Qual o economista mais importante do Brasil?

ago 10, 2007 by     23 Comentários    Postado em: Economia

Essa foi a pergunta feita para 63 economistas brasileiros pelo Valor Econômico. A disputa foi duríssima, entre Mario Henrique Simonsen e Celso Furtado, com vitória para Simonsen por 27 a 25 votos.

Quando pegamos a lista de votantes, percebemos que a ideologia contou mais alto, mas temos que reconhecer o importante papel dos dois na formação econômica dos economistas no Brasil. Por exemplo, Guido Mantega votou em Celso Furtado, e Armínio Fraga em Mario Henrique Simonsen.

Simonsen era um brilhante professor. Não gostava do poder, mas sim de ensinar. Foi banqueiro, boêmio, ministro, professor e diretor da FGV-Rio.

Para aqueles que não sabem, Simonsen montou a primeira pós-graduação no Brasil: o mestrado em economia da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Diz a lenda que na primeira turma deu aula de todas as disciplinas: microeconomia, macroeconomia, estatística, matemática, formação econômica.

Na verdade contou com ajuda de algumas pessoas, como o professor Wener Baer, da Universidade de Illinois. O curioso é que Simonsen não fez mestrado ou doutorado, pois na época não existia no Brasil. Mas era doutor honoris-causa em várias universidades, e o mais completo acadêmico em economia que o Brasil já teve.

Sabia matemática como poucos, além de ter uma visão extremamente ampla dos problemas econômicos. Meu orientador de doutoado foi seu aluno na FGV, e me relatou que era a pessoa mais inteligente que ele conheceu.

Já Celso Furtado teve importante papel no estudos dos problemas brasileiros. Seu livro, Formação Econômica do Brasil, é um clássico da economia brasileira. Seus textos influenciaram toda uma geração.

Furtado é tido como o maior disseminador das idéias de Keynes no Brasil. Foi o primeiro pensador brasileiro a propor idéias intervencionista do estado a favor do crescimento econômico e do emprego.

Segue o excelente texto do Valor Econômico.

Do Valor

Professor brilhante, pioneiro no diagnóstico do problema da inércia inflacionária, ministro controvertido da ditadura militar, banqueiro, bon vivant e profundo conhecedor de ópera, Mário Henrique Simonsen é o economista brasileiro mais importante, de acordo com pesquisa promovida pelo Valor. Morto há dez anos, Simonsen teve 27 votos em uma consulta que contou com 63 eleitores, apenas dois à frente de Celso Furtado, a principal referência do pensamento econômico desenvolvimentista. Num distante terceiro lugar aparece o ex-ministro Eugênio Gudin, ícone do pensamento ortodoxo, com cinco votos, seguido de perto por outro economista conservador – Roberto Campos -, com quatro.

A pesquisa não seguiu critérios metodológicos rigorosos. O jornal procurou 100 economistas de diversas escolas e tendências. Desse total, 63 concordaram em participar, declarando seu voto no “economista brasileiro mais importante da história”. Três votaram em mais de um nome .

Furtado, “mais historiador e filósofo do que economista”, estudioso da economia como dimensão da vida social, pensou para o Estado o papel de coordenador do esforço pelo desenvolvimento

O resultado espelha a tradicional disputa no Brasil entre economistas ortodoxos e heterodoxos – embora Simonsen não tenha sido exatamente um baluarte da ortodoxia. “Nunca foi monetarista como eu ou o Gudin. Era mais um keynesiano moderadamente intervencionista” – disse certa vez Roberto Campos, ao falar sobre o ex-ministro da Fazenda de Ernesto Geisel e ex-ministro do Planejamento de João Baptista Figueiredo.

De qualquer modo, os votos dados a Simonsen vieram quase todos de economistas hoje considerados ortodoxos. “Simonsen teve uma trajetória importante desde jovem. Foi um brilhante formulador do crucial Paeg (Programa de Ação Econômica do Governo) e um excelente ministro. Vencido na disputa de poder que precedeu a década perdida, contribuiu em muito para o debate público até o fim de seus dias, de maneira brilhante, clara, bem-humorada e desinteressada” – diz Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, sócio da Gávea Investimentos. E acrescenta: “Até hoje não surgiu um substituto. Foi de Simonsen o diagnóstico inicial do problema da inércia da inflação, por ele denominada realimentação inflacionária”. Fraga também vê em Simonsen o educador que formou “gerações de economistas, sem dogmatismo”.

Nas salas de aula, na produção acadêmica, nos artigos que escrevia para públicos mais amplos, Simonsen era, sobretudo, alguém que “conseguia escapar de dogmas”

Carlos Geraldo Langoni, outro ex-presidente do BC, vai na mesma linha, ao apontar a influência de Simonsen “na formação de gerações de economistas por meio da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da FGV, que ele fundou e dirigiu, durante vários anos, sendo seu mais brilhante professor”. Langoni destaca ainda “a profundidade e amplitude de sua contribuição acadêmica, cujo destaque é a versão brasileira dos textos básicos de teoria dos preços e macroeconomia”.

O ex-presidente do BC Affonso Celso Pastore diz que a produção acadêmica de Simonsen no Brasil foi “extremamente importante”. Os quatro volumes de seu texto sobre microeconomia “foram marcantes na formação de toda uma geração de economistas”. No campo da macroeconomia, “sua melhor contribuição foi o livro ‘A Dinâmica Macroeconômica’, escrito logo após sua saída do Ministério da Fazenda”. Pastore lembra outra faceta de Simonsen: “Ele contribuiu também para o debate mais amplo, com artigos publicados na imprensa e em revistas de economia. E produziu artigos acadêmicos importantes, dentre os quais destacaria os que iniciaram a formulação das causas da inércia na inflação brasileira derivada da indexação dos salários às inflações passadas.”

Simonsen também teve votos de não ortodoxos. O professor Caio Prates, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), votou no ex-ministro por sua visão eclética. Para Prates, isso ficou claro no diagnóstico de Simonsen sobre o processo inflacionário brasileiro. O ex-ministro chamou a atenção para o componente inercial, sem se limitar a uma abordagem ortodoxa convencional do problema. “Ele conseguia escapar de dogmas.”

Esse é também o motivo que fez o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros escolher Simonsen. Sua análise sobre o que ele chamava de realimentação inflacionária mostra uma visão de quem não ficava refém do livro-texto, diz. Mendonça de Barros tem restrições, porém, à atuação de Simonsen como ministro no governo Geisel, por não ter feito, afirma, as correções de rumo que seriam necessárias depois do primeiro choque do petróleo, em 1973. Sem o ajuste externo e uma redução da demanda interna, o país continuou a crescer com força – como queria Geisel -, e os desequilíbrios aumentaram, avalia Mendonça de Barros. Por essa visão, o ministro Simonsen não esteve à altura do economista Simonsen.

O ex-presidente do BC Gustavo Loyola tem opinião mais benigna da passagem de Simonsen pelo governo. “Muitas vezes não conseguia fazer vencedoras suas idéias e posições no governo, mas quase sempre seu diagnóstico se revelava exato. No governo, defendeu a opção por um ajuste mais forte e profundo da economia brasileira à crise externa, mas acabou prevalecendo uma visão mais gradualista e leniente, que trouxe posteriormente grandes custos ao país.”

Em segundo lugar na pesquisa ficou Celso Furtado. Para ele foram os votos, em peso, dos não ortodoxos. O professor Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, avalia que Furtado está a uma “certa distância” dos outros economistas brasileiros, elogiando principalmente sua abordagem da economia como uma dimensão da vida social. Para Belluzzo, a obra do ex-ministro de João Goulart mostra uma visão de mundo abrangente e integrada. Quanto a Simonsen, Belluzzo afirma que ele era de fato um “economista brilhante, fascinado por arranjos formais”, mas com “dificuldade para passar do abstrato para o concreto”.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, elogia a atualidade do pensamento de Furtado. “Suas idéias permanecem válidas e atuais, uma vez que o desenvolvimento por vias heterodoxas de países como China e Índia confirma suas proposições acerca da heterogeneidade estrutural entre economias e da necessidade de uma atuação coordenada do Estado para romper as barreiras do subdesenvolvimento.” Para o professor José Eli da Veiga, da Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis (FEA-USP), “no que se refere ao processo de desenvolvimento, o único economista cujas formulações poderiam ser consideradas comparáveis às de Celso Furtado é o indiano Amartya Sen”, vencedor do Nobel. “Foi Furtado quem deu a grande interpretação do Brasil e esclareceu de forma magistral o problema do subdesenvolvimento”, diz o diretor da Escola de Economia de São Paulo (EESP) da FGV, Yoshiaki Nakano.

A presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP), Leda Paulani, da FEA-USP, considera Furtado o mais importante economista brasileiro “porque, adotando a perspectiva keynesiana da demanda agregada numa época em que era pouco difundido o conhecimento da teoria de Keynes, construiu uma base para pensar a economia do país da qual até hoje não se pode abrir mão. Mas foi o maior, sobretudo, porque não foi exclusivamente economista, porque pensou o país do ponto de vista da construção de uma nação socialmente homogênea e arrolou as providências que deveriam ter sido tomadas. Pena que não foram seguidas.”

Arminio Fraga tem outra visão sobre a influência do pensamento do autor de “Formação Econômica do Brasil”. “Apesar da importância e das boas intenções de Celso Furtado, suas idéias cepalinas foram a base de uma escolha equivocada por um modelo de economia fechada e Estado superdimensionado, que teve como conseqüência baixo crescimento e distribuição de renda desigual no Brasil”. Mendonça de Barros vê Furtado mais como “um historiador e filósofo do que como um economista”.

O professor Fernando Cardim de Carvalho, da UFRJ, diz que a importância maior de Furtado “se define pela capacidade de criação de uma escola de pensamento, situação que só encontra paralelo na América Latina no caso de Raul Prebisch. A teoria do subdesenvolvimento que Furtado propôs, como uma forma de integração na economia internacional, mais que um ‘estágio’ numa suposta linha comum de evolução que marcaria todas as economias, como se supunha na visão convencional, permanece como uma hipótese válida e, principalmente, aglutinadora até o presente”.

O Vencedor

Mário Henrique Simonsen tornou-se, ao deixar Brasília e retornar à vida acadêmica, a partir de 1979, uma referência em que os governos buscaram, até sua morte aos 62 anos, em fevereiro de 1997, compreender os fenômenos da economia brasileira.

Personalidade generosa e economista genial, Simonsen pode não ter colhido resultados brilhantes na sua passagem pelos governos Geisel e Figueiredo – que coincide com o início de uma crise de grandes proporções, que emerge com o primeiro choque do petróleo, em 1973, e culmina com o segundo choque do petróleo acompanhado da brutal elevação dos juros americanos, em 1979. Mas deixou um legado acadêmico respeitado, inclusive, por seus opositores, e o reconhecimento de sua contribuição no debate da política econômica brasileira.

Foi o primeiro economista a identificar na correção monetária o motor da inércia inflacionária – que ele chamava de realimentação inflacionária – que veio a ser, mais tarde, a chave inspiradora dos planos de estabilização no país.

Carioca nascido em fevereiro de 1935, Simonsen formou-se em engenharia civil na Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, mas especializou-se em economia. Começou a colaborar com o então ministro do Planejamento, Roberto Campos, e fez o primeiro esboço do Paeg (Plano de Ação Econômica do Governo) na gestão Castelo Branco. Escreveu, também, a pedido do presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada) e depois ministro do Planejamento, João Paulo dos Reis Velloso, o capítulo de macroeconomia do Programa Estratégico de Desenvolvimento do governo Costa e Silva. Foi presidente do Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização – no governo Médici, e, no início de 1974, assumiu, a convite de Geisel, o cargo de ministro da Fazenda.

Em 1973, os países árabes se organizaram na Opep, multiplicaram o preço do barril de petróleo de US$ 2,90 para US$ 11,65 e levaram o mundo à primeira grande crise do pós- guerra. O governo Geisel praticamente ignorou, de início, o ajuste que os demais países faziam e continuou na rota do crescimento acelerado. Afora medidas de controle da moeda, a reação àquela crise que, de um ano para outro, elevou o déficit em transações correntes de 2,48% para 6,8% do PIB, foi tocar o II PND com base no endividamento externo. O PIB, que vinha de um crescimento de 13,97% em 1973, ainda cresceu 8,15% em 1974. Só em 1975 começa a desaceleração, quando o PIB cresce apenas 5,17%. Constatada a retração da atividade econômica, Simonsen afrouxou os controles e o país voltou a crescer 10,26% em 1976, graças à criação do “refinanciamento compensatório” – farta concessão de crédito ao setor privado. Mas, aí cresceu demais.

Nesse ano, Simonsen voltou da reunião anual do FMI/Banco Mundial preocupado e com um recado claro dos credores: a luz amarela já estava acesa e o país, naquele ritmo, ia perder credibilidade.

Esse foi um momento delicado da discussão entre Simonsen e Velloso, que, do Planejamento, tocava o II PND. Desde o início do governo, ambos haviam combinado que as divergências seriam debatidas à exaustão, até chegarem a um ponto comum. Levar posições distintas para Geisel arbitrar significaria enfraquecimento para ambos, relata Velloso. Era preciso limitar o PIB a, no máximo, 5%. Para isso seria necessário cortar investimentos públicos. Velloso concordou com a medida, desde que se preservasse a integridade do plano.

Em 1977, o crescimento do PIB cai para 4,93% e o déficit em conta corrente, para 2,72% do PIB. A inflação, medida pelo IGP-DI, que em 1976 foi a 46,2%, recuou um pouco, para 38,84%, no ano seguinte.

Sobre inflação, a contribuição de Simonsen foi além da compreensão de suas causas. Nos primeiros meses do governo Geisel, o ministro preparou um documento e o levou à reunião das 9 horas, habitual encontro do presidente Geisel com um pequeno grupo de ministros no palácio do Planalto. O texto tratava da inflação naquele ano de 1974. Junto com a análise, porém, trazia uma revelação rumorosa: a inflação de 1973, durante a gestão de Delfim Netto no Ministério da Fazenda, havia sido objeto de “distorções”.

O documento acusava, com base em estudos da Fundação Getúlio Vargas, que o índice de custo de vida, na parte relativa aos itens de alimentação, havia sido apurado com base nos preços tabelados e não nos preços praticados pelos supermercados.

O dado oficial indicava uma variação de 13,7% no custo de vida. Tomando os preços praticados pelo mercado, o aumento foi de 26,6%. Ou seja, o índice oficial carregava um “atraso” equivalente a 11,3%. Delfim Netto nunca reconheceu essa “distorção” e sempre atribuiu o episódio ao fato de que ele gerenciava os estoques de produtos alimentares de modo que esses não faltassem nas gôndolas dos supermercados do Rio, onde o índice era apurado.

A existência desse documento só veio a público em 1977 e foi uma das causas que impulsionaram o ressurgimento do movimento sindical na região do ABC paulista. Luiz Inácio Lula da Silva e mais de uma dezena de sindicalistas foram pela primeira vez, durante o governo dos militares, a Brasília reivindicar a reposição, nos salários, daquela inflação que faltava. Estiveram com Velloso, no gabinete do Planejamento no Palácio do Planalto, e com Simonsen, na Fazenda.

Com Velloso, lembra hoje o ex-ministro, foi um encontro demorado, das 19 às 22 horas. “Combinei com Simonsen que não deveríamos nos envolver nessa questão, deixando que os trabalhadores e os empresários se acertassem. Ele concordou”. Iniciou-se naquele ano uma campanha em que os sindicatos falavam em reposição salarial de 34,1%, percentual que havia sido subtraído da inflação de 1973 e 1974. Surgiam, também, o engajamento dos trabalhadores da indústria na luta pela redemocratização e as sementes do PT.

Nunca foi nítida a posição de Simonsen sobre o II PND – programa ambicioso de criação de um parque industrial para produção de insumos básicos e bens de capital, para substituição de importações e geração de excedentes exportáveis. Francisco Lopes, que foi aluno de Simonsen na FGV e trabalhou a seu lado no governo, tem convicção de que ele se opôs àquele que era um “programa de gastos públicos desenfreados para 1974-79 quando o mundo já mergulhava na crise do petróleo”.

Augusto Jefferson, que acompanhou Simonsen durante toda sua vida, de quem foi assessor de Política Econômica, afirma: “Simonsen se conformou. Aquele era o programa do Geisel e de nada adiantaria se opor”. A favor, sustenta, ele não era.

Foi nessa época que Simonsen, em entrevista à imprensa, declarou: “Somos uma ilha de prosperidade num mar de incertezas”. O país insistia em crescer a taxas anuais de 7% ou mais, quando o mundo todo entrava em recessão. E assim foi graças aos aumentos do endividamento externo e da inflação, que desembocaram no colapso de 1982.

A regra, naquela época, era simples: “Tínhamos medo do abismo, que significaria a perda total da credibilidade externa. Sempre que as coisas se complicavam, havia um recuo tático da nossa parte, que era o de colocar limites ao crescimento”, conta Velloso.

Como ministro do Planejamento do governo Figueiredo, para o qual levou todos os instrumentos importantes da Fazenda (como o Conselho Monetário Nacional e o sistema de controle de preços), Simonsen tentou fazer um ajuste mais duro. Pretendia reduzir o crescimento para a casa dos 3% e adequar o país ao segundo choque do petróleo, que veio em 1979, somado a um substancial aumento dos juros americanos. Figueiredo negou-lhe apoio e o substituiu por Delfim Netto.

Simonsen produziu inúmeros trabalhos sobre matemática, escreveu vários livros de economia e críticas de ópera. Era amante da boa mesa e do uisque. Fumava quatro maços de cigarro por dia. Vascaíno, foi um teórico e praticante do futebol nos fins de semana. De memória prodigiosa, era capaz de citar a relação do time reserva do Olaria, conta Marcos Viana, então presidente do BNDE, de quem era amigo desde os tempos do vestibular.

Deixou, no campo acadêmico, contribuições importantes: da curva do salário real, que inspirou a política salarial do PAEG, ao modelo de realimentação. Fez estudos sobre os fundamentos teóricos da política de rendas como um dos instrumentos do combate à inflação, e a crítica à teoria das expectativas racionais.

Foi professor da Escola de Pós Graduação em Economia (EPGE, da Fundação Getúlio Vargas), que ajudou a criar. Contava que ficou rico por acaso, quando o amigo Julio Bozano, o convidou para ser o sócio minoritário no Banco Bozano, Simonsen. Ao anunciar seu pedido de demissão, em 10 de agosto de 1979, no governo Figueiredo, declarou: “Achei que o melhor que eu fazia para o país era voltar para a praia de Ipanema”.

Mestre Simonsen, teoria e prática

Creso, rei da Lídia, perguntou a Sólon quem era o homem mais feliz do mundo. Sólon respondeu que não poderia declarar um homem feliz antes de sua morte. Pois, até “a indesejada das gentes chegar”, ninguém está livre de surpresas. Aplico o mesmo critério à escolha do economista mais importante do Brasil. Só é candidato ao título quem já completou sua obra. Suponho também que, além de merecer o respeito de seus pares, ele terá sido um ator de relevo em nossa história.

Portanto, começo a busca recorrendo a eventos que mudaram o país. Busca inútil, porque não o encontro por trás da abertura dos portos da Colônia em 1808, nem no fim dos anos 1880, a defender a abolição da escravatura. Tampouco há economistas em batalha pela industrialização nascente no começo do século XX ou preconizando a destruição de sacas de café em 1930.

É que a profissão surgiu tarde por aqui. Alguns astros começam a brilhar depois do golpe militar de 1964. Mas, ai! Como votar em quem colaborou com a ditadura? O voto me pesa e ainda assim escolho Mário Henrique Simonsen (1935-1997) como o economista mais importante do Brasil.

Professor da Fundação Getúlio Vargas e diretor da Escola de Pós-Graduação em Economia, Simonsen inaugurou no Brasil o ensino da ciência econômica em todo o seu rigor formal. Formou dezenas de alunos influentes. E difundiu a teoria econômica em livros-textos essenciais: “Teoria Microeconômica” e “Macroeconomia”.

Ministro da Fazenda do governo Ernesto Geisel (1974-79), traçou a estratégia de substituição de importações de insumos básicos, revigorou as exportações com maiores financiamentos, introduziu o sistema de bases correntes no imposto de renda, obteve do Congresso Nacional a aprovação da Lei das Sociedades por Ações e criou a Comissão de Valores Mobiliários.

Poucos escreveram com maior verve para jornais e revistas. Ninguém entendeu melhor os custos e benefícios da indexação, que, conhecedor das manhas da política econômica, ajudou a introduzir em 1965-68. Tiro o chapéu para o mais precioso de seus livros, talvez o melhor já escrito por um economista brasileiro: “30 Anos de Indexação” (FGV, 1995).

O construtor

Muitas vezes se tem dificuldade em ver Celso Furtado como um economista. Sua vasta obra – 30 livros, incontáveis artigos, conferências, planos econômicos e entrevistas – encoraja a percepção de que foi um pensador múltiplo. Sem dúvida, sua obra nunca foi meramente econômica e jamais poderá ser acusada de economicista. Seu trabalho intelectual entrelaça os fios menos óbvios que unem a economia à cultura, à política e ao social. E, a partir de tudo isso, finca sólidas raízes na história. Furtado pensa e reinventa o Brasil sob ângulos surpreendentes e inovadores.

Despido dos fardões e dos louros acadêmicos, age sobre ele politicamente, sem jamais ter sido partidário. Refunda o Brasil ao redescobrir as suas essências e ao propor, a partir delas, novos caminhos. E, fundamentalmente, exige a criação de um projeto autônomo de nação, ao rechaçar a reprodução aqui das condições externas destinadas a perpetuar a dependência. De fato, não parece um economista. Talvez por isso mesmo seja constantemente aclamado o maior deles.

De Pombal a Yale

Furtado nasceu numa terra “seca, de homens secos”, na cidade de Pombal, sertão paraibano, em um tempo – 26 de julho de 1920 – que parece irresgatável. Menino, viu cangaceiros e a passagem de uma Coluna comandada por um capitão de 26 anos chamado Luiz Carlos Prestes.

Poucos adivinhariam que o menino de Pombal viria a mudar a forma de ver e decifrar o Brasil, que iria dar aulas em lugares tão improváveis como Sorbonne, Yale e Cambridge, se tornaria ministro do Planejamento de um governo derrubado militarmente, ministro da Cultura do primeiro após a ditadura, criador e gestor de um marco nacional, a Sudene, e que até morrer, em 20 de novembro de 2004, não abriria mão do sonho de construir um país soberano, livre das amarras externas, de renda desconcentrada e socialmente justo.

Celso Furtado formou-se em um tempo em que os economistas vinham ou da faculdade de Direito ou da de Engenharia. Formado em Direito em 1940 pela Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, Furtado logo manifestou sua vocação pelos estudos econômicos. Aos 28 anos, sua tese de doutorado na Universidade de Paris abordava o ciclo da cana-de-açúcar. Na Sorbonne, não se limitava à economia. Ampliava seus interesses para a teoria política e para a história. Desde sempre, afastou-se do desprezo com o qual a escola neoclássica evitava a história. Na época, já tinha lido todo o Marx, mas preferia, sociologicamente, outro Karl, o Mannheim, pois este buscava formas para neutralizar os efeitos sociais das crises periódicas do capitalismo.

Teoria do desenvolvimento

No mesmo ano, 1948, em que Furtado concluiu seu doutorado, era criada, em plena efervescência e aplicação prática da teoria do planejamento sobre uma Europa do pós-guerra necessitada de reconstrução, a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina, a famosa Cepal, à qual Furtado dedicou posteriormente esforços decisivos para os rumos da teoria do subdesenvolvimento e as estratégias heterodoxas para o desenvolvimento.

O conhecimento teórico de Joseph Maynard Keynes se agregaria à prática trazida em 1949 à Cepal pelo argentino Raul Prebisch. Prebisch foi o gênio que aos 34 anos criou o Banco Central da Argentina, em 1935, o qual comandou até 1943, de onde saiu, após divergência com Perón, para lecionar a “Teoria Geral” do lorde inglês na Escola de Economia de Buenos Aires.

Centro-periferia

Prebisch lançou as bases da doutrina intervencionista e antiliberal destinada a permitir, via industrialização, a emancipação da América Latina. Criou, como contraponto à teoria das vantagens comparativas – engendrada pela escola neoclássica para transformar as relações de dependência e exploração internacionais num jardim florido de harmonia e cooperação entre as nações -, a idéia hoje clássica do “centro-periferia”. Furtado, que já estava na Cepal antes da chegada de Prebisch, foi o introdutor no Brasil das idéias do economista argentino, por meio das publicações da Fundação Getúlio Vargas, do Rio, então o maior pólo de discussão econômica existente no país.

Os trabalhos indicavam um caminho a seguir: o da industrialização comandada pelo Estado. Se este era o caminho, restava explicar as raízes da industrialização e a maneira de implementá-la aqui. Foi o que fez Furtado. Coube a ele amadurecer a teoria do subdesenvolvimento, dar-lhe consistência e uma feição mais acabada, e transformá-la em um plano de ação vinculado ao momento histórico que a América Latina então atravessava.

Os escritos de Furtado forjaram o entendimento clássico segundo o qual o subdesenvolvimento não é um estágio obrigatório que os países devam vencer antes de atingir o desenvolvimento. Não é um elo da cadeia que conduzirá o país ao futuro. Na verdade, ele comprovou que o subdesenvolvimento é uma condenação eterna ao atraso resultante do modo de inserção dos países periféricos ao sistema capitalista mundial. Não há, como sustentam os neoclássicos, relações financeiras e comerciais entre países iguais, mas um sistema de dominação camuflado por ideologias.

Vocação agrária

O debate que incendiou os anos 1950 está sendo repisado agora em outros moldes. Naquela época, as correntes retrógradas defendiam a “vocação agrária” do Brasil, em contraposição à necessidade de uma industrialização acelerada, abraçada por Furtado e a Cepal. Hoje, as exportações de commodities tornam dispensável, no entender do consenso mercadista, a oferta de uma taxa de câmbio competitiva à indústria. Desde os primórdios do Brasil, é recorrente o debate entre o liberalismo econômico e o intervencionismo desenvolvimentista. Desde 1994, o primeiro está no poder.

Furtado fez uso do melhor que lhe serviam as teorias de Marx e Keynes, sem ser nem marxista nem professadamente keynesiano. Os livros mais “marxistas” escritos por Furtado – “A Pré-Revolução Brasileira” (1962) e a “Dialética do Desenvolvimento” (1964) – estão, por exemplo, situados na efervescência pré-64. O intervencionismo de extração mais keynesiana perpassa a maior parte de seus livros. Furtado inventou uma escola para si, que ficaria conhecida como a do método histórico-estrutural.

Antes disso, Furtado escreveu uma obra clássica, que viria a figurar ao lado de monumentos explicativos do Brasil, como “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, e “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Hollanda. Trata-se de “Formação Econômica do Brasil”, um clássico escrito há 50 anos, quando o pensador paraibano estudava, sob licença da Cepal, no templo keynesiano erguido no King’s College, em Cambridge, na Inglaterra – instituto que rejeitava liminarmente as grandes categorias marxistas.

Ainda hoje, a “Formação” tem a força de um vigoroso sopro de ar fresco a varrer os ambientes infestados de modelos probabilísticos estocásticos do cientificismo neoliberal. E, segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas Guido Mantega, cada um dos parágrafos do livro serviu de inspiração ou deu deliberada origem a uma tese de mestrado ou doutorado.

Rendição ao mercado

Cassado pelo primeiro ato do golpe militar de 1964, o AI-1, onde poderia exilar-se o professor rejeitado pelas elites brasileiras? Imediatamente, recebeu três convites para lecionar nos santuários em que estudavam os filhos da elite americana. Yale, Harvard e Columbia disputaram seus conhecimentos. Preferiu ir para o Chile, a convite do Instituto Latino-Americano para Estudos de Desenvolvimento. Só em setembro de 1964 iria para New Haven, como pesquisador graduado do Centro de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Yale.

Para Mantega, em texto publicado no fim de 1989, “Furtado é um dos pais do intervencionismo keynesiano no Brasil e o primeiro pensador brasileiro a desenvolver um modelo de análise baseado na heterodoxia estruturalista”. Nessa curta definição estão as três palavras capazes de interditar o pensamento furtadiano no Brasil atual: intervencionismo, heterodoxia e Keynes. Furtado sabia disso e, nos últimos anos, amargurou-se e decepcionou-se com os rumos dos governos neoliberais. “O triste é imaginar que um país em construção fosse entregue ao mercado”, disse, em entrevista publicada pelo Valor em junho de 2000.

23 Comentários + Add Comentário

  • Eu fico com Celso Furtado, apesar de o páreo ser duríssimo. E confesso o teor ideológico do meu voto. Pieere, divulga a lista completa dos votados, por favor.

  • Essa lista, tal qual as de “Caras” ou de outra revistinha qualquer, não tem lógica nenhuma, servindo apenas para comparar alho com bugalho como se fossem a mesma coisa. Que é isso, Prezado Lucena?

  • Caros Bahé e Pierre,

    O que está havendo? Desde ontem que eu só vejo essa matéria com Simonsem e Furtado na abertura.

    Vamos trabalhar, meninos.

  • Um autodidata genial,simonsen edificou o mercado de capitais ,na decada de 70,movido a boas doses de 12 anos.

  • Esta é uma comparação é de certa forma surrealista, pois de um lado está Celso Furtado, que consagrou-se através de posicionamentos, idéias e análises a cerca da economia brasileira e Latino Americana de forma coerente mesmo que tendenciosa ao livre mercado. Do outro lado, numa análise macroeconômica e com uma praticidade irrepreensível, Simonsem que indubitavelmente contribuiu bastante para o desenvolvimento da Economia Aplicada à realidade dos mercados de forma ampla.
    Deixo noentanto o meu posicionamento de agradecimento a ambos os economistas pelas suas importantissimas contribuições no estudo e análise da Economia tanto a nível nacional como internacional.

  • Bom dia Sr economista! moro nos EUA a trez anos e aqui temos uma duvida muito grande. o Sr. poderia nos fazer algum comentario sobre a divida interna do Brasil. agradeco muito se nos der este esclarecimento, ficamos muito grato.

    Atenciosamente,

    Gilvan Mendes

    Fone:774.2681954

  • Apenas um comentário: o Keynes da Teoria Geral se chama John Maynard Keynes e não Joseph.
    Att.
    Ana

  • Justíssimo o título .Simosen é sem a menor dúvida ,o maior economista que este país produziu . Tive o prazer de assisti-lo,como professor e era simplismente genial .

  • A escola liberal com seus modelos histéricos que so funciona na teoria,levou a economia mundial na maior crise depois de 29, o que seriam das economias se o estado não intevisse novamente, o deus ex-máquina jamais resolveria, Friedman deve estar rindo no paraíso e falando filhos de e netos da escola de Chicago esqueçam de minha idéias e releam Keynes.Comparar um liberal com um pós-Keynesiano é brincadeira, Furtado foi o primeiro a estudar de forma profunda e economia Brasileira e propor mudanças.Se para o PhD de princento Armínio fraga suas idéias e o modelo que ele defendia era equivocado o que ele acha da atual crise, onde estão os monetaristas defensores da diminuição de estado. como disse furtado não existe mercado sem estado

  • Eu sou estudante de Economia.
    já tive o conctanto com várias obras de economista brasileiro e sem dúvida o Mario Henrique Simonsen é aquele que mais me covenceu em termo de terio economicas.
    muito obrigado. fuiiii

  • Boa tarde!
    eu gostei muito da pesquisa que vocês fizeram para nomear o maior econo0mista do Brasil.com certeza o simosen é um dos maiores do brasil.
    eu o ano que vem vo etrar no curso de economia eu não gostava muito,eu assistir uma palestra na bolsa de vlortes e quem estava palestrando era uma economista eu me encantei por economia.
    então despertou em mim a vontade de estudar economia
    eu psso uma sugestão.aos meus amigos economista

  • Boa tarde, estou muito desesperada e doente dos nervos com a divida do meu cartão de crédito Mastercad Citi, desde o mes 11/2009 eu devia $ 420,00
    fiz algumas e fui pagando um pouco mais que o minímo hoje esta divida já esta $ 5.000,00, gostaria de saber se deixo de pagar e esperar que ele me liguem para um acordo se vou no procon.agradeço se alguem pode me orientar, tenho este cartão a mais de 20 anos e nunca atrasei.

    Obrigado
    Ivanir

  • Gostaria de saber se compenssa quitar um apto que comprei na planta, reajustado pelo incc até a entrega das chaves .

  • Boa Tarde, sou comerciante, tenho uma pequena empresa de vendas de cestas-básicas, tenho 32 anos preciso cursar uma faculdade, mas não sei em que área. Sempre tive vontade de fazer jornalismo, mas acredito que foge muito da minha realidade. nunca me interessei por administração, mas ultimamente estou ligado em Economia, que pode me dar alguma dicas, se realmente e o meu perfil. Abraços a todos.

  • Sem Estado não há Economia? Será? E sem Economia há Estado? Porquê Simonsen é melhor? Pelo que entendi do próprio texto sua administração economica nos levou a uma crise enorme. Tudo bem que a eleição foi feita entre seus pares economistas, mas o que me chamou a atenção foi o grande numero de abstenções, de 100 apenas 63 quiseram participar? e os outros 37 em quem votariam? Acho que em ninguém porque neste País onde os economistas tratam a economia como politica e não tem autonomia para efetivamente tratá-la como uma ferramenta de desenvolvimento social e humano de toda a sociedade. Respeito todas as opiniões, mas no meu entender, quanto o menos o Estado intervir na Economia melhor, afinal cabe ao Estado apenas regular e fiscalizar e não atuar. Seria como um árbitro de futebol, querer fazer gol. Assim, penso que ainda está para surgir um economista capaz realizar o que o Brasil precisa.

  • Nenhum dos dois foi relevante, porque nenhum dos dois fez contribuições relevantes a moderna teoria econômica. Simonsen foi o menos ruim, porque sabia o básico de economia. Furtado não entendia bulhufas de economia, pelo menos foi a impressão que eu tive lendo o Formação Econômica do Brasil.

    Qualquer PHD de Harvard/Princeton/Chicago é mais economista que Furtado ou Simonsen.

    Os economistas Brasileiros só vão formar prêmios nobéis quando começarem a olhar para fora e não para economistas “brasileiros”.

    • Se vc conhece-se um “pouquinho – só um pouquinho” da obra desses dois brilhantes economistas não escreveria tanta asneira. Provavelmente vc não é economista…..

  • [...] Para ler o artigo completo clique no link a seguir pesquisa [...]

  • Aos defensores de Celso Furtado e sua atuação me pergunto pq não foi levantado o fracasso do Plano Trienal, frente a atuação de Simonsen! No mais quanto a resposta de monetaristas que o colega colocou, mais claro impossível, o governo brasileiro com sua atuação fiscal é o pivor dos problemas, conforme prediz a própria história brasileira, para tanto vide algumas décadas passadas que qualquer bom livro de economia brasileira nos relata, mas só de refrescagem como a inflação toma centro de análises quanto ao processo de industrialização brasileira e seus desenfreados processos de emissão monetária para financiar. O caráter do Bacen quando o mesmo foi criado deixando equilibrado o balanço fiscal as custas do monetário, mas isso todo bom economista brasileiro já sabe e não tem o pq eu ficar mencionando, não é mesmo? Ah e dizer que isso é história e vir com o velho jargão de keynes que “no longo prazo estaremos mortos” é simplesmente uma justificativa vulgar a preguiça de querer trabalhar e produzir algo válido de se ler e ver. A exemplo o jornal diário com as políticas econômicas de mérito político apenas, em seus mandatos de 4 anos.

  • O ex Ministro e Economista Celso Furtado, tinha uma tese de modelo desenvolvimentista. Não apenas para o Brasil como também para a América Latina. Acreditava que o desenvolvimento para a America Latina só teria sucesso, quando seus Membros se unissem em Bloco. Que o Brasil teria que assumir essa missão por ser a maior economia do Bloco. Essa ideologia enfim vem se concretizando. O Brasil deixou de olhar de costa para a A.L., e enfim liderar o Bloco.

  • Hoje conto com idade sexagenária, no entanto, destaco como um dos grandes economista do Brasil, e mesmo sendo do nordeste, o conterrâneo Prof. Dr. Celso Furtado, implantou grande trabalho para o desenvolviento da região tão sofrida, onde se distinguia a SUDENE. Portanto, a semente foi plantada, é pena que temos um prazo aqui em baixo, mas valeu !!!

  • Gostei MUITO do texto!

    Parabéns. Tiro algumas conclusões:

    1) no fundo o Simonsen, que parecia ser mais afeito a uma abordagem quantitativa, foi um dos responsáveis pela crise que enfrentamos na década de 80. Talvez ele tenha se perdido nos detalhes dos números, acreditando que modelos precários poderiam prever sistemas complexos como é o caso da economia. Olhando para a insuficiência dos recursos atuais para prever crises como a de 2008, fica a certeza de que só tolos poderiam acreditar na primazia dos modelos ortodoxos na década de 70, quando os recursos eram calculadoras eletromecânicas e computadores com 1k de memória.

    2) o Furtado, com uma abordagem qualitativa e mais abrangente, teve mais sorte ao perceber que a intervenção do Estado era imprescindível para o enfrentamento do subdesenvolvimento. A história veio a confirmar sua percepção, através do sucesso obtido pela China no enfrentamento de seu próprio subdesenvolvimento (lembrando que na década de 80 a China estava mais atrasada que o Brasil)

    Acredito que o aftemath desta história é simples: realmente o Furtado deixou uma obra mais relevante e inovadora. Simonsen trouxe um pouco mais do mesmo, sem uma contribuição verdadeiramente disruptiva.

    Agora, fiquei surpreso com o Roberto Campos ter recebido 4 votos. Além dele ter falido um banco, que eu saiba não fez nada mais de notório. Na verdade, acho que a afirmação mais relevante do Roberto Campos foi: “A Embraer nao vai dar certo”. Todo o resto de sua pregação foi pior que isso.
    (Pena que ele morreu antes de poder voar num jato da Embraer… Teria sido uma grande lição de economia para ele)

  • Amigos não sou economista, estudo Letras. Preciso entretanto fazer referência a um período da história brasileira e escolhi um economista de matriz furtadiana, que trata a questão como centro-periferia. Criticaram-me que meu discurso era ultrapassado, e que essa era uma questão que não mais cabia. Pergunto: enfrento a questão pelo “centro periferia”, ou será mais fácil apaziguar oferecndo outras “visões”para garantir o canudo?

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).