Petrolão, China e Whatsapp: o pesadelo da Bovespa

ago 15, 2015 by     15 Comentários    Postado em: Economia

No dia 20 de maio de 2008, com uma pequena variação positiva de 0,1%, o Ibovespa alcançava 73.516 pontos. Era o topo do mercado financeiro brasileiro.
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Antes de continuar, vale saber que o Ibovespa é um composto de ações mais líquidas na Bolsa de Valores de São Paulo, que é alterado a cada quadrimestre. Pode ver detalhes aqui
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Naqueles tempos gloriosos a Petrobrás valia R$ 43,66 e significava mais de 16% do Ibovespa (somadas ações preferenciais e ordinárias), a Vale estava com ações preferenciais cotadas a R$ 46,87 e compunha o Ibovespa com 16% também, e as telefônicas viviam seu auge.Tim, Telemar, Brasil Telecomunicações e Telesp também compunham o Ibovespa.
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Uma técnica mais apurada, e amplamente utilizada no mercado de capitais para cálculo de preço-alvo de uma ação (quanto ela realmente valeria em função de seu lucro e risco), é dada pelo Modelo de Fluxo de Caixa Descontado:

onde o valor de uma empresa é dada pelo somatório de fluxo de caixa futuro (n caso de ações em dividendos esperados), atualizados a uma taxa WACC, que é a função do custo de capital da empresa (que por sua vez é função do risco desta empresa em relação ao mercado).

O Custo de Capital (WACC), por sua vez, é o custo composto entre capital próprio e empréstimos (ou títulos). É extremamente correlacionado com o risco da empresa, daí a importância do grau de investimento.

Em outras palavras, quanto mais lucros (e dividendos) as ações prometem, maior o preço de equilíbrio do mercado. Quanto maior o risco, menor o valor de mercado.
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Voltando…

A Petrobrás vivia seu auge em 2008, com a descoberta do pré-sal. O país exportava commodities em larga escala para a China, especialmente a Vale do Rio Doce, e as ações da Oi estavam cotadas (abril) a mais de R$ 205,00.

Agosto de 2015

Com o cenário internacional desfavorável para o petróleo e a descoberta de corrupção em escala monumental na Petrobrás, as ações despencam para R$ 9,30 (era R$ 43,66). Com a diminuição do crescimento chinês, a Vale não fica impune e suas ações caem a R$ 14,34 (era R$ 58,62).

E para contaminar o cenário do terror, as redes sociais, em especial o Whatsapp, constroem outro tipo de comunicação e tornam as telefônicas quase que apenas transmissoras de dados.

Como o preço das ações reflete a expectativa de dividendos (e para isso é preciso lucrar) futuros, as ações desabaram pois não é de se estranhar que o futuro esperado das empresas de telefonia é o mesmo do táxi com a chegada do Uber.

Apenas para ilustrar como derreteu o setor, em 2008 as ações da Telemar/Oi estavam cotadas a R$ 205,50 e ontem estavam cotadas a míseros R$ 3,33.

Sendo mais direto: se você tivesse colocado R$ 100.000,00 nas ações da Oi em 2008, hoje teria R$ 1.620, 44.

Claro que vários motivos levaram a Oi a esta situação, mas a impossibilidade de reversão do produto torna o futuro é ainda mais sombrio para a empresa.

O Grupo Claro Brasil (Embratel somada) teve uma queda de lucratividade brutal este ano. Saiu de mais de R$ 300 milhões para apenas R$ 3 milhões.

Por obvio estas ações acabaram perdendo participação no Ibovespa, mas foram derretendo o índice ao longo do tempo, mesmo rebalanceando. Hoje brilham no Ibovespa, que está marcando pouco mais de 47.000 pontos, os bancos e a Ambev.

Pelo que se vê, Petrolão, China e Whatsapp parecem representar o verdadeiro terror de quem apostou no longo prazo.

15 Comentários + Add Comentário

  • Há algum tempo atrás, Giambiagi falava dos erros estratégicos que o Brasil estava cometendo apostando todas fichas no pré-sal. Apostamos em uma tecnologia que não representa o futuro e sim, o passado. O preço do petróleo caiu substancialmente de agosto de 2014 para hoje em dólares, mas com a desvalorização do real, o petróleo continuou com um valor alto, na faixa dos 170 reais. Toda a bronca da Petrobras, para o curto prazo, foi claramente por conta da corrupção. E para o longo prazo, o produto provavelmente se tornará menos necessário do que é hoje. Nos tornaremos menos dependentes do petróleo.

  • Só falta Dilma colocar a culpa da situação do país no WhatsApp, se não fosse pelos capitalistas malvados do WhatsApp, o Brasil seria a maior potência do universo.

  • O circo que o PT passou anos armando está caindo. Aos poucos, as máscaras vão caindo e a população vai conhecendo quais são os verdadeiros planos e intenções macabras dos esquerdistas para o Brasil. É tudo uma questão de tempo. Esses comunistas de bosta ainda vão pagar muito caro pelo mal que infligiram ao país.

  • Aí eu pergunto, e se a Petrobras não fosse essa empresa estatal colosal. Fosse uma empresa privada e para o Estado ficasse a parte de pesquisas e de regulação. Teríamos tantos prejuízos?

    • Lógico que não. Mas vai dizer isso para os ouvidos esquerdistas…

  • Se o PT conseguiu a proeza de falir até uma empresa de petróleo, que é um dos ramos mais lucrativos que existem no planeta, imagine o resto. Na mão do PT, qualquer negócio vai à falência num piscar de olhos.

  • Pierre, nesse trecho “a Vale não fica impune e suas ações caem a R$ 5,23 (era R$ 46,87)”. Será que no lugar de R$ 5,23, não seria R$ 15,23? As ações da Vale fecharam a R$ 14,34 na sexta, e o mínimo anual foi R$ 14,00.

    Estou errado? Não é a Vale5?

  • E quem disse q a Oi não vale nada por causa da mudança tecnológica? Tu eh doutor em finanças, olha o balanço.

  • Pierre, não concordo que a perda de valor da Petrobrás tenha sido em função da corrupção, mas, sim, do “combate a corrupção” e sobretudo do mercado. Explico:

    1) A corrupção no Petrobrás e no Brasil é praticamente continua e, mais ou menos, constante(*);
    2) Sempre houve corrupção e o Brasil não quebrou por isso e tampouco estatal nenhuma;
    3) A queda do preço do barril no mercado internacional fez as ações das petroleiras caírem;
    4) O petróleo não deixa de ser um commodity;
    5) A Vale é privada e despencou tanto quanto a Petrobrás. Lembrar que a Vale extrai commoditys; e
    6) O Brasil é prioritariamente um exportador de commodity, ou seja, é um exportador de recursos naturais

    (*) Sobre o tamanho da corrupção. Não podemos afirmar seu real tamanho e se ela, a corrupção, aumentou ou diminuí. Porque, inclusive, o mais bem feitos casos de corrupção nunca foram descoberto em função da sua estrutura refinada. Mas podemos fazer um modelo simples:

    (0) Orçamento Público =
    (1) Despesas com Políticos/Barnabés +
    (2) Despesas com Juros +
    (3) Consumo +
    (4) Investimentos/Realizações +
    (5) Corrupção

    Se o gasto com (0), (1), (2), (3) e (4) aumentaram visivelmente, o gasto com (5) não pode ter explodido como alguns meios de comunicação dizem. Quem afirma que nunca viu tanta corrupção é porque assiste muita TV e nunca fez sequer uma conta de somar.

    • Sequer sabemos do rombo na Petro por causa da corrupção. Cabe lembrar o desvio de 100 bilhões de reais da mesma na ultima capitalização com a tal cessão onerosa, dinheiro este que não foi aplicado na empresa, quem se lascou foram os minoritários que compraram ações a 26 e hoje vale cerca de 9,50. A Petrobras será um elefante branco a ser sustentado pelo país, enquanto em alguns países, os preços dos combustíveis cairam, aqui ta mais fácil subir. Os EUA inundaram o mundo de petróleo, no final do ano serão os maiores produtores mundiais, já era, nunca que o preço do barril voltará aqueles patamares. Preparem os bolsos, pagaremos a conta, na bomba de combustível.

      • Sobre os preços dos combustíveis no mercado interno, concordo plenamente. O mercado de combustíveis aqui no Brasil é praticamente monopolizado. Isso mascara o custo com a ineficiência da Petrobrás. E quem paga a conta da corrupção + ineficiência? A população. Ah, com certeza, a despesa com a ineficiência e burocracia no Brasil é maior que o custo da corrupção. Nós somos um país com alto índice de burocracia e, portanto, ineficiência.

        Quer ver o caos? Compara os portos brasileiros e com os demais espalhados pelo mundo.

        Solução? Estado mínimo e privatização geral. Quanto mais estado e sua cultura burocrática, pior.

  • A derrocada da Oi tem muito a ver também com a aquisição do esqueleto estatal, era uma salada de ações, TNLP4, TNLP3, TMAR5, TMAR3, TMAR6…depois fizeram uma reorganização para OIBR3 e OIBR4, aparecendo uma dívida monstruosa de uns 40 bilhoes reais…e para piorar essa fusão com a PT Telecom que mais parece a pá de cal do que solução.

  • Tem muito investidor bilionário puto com a Petrobras. Um único sheik saudita perdeu mais de um bilhão de dólares em ações da Petrobras na bolsa de Nova York. Foi o sheik que processou a Petrobras nos EUA. Se comprovada a ligação da corrupção com a queda das ações, espera-se uma maré de processos de indenização.

  • Pierre, longo prazo quem investe em setores específicos, ou compra ações em separado.

    O Ibovespa, não precisa esclarecer a sua composição, ou formatação, o Ibovespa vai ser teoricamente de alta, para quem monta uma carteira com base nele. Assim como as empresas mal geridas, vão perdendo em negociações e em peso, elas irão sair da composição do índice, e novas, small e midle caps vão entrar no índice. Que sua tendência é gerar cada vez mais lucro e crescer, assim fazendo o índice valorizar.

    As pessoas fazem muita estigma de bolsa de valores, assim como qualquer mercado funciona em ciclos, assim como o mercado imobiliário.

    O investidor que compra mensalmente ações ele está bem e sempre vai estar, se vc pegar os últimos 16 anos de vale do rio doce, o retorno médio anual para quem vem comprando fica acima de 50%, assim como várias outras. Mesmo tendo passado, agora me falha a memória, mas acho que bem umas 9 crises.

    Para quem é comprador de ações de “capa de veja”, ou indicação de gerente de banco, está fadado a derramar lágrimas.

    Momentos de crise como esse é para empurrar o maior número de ações pra carteira. Se fizermos uma analogia ignorante de um valor de um bem imóvel, por exemplo um apto de 1 milhão de reais, hoje em dia quanto de aluguel pega? 0,3%, fora se ficar desocupado terá custos fixos mensais reduzindo ainda mais essa taxa de aluguel.

    Em contra partida em momentos como esse, preços de ações em queda/desvalorizados, pegar um grupo de ações que paguem bons dividendos, vamos colocar uma média de 10% ao ano. Fora que o investidor de longo prazo pode colocar os papeis para alugar, aumentando ai cerca de 2% anual de retorno, ou pode lançar opções coberto (chamado de operações de financiamento), conseguindo de 0,5 a 5% em média) ao mês bruto, além de dividendo e jcp.

    O que falta são as pessoas estudarem e perderem o preconceito, o mercado financeiro pro investidor de longo prazo é mágico, da mesma forma, repetindo para o comprador de “manchetes” é um inferno.

    Vamos pegar o exemplo do petrólão, Petrobrás hoje (data do último balanço publicado), as ações deveriam valer R$ 34,13. Hoje cotada a R$ 9,30.

    Tira R$ 10,00 reais de roubo, má gestão, seja lá o que for. quando esse governo sair e as coisas clarearem, vai voltar fácil para os R$ 24,00.

    Momentos como esse, visões como a sua, deveria ter um final mais feliz, onde crises assim geram oportunidades. Assim como nos estudos estatísticos, boa parte das ações estão batendo no desvio padrão inferior. Assim como o ciclo do mercado imobiliário atingiu o teto, ou desvio superior, o mercado financeiro está bem próximo do inferior.

    Quem plantar a semente, vai colher bem.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).