O lado bom da crise

fev 13, 2009 by     12 Comentários    Postado em: Economia

Mantega e Meirelles (Agência Brasil)

As crises podem deixar sempre algum saldo positivo. Principalmente em sociedades em que a ineficiência é muito grande, como é o caso do Brasil.

Foi preciso a crise do apagão no final do Governo Fernando Henrique para que a população utilizasse de maneira mais racional a energia elétrica. Famílias em crise financeira tendem a otimizar seus custos. Exemplos como esse são normais.

Aqui no Brasil está sendo preciso um apagão de crédito para que o Governo enxergue que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal têm um importante papel a cumprir na regulação de mercado.

Por diversas vezes isto foi discutido no Acerto de Contas. O BB e a CEF ficaram durante anos fazendo o jogo da Febraban, como se o papel dos dois fosse o de gerar resultados operacionais, como qualquer instituição.

Agora o Governo endureceu o discurso, o Presidente está exigindo taxas de juros mais baixas, para forçar o mercado a se adequar ao que o Governo espera dos bancos, e não o contrário. Se tivesse feito isso no começo do Governo, a taxa de crescimento do país teria sido maior. O espaço criado é excelente neste sentido.

A idéia do Governo, conforme descreve Claudia Safatle, no Valor Econômico de hoje, é reforçar o capital do banco via Tesouro, que seria uma operação razoavelmente simples, em conjunto com o Bacen.

Poderia também emitir títulos no mercado, capitalizando o banco, e atuando fortemente no mercado, mas isso teria um limite.

Esse é um papel de política monetária muito mais importante do que ficar brigando inutilmente com o Banco Central na taxa Selic. O efeito multiplicador é muito maior neste caso.

Foi preciso uma crise para enxergar isso.

12 Comentários + Add Comentário

  • Não se preocupem, já mandei o link para Meireles e Mantega, com cópia oculta pra Lula… quero ver se agora não da jeito!

  • Concordo, com a solução de agora, é melhor do que nunca!

    Agora, porque usar este recurso agora, porque sacrificio de micro e pequenas empresas nestes sete anos de lula! O sacrificio vai ser indiretamente de todos com o aumento de tributos, para resgate futuro deste titulos da divida publica via bacen, para capitalizar as aquisições erroneas e emprestimo para estatais como a petrobras e votoratim!!!!!

    Porque a complexidade destas operações não vao para mídia nao paga como televisao e radio, mostrando a consequencia destas operações, a midia precisa todo dia de capital de giro, para bancar a manipulação da mesma!!!!

  • Gostaria de ver o balanço de 2008 destes dois bancos federais com contas para custeio e aquisições!!!

    Temos 800 bilhoes de titulos da divida publicas sendo renovados a cada exercicio da LOA????

  • Como é, o a União capta recursos emitindo dívida pública e entrega para o BB emprestar? É das ideias mais toscas que já ouvi em minha curta vida.

    Para colocar dinheiro na mão do BB desta forma a União teria que aumentar a captação de poupança privada. Fazendo isto ela reduz a oferta de recursos disponíveis e o juro de equilíbrio no mercado sobe. O BB vai e entra no mercado com juro abaixo do equilíbrio e recebe a demanda do mercado todo. Como ele não pode ajustar o preço do dinheiro, empresta tudo que tem e pede mais ao BC. Para captar mais é preciso nova captação e o ciclo recomeça.

    Acho que a última vez que fizeram algo parecido foi na formação dos mercados paralelos de câmbio devido as regras da SUMOC. Vamos ter agora o mercado paralelo de reais para empréstimo, e a cotação oficial do juro do BB.

    É realmente para rir. Querer regular o juro esquecendo que juro é um preço determinado pelo mercado de crédito.

    Já a segunda opção é bem mais realista. A União aumenta o aporte de capital no BB para dar folga para o limite prudencial.

    • Fernando
      Essas são as opções disponíveis.
      Acredito que vingará a segunda opção.

  • Foi preciso a crise para reduzir o IPI.
    Foi preciso a crise para corrigir a tabela do IRPF
    Foi preciso a crise para a taxa selic cair 1% de uma vez
    Reforma tributária, será que é tão dificil assim fazê-la?

  • Foi preciso a crise para se escapar da armadilha de que os tais bancos teriam que ser vistos exclusivamente sob a ótica da febraban.

    Se não fosse para ter alguma diferença – para ser ator de alguma política – era melhor vendê-los.

  • BB e Caixa.

    Se precisar ser atendido nesses bancos, verás que o serviço é padrão público brasileiro. Quantos às taxas, padrão privado.

  • Discordo Pierre

    Existem muitas opções disponíveis, e a maioria passa por tornar mais caro aos bancos manter dinheiro em caixa. A própria União poderia reduzir a captação na forma de dívida pública.

    Estas opções de Mantega são de curtíssimo prazo, e dúvido que BB e CEF tenham cacife para bancarem sozinhos a demanda de crédito. E não passaria de um movimento passageiro. O problema está na determinação do preço do crédito, e sem afetar os componentes de demanda ele vai continuar caro.

    jà os mecanismo de seguro público para empréstimos privados, os EUA tem a nos ensinar com a falência do sistema de poupança em empréstimo na década de 80.

  • [...] no blog Acerto de Contas, uma postagem na qual o Pierre Lucena (um dos autores do blog) dizia que a crise trás coisas boas, como é o caso [...]

  • Parece que agora a política de gerar resultados operacionais a todo custo, que foi implantada na Caixa há alguns anos, não vai mais prosperar… É uma notícia boa se a Caixa voltar a assumir sua verdadeira função.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).