
Nelson Jobim apostava no esforço do Governo nesta reta final
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim renunciou agora há pouco à disputa pela presidência do PMDB. Uma nota curtíssima, mas que fala muito:
Os acontecimentos das últimas horas enunciam opção objetiva do governo quanto à disputa no PMDB. Diante disso resta-me afastar-me em definitivo da contenda.
Brasília, 6 de março de 2007
Nelson Jobim
Comentário meu
É provável que Jobim tenha se sentido abandonado por Lula na reta final da disputa interna no PMDB. Todos sabem que sua candidatura só existiu porque era apadrinhada pelo Palácio da Alvorada. Mas informações de bastidores em Brasília dão conta que o presidente foi aconselhado por assessores a se afastar do ex-ministro do STF, pois sua candidatura já dava água.
O grupo de Jobim apostava que o Palácio da Alvorada iria entrar com a carga toda nesta reta final da disputa – as eleições da direção do PMDB ocorrem no próximo domingo. Mas o que aconteceu foi o contrário. E as últimas ações de Lula demonstram isso.
Primeiro, recebeu o deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ontem no Palácio, e fechou sua nomeação para o Ministério da Integração Nacional. Geddel é ligado ao atual presidente pemedebista e candidato à reeleição, Michel Temer (SP), que será recebido ainda hoje pelo presidente.
Tudo indica sejam esses os motivos pelos quais os ”acontecimentos das últimas horas enunciam opção objetiva do governo quanto à disputa no PMDB”, segundo Jobim fala na nota.
Todos sabemos que o presidente está fazedo de tudo para ter o PMDB quieto neste segundo mandato. Dará inclusive dois ministérios para que isso aconteça.
Mas, em respeito à boa etiqueta política, Lula deveria ter arranjado uma forma mais elegante de mudar de opção, ao invés de abandonar o aliado à própria sorte e sem qualquer satisfação.


