem de lucro. Isso não vai se sustentar.
As editoras estão fazendo tudo errado. Não estão aprendendo com as experiências anteriores, que foram desastrosas para algumas indústrias.
Indo mais além, por que precisamos de editoras?
O Governo poderia facilitar o acesso ao registro ISBN e o próprio autor do livro poderia produzir seu livro e colocar na internet para vender, sem maior burocracia. Poderia até colocar nos sites das livrarias e pagar uma taxa a elas.
Ia ajudar a melhorar a produção científica, diminuiria o poder das editoras, e ainda ajudaria a diminuir o custo do livro no Brasil.
Ao invés de mudar a forma de trabalhar, a maioria das editoras quer aproveitar a mudança apenas para aumentar a margem de lucro.
Irão quebrar a cara.



Eu queria que um dia alguém conseguisse fazer a conta de quanto custa vender pela internet. Sempre que se fala sobre o assunto o custo agregado ao produto vendido é ignorado ou dito como zero, com certeza não é.
Quanto ao assunto do post, não acredito que estejam fazendo errado. O lucro tem que ser sim bem maior, o Kindle é um serviço e não um bem comum como um livro. O custo não pode ser calculado como você mostrou la no post. Junto com ele você ganha diversas facilidades, não apenas a informação do livro em si. O Kindle é um “gadget” e não apenas um monte de papel impresso. Sem falar que o seu objetivo está longe de querer aumentar a vendagem de livros.
É a mesma história com os produtos da Apple.
Alfredo
O exemplo ilustra um PDF de uma editora jurídica.
pierre,
tirar um isbn não me parece tão complicado assim. é possível faze-lo como autor e custa menos de 200 reais (incluindo cadastro que so precisa ser feito da primeira vez e custa 160R$).
pagina da FBN:
http://www.bn.br/portal/?nu_pagina=40
Silvio
A última vez que tentei, só com pessoa Jurídica
nao é o que diz o site da BN, nem a informaçao que obtive com o departamento de ciencia da informacao (ufpe). Eu nao tentei, estou me fiando nestes dados.
Vou ver isso também
Eu acho que as editoras estão querendo ir devagar, para sentir o ambiente. Mas uma coisa é certa: os livros acadêmicos, dentro de 10 anos, serão todos lançados em formato digital e, claro, a pirataria vai rolar solta, mesmo que os preços sejam baixos.
Veja só, com xerox dentro do campus a 8 centavos ainda tem muita gente que prefere tirar fora do campus por 5 ou 6 centavos. É uma economia irrisória, mas muita gente prefere fazê-la, pois dá para tirar mais xerox com menos dinheiro.
Vai ter muita turma de faculdade fazendo vaquinha para juntar 10 reais, comprar um livro digital e distribuir pra turma toda. Mesmo que o preço seja barato.
A única forma de a indústria de livros se preservar da pirataria seria nunca migrar para o formato digital, pois digitalizou… caiu na rede. Anyway, é possível não migrar para o digital.
Correçao: Anyway, é IMpossível não migrar para o digital.
Destaque-se que só é impossível, se for mais vantajoso comercialmente o formato digital. Se não fosse vantajo$o, nunca que migrariam. Será mais barato, aquisição, distribuição e publicação mais rápida, etc… Só que as empresas, certamente, vão querer lucros maiores, ao invés de baixar os preços.
É impossível não migrar para o digital porque HÁ uma demanda crscente por publicações digitais e há um intenso investimento em desenvolvimento de plataformas digitais portáteis e até flexíveis. Daqui a pouco, o “papel” digital estará por aí, leve, fininho, dobrável, tudo de bom. Quem vai querer carregar um trabolho de 300 páginas de papel “analógico”? Eu não.
Do jeito que as coisas são aqui no Brasil, vai ser mais fácil um autor brasileiro publicar um livro “lá fora” e exportar para os leitores no Brasil.
Em outras palavras, o cara escreve um livro. Faz o registro de livro (ISBN), pela web, através dos sistemas dos EUA, Europa ou até mesmo na America do Sul. Pronto, o livro está pronto, tem ISBN e será vendido por um preço módico.
Os leitoras o comprarão numa pagina de internet, forma do Brasil, por U$ 1, por exemplo. Pronto. Todo mundo ganha.
E quem perde?? Vamos enumerar quem irá perder:
1) A burocracia brasileira; e
2) As editoras brasileiras atrasadas.
3 ….
O e-commerce realmente tem custo, que com certeza pode ser calculado, mas muito provavelmente deve ser bem menor que o comércio normal.
Tem sim que digitalizar tudo! Facilita muito o acesso. O que tem que mudar são os intermediários.
Falaram da Apple, mas ela fez isso e tá colhendo os lucros, que não são poucos. Porém todos os envolvidos também estão: ganham os produtores mais criativos e os consumidores mais atentos.
A indústria fonográfica não foi engolida, ela apenas se prendeu ao passado. Já está provado que aqueles que mais fazem downloads de música, também compram uma média maior de CD e DVD. Me encaixo nessa categoria.
Vamos ver se as editoras evoluem… O Amazon já vendeu mais livros digitais do que os impressos em dezembro pasaado. Era somente o mês de lançamento.
Gente,
Por falar em Kindle e vendo Pierre emendando para preço dos livros e margens das editoras, além de comentários dos leitores sobre custos sobre a venda de livros pela Internet, o fim da picada são os preços de livros escolares. Não tem como pesquisar, pois, seja nos “www” ou em lojas fisicas, os preços são tabelados.
Uma lista de livros escolares de uma criança que faz o fundamental é uma pequena fortuna. Todos os anos mudam a capa, sem falar que uma boa quantidade dos livros são literalmente consumidos em atividades de classe, pois são de recortar ou colar gravuras, inutilizando-os para o uso (pelo irmão mais novo, por exemplo) no ano seguinte.
É um tema que merecia ser discutido por aqui.
“Universidades dos EUA rejeitam o Kindle por problemas de usabilidade e acessibilidade
Três Universidades dos Estados Unidos firmaram o acordo de não utilizarem o leitor de e-books da Amazon, o Kindle , até que a empresa corrija problemas de usabilidade e torne o dispositivo acessível também para portadores de dificuldades visuais…”
http://br.tecnologia.yahoo.com/article/18012010/7/tecnologia-universidades-dos-eua-rejeitam-kindle.html
[...] Acabei de ler um artigo deveras importante no sempre contundente Acerto de Contas. O artigo disserta sobre como algumas empresas tem uma [...]