Por que o Twitter é tão popular no Brasil? Por causa do monopólio dos meios de comunicação

out 21, 2010 by     16 Comentários    Postado em: Economia

Interessante artigo publicado hoje na Time avalia o porquê da força do Twitter no Brasil. Basicamente, diz que o Twitter e as demais redes sociais ganharam maior dimensão em terras tupiniquins que em outras paisagens por causa do monopólio dos meios de comunicação tradicional – não obstante reconhecer a procura por informações sobre celebridades pelos brasileiros. Vale a pena uma lida.

Why Is Twitter So Popular in Brazil?

por Dan Fastenberg
para a
Time

A recent visit to Twitter’s worldwide trending list would have shown a woman named Senhora Aparecida listed below the name David Arquette and the word midterm. That the patron saint of Brazil on the eve of her national feast day ranked near the latest American celebrity breakup (Arquette and Courteney Cox) and the prevailing U.S. political buzzword should come as no surprise to Twitter users, given the regular appearance of Portuguese phrases on Twitter’s popularity charts. A new study published this month by comScore, a digital marketing firm, found that 23% of Internet users in Brazil — compared with 11% in the U.S. — visited Twitter this past August, the highest rate of participation by any country in the world. “Brazilians have just been voracious,” says Katie Stanton, Twitter’s vice president of international sales and marketing.

Americans are still the best-represented nationality among the 160 million people who use Twitter, an information-sharing website created in 2006 by a pair of San Francisco software engineers. But Twitter’s international traffic now accounts for 65% of the website’s overall content, with growing followings in Europe and Asia. In Brazil, the site has carved a truly special niche. In a country known for its vast gulf between the rich and poor, Twitter has managed to cut across the class divide. “It’s not something that’s just for rich Brazilians,” says Gabe Simas, who promotes teen bands for MTV Brasil through Twitter. “The main reason Twitter is so huge in Brazil is because it gives access to normal people to contact their idols.” Indeed, the country’s soccer stars were among the earliest proponents of Twitter. To take one example, Ricardo Izecson dos Santos Leite, also known as Kaká, has 2 million Twitter followers, or roughly a million more than NBA star LeBron James.

Twitter’s success in Brazil, says James Green, a professor of Brazilian and Portuguese studies at Brown University, is tied intimately to the history of the country’s rise from the shadow of authoritarianism to its newfound status as a budding global power. After a 21-year military dictatorship ended in 1985, a narrow set of media conglomerates helped bind together the country’s emerging civil society. Despite its geographic immensity — spanning the far reaches of the Amazon to its metropolises on the Atlantic — the country is accustomed to a lack of diversity in its media. So when Twitter arrived on the scene, Brazilians were ready to embrace this latest media phenomenon. “There’s a keen awareness of the importance and the power of the country, and the fact that Brazil is away from the rest of the world motivates Brazilians,” says Green. “There’s a tremendous thirst to find out what the latest trend is.”

Much of Brazil’s transformation can be seen through the spread of telecommunications and the growth of social media. With telephone landlines once the preserve of wealthy elites, millions have turned over the years to mobile phones as their primary connection. That shift worked well with Twitter, which entered the Brazilian market first as an SMS service. To confront the gap between rich and poor, both the government and private NGOs sought to introduce computer technology to the poorest classes as early as the beginning of the 1990s. “Brazil was a pioneer in creating democratic access to computers and Internet for the poor, well ahead of the United States,” says Green. And while many favelas are still excluded from the electric grid, the country’s “Popular PC Project” of installing cheap computers in poorer areas has become a model the world over.

(Comment on this story.)

The civic participation of a once nonexistent middle class has also fueled Twitter’s rise in Brazil. The upcoming second round of Brazil’s presidential election, to be held on Oct. 31, was the top Twitter trend of the first week of the month, according to a survey published by the social-media website Mashable.com. “There’s a big bias in mass media against Lula,” says Green, referring to Brazil’s outgoing President, Luiz Inácio Lula da Silva, the champion of Brazil’s poor who himself only has a fourth-grade education. “The Internet’s a way to fight back.” Lula’s handpicked successor, Dilma Rousseff, a former leftist guerrilla, is favored to win the second round over the right-of-center candidate José Serra.

Brazilians have taken to social-media websites other than Twitter. Google’s social-media venture, Orkut, has found little success in the U.S., but in Brazil, the website was the beneficiary of 36 million unique visits in August, according to comScore. Facebook, too, is taking off in Brazil. In just one year’s time, Facebook saw a growth of 479% in membership, leaping from 1 million to 9.5 million Brazilian members. It’s a phenomenon that’s planting deep roots. “My sister is 10 years old. My grandmother is 82,” says Simas of MTV Brasil. “And they both have Twitter.”

Read more: http://www.time.com/time/world/article/0,8599,2026442,00.htm#ixzz130mG79CJ

16 Comentários + Add Comentário

  • Genial e simplesmente muito pertinente a publicação dessa matéria/artigo da Time aqui. Pena que em inglês, o que limita para algumas pessoas.

    Penso que estamos no começo de uma nova era, onde estamos todos nós pautando a mídia, ao invés dela pautar as nossas vidas.. me pergunto o que seriam das eleiç~eos de 2010, se não tivessemos tido os tais programas de acesso a computadores feitos pelo Governo e empresas como o grupo Silvio Santos, ou vocês acham que o computador do milhão não tem a ver?

  • Isso é lamentável, o pior é que quem “poderia” mudar está a 8 anos no poder e as rádios e TV´s públicas continuam SUCATEADAS….

    • Desculpa, mas existe aí uma visão distorcida. Como a concentração da mídia no Brasil é gigantesca (só 7 familias controlam 80% de toda a mídia nacional) o fato das mídias sociais “serem grandes” em nada tem a ver com Rádios e TV Públicas, mto pelo contrário.

      Eu acho que o Governo faz certo em incentivar programas de universalização da internet, ao invés de Rádios e TV’s públicas. Os tempos mudaram. AS pessoas mudaram.

      • As pessoas mudaram mas continuam assitindo TV e ouvindo rádio, mesmo que pela internet. Uma coisa não justifica o abandono da outra!

    • Concordo com Metheoro, para Rodrigo é mais fácil juntar uma turma e bater nas públicas, enquanto as comerciais fazem misérias impunemente.

  • [...] This post was mentioned on Twitter by Zé Hilário and Aldenio, Aldenio. Aldenio said: RT @metheoro: Vocês viram essa matéria da TIME, citando a @comscore do "por que o Twitter é tão popular no Brasil?" http://goo.gl/Gtws M … [...]

  • Bahé,

    ótimo post para discussão. Parabéns por divulgar esta matéria.
    Considerando a população brasileira, as pessoas que têm acesso a internet com banda larga representam cerca de 30% da população, mas em franco crescimento.

    Abraço!

  • Anotem o que eu digo, pessoal!

    A China será uma potência econômica, mas o Brasil será a próxima grande potência cultural do mundo!

  • Bahé, estes gringos não sabem de nada.

    São um bando de BOATEIROS.

    Quem já viu dizer que havia um Brasil se estruturando antes de 2002???

    Absurdo maior ainda é dizer que havia desde do início dos anos 90 Governo preocupado em enfrentar o abismo entre pobres e ricos.

    É tudo BOATO!!!

    “To confront the gap between rich and poor, both the government and private NGOs sought to introduce computer technology to the poorest classes as early as the beginning of the 1990s”.

    Aliás, faça-me um favor. Colocar gringo para defender a privatização da telefonia nacional?!?!

    “Much of Brazil’s transformation can be seen through the spread of telecommunications and the growth of social media. With telephone landlines once the preserve of wealthy elites, millions have turned over the years to mobile phones as their primary connection”.

    Tudo bem!!! Não é nenhum New York Times, mas é uma Time, né?.

    O danado no tal artigo é a SUPOSTA crítica à concentração da nossa mídia .

    A última informação que eu tenho é que, pelas bandas de lá, são uma enormidade de…05 (cinco) conglomerados: CBS, ABC, NBC, FOX e CNN (ou será que os quase-falidos jornalecos de Minnesota fazem, de fato, alguma diferença?)

    Se não estou enganado, cada uma destas corporações é apenas parte de um conglomerado ainda maior (com certeza a General Eletric (GE) é proprietária de uma delas).

    Resumo da ópera: lá, o BURACO da concentração (que parece ser a grande crítica do seu post) é muito mais alentado do que o nosso.

    A questão é: será que eles vão finalmente aprender conosco COMO SE FAZER UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA e instituir o CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA???

    • Ricardinho,

      Suas observações são pertinentes… Mas a crítica do “brasilianista” continua válida.

      Abraços

      • Bahé,

        Posso estar enganado (não seria a primeira vez, né?) mas me parece que você endossa esse troço de controle da mídia.

        A nossa grande mídia tem problemas? Você sabe melhor do que eu. Você dela já participou (como você mesmo costuma lembrar).

        NO MEU ENTENDER A única solução DEMOCRÁTICA é mais mídia (ainda que seja esta “pequenininha”, via Internet – embora, não esqueçamos, o grande conteúdo da Rede é trazido pela grande mídia. As discussões se estabelecem em torno dela).

        Controle pelo grupo que está no poder (qualquer grupo) é um perigo a qualquer democracia.
        Vamos e convenhamos: qual o melhor sistema?
        O de Cuba? O Pravda? O que hoje impera na China?

        O PROBLEMA BAHÉ é que o controle começa pelo “inimigo” comum. A história revela sua degeneração alcançando todos aqueles que pensem ainda que um pouquinho diferente.

        MORAL DA HISTÓRIA:

        A PRÓXIMA VÍTIMA PODE SER VOCÊ.

        Quanto ao Brasilianista, ele “pratica” um chute. Ele não fornece elementos que comprovem a tese. É, no máximo, uma boa especulação em busca de alguém disposto a dar-lhe cientificidade.

        Abraços.

        • Ricardinho quando você escreve sério, vale a pena lê-lo. Continue assim, cara. Expondo suas ideias em alto nível.

        • Cara,

          Está enganado mesmo. Não sou a favor do controle da mídia. Ou melhor. Na minha opinião, o melhor controle é a diversidade. Quantos mais canais de comunicação, quanto mais gente produzindo conteúdo, menos concentração e mais diversidade.

          Essa é a receita, pra mim.

  • Bahé, muito bom o tema e o conteúdo.
    E pensar que um certo senador propôs amordaçar a nossa web. Com certeza, ele estava (e está) a serviço da nossa imprensa.

  • [...] quinta-feira, Marco Bahé publicou aqui no blog um artigo da Time, no qual se conjectura os motivos que fazem do Twitter um grande sucesso no Brasil. Entre os [...]

  • Trackback:

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

XHTML: Você pdoe usar as tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Enquetes

Qual o próximo tuitaço da campanha do Devolva?

  • #DevolvaHumberto (31%, 143 Votos)
  • #DevolvaJP (69%, 324 Votos)

Total de Votos: 467

Carregando ... Carregando ...

Frase do dia

  • O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes (2006)
    "Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim.",
    Millor Fernandes.

ARQUIVO

maio 2012
S T Q Q S S D
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).