não são apenas os bancos

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Vale do Rio Doce é uma das campeãs de rentabilidade

Há 2 anos atrás, apresentando um trabalho acadêmico em um congresso no exterior, um professor de finanças da Malásia me questionou sobre um estudo de um outro brasileiro, que tinha feito doutorado com ele nos EUA. O estudo traçava um paralelo entre os indicadores de desempenho das empresas brasileiras e de outros países emergentes.

Ele acreditava ser estranho o fato das grandes empresas brasileiras apresentarem uma rentabilidade muito alta. Este fato, por sinal, é a capa do Valor Econômico de hoje.

Costumamos citar que os bancos têm alta rentabilidade, mas as grandes empresas também são muito rentáveis no Brasil.

Expliquei a ele que o principal fator era justamente a altíssima taxa de juros (na época beirava os 20% ao ano) que se praticava no Brasil. Isso fez com que as empresas que tivessem rentabilidade por volta de 10% simplesmente desaparecessem no Brasil.

Qual o motivo de um empresário aplicar recursos em um projeto que rende por volta de 8% ao ano, se isso ele obtém investindo em títulos públicos, com risco praticamente nulo.

Esse seria o principal fator de alta rentabilidade média. As empresas que não fossem tão eficientes, simplesmente desapareciam, ou então estavam muito alavancadas com recursos do BNDES.

Ele concordou com minha explicação, e disse que fenômeno semelhante acontecia também na Turquia. As taxas de juros também são muito elevadas naquele país.

É como se a taxa de juros brasileira fizesse uma espécie de “Seleção Natural”, onde apenas as mais rentáveis sobreviveriam.

Coloco abaixo a matéria do Valor de hoje, sobre oaumenta da rentabilidade das empresas no Brasil.

No trimestre da crise, lucro das empresas aumenta 19%

Do Valor

As grandes empresas brasileiras de capital aberto praticamente ignoraram no primeiro trimestre a crise financeira internacional, as previsões de recessão nos Estados Unidos e até as ameaças de aumento dos juros internos. Dados consolidados dos balanços trimestrais de 151 companhias, calculados pelo Valor, mostram faturamento em alta e lucros crescentes.

Os lucros dessas empresas cresceram 9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e atingiram R$ 20,4 bilhões. Sem considerar Vale do Rio Doce e Petrobras, cujos números gigantes influenciam demais as médias, o resultado das companhias aumenta ainda mais, 19%. A Vale sofreu perdas contábeis de US$ 318 milhões no trimestre, por conta de operações de hedge com derivativos. Já a Petrobras teve o lucro (R$ 6,9 bilhões) melhorado em razão da alta nos preços do petróleo.

“A melhora geral nos resultados das companhias se deve ao crescimento econômico doméstico”, explica a estrategista da Fator Corretora, Lika Takahashi. Com a forte demanda interna, as empresas elevaram as vendas de produtos e serviços e a receita lí-quida média das 151 aumentou 22%. Desconsiderando-se Vale e Pe-trobras, o aumento atingiu 29%.

As despesas operacionais, relacionadas à própria atividade das companhias, sem impacto da linha financeira, cresceram apenas 13%. O consumo doméstico foi muito influenciado pelo crédito, o que beneficiou claramente a construção civil. O lucro de 22 empresas desse setor cresceu 615%, saindo de R$ 81 milhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 579 milhões agora. Outros setores com desempenho de destaque foram o financeiro e o de empresas ligadas à indústria automotiva, inclusive as concessionárias. Para atender a demanda interna, muitas companhias desviaram produtos de exportação para a venda local, principalmente siderúrgicas e montadoras. A mudança de estratégia também foi uma forma de as empresas se protegerem do câmbio, uma vez que a desvalorização teve impacto muito forte nas receitas de exportação no primeiro trimestre.

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