Qual o papel da Caixa Econômica Federal?

jan 4, 2008 by     1 Comentário     Postado em: Economia

Alex Norat (Folha imagem)
Alex Norat, superintendente da Caixa em Pernambuco

Há alguns anos atrás, trabalhei com alguns colegas de universidade em uma consultoria para o Governo Federal, para detalhar e verificar se os bancos públicos cumpriam seu papel.

Quando penso em banco público, vejo dois objetivos claros para eles: regulação para defender o cliente de abusos de oligopólio, e atuação dos interesses do Governo junto ao mercado financeiro.

Não penso como intermediador de políticas públicas de financiamento, porque essas, em muitos casos, os bancos privados também fariam se tivessem oportunidade. Quem não gostaria de gerenciar os recursos do FGTS?

Intermediação de recursos públicos é apenas uma forma de atrair ativos para os bancos, pois a maioria destes papéis de intermediação é superavitária.

Pois bem….vamos tratar da regulação junto ao mercado consumidor de serviços bancários. Neste ponto a Caixa e o BB deixam muito a desejar.

Duas coisas precisam de regulação: tarifas e spread bancário. Nos dois casos, tanto a Caixa como o Banco do Brasil seguem uma estratégia de menor custo baseado no que é cobrado pelos outros. Se a tarifa é R$8,00 nos bancos privados, eles cobram R$7,50 (segundo o site da Febraban). Se a taxa média do cheque especial é 140%, a deles é 135%. Nunca jogam para baixo com o intuito de defender os interesses de todos os brasileiros. Não há risco de inadimplência que justifique uma taxa tão alta.

No segundo caso a situação é mais grave. Como o próprio superintendente da Caixa, Alex Norat, falou no almoço de hoje com a imprensa, a diretoria de Fundos de Investimentos da Caixa funciona à parte, como sugere a ANBID. Desta feita, a Caixa acaba não intercedendo dentro do mercado financeiro como deveria, ajudando o Banco Central a derrubar as taxas de juros.

Claro que a ANBID sugere isso. Ela é formada pelos banqueiros de investimento. E tudo que não querem é justamente alguém regulando o oligopólio do setor bancário brasileiro. Ainda mais dois bancos fortes como o BB e a Caixa Econômica Federal. O argumento de que a Caixa defende os interesses de seus clientes não vale, pois ela é gestora basicamente de recursos públicos. Com esses recursos é que atua no mercado de capitais. Os seus ativos de fundos privados são menores do que de bancos médios, como o Brascan, por exemplo.

Vale salientar que essa é uma política nacional, e a superintendência local não exerce gerência sobre esta decisão.

É inegável o bom papel que esses bancos cumprem na intermediação de políticas públicas, principalmente junto a entes estatais, como políticas de financiamento de setores que até então não ofereciam atrativos. Cito o PRONAF, o financiamento da habitação e do saneamento. A falta de recursos não é responsabilidade direta do BB e da CEF, mas sim da União.

Mas também cabe a nossos bancos estatais atuarem na busca de uma oferta de maior concorrência no mercado financeiro. Ajudariam muito mais ao país.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).