Investimentos em companhias que promovem sexo podem aumentar

jul 28, 2007 by     Sem Comentários    Postado em: Economia

Do New York Times

Com a exceção do fato de atuar na área de encontros de natureza sexual, a Friendfinder Incorporation parece se constituir na melhor das perspectivas para os investidores. A companhia, com sede em Palo Alto, na Califórnia, opera sites de relacionamentos sociais que registram 140 mil novos assinantes por dia, e US$ 200 milhões em receitas anuais.

Mas o site principal da companhia, o Adult Friendfinder, ajuda as pessoas a se encontrarem com o objetivo de criar ligações de natureza sexual. O conteúdo do site, que inclui fotos explícitas e linguagem pornográfica, afastou os investidores tradicionais.

“No decorrer dos últimos dez anos, nos reunimos com uma dúzia de investidores”, conta o fundador da companhia, Andrew Conru, que tem doutorado em engenharia pela Universidade Stanford. “As conversações terminaram bem rapidamente”.

Os tempos e o gosto dos investidores podem estar mudando. Conru diz que nos últimos meses presenciou um interesse mais substancial e que recebeu ligações por parte de potenciais investidores. De forma mais geral, os investidores tradicionais e os fundos de eqüidade privados estão começando a demonstrar interesse em companhias que criam e distribuem entretenimento pornográfico e produtos e serviços relacionados ao sexo.

Vários ex-investidores de Wall Street estão agora se especializando em conjugar dinheiro com companhias que oferecem esse tipo de conteúdo e produtos. Além disso, alguns investidores já estão financiando novas empresas que lucram bastante com a confecção e a distribuição de conteúdo e produtos sexuais, e outros estão cogitando fazer tais investimentos.

A Jimmyjane, uma empresa de São Francisco que vende produtos relacionados ao sexo, incluindo vibradores (um deles, folheado a ouro, custa US$ 250), conta com seis venture capitalists (investidores que disponibilizam capital para projetos inovadores) entre os seus investidores. O diretor-executivo da companhia diz que está perto de concluir uma rodada de financiamento de US$ 3 milhões a US$ 5 milhões com um ou mais fundos – não meramente venture capitalists individuais, mas os chamados marquee funds.

“Isso será um divisor de águas”, afirma Ethan Imboden, diretor-executivo da Jimmyjane e ex-consultor de design da Nike, da Motorola e de outras marcas conhecidas. Segundo ele essa poderá ser a primeira grande operação de investimento em um negócio cuja temática é explicitamente sexual.

O envolvimento de investidores tradicionais com tais companhias ainda está no início, e até mesmo aqueles que possuem um interesse velado no crescimento desse tipo de negócios advertem que eles podem não prosperar. Existem obstáculos consideráveis para que tais empresas cresçam, especialmente o desconforto sentido por muitos investidores com o fato de se verem vinculados a produtos e serviços que consideram imorais ou que acreditam que podem macular a reputação.

Além disso, os investidores temem que essas companhias não sejam capazes de oferecer margens de lucros que justifiquem os riscos. E eles também poderão encontrar dificuldades para vender ações públicas dessas companhias, e também para encontrar empresas para adquiri-las, o que limitaria as suas estratégias de saída com lucro. E as universidades e fundações que investem em fundos de eqüidade privados, bem como os investidores de risco, dificilmente aprovariam negócios que vêem como pornográficos, segundo funcionários de bancos de investimentos.

Mas existem também certas forças gerando um maior interesse, de acordo com os investidores de risco e banqueiros de investimento, como P. Holt Gardiner, um dos sócios do Ackrell Capital, um banco de investimentos focado em grande parte nas indústria de alta tecnologia, mas que tem encontrado investidores dispostos a aplicar capital nas firmas dos produtores e distribuidores de material pornográfico.

Gardiner diz que os investidores estão curiosos em relação ao fato da era digital estar permitindo o surgimento de uma gama de novos modelos de distribuição – da Internet à televisão digital – que tem criado numerosas oportunidades de lucro com a criação e distribuição de material pornográfico. Essas oportunidades podem incluir novas infra-estruturas técnicas ou de pagamento, tais como aquelas que permitem os micro-pagamentos.

De forma mais geral, Gardiner observa que houve um enorme fluxo de dólares para as firmas de investimento e que os investidores estão buscando formas criativas de fazer com que o seu capital gere lucros. Ele diz que as companhias especializadas em material pornográfico poderiam ser compradas a preços baixos, já que existe menos concorrência de possíveis investidores que inflacionariam os preços.

“A reticência dos investidores em relação à indústria do sexo está mudando drasticamente”, afirma Gardiner.

Mas ele admite que, na maioria das vezes, esse interesse ainda não se traduziu em muitos negócios. Gardiner diz que se envolveu em várias discussões com firmas de capital de risco que demonstraram interesse em uma companhia especializada em sexo, seguiu os procedimentos de praxe, assinou os acordos e, a seguir, apresentou-os ao seu limitado número de parceiros.

“Invariavelmente, um dos parceiros recua”, lamenta Gardiner. “Isso ocorreu quatro ou cinco vezes”.

Gardiner afirma que um fator fundamental para fechar esses negócios é fornecer aos investidores tradicionais alguma cobertura no que se refere às relações públicas ao “reembalar” a companhia de uma forma mais palatável. Por exemplo, uma companhia pode obter bastante lucro com a indústria pornográfica, mas também fazer negócios tradicionais.

Ele citou como exemplo uma companhia chamada Waat Media, que agrega e distribui conteúdo para telefones celulares e possui negócios com vários produtores de pornografia explícita, como a Penthouse e o Vivid Entertainment Group. Em setembro, a Spark Capital, uma firma tradicional de capital de risco, investiu US$ 12,5 milhões na Waat, mas mudou o nome da companhia para Twistbox Entertainment e apresentou a empresa como uma distribuidora de material para telefonia celular.

A Spark Capital não quis tecer comentários para este artigo, e tampouco a Twistbox, que continua vinculada à Waat Media.
Philp S. Schlein, um dos parceiros da US Venture Partners e um dos que investiram na Jimmyjane, disse acreditar que o investimento em tal setor aumentará, porque a sociedade está se tornando mais aberta.

Entre os outros investidores na Jimmyjane está Timothy C. Draper, sócio da Draper Fisher Jurvetson. Ele não retornou a ligação da reportagem para fazer comentários.

Imboden, o diretor-executivo da Jimmyjane, disse que o que atrai os investidores de risco não é nada de incomum: a oportunidade para financiar produtos inovadores capazes de mudar ou controlar mercados. Segundo ele, a experiência desses investidores pode ser valiosa.

“Eles compreendem a inovação dos produtos e marcas de consumo”, afirma Imboden.

Francis Koenig, um ex-gerente de fundos hedge e atual diretor-executivo da AdultVest, uma pequena companhia de investimentos de Beverly Hills especializada na indústria pornográfica, concorda que surgirá mais capital para investimentos, graças à disponibilidade generalizada de conteúdos explícitos na Internet.

“A acessibilidade gera a aceitação”, opina Koenig. Ele criou dois fundos para investir na indústria, o Bacchus e o Priapus, mas se recusou a especificar de quais negócios a sua companhia participou.

Enquanto isso, nem todos estão convencidos de que o interesse em meio aos investidores tradicionais implicará em um impacto de longo prazo.

Paul Fishbein, presidente da AVN Media Network, uma companhia que publica informações sobre o mercado pornográfico, diz que o momento é propício para os investimentos tradicionais. Mas ele observa que a indústria costuma gerar conversações com os investidores tradicionais que no final ficam apenas nisso: conversações.

“Há cinco anos falamos constantemente sobre investidor tradicional. Mas ele ainda está sentado à margens deste negócio”, afirma Fishbein, referindo-se ao mercado de material pornográfico.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).