Hoje foi divulgado mais um aumento na taxa de juros final ao consumidor. Para se ter uma idéia do tamanho do spread, o cheque especial tem uma taxa final média de 146%.
A taxa de juros final deve ser função de algumas variáveis:
- o custo de oportunidade dos bancos (a Selic, por ex.)
- os custos bancários
- o risco da inadimplência
- os impostos
- o lucro
Quais dessas variáveis modificam entre o cheque especial e o crédito consignado?
De maneira significativa apenas o risco da inadimplência.
Então como a taxa do consignado pode ser 26% e a do cheque especial 146%?
Ninguém explica.
A verdade é que o setor bancário trabalha sob baixíssima concorrência. A taxa final não é determinada pelo mercado, mas sim por maximização de lucro do setor.
Mas o Governo precisa explicar o que faz o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal nesta história. Bem que poderia intervir estimulando concorrência através dos seus próprios bancos.



É exatamente isso. Simples, direto e moralmente defensável.
Mas acontece que os “próprios” bancos do governo na verdade são administrados por terceiros, que representam acionistas privados e impõem uma ideologia de livre mercado (não intervencionista por parte do governo). O ministério da fazenda, que não quer assumir mais um problema (administrar um banco) além dos vários que já tem, prefere deixar que os executivos glutões tomem conta. Afinal, eles sabem que a lucratividade obtida com esses juros extorsivos retornará em boa parte para o caixa do Tesouro. Uma visão tosca e puramente contábil, mas fazer o que…