Não dava para reduzir a Selic mais que do isso

mar 12, 2009 by     10 Comentários    Postado em: Economia

meireles

Logo após o anúncio da reunião do Copom, que decidiu reduzir os juros em 1,5%, caindo a Selic a 11,25%, algumas entidades resolveram protestar contra Meirelles e o Banco Central.

A verdade é que não dava para reduzir mais do que isso. Seria temerária uma redução acentuada em uma só reunião. Na verdade o erro estava lá atrás, na última reunião do ano passado, quando manteve a taxa estável. Logo em seguida reduziu 1%, e agora esta redução um pouco maior.

A taxa Selic deve ser uma função de alguns fatores, mas resumindo, deve ser suficientemente atrativa (alta) para atrair emprestadores (investidores), e não incentivar demasiadamente o consumo (pois gera inflação), e também deve ser baixa para estimular o crescimento econômico, já que o dinheiro fica “mais barato”.

É com este equilíbrio que trabalha o Banco Central.

O problema neste momento nem é a inflação (ou não deveria ser), já que a atividade econômica sofreu uma queda brusca no último trimestre. Com a redução no PIB maior do que o esperado, a primeira preocupação deve ser a retomada do crescimento econômico.

Ontem apareceram muitos bravateiros, como a Força Sindical, para protestar contra a redução de apenas 1,5% na Selic, mas era impossível reduzir muito mais que isso.

Uma redução acentuada na taxa teria impacto quase zero na inflação no primeiro momento, mas precisamos pensar pelo lado do investimento, ou de quem está emprestando dinheiro ao Governo.

Se a taxa simplesmente despencar, uma parte significativa da dívida não conseguirá ser rolada, e aí o Banco Central não conseguirá manter a situação estável na sua mesa de operações. Mesmo que a taxa continue atrativamente alta como está, o impacto de uma diminuição brusca na remuneração dos investidores pode ter um efeito inesperado, já que não costumamos trabalhar desta forma.

O ideal seria diminuir o intervalo entre as reuniões, passando estes para 30 dias, ao invés de 45. Até lá, poderíamos saber como o mercado se comporta.

10 Comentários + Add Comentário

  • Concordo com você Pierre.

    A SELIC deveria ser reduzida aos poucos, porém de forma contínua e não de forma brusca e instantânea.

    O problema, como você disse, foi não ter mexido na taxa em Dezembro.
    Caso reduzissem em Dezembro, depois em Janeiro e agora em Março, de forma homogênea a contínua, o resultado seria melhor que uma queda brusca de 2%.

  • Discordo,

    Altas taxas não são necessariamente atrativas para trazer capital de investimento real. E sim capital especulativo.

    Devemos lembrar que ela tem uma atuação por dois lados na equação utilizada pelo BC para a imagem da inflação futura. Pelo câmbio e pelo Investimento.

    Pelo câmbio estamos vendo que ela é uma furada, onde mesmo com as maiores taxas de juros do mundo, não está segurando os dólares no brasil. A crise está tirando esses dólares, ou seja, recursos externos, mesmo com altas taxas.

    Isso sem contar que as reservas cambiais tem mais poder de atuação sobre o câmbio do que a Taxa Selic.

    A grande vilã é pelo lado do investimento. Não tendo muita atração em investimentos especulativos, como juros dos titulos, que é regulado peça taxa SELIC, “sobra” mais dinheiro para investimentos produtivos reais. Por isso uma redução de 3% seria o ideal para dar uma tranco na economia.

    Além disso existem outros instrumentos disponíveis pelo BC para liberar os empréstimos, como a diminuição dos compulsórios dos bancos.

    No demais, concordo contigo no que se refere ao atraso do BC em atuar sobre seus instrumentos. Ao que parece o BC atua com os dados divulgados pelos órgãos oficiais. Mas a divulgação desses dados não é tempo real com o desenrolar da economia. Por isso a defesa que as decisões sobre os juros tenha a participação de outras classes de relevância sobre a economia, como industriais e sindicais, que estão no dia-a-dia do que está havendo na economia real.

  • Para o economista Joseph Stiglitz, Brasil não conseguirá evitar dois recuos seguidos na atividade econômica. O economista americano Joseph Stiglitz afirmou nesta quinta-feira, 12, em Genebra que o Brasil possivelmente entrará em recessão. “Tecnicamente uma recessão significa dois trimestres de queda no PIB. Com a economia mundial no ritmo que está a possibilidade disto é alta”, disse.

  • Essa taxa Selic precisa ser zero acima da inflação! O governo precisa fazer gerar empregos e não a desídia! Não à independência do BC.

  • O Brasil tem um sistema financeiro peculiar. A queda pode ter sido importante, mas a taxa permanecem sendo uma das maiores do mundo”. Exatamente conforme está escrito inclusive com o erro na pessoa do verbo, ele disse a verdade pois são taxas de agiota para patrocinar o refúgio seguro para o capital preguiçoso especialmente de bancos e possibilitar ao governo que se dizia de esquerda mas na verdade procede de maneira equivalente ao governo militar de extrema direita: este atual emite títulos e aquele mandava imprimir na casa da moeda. Aquele se impunha pela ponta da baioneta e o atual pratica uma espécie de estelionato político com parábolas e conversa mole pra boi dormir.

  • Li a matéria no Estadão. O Brasil tem um sistema financeiro peculiar. A queda pode ter sido importante, mas a taxa permanecem sendo uma das maiores do mundo”. Exatamente conforme está escrito inclusive com o erro na pessoa do verbo, ele disse a verdade pois são taxas de agiota para patrocinar o refúgio seguro para o capital preguiçoso especialmente de bancos e possibilitar ao governo que se dizia de esquerda mas na verdade procede de maneira equivalente ao governo militar de extrema direita: este atual emite títulos e aquele mandava imprimir na casa da moeda. Aquele se impunha pela ponta da baioneta e o atual pratica uma espécie de estelionato político com parábolas e conversa mole pra boi dormir.

  • Só lembrando aos internautas de cima, o Brasil tem metas de inflação e não metas de crescimento e desemprego. Manter isso é muito importante que continue estrutura de confiabilidade entre o BC e os agentes econômicos.

  • A decisão do presidente Meirelles foi correta, a reduçaõ da Selic vai continuar sim, mas de forma cautelosa e planejada.
    O Governo sabe o que faz, e acredito na competencia do Meirelles como também do Ministro Guido Mantega.

  • Explicação simples clara sem muita firulas.
    Isto e que falta na midia de alto poder de influencia, e desonesta.
    Parte da queda do PIB no ultimo trimestre foi devido a ma fe da midia, com suas manchetes aterrorisantes.
    Não creio em bruxas, mais que existem, existem!
    Conheci seu blog hoje, gostei .Favorito nele!

  • Pierre,
    vc não deixa de ter razão, mas é precisa tb levar em conta que uma queda maior da Selic diminui o valor do que precisa se rolado.

    Joseph Stiglitz está equivocado. Em janeiro tanto a indústria quanto o Comércio varejistas cresceram frente ao mês anterior. Fevereiro tb vai pelo mesmo caminho segundo dados antecedentes da Anfavea e FGV.

    A recessão técnica está fora de questão.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).