Militares tomaram o poder nas Honduras
Militares tomam o poder nas Honduras, depondo o presidente Zelaya. Foto: Gustavo Amador / EPA
Para evitar a realização de um referendo, os militares tomaram o poder nas Honduras, hoje pela manhã. O presidente hondurenho, Manuel Zelaya, foi preso e enviado à uma base militar. Em seguida, foi deportado para a Costa Rica, onde ainda está exilado até este momento.
O golpe contra o governo democrático de Honduras tem o objetivo de inviabilizar a realização de uma consulta popular sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte para alterar a atual Constituição hondurenha, que não permite reeleições.
O presidente Manuel Zelaya foi eleito em 2006. Ele afirma que não tem intenção de se candidatar novamente, mas que pretende dotar o texto constitucional dessa possibilidade para futuros governantes.
Se ele não vai mesmo se candidatar é difícil saber. Mas a reeleição não é um atentado contra a democracia e acontece em vários países democráticos, como Brasil e EUA. Ainda mais se a Assembleia Constituinte for referendada pelo povo – coisa que nem no Brasil se fez, em 1997, quando o Congresso aprovou a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.
Na terça-feira (23), o Congresso hondurenho aprovou (sob a batuta orquestral das Forças Armadas e da Justiça) uma lei que engessou a realização do referendo. O texto aprovado diz que não se pode realizar referendos nem plebiscitos antes e depois de 180 dias das eleições.
Depois de aprovada a lei, o chefe do Exército deu uma declaração falando que não ajudaria na organização do referendo para não ir de encontro à lei. O chefe do Exército, o general Romeo Vasquez, foi então demitido do cargo pelo presidente Zelaya. O fato fez surgir uma reação em cadeia, na qual também renunciaram aos cargos o ministro da Defesa, e os chefes da Marinha e da Aeronáutica.
Na quinta-feira (25), o presidente Zelaya e simpatizantes seus entraram numa base militar, de onde retiraram as urnas do referendo. Em seguida, falando para uma multidão, o presidente hondurenho disse que não iria obedecer a Suprema Corte do país.
Zelaya: "A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia".
Ontem, Zelaya fez vista grossa à uma decisão da Suprema Corte ordenando que o general Vasquez fosse reempossado no cargo de chefe do Exército.
Na Grécia, o ministro de Assuntos Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, disse que os 27 Estados-membros da União Européia pedirão com urgência que o presidente deposto retorne ao cargo. A Organização dos Estados Americanos (OEA) em reunião de emergência na cidade de Washington (EUA), já se posicionou contra o golpe de Estado em Honduras.
Na Costa Rica, o presidente deposto disse que foi vítima de sequestro e pediu que sua reposição seja feita sem o uso de violência.
[Atualização - 17:45] – Leiam abaixo os pronunciamentos de alguns países contra o golpe.
As informações a seguir foram extraídas em O Globo Online.
BRASIL: “O Governo brasileiro solidariza-se com o povo hondurenho e conclama a que o Presidente Zelaya seja imediata e incondicionalmente reposto em suas funções. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue acompanhando a situação por meio de contatos com outros Chefes de Estado e através de informações repassadas pelo Ministro Celso Amorim”, diz a nota.
EUA: O presidente americano, Barack Obama, mostrou grande preocupação neste domingo com o golpe de estado em Honduras. Militares prenderam e expulsaram esta manhã o governante eleito do país, Manuel Zelaya. “Como a Organização dos Estados Americanos (OEA) fez na sexta-feira, eu convoco todos os atores políticos e sociais em Honduras a respeitarem as normas democráticas, as leis e os princípios da democracia interamericana”, disse Obama, em um comunicado.
“Convocamos todas as partes em Honduras a respeitar a ordem constitucional e o estado de direito, para reafirmar sua vocação democrática e se comprometer a resolver as disputas políticas de forma pacífica e através do diálogo”, afirmou Hillary Clinton em nota.
VENEZUELA: “Se nosso embaixador tiver sido sequestrado, [se configuraria] um estado de guerra de fato, teríamos que atuar, não poderia ficar de braços cruzados”, disse Chávez. “Este é um golpe de Estado contra todos nós, faremos tudo o que tenhamos que fazer, daremos uma lição à cúpula militar hondurenha, assim como fizemos em 2002 na Venezuela”, afirmou Chávez.
COSTA RICA: “Convido o presidente Zelaya a viajar comigo amanhã a Manágua, onde teremos um encontro do Sica (Sistema de Integração Centro-Americano)”, disse o presidente Oscar Arias, prêmio Nobel da Paz em 1987.
BOLÍVIA: “Faço um chamado aos órgãos internacionais e aos movimentos sociais da América Latina e do mundo. Faço um chamado aos presidentes e governos democráticos para que condenem e repudiem este golpe de Estado militar”, disse Morales.
CHILE: “A tentativa de golpe de Estado em Honduras violenta a ordem constitucional e contraria de maneira flagrante as disposições da Carta da OEA e suas instituições fundamentais”, afirmou o Palacio de La Moneda, em nota.
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Esse golpe deve dar errado. Os patrões do continente já o condenaram e chamaram-no pelo nome certo: golpe. A secretária de estado Hilary Clinton disse que violava regras.
Golpe contra eleições e sem apoio de uma potência dificilmente dá certo.
Suprema Corte foi eleita pelo povo??
A jogada agora é fazer uma Lei e dizer que ela (a lei) é superior ao povo.
Os atores do Golpe:
1) Forças armadas;
2) Poder judiciário;
3) Uma Lei – Legisladores contrariando o POVO;
Está faltando saber se a imprensa chamou o presidente de “ex-presidente deposto democraticamente”.
Estou sentindo falta de Petroleo, riquezas naturais e etc?
Se não tem. É por isso que a CIA não está lá.
“Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos”
Podres Poderes (Caetano Veloso)
Era bom que os militares derrubassem todos do poder em Brasília, por que aquilo é uma bagunça. É muita roubalheira. Sem violência, claro!
Que é isso mar? Vá refrescar sua cabeça num bom banho de mar?!?!
Mar, não-violência é diametralmente oposta à existência de um corpo militar (exceto corpo de bombeiros).