o melhor ano

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por Jonathan Wheatley
do Financial Times

Se você acredita nos executivos da BM&F, Bolsa de mercadorias e futuros do Brasil, 2008 será o maior de seus 22 anos de história. Sob um acordo aprovado por seus respectivos conselhos na terça-feira (26/2), o grupo CME está adquirindo uma participação de 10% na Bolsa em troca de 2% de suas próprias ações. Cada participação foi estimada na época em US$ 700 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão).

Também está sendo negociado um acordo que promete um campeão nacional, forjado pela fusão ou outro tipo de associação entre a BM&F e a Bovespa Holding, empresa proprietária da Bolsa de Valores de São Paulo. “Este será facilmente nosso melhor ano”, disse Ademir Pinto, diretor geral, durante uma apresentação nesta semana do acordo da BM&F com a CME, maior bolsa de futuros do mundo.
Apesar de ser difícil dizer qual acordo é mais significativo, os dois fazem parte da consolidação de ações e futuros. No ano passado a CME comprou a Chicago Board of Trade por US$ 11 bilhões (em torno de R$ 22 bilhões) e, em janeiro, o grupo CME ofereceu US$ 11,3 bilhões pela bolsa de energia Nymex.

Esse movimento também ocorreu na Europa, incluindo uma batalha de quatro partes pelo controle da OMX, bolsa nórdica, envolvendo a Borse Dubai, Nasdaq e a Qatar Investment Authority.

Se as negociações entre que a Bovespa Holding e a BM&F anunciadas nesta semana tiverem sucesso, criarão um dos maiores grupos de bolsas do mundo.

Em termos de capitalização do mercado, a BM&F combinada com a Bovespa seria a segunda das Américas, atrás apenas do grupo CME, ultrapassando a poderosa Nyse Euronext, que também foi criada em abril último pela fusão do grupo Nyse com a Bolsa européia Euronext.

Isso é apenas uma indicação do que alguns vêem como uma euforia que contamina os investidores no Brasil.

Enquanto o grupo Nyse tem uma capitalização de mercado de cerca de US$ 17,90 bilhões e a Bovespa de US$ 11,40 bilhões, o valor das empresas negociadas no grupo Nyse foi cerca de US$ 14,61 bilhões em janeiro, comparado com apenas US$ 1,28 bilhão em São Paulo.

Ainda assim, a Bovespa se considera uma verdadeira operadora global. Enquanto muitas empresas russas, por exemplo, acham necessário estar listadas em bolsas no exterior para atrair capital estrangeiro, as empresas brasileiras não. No ano passado, 64 entraram na Bovespa, angariando R$ 55,5 bilhões. Até 80% desse dinheiro veio de investidores estrangeiros.

Muitos observadores dizem que as ações brasileiras estão hiper-valorizadas por que os investidores não levam em conta os riscos impostos aos exportadores brasileiros, especialmente de commodities, pela esperada desaceleração global ou pelas barreiras de crescimento da economia interna impostos por funis como falta de eletricidade e a decadente infra-estrutura de transportes.

Ainda assim, muitos investidores preferem olhar para a melhoria gradual mas constante dos indicadores macroeconômicos do Brasil e suas vantagens comparativas sobre outros mercados emergentes.

“Em primeiro lugar, o Brasil está muito melhor em termos de governança corporativa do que a Rússia, a Índia ou a China”, diz Roberto Teixeira da Costa, ex-presidente da CVM, comissão de títulos do Brasil, e importante figura em seus mercados de capital pelos últimos 50 anos. “E todos os grandes números estão caindo no lugar.”

A inflação sob controle, o índice de investimento crescendo, mais empregos, maiores salários e mais crédito disponível estão promovendo o crescimento interno. No mês passado, o Brasil tornou-se credor líquido do resto do mundo pela primeira vez.

Neste contexto, os acordos da BM&F com CME e a Bovespa fazem sentido, diz Teixeira da Costa. “O mundo hoje exige que as coisas sejam feitas em uma escala global”, diz ele. “Em alguns anos, haverá apenas meia dúzia de bolsas, e a do Brasil estará entre elas.”

Ele também vê a medida como defensiva: apesar de a Bovespa Holding e a BM&F serem pequenas demais para permitirem uma aquisição hostil, ele acredita que as duas bolsas ficarão mais felizes se houver menos risco de receberem ofertas que não podem recusar.

Pinto da BM&F e Craig Donohue da CME, que estavam reunidos em São Paulo nesta semana, falaram muito do novo acesso à plataforma de operação da CME, que deverá atrair empresas globais para a BM&F e empresas brasileiras para a CME.

Presumivelmente, porém, a BM&F não receberá essa vantagem competitiva por nada. O que importa é a escala, e as bolsas brasileiras podem estar entrando tarde na festa global, mas estão entrando grandes.

Tradução: Deborah Weinberg

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