
E Mao Tse-Tung deve estar se revirando no túmulo… Se existir mesmo vida após a morte, o camarada Mao está sendo obrigado a assitir sua República Popular da China (que de popular não tem nada, convenhamos!) salvar o capitalismo no mundo. Não apenas pelo vigor de sua economia, sem à qual a depressão mundial atual seria muito maior, mas também porque estão dizendo por aí que a China fará um aporte equivalente a US$ 300 bilhões para o Fundo Monetário Internacional.
Esse aporte é fruto do acordo feito, ontem, na reunião do G-20 (grupo de 22 países que juntos reúnem 85% da economia mudial). A cúpula teve como resultado prático definir uma injeção de US$ 1,1 trilhão no FMI, para que este ajude diversos países no mundo a sair do buraco. Também ficaram definidos inúmeros acordos para futura regulação do mercado financeiro, coisa que eu não acredito muito que vá acontecer na prática.
Confirmada a doação de US$ 300 bilhões (equivalente à toda reserva em dólar do Brasil), a China deve ser tornar a maior “acionista” do FMI. E também ganhará força para ditar como os países endividados conduzirão suas economias, como fizeram os EUA, a França e a Inglaterra quando esses países davam as cartas no fundo.
Certa vez, conversando com o governador pernambucano Eduardo Campos, que é economista de formação, ele me disse que sentiríamos saudade do imperialismo ianque se o resultado da atual crise for a prevista substituição dos Estados Unidos pela China na liderança política mundial.
Tendo em vista como o Governo Chinês conduz as coisas lá dentro, Eduardo deve estar coberto de razão.



A China é o pior dos mundos:
Tirania comunista misturada com capitalismo predatório.
Tô fora!
Marco,
Pode até ser pior, mas será interessante para toda a nossa geração assistir a essa grande mudança econômica.
Sempre ouvi dizer que o socialismo foi derrotado em 1989 e que não haveria nenhuma alternativa melhor ao modelo capitalista.
Vamos esperar o novo, o híbrido. Porém, tudo que é novo causa medo, é uma reação natural.
Por Marcelo Cunha – Do Terra Magazine
É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.
Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.
Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.
Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver. Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam.
Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa. Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser.
Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.
Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano.
Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.
O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.
Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?
Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.
Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.
Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.
Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.
*Marcelo Cunha é escritor e jornalista
Daniel,
Não tenho medo da mudança. Tenho medo da China mesmo… Ter a China ou a Rússia como patrões, a melhor saída é cortar os pulsos.
Imagina a China proibir o Google e o Youtube no mundo todo… hahahahahah. Como eu vou viver sem Google e Youtube???
Ah, e de socialistas (ou híbridos, como vc fala) esses dois não têm nada, viu?! São capitalistas da pior espécie.
Bahé,
A mudança de submissão a impérios pode ser ruim. Mas, pode ser também indiferente.
A submissão ao soft-power, que manda na periferia sem balas nem violências de censura muito grandes é relativamente menos indigna que a submissão aos EUA atuais ou à Chine, em breve.
Até 1962, parecia que os EUA sempre imporiam seus interesses a partir de dinheiro e bobagem. E isso basta mesmo. Não é preciso censurar coisa alguma, na medida em que a maioria simplesmente não busca informação.
Atualmente, perderam essa percepção. O que fez dos EUA o país mais rico do mundo vem deixando de ser praticado. Liberdade no sentido de gerar conhecimento e adesão ao modelo. Um país em que a doutrina em várias escolas é o criacionismo vai manter proeminencia científica?
Um país em que a cidadania pode ser perdida sem julgamento é ainda o portador do discurso da liberdade?
Então, tomando-se em conta a situação do atual império a que estamos submetidos, os EUA, e a China, não vejo enormes diferenças.
As diferenças encontram-se mais nítidas entre o protagonismo e a vassalagem.
Pessoal, acho que a China vai ser sim a próxima potência, mas não um império. Um império dá muita dor de cabeça, tem dar muito dinheiro a fundo perdido, e isso tá longe de ser da cultura chinesa.
É muito mais lucrativo ser o atacadista do mundo, do que criar e financiar guerrilhas a fim de aumentar seu poder político, que muitas vezes não dão retorno econômico algum, só vaidade.
E uma coisa que a China não tem é vaidade. Copia o que precisar desrespeitando leis internacionais, o que pra ela é só um um pequeno obstáculo facilmente atropelável pela punjança de sua locomotiva econômica.
A experiência comercial Chinesa tem mais de 5000 anos, eles devem rir de como agente faz negócios, enqunto estávamos no escambo, eles já tinham papel moeda, enquanto nó lutamos por alguns acordos bi-laterais, ela cuida que qualquer economia dependa de sua força pra sobreviver.
O estado não respeita leis, pois as leis podem atrapalhar seu crescimento, ou seja, o ponto de ser da China não está na “felicidade do seu povo” e sim na “Ad Majorem China glorium”.
Viva a Repúbica (nada) Popular da China.
Nossos próximos patrões….
O que tenho medo é se o modelo de trabalho for copiado da China.
Na China não existe um sindicato e todas as pessoas são constantemente reprimidas.
É uma ditadura capitalista.
Fantástico o texto do Marcelo Cunha. É um outro Brasil, minha gente. E, com todos os seus defeitos, Lula é o cara….
Excelente crônica a de Marcelo Cunha, a melhor descrição de Lula que já vi. Ele é exatamente isso, um estadista, um homem genial, temos que reconhecer. E se alguns acham que ele foi domesticado, acredito apenas que ele foi oportuno, como sempre.
Sei que foge ao tema, mas tinha que comentar que achei excelente o texto de Marcelo Cunha. A melhor de descrição de Lula que já ví. Nosso presidente é exatamente isso, um estadista, um homem admirável por todas as suas superações.
Não me atrevo a vaticinar como será o mundo capitalista sob a direção da China. Só tenho certeza que isto irá acontecer e quando for o caso, será bem diferente do existe hoje, visto que eles, os chineses, têm uma abordagem crua e pragmática da economia.
Sinceramente tenho um medo tremendo de ver a China ascender como novo monstro político de hegemonia mundial.
No meu blog eu demonstro esse medo diversas vezes e milito pelo boicote aos produtos chineses. Não só por essa tenebrosidade política, mas por motivos de direitos humanos, trabalhistas e animais e de meio ambiente.
conscienciaefervescente.blogspot.com/search/label/China
Robson,
Por conta dos direitos fundamentais, deveríamos boicotar também produtos europeus e norte-americanos.
Andrei, até que não é má ideia boicotar os produtos das multinacionais mais abusivas.
Se bem que a China é uma causa mais imediata, por ser uma questão ainda mais oficial.
Robson,
Segundo dados que se podem obter na própria ONU, o maior violador de direitos fundamentais do mundo, hoje, são os Estados Unidos da América.
Não sei se a China é tanto a causa mais imediata. A oficialidade apenas retira hipocrisia.
Os EUA estão enraizados já faz um bom tempo. A China ainda pode ser detida enquanto é tempo.
Creio eu que, depois de derrubar a ditadura chinesa e forçar a implantação de direitos trabalhistas, podemos voltar a atenção pros EUA caso não melhorem. Se os EUA tiver uma explosão “satânica” como foi na época de Bush ou na época das ditaduras latinoamericanas, podemos reassumir a luta forte contra eles.
Melhor dizendo, não sei no momento como os EUA poderiam ser detidos. Quanto à China, ainda há soluções mais práticas.
O Robson Fernando, escritor e estudante é poderoso. Findo o combate ao parque dona lindu, ele agora vai se dedicar a derrubar a ditadura chinesa. So depois ele vai se voltar contra os estados unidos, caso não melhorem. Eu quero morrer seu amigo.
Derrubar a ditadura chinesa? Vai ser difícil, uma vez que o povo chinês apóia o regime. E não se iludam, a imprensa ocidental em sua grande maioria (incluindo TODA a imprensa brasileira) não sabe do que está falando quando fala de China.
Eu moro aqui há três anos, falo a língua e tenho tentado estudar o país.
Sim, existe controle da mídia. Sim, existe repressão. Mas o povo chinês aceita a corrupção do governo porque todos os chineses com mais de 20 anos se lembram de uma época em que passavam necessidade. Atribuem o sucesso ao partido.
Os chineses são pragmáticos. Aqueles que querem poder político se envolvem no jogo dentro do partido, e os que não querem não se envolvem.
Outra coisa, a repressão na China não é tão forte como se imagina e essa de Robson de direitos trabalhistas é papo furado. Já visitei várias fábricas de vários setores na China, e posso dizer que a maioria está muito bem. Existe trabalho escravo? Não duvido que exista. Mas sei que se existir é uma minoria escondida, como no Brasil.
Zictor,
Qual é o salário mínimo aí??? Dá para viver? Existe miséria? Conte-nos mais…
Abraços.
Bahé,
Devo confessar que não conheço realmente o salário mínimo dos chineses. Especialmente porque aqui a diferença entre cidade e campo é MUITO grande. E os preços aqui são realmente distorcidos quando se trata de alguns produtos de luxo.
O estrangeiro ganha em geral 4-5 vezes mais que um chinês, mas essa diferença está diminuindo rapidamente na medida em que os chineses estão se qualificando e aprendendo a falar inglês.
A vida dos estrangeiros aqui é bem boa, cheia de festa e muito gasto. Mas produtos ocidentais (tipo queijo) são bem mais caros que os chineses, entãoa caba custando um pouco mais. Mas como o salário é mais alto e algumas outras coisas são bem baratas, compensa.
Sim, existe miséria, muita. Em ciades como Beijing você mendigos pedindo esmola (menos durante as olimpíadas). Viajei para uma das regiões mais pobres da China, e vi muita pobreza, mas não diria que vi fome e miséria. Lá havia escolas (não tão boas como nas cidades). E estavam construindo pequenas trilhas asfaltadas para ligar as vilas.
Bom, eu sou ruim de escrever espontaneamente, porque posso acabar escrevendo demais. Então, pode mandar as perguntas (inclusive por e-mail) que eu respondo.
Abraços,
Victor
Valeu, meu caro… De repente, se algum dia quiser escrever um artigo sobre suas impressões sobre a China, a gente teria o maior prazer em publicar.
Abraços.
Tenho para mim que o maior receio de uma eventual – bem provável -proeminência chinesa no mundo é a dificuldade de compreender o modelo. E não falo de modelo econômico.
Não operam nos moldes da tradição judaíco-grega-romana-cristã a que estamos habituados. É outra tradição cultural e sente-se pouco ou nada obrigada a prestar reverência aos nossos modos de abordar as coisas.
Andrei,
Entendo sua preocupação, mas acho que voce não precisa ir tão longe. A China está crescendo, mas não pode se impor ao resto do mundo. O resto do mundo ainda é mais forte do que a China.
Mesmo na própria Ásia, a China rivaliza com Japão e Índia. A Coréia do Sul, que sempre apanhou da China e do Japão, não que nenhum dos dois super poderosos. E Taiwan sempre está na área.
Resumindo: A China é grande mas não é maior que o mundo.
Marco,
Seria um prazer escrever para vocês. Eu já fiz uma contribuição para o Weblog de Pedro Dória uma vez. Ele fez uma série chamada “O mundo visto pelos olhos dos leitores”, onde leitores do blog que moram em diferentes países do mundo escreveram sobre os lugares onde moravam.
Se quiser ver, é só clicar no meu nome. Se vocês acharem interessante, é só me mandar um e-mail me dizendo que parte da China vocês gostariam de conhecer melhor.
Abraço
Ei, escrevi um comentário que não tá aparecendo, por que?