Por que as ZEIS prejudicam os pobres do Recife?

mar 11, 2012 by     83 Comentários    Postado em: Economia

luxo e pobreza
Recife cresce assim, “o de cima sobe e o de baixo desce”

A cidade não pára
A cidade só cresce
O de cima sobe
E o de baixo desce (…)

E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos

Chico Science, a Cidade

Em janeiro deste ano escrevi um texto falando do aumento do custo de vida nas favelas cariocas em função da chegada das UPP´s. Isso era inevitável, porque muitos dos serviços eram roubados, como TV a Cabo e luz.

O que parece mais inevitável ainda é o êxodo de antigos moradores das favelas em áreas nobres, dando lugar a novos moradores, em melhores condições financeiras, já que os aluguéis em alguns casos estão triplicando.

Falei também que alguns especialistas estariam criando áreas de interesse social, mantendo por lei as condições médias de renda local.

O que seria isso?

Em Recife temos um exemplo: as ZEIS, Zonas de Interesse Social.

Segundo a própria legislação, para ser uma ZEI, os seguintes pré-requisitos devem ser atendidos:

I – ter uso predominantemente habitacional;
II – apresentar tipologia de população com renda familiar média igual ou inferior a 3 (três) salários mínimos;
III – ter carência ou ausência de serviços de infra-estrutura básica;
IV – possuir densidade habitacional não inferior a 30 (trinta) residências por hectare;
V – ser passível de urbanização.

Essa idéia foi estabelecida na primeira gestão de Jarbas como Prefeito, na década de 80, e tinha como objetivo principal impedir que a especulação imobiliária tomasse conta de alguns lugares da cidade, expulsando os pobres das localidades.

Mas aí temos um grande equívoco que até hoje persiste.

Quando se estabelece que um determinado bairro vire Zona Especial de Interesse Social, em outras palavra você está condenando eternamente todos os moradores da região à pobreza.

Um dos economistas mais influentes da America Latina, o peruano Hernando de Soto, discute bem este assunto no livro O Mistério do Capital. Soto propõe algo simples, mas que seria capaz de romper o que o Prêmio Nobel de Economia Gunnar Myrdal chamou de Princípio da Causação Circular Acumulativa, comumente conhecido como Círculo Viciosa da Pobreza.


Hernando de Soto, economista peruano

Soto propõe que os Estados reconheçam os terrenos onde as favelas foram instaladas, dando aos seus moradores os títulos de propriedade da terra. Isso injetaria de uma só vez um valor absurdamente alto de capital nas mãos das pessoas mais pobres, e ao mesmo tempo daria segurança jurídica a estas famílias para evitar que absurdos como o que aconteceu em Pinheirinho seja recorrente.

Mas isso é incompatível com a idéia das Zonas Especiais de Interesse Social.

Os casos de Brasília Teimosa e da Favela Entra Apulso (ao lado do Shopping Recife), ambos no Recife, são emblemáticos.

As duas são consideradas como ZEIS pela legislação. Ao longo do tempo a classe média acabou tornando estas duas localidades uma ilha de pobreza em meia aos prédios imponentes.

Apesar do nobre objetivo de evitar a expulsão dos pobres, confunde-se aqui um cenceito básico: especulação imobiliária com valorização imobiliária. São duas coisas absolutamente diferentes.

Especulação imobiliária é a compra de determinada área com o único objetivo de impedir outros empreendimentos, dificultando a busca por espaços, capitalizando o terreno sem contruir nada. Já a valorização imobiliária é a natural lei de mercado agindo em determinada área que por algum motivo econômico sofreu reajuste no seu preço.

No caso de Brasília Teimosa (ou do Entra Apulso), não houve especulação. A área valorizou pelas melhorias da localização, como a Avenida Brasilia Formosa e a ocupação em torno do Shopping Recife (no caso do Entra Apulso).

Quando impedimos que os moradores tenham o título de propriedade reconhecido, e principalmente que não se altere a configuração ocupacional das ZEIS estamos tirando do pobre justamente a valorização do seu maior patrimônio, que é sua casa.


Avenida Brasília Formosa,
construída com a retirada das palafitas

Uma casa pequena localizada na avenida da praia de Brasília Teimosa pode valer hoje algo em torno de R$ 100 mil. Com a posse do terreno e a mudança da legislação, esse valor pode quintuplicar.

Em outras palavras, você está tirando a oportunidade de uma família que mora em uma casa sem reboco e saneamento de se capitalizar e tomar sua própria decisão de vida. Esta mesma família poderia vender esta casa e se mudar, por exemplo, para perto dali, em uma casa com condições muito superiores de moradia. Na verdade ela poderia escolher o que fazer com o dinheiro que conseguiu. Ou ainda poderia não fazer nada, apenas ficar no mesmo lugar. Só o fato de ter a propriedade legal do terreno já abriria possibilidades para a família, que teria a partir de então a posse formal da terra.

E você não precisa modificar as condições arquitetônicas que caracterizam o lugar. Estou querendo dizer que você não precisa permitir que sejam instalados mega-espigões na área, dando a aparência do vale-tudo da construção. As legislações que limitam a altura dos edifícios têm sido positivas no Brasil. Infelizmente durante muito tempo as construtoras fizeram o que quiseram, e o resultado está na verticalização excessiva e na falta de planejamento das cidades.

O erro principal da atual legislação está em tirar das pessoas o direito à escolha de suas vidas. Me lembro do início do Governo Lula, onde discutia-se a implantação do Fome Zero. Até a insana ideia de apresentação de notas fiscais de supermercado para o recebimento de ajuda entrou em pauta. Até que alguém teve a brilhante idéia de simplesmente dar o dinheiro a quem precisa.

É a mudança do Estado-Babá para o Estado-Indutor.

No fundo, a legislação das ZEIS apenas exclui o pobre da principal “festa” da economia brasileira: a valorização dos seus imóveis.

Enquanto o patrimônio em imóveis das famílias ricas triplicou nos 5 anos últimos, o dos pobres não saiu do lugar.

É como dizia Chico Science, “o de cima sobe e o de baixo desce”.

83 Comentários + Add Comentário

  • Na matéria acima há uma grande confusão de conceitos. O fato de uma área ser ZEIS não significa que as pessoas não possam ter a propriedade dos terrenos. Tanto é que a Prefeitura do Recife está procedendo a regularização fundiária das propriedades na ZEIS Brasilia Teimosa, com uma diferença do que ocorreu no passado: registrando em cartório a titularidade no nome de cada morador.
    Com relação aos impedimentos legais decorrentes da legislação de ZEIS é para evitar que o mercado imobiliário exerça pressão para que as pessoas vendam suas propriedades, expulsando, assim, famílias de baixa renda de áreas tão nobres como uma beira mar. Ao seguir pela praia de Boa Viagem até Brasília Teimosa, é só olhar para as construção que margeiam a orla para ver o quanto a zeis foi importante para assegurar que famílias com baixa renda possam também desfrutar da orla, como ocorre apenas em Brasília Teimosa, não se verificando no restante do percurso.

    • A prefeitura do Recife tá é incentivando a todo custo a especulação das empreiteiras.

    • E por que não perguntar a elas se ao invés de desfrutar da orla não querem ter uma casa decente em outro bairro e algum dinheiro no banco?

      • É porque você nunca foi lá perguntar, pois as ZEIS não são arbitrárias, são fruto da mobilização da população. Por sinal em Brasília Teimosa há um movimento dos jovens contra a pressão que eles sofrem do JCPM, que aos moldes paternalistas faz Responsabilidade Social Empresarial no bairro para docilizar suas pretensões imobiliárias de expulsar todo mundo de lá e construir espigões e Le Parcs.

  • Pierre, essa sua proposta é o MAIOR ABSURDO que esse blog (o melhor de Pernambuco, diga-se de passagem) já produziu.

    Ora, de que adiantaria ter uma alta valorização imobiliária se o preço de tudo subiu exorbitantemente?

    Onde essas pessoas iriam encontrar condições de moradia digna com o valor obtido com a venda de suas propriedades num raio de até 10Km?

    Ocorreria a milenar expulsão das pessoas das áreas centrais, pois é assim que o mercado imobiliário funciona para as mais pobres das cidades.

    Veja a visão estúpida de um dos gestores da Moura Dubeaux sobre Brasília Teimosa:
    http://vimeo.com/31354876

    E outra coisa Pierre, essa farra de valorização imobiliária é sim especulativa – pois os imóveis não tem esse valor real. São preços especulados a partir de Suape e da Copa, que para além da valorização esperada (principalmente por conta de Suape) praticam preços absurdos por conta das rendas monopolistas que alguns grupos imobiliários exercem sobre partes da cidade.

    Diferentemente da MB não quero que Brasília Teimosa algum dia “sirva” à cidade do Recife, pois ela já serve sim como moradia para milhares de famílias. A cidade do Recife é que deve muito às suas favelas pela forma como relegou os seus pobres aos piores terrenos, que com a expansão imobiliária agora sofrem pressão.

    • Thiago
      Eu moro em um apartamento na Boa Vista em um prédio com excelente condomínio. Vale metade do valor de uma casa precária em Brasília Teimosa.
      Por que não se pergunta ao morador de lá onde ele prefere morar? Por que o Estado é que tem que dizer a ele onde morar?
      Do ponto de vista social é a condenação do indivíduo.
      Outra coisa, não há nenhuma confirmação de que estamos com sobrepreço de imoveis. Não há estudo algum comprovando isso. Eu até suponho que estejamos, mas não há comprovação disso.
      E eu não compartilho da visão da MD. Acho que essa vrticalizacao é péssima para a cidade que não tem serviço publico decente.

      • Como tentei te responder no comentário anterior.

        A ZEIS não são arbitrárias, são fruto da mobilização das populações, ou você acha que foi a benevolência de Jarbas que segurou a Entra-Pulso onde está?

        O shopping Recife tentou por 20 anos tirá-los de lá, agora vem fazer RSE.

        Sem zeis a gentrificação é inevitável, e só quem perde é a população.

        • Aí é que está o erro. Tentou tira-Los de lá a força, questionando inclusive a posse na justiça.
          Por que nunca deram a posse a eles para fazerem o que bem entenderem?
          Desde quando vender um terreno por um bom preço é ser expulso?

        • Tá certo Pierre…aprende com a história da tua cidade.

          Esse teu argumento é o do mercado imobiliário, que inexoravelmente leva esses enclaves de pobreza para fora da cidade, para as periferias com alto custo de transporte, longe das centralidades.

          Essa estória das pessoas escolherem onde morar é na verdade uma opção única.

          O que se tem de fazer é urbanizar, levar escola e saúde pra o povo.

          E como já disse, cada ZEIS só é ZEIS porque o povo que quis.

        • Pierre, o que estás a defender é a proposta do setor imobiliário. Uma das regulamentações da ZEIS é justamente permitir que as pessoas tenham a titularidade da propriedade. Sem a ZEIS essa pessoas teriam sido expulsas a muito tempo e sem qualquer valorização de sua “propriedade”. A demora da transferência do título de posse é ocasionada por dois motivos principais a burocracia e o desimpedimento total da comercialização dos terrenos. Assim que os terrenos são todos regularizados a área deixa de ser ZEIS e a especulação pode andar livre e solta. O fato de ser ZEIS não impede a compra e venda de imóveis, eles apenas não podem estar a serviço das grandes construtoras. Que todo mundo sabe, em Brasília teimosa já comprou dezenas de imóveis depois da urbanização.

    • Caro Pierre Lucena, as ZEIS permitem a venda das propriedades, o limite é o que pode ser feito no lote (critérios de remenbramento, coeficiente construtivo etc), que é o que impede que a pressão imobiliária se exerça a contento. Se não me engano também há restrição para quem compra, mas tenho que rever a lei.

      Seu argumento simplista de dar o direito da família vender o imóvel para fazer o que quiser com o dinheiro (“ter uma casa decente e algum dinheiro no banco”) descarta o fato do porque as pessoas são pobres, dando ao lugar onde moram a causa da sua pobreza. Com uma pequena bolada, com os mesmos níveis de renda que continuariam tendo, morar num lugar melhor (o que é muito relativo né, considerando centralidades e periferias, tempo imposto, locais de trabalho etc) não é tão simples quanto apenas se mudar e pronto “oh estou fora da favela e ainda tenho 20.000 no banco. mudei de vida mesmo ainda sendo fachineiro no JCPM”

      Há ainda o fato de que o atual preço super valorizado dos imóveis cairia bastante caso seu disparate fosse acatado. Aliás tal preço é mais uma pressão para deslegitimação das ZEIS, que como Thiago Apontou, só existem pq o povo quis.

      É realmente muito triste ler uma matéria desse nível de desinformação nesse blog. Você está ignorando uma das maiores conquistas legais de direito à cidade, conquistada com MUITA luta por muita gente e esforço, que é pioneira e serviu e serve para várias iniciativas similares noutras cidades.

      • Eu acho que as pessoas devem ter plena liberdade para fazerem o que bem entenderem com seus imoveis.
        Eu confesso que não sei como essas “Zonas de Interesse social” funcionam, mas concordo que, certamente, aqueles que lá estão prefeririam poder vender seus imóveis supervalorizados e com isso fazer o que bem entenderem com o dinheiro, inclusive gerando renda.
        É preciso entender que a realidade muda e não adianta nada você está numa área valorizada se o seu padrão de renda não acompanha.

  • concordo plenamente.

    aliás, Brasília Teimosa é uma área que merecia coisas melhores do que aquelas casinhas humildes…
    quando os moradores de lá ouvem isso, ficam putos.

    dizendo que “são teimosos” e nunca deixarão aquela área.

    agora se chegar um grande grupo empresarial querendo montar um hotel horizontal ali e jogar 500 mil na mão de cada dono daquelas casas…

    quero ver não sair.

    na hora que vê o dinheiro, a ideologia muda rápido.

  • ao ler as respostas desse blog, eu fico perplexo com o pensamento tão pequeno das pessoas…
    de chamar tudo de “especulação”… e condenar tudo que leve lucro às pessoas…

    são os famosos inimigos do desenvolvimento.

    olha, eu acho que enquanto não mudar a mentalidade desse zé povinho, o Nordeste nunca vai equiparar com o Sudeste.

    não adianta colocar copa do mundo em 4 sedes e construir refinarias por aqui…

    a mente do povo precisa mudar.

    • Tá bom, sei qual o desenvolvimento que você quer…tá se inspirando no sudeste? É uma pena.

      Há um ano moro no Rio de Janeiro, estou fazendo mestrado, e não sei de qual desenvolvimento você está falando.

      Se for o das remoções dos enclaves de pobreza você está certo, é esse “desenvolvimento” que está acontecendo aqui com a copa, olimpíadas e reforma portuária.

      Em algum termos o povo pernambucano está anos luz à frente dos cariocas, principalmente no que tange civilidade. Não há porque se espelhar no sudeste. Eles não são melhor do que nós em nada, no geral são sim higienistas e xenófobos, principalmente São Paulo. Esse não é modelo pra ninguém.

      E a questão da resistência dos teimosos moradores de Brasília Teimosa não é uma questão ideológica, mas de direito à cidade, de morar numa área central, direito de participar da cidade e não ficar relegado às suas bordas. A luta pelas ZEIS sempre foi uma luta dessas populações, não foi uma imposição dos governos.

      Ideológico sim é esse pensamento higienista que pensa que Brasília Teimosa tem que um dia servir à cidade do Recife, como se lá não fosse cidade e, portanto, quem lá reside não seja cidadão. Enquanto mantivermos esse pensamento é que não nos desenvolveremos como civilização. Recife não precisa de coberturas com vistas para a bacia do Pina, precisa de cidadania.

      • sim meu querido, mas ninguém obrigaria os “teimosos” de Brasília Teimosa se mudarem de lá não…

        agora se chegar uma incorporadora lá botando 500 mil numa casinha simples, eu garanto a você que eles vendem na hora…

        POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE.

        agora se eles não tem qualificação pra manter esse dinheiro rendendo, aí é outra discussão.

        agora sinceramente, eu acho que os dois lados saem ganhando.

        chega um grupo hoteleiro aqui em Recife querendo fazer um resort urbano naquela área…
        paga os olhos das caras em um monte de casinhas…

        esses “desapropriados” compram suas casinhas em bairros mais simples, como Ipsep, Ignez Andreazza, Vila Cardeal & Silva, etc.

        e a cidade ganha equipamentos modernos, prédios modernos, que dão outra estética a cidade.

        até mesmo empresariais espelhados ficaria melhor naquela área do que aquele favelão.

        mas tudo bem, os politicamente corretos sempre querem atraso, atraso, atraso…
        a troco de nada.

        • Diogo, bem conheço o tipo de desenvolvimento especulativo que você defende. Olha lá na Europa e nos EUA e teremos uma ótima visão do que a especulação causa na vida das pessoas que não tem propriedade ou tem apenas uma residência.

        • Eu comprei recentemente com registro de compra e venda recentemente um apartamento no bairro da Torre, fiz reforma, mobiliei gastei um consideravel dinheiro com a reforma, agora me vem um comentario na comunidade que uma construtora interessada no terreno quer comprar toda a area pra fazer suas belas construçoes e que todos que moram no onjunto habitacinal da torre teriam que receber seus irrizorios 20 mil de idenizaçao, onde ja se viu um ap naquele localidade por mais peueno que seja, custar esse mizero valor ?

      • Perfeito, Diogo!!!

      • Parabéns pelas suas explicações sobre ZEIS e pontos de vista, Thiago. Concordo com suas posições: se queremos mudanças para nossa cidade e se não queremos investir um monte de recursos em pontes, viadutos e vias expressas, nos temos que racionalizar a forma como a cidade está se verticalizando. Estes recursos podem ser investidos em outras coisas como educação, capital humano que pode atrair recursos com mão de obra de qualidade e tecnologia. No fundo, com esta lógica, as empreiteiras saem ganhando duas vezes: na construção dos edifícios e depois nos viadutos e vias expressas financiadas pelo dinheiro público, por sinal, muito dinheiro. São Paulo não é modelo de urbanização, pelo contrário, cresceu desordenadamente, tem um dos piores índices de qualidade de vida e ainda tem um prefeito que apóia faxina étnica no centro da cidade, fechando os albergues de moradores de rua do centro e empurrando eles para a periferia, na maioria nordestinos. Tudo porque as pessoas do sistema financeiro do centro de São Paulo não querem se misturar com os moradores de rua.

  • Pierre, de onde você tirou que seu apartamento na Boa Vista vale “metade do valor de uma casa precária em Brasília Teimosa”??

    • Pelo valor que falei da casa vendida lá, por r$500 mil. Seria o vale de uma casa pelo valor do terreno, caso construísse . Isso seria uma hipótese. Hoje não vale nada pois nem a posse registrada existe

      • Pierre, respeito a sua opinião, mas você está sendo ingênuo.

        Já é de senso comum as táticas das empreiteiras nas favelas. Eles oferecem preços abaixo do mercado e começam comprando imóveis de famílias socialmente mais vulneráveis, para quem 10% do valor da casa já é um dinheiro e tanto (é como acontece com os programas habitacionais nos quais alguns vendem ilegalmente o apartamento por cerca de 10 mil achando q é muito dinheiro e voltam a morar em barracos e palafitas, condição de vida em que estão habituados) e começam a cercar os mais resistentes.

        Ainda assim a tática mais usada é aquela que usa o braço do Estado por meio de desapropriação. E creio que será essa tática a ser utilizada qualquer dia desses no Recife. Por sinal é a tática que a MD e o JCPM estão esperando acontecer, como o próprio vídeo que eu pus em link no primeiro comentário pode mostrar.

        • Thiago
          Aí está o engano, achar que só porque é pobre é ingênuo.
          Rapidamente se organizam.
          Pior são as desapropriações. Mas como disse, é deixando o Estado fazer o que cabe aos indivíduos.

        • Sem dúvida Pierre, eles se organizam ao ponto de conquistarem ser hoje ZEIS.

          Mas as táticas de dividir para controlar são sempre utilizadas, e há aqueles mais vulneráveis que caem na política do medo.

          Enfim, não vou ficar aqui discutindo as estratégias territoriais do capital. Que elas existem é fato. E é por conta delas que é ilusão imaginar que há margem para escolha individual nesses casos. Mas vamos seguir o bonde.

      • Esse valor é puramente hipotético, então?

        • Dizer que os moradores de Brasília Teimosa ganhariam R$ 500 mil por suas casas é totalmente fora da realidade.

          Ande lá em BT, Pierre. Você verá que as casas são pequenas, com terrenos estreitos, sem jardins, sem quintal. A maioria das casas é colada na do vizinho.

          Aquelas casas ali NUNCA valeriam R$ 500 mil. Sem chance.

          Valem bem menos, e com certeza seriam vendidas abaixo do preço de mercado.

          Quem você acha que sairia ganhando numa negociação dessas? Grandes construtoras com ampla experiência nesse tipo de negócio (sem falar no poder econômico e capacidade de fazer pressão) ou a população pobre?

          Eu nao tenho a mínima dúvida.

  • Recife perde muito turista e perde muito dinheiro por causa desse pensamento excessivamente politicamente correto…

    tem muita gente idiota nessa cidade, é impressionante…

    o povo acha que lutar contra o desenvolvimento econômico é o mesmo de “lutar pela causa social e ser mais evoluído que o Sudeste”…

    olha, eu não quero um modelo de desenvolvimento igual ao do Sudeste, eu quero um melhor, se possível…
    mas no momento, eles estão melhores que a gente.

    os números estão aí…
    vai lá olhar o IDH, o PIB e o PIB per capita dos estados de lá e compara com os nordestinos…

    rapaz, eu amo esse estado, mas a grande verdade é que grande parte da população de Pernambuco é muito burra… muito atrasada…

    aliás, esse pensamento de “coitadinhos” e de politicamente corretos foi o que levou o coitadinho-mor ao podre, JOÃO PAULO DE LIMA E SILVA…

    que instalou no estado e na capital a política da mediocridade…

    política de esmolas, de não investir em infra-estrutura e educação, e manter o povo burro, estúpido e coitadista.

    • Concordo.

  • Pierre, eu adorei esse post.

    aliás, suas opiniões geralmente são boas…
    eu concordo com quase todas…
    você tem uma mente mais desenvolvimentista…

    agora quando bota aquele menino vegetariano do meio-ambiente pra escrever no blog…
    aí começa a me dar uma dor no coração, eu começo a ficar trêmulo de raiva…

  • No Brasil é uma mania de comunismo que nunca vi, se o cara quer vender a casa dele ou não é opção dele, Estado não deve intervir ou não. Concordo com Pierre, uma família que ganha 1 SM, chega alguém e oferece R$ 200, 300 mil por sua casa é uma mudança de vida. Pensamento puramente populista, de defender que eles tem que ser defendidos pelo estado, e continuar a morar numa favela sem serviços publicos, violenta, sem Estado, pq sabemos que não há serviços descente nas favelas, uma politica de incentivo a invasão de terras publicas, ate ficaria calado se fossem somente pobres, mas ha muitos espertos no meio, vá la no terreno da Chesf, vê se não tem placa de aluga-se e venda-se, vê se alguns não tem carros novos na garagem, isso pra mim, claro que há exceçoes são espertos roubando terreno que pertence a todos os moradores da cidade. So no Brasil que esse pensamentos de esquerda sobrevivem, o Estado não tem dinheiro para cuidar e construir casas para todos, e se alguem falar ao contrario e mentira, o Estado tem que fazer politicas que permitam essas pessoas ganharem renda para mudarem de vida, e ao mesmo tempo oferecer servicos de qualidade e não ser babá de ninguem.

  • O Thiago é uma pessoa sensata.

  • Esse exemplo mostra que a esquedopatia endêmica, incidente, sobretudo, nas mentes de políticos e intelectuais atualmente encastelados no poder, é um dos grandes males – talvez o maior – do nosso pobre e coitadinho Brasil…

  • Só quem pode dar dinheiro pra pobre é o governo do PT. Se for uma construtora aí é “tática das empreiteiras” se aproveitando das famílias “socialmente vulneráveis” (mais um eufemismo para “pobre”). Porque pobre é tudo burro mesmo, mal sabem contar até três! Olha, viu…

    Tô com Pierre nessa.

    • rapaz, num ia nem comentar, mas pra não me passar pelo o que você interpretou vou tentar explicar.

      Tanto não acredito que pobre é tudo burro que valorizo a luta histórica das comunidades ZEIS.

      Agora há sim famílias em ocupações de extrema precariedade que tem maior vulnerabilidade social. Por exemplo, quando realocaram as famílias das palafitas de Brasília Teimosa para conjuntos habitacionais na paralela da Caxangá havia quem defecasse nas áreas comuns do conjunto habitacional por força do hábito.

      Isso são, obviamente, casos ISOLADOS, mas são essas famílias mais vulneráveis (muitas vezes migrantes ou mesmo aqueles degradados pelo uso de drogas) alvos iniciais das empreiteiras. Se dá meio trocado para eles e pronto.

      Daí vão encontrar forte resistência naqueles moradores mais politizados, que não querem sair da área em que cresceram ou mesmo não querem dar de bandeja a sua casa. Assim como a tentativa de minar as resistências por meio da propina às lideranças, se oferece maiores vantagens a alguns para poder enfraquecer o movimento de resistência e pagar mais barato pelos outros. (Leia-se, nunca que eles pagariam o preço de mercado, fato)

      No fim das contas ficam pouquíssimos, às vezes as senhoras mais velhas que querem morrer nas suas casas. Se não ameaçarem a família, assim que a idosa morrer conseguem comprar a casa.

      Pois bem, esse é o roteiro de toda e qualquer desapropriação, seja pelo Estado, seja pelo mercado.

      Você tem que entender que no caso de Brasília Teimosa e outras comunidades que são ZEIS que não há meio termo. Não é uma questão de escolha individual. Ou sai todo mundo ou fica todo mundo, e os métodos utilizados são sempre os piores e anti-democráticos. A tática do dividir pra controlar é sempre posta em prática.

      Não estamos falando de atores econômicos, mas de atores políticos – e isto, me perdoem os que me acusam de esquerdóide de universidade, não se aprende na sala de aula, mas no dia a dia das comunidades pobres do Brasil e especialmente de Recife.

  • Concordo plenamente com Pierre Lucena.

    Eu até acho interessante aquela área, mas nada me anima a entrar em Brasília Teimosa porque não tem o que se ver.

    Você dando continuidade a Orla de Boa Viagem através de Brasília Teimosa é um grande avanço econômico para a cidade.

    Já temos a Via Mangue e o projeto ali do Cabanga que vai ser algo fantástico sob o ponto de vista do desenvolvimento do Recife.

    Será que iremos continuar com uma ilha da pobreza ali em Brasília Teimosa?

    Uma pessoa que mora ali, que nunca imaginou ter R$ 500 mil na vida, passar a tê-lo, vai dar uma guinada econômica e social.

    Deixará de morar na favela pra morar num bairro mais organizado.

    De quê adianta ter uma vista pro mar se não tem uma boa qualidade de vida?

    Eu sou totalmente contra as Zeis. E até mesmo as Zepas.

    O Recife pode e merece crescer. O momento é esse.

    • Não seria melhor elas continuarem a morar ali, só que em melhores condições? Sem precisar sair de uma centralidade para habitar na periferia?

      • Não seria melhor ainda deixar que eles escolhessem se querem sair ou ficar, em vez de obrigar todos a permanecer?

        • Boa..

      • ô meu Deus… evolua meu filho…

        qual é o problema de uma família vender sua casa e sair dai por livre e espontânea verdade???

        • Oh evoluído, tu não entendeste que ZEIS é produto de mobilização popular, ou seja ZEIS acontece por LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE dos moradores

    • Cara, se num tem nada o que olhar lá num entra. Agora fudeu. Se aquele povo é pobre tem o direito de o ser e lutar por melhores condições de vida numa área central.

    • Que grotesco! Edmar-147 quer acabar até com as Zonas Especiais de Preservação Ambiental, as Zepas.

      Ou seja, quer entregar a cidade inteirinha de bandeja pras construtoras pintarem miséria, sem limites.

      Essa é a pior noção de “progreço” que se pode ter.

      Imagine se uma figura dessas fosse eleita vereador, como sonha.

  • “Em outras palavras, você está tirando a oportunidade de uma família que mora em uma casa sem reboco e saneamento de se capitalizar e tomar sua própria decisão de vida”.

    Concordo com Pierre. o Estado brasileiro é muito paternalista em algumas questões. Os habitantes dessas localidades deveriam ter o livre arbítrio de decidir o que fazer com a sua propriedade.

  • Só quem desconheçe o histórico de lutas dos moradores é que fica falando mal das ZEIS. Concordo plenamente com Hercílio Maciel e de Thiago Machado. É bom lembrar que a Lei das ZEIS dá como obrigação do Estado fazer a desapropriação da área em favor dos moradores, urbanizar, criar novas habitações e titular os moradores.

    • Isso era o que devia acontecer na prática, mas como toda boa teoria, lei ou programa do governo brasileiro, no mundo real não funciona. O Estado brasileiro não tem condições financeiras e nem humanas, para cuidar de tanta gente, é melhor regular o mercado e deixa ele agir, aqueles que não forem beneficiados, esses sim deveriam receber o apoio do governo, e não criar uma ilha de exclusão em que nem o Estado faz alguma coisa, e nem o mercado. O problema é que os pobres na verdade são uma grande massa de manobra para politicos de esquerda populistas, que vai enche-los de promessas, mas que não vai mudar nada em sua vida. Somos mais ricos que a Inglaterra, mas temos IDH de país africano que recentemente saiu de guerra civil.

      • Se bem entendi, vamos transformar nosso IDH se as construtoras puderem construir onde e bem quiser. Ou seja, desenvolvimento é sinônimo de não regulação urbana. Quinhentos mil numa casa em BT, tá certo, eles vão pagar isso, rs! Se são massa de manobra da esquerda, imagina o que serão na hora de negociar com os empreiteiros.

        • O problema de nosso baixo IDH é o grau de escolaridade, ou seja, o investimento em educação que é pífio. Este índice é medido pela expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. A Inglaterra tem 49 milhões de habitantes, nós somos 192 milhões. Ou seja, somos um país continental, enquanto a Inglaterra é uma ilha que tem auto índice de educação e investimento em tecnologia.
          Não vejo como a construção civil pode ser tão estratégico nesta equação acima, a não ser em termos emergenciais na hora de empregar.

  • só tenho a repetir as palavras de Thiago

    “Pierre, essa sua proposta é o MAIOR ABSURDO que esse blog já produziu”

  • Alguem espera que o mercado faça alguma coisa pela população pobre? Isso é uma piada?

    • É isso mesmo… Dá pra acreditar?!
      Hahahahahahaha!!!

  • Voltando lá atrás: e quem disse que o Xóping Recife não expulsou os pobres? Naquele terreno moravam muitas famílias que receberam uma mixaria para desocupar. Não conseguiram tirar todo mundo, mas muita gente saiu. Como sempre aconteceu e acontece nesssa cidade. Foi assim com Agamenon Magalhães, Jarbas, Roberto, Krause, Joaquim, Arraes, Pelópidas, João Paulo, João da Costa etc. A cantiga da perua sempre foi a mesma, com sutilezas e nuanças na propaganda, mas o conteúdo é igualzinho.

  • O texto de Pierre já perde toda a legitimidade ao afirmar que a Lei de Zeis (e depois o Prezeis) foi estabelecida por Jarbas, uma vez que ela foi uma iniciativa popular dos moradores de diversos assentamentos precário do Recife, entre eles Brasília Teimosa, junto a Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz (em 1983, sob o arcebispado de Dom Hélder Câmara) para por limites às políticas públicas e privadas de expulsão dos moradores dos melhores sítios da cidade (existentes desde as políticas higienistas de Agamenon Magalhães com sua Liga Social contra os Mocambos, na década de 1930, e atuante durante quase todo séc. XX através das COHABs e os empreendimentos viabilizados pelo BNH).
    Foi, no Brasil, a primeira lei de iniciativa popular a ser instituída, antes mesmo da constituinte de 1987/88.

    Portanto, se é pra respeitar as escolhas daqueles que moram em Zeis, é preciso antes de tudo saber que as Zeis é fruto de uma luta histórica e, portanto, uma escolha popular. Que ainda hoje existe um Fórum de regulamentação das Zeis (o Fórum do Prezeis), que existem muita gente ainda lutando pela regularização e melhoria dessas áreas (moradores dessas áreas), que existem ONGs (Fase, Cendhec, Habitat for Humanity, Etapas), instituições nacionais (Observatório das Metrópoles, centros de estudos nas Universidades etc.) e internacionais (Actionaid, Oxfam Int. Rosa Luxemburg etc.) resguardando o direito dessas pessoas etc.

    Esse argumento que as Zeis condena os moradores dessas áreas à pobreza não procede e nem se justifica, até porque nunca e em nenhuma zeis os moradores foram condenados a ficarem lá, uma vez que a maioria dos moradores pretendem continuar nessas áreas e aqueles que por algum motivo procuram sair não encontram dificuldade para isso, pois sempre houve mercado informal de imóveis nessas áreas, com preços semelhantes aos praticados pelo mercado formal.

    Isso tudo se constitui, enfim, numa falácia tão liberal que suspreende até os mais liberais defensores do estado mínimo, mas por incrível que pareça é comum em todas as cidades onde tem Zeis. Tais argumentos geralmente advém daqueles que possuem pouco conhecimento da história e da realidade das Zeis, ou dos próprios agente dos mercado imobiliário formal.

    Enfim!

    • Como tem gente alienada nessa Blog.:

      “porque nunca e em nenhuma zeis os moradores foram condenados a ficarem lá, uma vez que a maioria dos moradores pretendem continuar nessas áreas e aqueles que por algum motivo procuram sair não encontram dificuldade para isso, pois sempre houve mercado informal de imóveis nessas áreas, com preços semelhantes aos praticados pelo mercado formal”.

      Mercado informal de imóveis?! Qual é a segurança jurídica que tem nisso, parece piada. Sinceramente, não esperava que atualmente ainda tivesse tanta gente com esse nível de ilusão. Ninguém a que tá defendendo que os moradores de Brasília Teimosa sejam expulsos, apenas que eles façam o que bem entenderem com seus imóveis.

      As Zeis podem ter representado o interesse daquela população, mas na década de 1980, diante de outra realizada socio – econômica, o mundo muda, o que o povo pensava ontem não quer dizer que ele continue pensando assim.

      CERTAMENTE, SE HOUVESSE UM PLEBISCITO ENVOLVENDO AQUELA POPULAÇÃO, ESSA LEI SERIA REVISTA.

  • Comentário de um colega meu, Mário César, pelo Facebook:

    “Pierre esqueceu ou desconhece que uma das principais funções da ZEIS é o direito a cidade. Uma ZEIS como instrumento urbanístico se contrapõe ao “padrão periférico de crescimento” que expulsa os pobres das áreas centrais da cidade para a periferia. A cidade, tratada como uma simples mercadoria pela indústria imobiliária, reproduz as desigualdades sociais. Acho que hoje está mais que provado que o mercado por si só é incapaz de promover equidade e justiça social. Mais uma vez, os arautos do capitalismo tentam legitimar a acumulação com o discurso de “liberdade” de escolha. Para uns – LIBERDADE DE OPRIMIR para outro LIBERDADE DE SEREM OPRIMIDOS. Outro ponto que ele errou feio foi seu tratamento simplista da pobreza no capitalismo, onde, segundo seu raciocínio basta os pobres entrarem no jogo do mercado para desfrutarem de suas benesses.Triste engodo. O fato é que caso as ZEIS não existissem o marcado já teria encontrado mil razões, inclusive legais, para engolir a única área popular em faixa de praia do Recife e sequer estaríamos hoje discutindo isso aqui. Mas o pior de tudo mesmo foi ter usado Chico Science para embasar esse discurso”.

    • Otávio, em TODOS os lugares do mundo morar no Centro é mais caro. TODOS!
      E tem mais, o mercado vai tratar de engolir estas áreas de ZEIS, não se engane. Mas vai dar aos pobres o valor que o imóvel tem hoje, ao invés de deixar com que os moradores ganhem pela valorização.

      • Ainda assim teu argumento num tem fundamento algum Pierre…

        Talvez essa tua formação de economista é que talvez não te faz perceber o quanto o mercado monopolista desregulado (sobretudo de imóveis) é nocivo às sociedades e às cidades… Esse mercado é contrário, em todas as suas vicissitudes, ao direito de viver na cidade e, consequentemente, aos direitos humanos de um modo geral (haja vista que o direito morar e se localizar na cidade é uma condição a muitos direitos civis e políticos).
        Você não leva em conta também, por exemplo, a chamada expulsão branca (ou gentrificação) que acontece para com aquelas pessoas que não conseguem vender seus imóveis em caso de uma desregulamentação das leis urbanísticas de determinada região da cidade, por exemplo. Essas pessoas, por sua vez, tem seus gastos cotidianos interferidos devido a nova vizinhança, além de sofrerem com processos de segregação. Além disso, temos a criação de mais um espaço da cidade valorizado e inacessível a camadas mais baixas da sociedade. Pra onde vão os contingentes populacionais que não conseguem acessar esses espaço? Ora, criar outra favela! (Essa sim é que sempre foi a lógica perversa de regulação de nossa cidade)
        Aceitar e encorajar a construção de uma cidade à concretização dos interesses do capital é mais que uma afronta ao direito à cidade e aos direitos humanos… É no mínimo patético!

        E mais… Pra tratar de questões relacionadas à cidade, sugiro ler autores que efetivamente estudam a cidade. O inglês David Harvey é um deles!

        E pra arrematar, como havia dito em comentário anterior, a lei de Zeis corresponde a vontade popular e ela não tolhe a liberdade de ninguém (pelo contrário, garante!).

  • Pierre se mostra extremamente ingênuo nesse texto.

    Achar que os tubarões do mercado imobiliário estariam dispostos a pagar o “preço justo” pelas áreas hoje classificadas como ZEIS é ignorar completamente a forma de atuação desses empresários.

    Eles jogam pesado e não têm limites para alcançar seus objetivos.

    Este blog já denunciou todas as barbaridades que uma conhecida construtora armou para comprar os terrenos onde construiu duas altíssimas torres no Cais de Santa Rita.

    Se a proposta absurda de Pierre fosse colocada em prática, as construtoras não pagariam, nem de longe, o preço justo pelos terrenos. Os tubarões iam pintar miséria, fazer tudo o que estivessem ao seu alcance pra botar a população pra fora em troca de MIXARIA.

    “Nada me anima a entrar em Brasília Teimosa porque não tem o que se ver”, diz o amigo Edmar-147. QUE ABSURDO! Aquilo é um bairro onde moram vinte mil pessas, Edmarzinho. Você quer mandar todas elas pra longe, pra periferia, pra poder “ter algo pra ver” lá?

    É isso o que aconteceria se as áreas deixassem de ser ZEIS: os pobres seriam expulsos a preço de banana e as construtoras fariam a festa.

    • bom é aquele favelão que tem lá…
      uma maravilha.

      aquilo tudo soa tão social………………………………..

      • O problema pra vc é existir o favelão ou ele ser em área central?

        • Martins, é o higienismo social escancarado.

          A cidade tem que ser pras classes alta e média. Tenho pena e de nós da classe média, a verdadeira massa de manobra, que acha que a cidade bacana é a dos arranha-céus que nem nós usufruimos.

          Pobre no meio da cidade é sujeira.

          Essa sociedade conservadora faz parte desse “mundo de merda”, como fala o Eduardo Galeano, a esperança é que há e sempre haverá um outro mundo em gestação, é difícil de parir, mas há!

  • O mesmo principio que justifica a ZEIS foi que permitiu a construção de um paredão em Boa Viagem, acabando com a circulação de ar na cidade. É muito bonito o discurso, mas a realidade é totalmente oposta, nem o liberalismo total, nem o comunismo, o governo tem que regular as atividades de forma que a cidade se desenvolva, e não hora aplicar o liberalismo que aconteceu em Boa Viagem, ou comunismo de criar uma area que ninguem pode mexer, que as pessoas decidam sobre o destino de seus imoveis, e que o governo cumpra com seus deveres de ofertar transporte publico descente que permita as pessoas morar mais distante do centos de trabalho, e não tapar o sol com a peneira, criando ZEIS, permitindo invasões de terrenos públicos e etc..

  • Outro equívoco importante do texto de Pierre, se refere a validade das idéias do Hernando De Soto (perdoem a falta de referencias aqui, mas só lembro que um dos artigos era do Nelson Baltrusis), Até onde eu li e pesquisei, onde as idéias de De soto foram aplicadas, nas favelas do Peru, com legalização de terra na “canetada” sem uma urbanização decente (como propõe De Soto), o aumento de capital dos pobres para pegar empréstimo e virar empreendedor bem sucedido, não ocorreu bem assim (o mito do microcrédito como principal canal de saída da pobreza) … na verdade esta idéia de se abastecer de capital com a casa “hipotecada” também parece ser uma das origens da crise de endivadamento das famílias norte americanas …. ou não?!!

    • Não, lá o mercado é diferente. De Soto apenas parte do mesmo princípio que falei no texto.
      O peru da valorização chegou para todos, menos para os pobres.

  • Edmar 147 representa muito berm o ideário do partido dele, ou seja a Arena. (xi…esqueci! É Arena, aliás PDS, aliás PFL, aliás Demo…)

  • E Pierre cometeu o inaceitável em um cientista social como ele: o imediatismo fundamentado no senso comum…

    • Talvez este seja o senso comum para você, não para quem enxerga o problema de forma diferente.

      • Que bom que você concorda se basear num senso comum.
        Pierre, o mais triste é ver que você não escreve por maldade ou por apoiar esse ou aquele setor, e sim por pura ignorância do assunto.

  • Sou morador de Boa Viagem. E acho uma falta de respeito o que essa comunidade Entra Pulso faz com os moradores do bairro. Música alta, sujeira na rua, ocupação inadequada das calçadas com comércios e outras coisas. Aquela área poderia muito bem ser reaproveitada com edifícios residenciais ou empresariais. Colocando aqueles moradores para outras localidades. O problema é que o Recife é um antro de favela. Aquela Brasilia Teimosa com o crescimento do bairro e juntamente com o Rio Mar poderia ser a grande salvação do Recife com hotéis e prédios e bares voltados para o turismo. Mas já ouvi que o grupo JCPM tem áreas compradas ali em Brasilia Teimosa que me corrijam se eu esteja errado. Outra localidade também seria a comunidade de Santo Amaro. Enfim sou a favor de remoção de favelas para outras localidades com mais estrutura sim.

    • O que eles fazem com os moradores do bairro?

      Presta atenção no que tu diz…ao afirmar isso é como se eles não fossem dali, aquilo não os pertencessem.

      Como assim?

      Ali é a moradia deles, o bairro deles, o lugar deles…tá achando ruim se muda higienista!

      • Boa, Thiago!

    • Rafael essa é a ideia dos grandes empreendedores há muito tempo, e que só fazem acumular ainda mais esses espaços que vc tanto repugna. Requalificar não quer dizer construir grandes prédios empresarias, para vc consumir. Cidadania não rima com consumismo!

  • Que eu saiba, não se faz ciência em cima do senso comum. Pelo menos é que dizem Popper e outros….

  • o Blog ACERTO DE CONTAS é excelente, mas o articulista desta vez se equivocou. Não há nenhuma relação entre o fato de alguns bairros serem classificados como ZEIS e os seus moradores terem ou não título de propriedade em relação aos imóveis lá situados. Os requisitos para a propriedade imobiliária são regulados por leis federais, que não têm NADA a ver com a legislação municipal urbanística que cira as ZEIS. Não há restrições para o direito de os proprietários disporem de seus imóveis em locais classificados como ZEIS, o que pode acontecer, isto sim, são restrições à construção de grandes edifícios, empreendimentos ou proibições de verticalização.

  • Quem gosta de morar junto a trombadinha e sujeira deveria se mudar para a favela. Brasília teimosa e outras comunidades não trazem nada de bom aos bairros, ná prática os vizinhos agradeceriam se fossem para longe. Simples assim, o resto é demagogia de quem adora mundiça pela televisão mas nunca chegou nem perto.

    • “Brasília teimosa e outras comunidades não trazem nada de bom aos bairros”.

      Meu deus do céu.

      Brasília Teimosa e outras comunidades SÃO os bairros, amigos.

      Não diga barbaridades.

  • A única liberdade promovida pela lógica explicitada no texto é a liberdade de mercado.Vamos lutar das Zeis entrarem no jogo da valorização imobiliária ou fazer com que o interesse social saia do papel e haja investimento em melhorias destas áreas,ao invés de achar que a única forma de ter direito é por meio “da venda do que é seu”?

  • Thiago quer um conselho ? Coloca a entra pulso ao lado da sua casa e depois a gente conversa.

  • Pierre, n foi nada feliz com essa postagem. Começando pelo título!

  • Estava procurando outras coisas e acabei encontrando seus comentários e posso garantir que muitos, absolutamente, não sabem do que falam, outros confundem-se no próprio raciocínio, ou não tem a coragem de assumir o que querem dizer.
    Moro no Pina, vizinho direto de Brasília, perto do Shopping Rio Mar, meu pai foi dirigente de RPA e lutou muito para que o povo tenha o que tem hoje.
    Na “Favela” tem muita gente qualificada e educada Rafael, também tem muita gente aprisionada pelo governo através de certos programas que não incentiva ninguém ao crescimento,e que o governo quer manter assim. Pessoas sem educação tem em todo lugar, até em arranha-céus.

    Alexandre, tem muita gente que mora nos bairros que trazem coisas boas e essenciais, ex.: responsáveis pelos protocolos de conexão de tua internet e telefonia agora, ex.: se vc já visitou alguma praia do nordeste, há uma probabilidade acima de 70% de vc já ter adquirido algum produto de comunicação visual desenvolvido por mim, que moro no Pina, e presenteado alguém que vc ama muito, o que as pessoas teem consigo não tem haver com onde elas moram…

    Uma grande verdade é que fomos treinados a generalizar e rotular, somos inocentes culpados entendem?

    Só será capaz de entender um bairro popular quando tiverem a feliz oportunidade de conviver lá, conhecer a história, e aprender a olhar para as pessoas como pessoas.

    Não é a ação privada que vai mudar um bairro, um hotel… Quem pode melhorar isto é o poder público, porém, o mesmo, nestes termos funcionam como mão de força dos que tem dinheiro, basta olhar para a questão Shopping Rio Mar.

    Infelizmente pessoas más intencionadas existem em todos os lugares, há muita gente que mora em apartamentos e fazem muitas coisas abomináveis à sociedade, vemos isso direto na tv, e escapam por terem dinheiro.

    É uma boa discussão, um tema bem caloroso, infelizmente muitos perdem o foco.

    Quem prejudica o pobre é o desinteresse do governo em ter uma sociedade mais inteligente, privando-os do acesso ao conhecimento de qualidade, negando-so a oportunidade de ser livre intelectualmente e fazendo com que deixem de votar neles.

    O maior presente que se pode dar a alguém é o acesso ao conhecimento, agradeçam aos seus pais, que sempre lhes deram isto, e a seu pai que por vezes estando longe, mas sempre pagou sua escola cara.

    Sucesso a todos, iclusive aos pobres de Brasília que tem andado de Hilux e Sedans pagos !

  • Então, se por ventura houvesse a certeza de que o mercado imobiliário penetrando nas ZEIS e repassando parte da valorização aos proprietários ainda estava bom. O problema é que logo iria aparecer um dono, uma lei, ou qualquer coisa para que empreiteiras se aproveitassem do terreno expulsando os moradores assim como no Pina. A ZEIS ao menos garante a propriedade, mas deveria ir além. Deveria justamente garantir acesso facilitado à infra-estrutura, principalmente urbana. Ou seja, os moradores não deveriam depender da iniciativa privada para poder ter vida digna.

  • nunca vi uma matéria com tamanha baboseira economicista! essas áreas se transforam em zeis sob a perspectiva de luta dessas comunidades que buscavam o direito de permanecerem nestas áreas da cidade. a valorização de imóveis não é algo sadio a longo prazo para quem quer que seja… a não ser para as próprias imobiliárias e empreiteiras. se você tem um imóvel e vê o mesmo sendo valorizado ao longo do tempo e opta por vendê-lo, a tendência é que se busque comprar um imóvel compatível ao atual ou em melhores condições (localização, infraestrutura, etc), logo, nos termos do mercado e de valorização dos imóveis em geral, você teria que ter mais dinheiro para a compra de um outro imóvel nessas condições… o valor da terra urbana é algo composto e deriva de uma série de fatores, sobretudo, à localização, oferta e proximidade à serviços… voltando à retórica a qual iniciei: essas áreas foram estabelecidas como ZEIS, zonas de interesse social, o próprio nome já diz! não é de interesse comercial, especulativo e imobiliário. a função social da propriedade é algo que recai a qualquer tipo de propriedade, está na CF. de fato temos diversas ocasiões e complexificações com o passar do tempo e com a consequente valorização dos imóveis nestas áreas, mas daí arrogar que essas famílias estão com suas condições de melhoria de vida congeladas pela não titularidade da posse das terras e a consequente não utilização das mais valias sob forma de retorno financeiro em função da valorização de seus imóveis, estando eles numa zeis, é um argumento extremamente falho e simplista. as esferas do estado é que deveriam sim garantir um processo de regularização fundiária compatível com essas áreas, e dotando-as da infraestrutura necessária. isso sim mudaria a perspectiva de vida dos moradores acerca das áreas que habitam! evitando esse processo de expulsam… o que garante o equilíbrio dos preços dos imóveis nessas áreas é justamente as restrições construtivas e de titularidade para uma função social da terra, a garantia que pessoas de baixa renda possam permanecer nesses locais. claro que nem todos mantém a mesma condição de vida e financeira ao longo tempo, mas isso não muda o fato de que a grande maioria das pessoas que habitam nessas áreas são sim de baixa renda e dependem dessas garantias para que não sofram com processos de expulsão e sejam engolidas pelo mercado imobiliário agravando ainda mais os problemas urbanos das cidades.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).