Respondendo a uma leitora sobre spread bancário
A leitora do blog Alexandra Almeida enviou e-mail com a seguinte pergunta sobre spread bancário:
Pierre
Gostaria de saber o motivo pelo qual o spread bancário do Brasil é elevado? É verdade que as instituições financeiras não estão realmente interessadas em emprestar para pessoas físicas ou jurídicas, mas sim para o governo?
Respondendo à pergunta. Temos alguns conceitos para spread bancário. o mais aceito é de que spread é a diferença entre o que o banco teria de custo de oportunidade do dinheiro (o que faria com ele sem risco), e a taxa cobrada de juros.
Vamos supor que a taxa na qual o banco pode remunerar seu capital sem risco seria a taxa Selic (isso sem levar em conta os impostos), que atualmente é de 11,25%.
Neste caso, se o banco empresta a 31,25% a você, ele está com um spread de 20% (31,25%-11,25%).
Com esse spread ele paga seus custos bancários (funcionamento de agência, pessoal, etc.), paga também a possível inadimplência, além de outros custos agregados, como impostos (o IOF, por exemplo). O que sobra é o lucro, que é legítimo. Outras variáveis ainda entram neste cálculo, como o compulsório, mas para facilitar, esqueçamos ele.
Vamos supor dois tipos de empréstimos: consignado e cheque especial. A taxa média do primeiro é 26% ao ano, a do cheque especial gira em torno de 130%.
É quase 100 pontos percentuais de diferença. Como as variáveis são as mesmas, apenas o risco de inadimplência do cheque especial é maior, considera-se que se o banco estiver praticando uma taxa de acordo com uma “concorrência leal”, teríamos uma a cada duas pessoas ficando inadimplente no cheque especial.
Para a taxa ser justa, este seria o risco.
É parecido com o risco de ser assaltado com uma mala cheia de dinheiro no Centro do Recife.
Como os bancos trabalham no limite da racionalidade,posso afirmar que preferem emprestar a qualquer cidadão no cheque especial do que ao Governo. Mesmo que este pague uma das taxas de juros mais altas do mundo.
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Postado em:
Muito boa a pergunta da leitora. Esta eh uma questao fundamental para o desenvolvimento do Brasil. Pierre, boa a resposta tambem. Gostei da forma simples e didatica como voce escreveu, inclusive da ultima parte, mostrando que os bancos nao lucram apenas nas taxas de juros dos titulos do governo. Muito pelo contrario. Ver texto do Banco Central sobre a decomposicao do spread bancario no pais:
http://www.bcb.gov.br/pec/notastecnicas/ingl/2002nt19composicaodospread2i.pdf
Tiago
Excelente pergunta e resposta, seguindo a linha que deve ser dada a este blog de economia. Informação de conteúdo para pessoas que, como eu, não possuem conhecimentos profundos da matéria.
Parabéns a Pierre e a Leitora.
Muito bem, Pierre. Só um pequeno adendo, que eu sei que você sabe, mas que para o leitor desavisado passa despercebido: No seu exemplo, uma taxa era de 26% e a outra de cerca de 130%. Então você diz que há uma diferença de quase 100% entre as taxas.
Na realidade há uma diferença de 100 pontos percentuais entre as taxas, mas a diferença entre as taxas é de quase 400%, ou melhor ainda, a taxa do cheque especial é cerca de 400% maior que a do empréstimo consignado.
No mais, muito bom!
Marcio
Você está certíssimo, já corrigi.
Abraço
Pierre
[...] Falamos hoje de manhã no Acerto de Contas sobre spread bancário, respondendo a pergunta de uma leitora (clique aqui). [...]
Prezado,
A matéria já é antiga, mas gostaria de opinar.
Se os bancos trabalham no limite da racionalidade, o governo teria que subir a selic para a extratosfera para poder competir com as taxas do cheque especial e diversas modalidades de crédito direto ao consumidor, que são muito mais vantajosas.
Sabemos ainda que a demanda por crédito no Brasil é altíssima (todos querem dinheiro) e só não é maior porque as taxas de juros são altíssimas, o que permitiria uma migração dos títulos públicos para o crédito.
Dessa forma, explico a preferência dos bancos por títulos públicos devido ao excesso de conservadorismo aliado a uma baixa profissionalização do setor. Para emprestar ao público é necessária uma estrutura de análise e acompanhamento muito mais robusta do que a necessária para emprestar ao governo, já que esta é fixa e não aumenta com o volume de negócios. Suponho que os bancos estejam satisfeitos com a lucratividade atual e isso os deixa pouco estimulados a desbravar uma nova fronteira de negócios q
Prezado,
A matéria já é antiga, mas gostaria de opinar.
Se é verdade que os bancos trabalham no limite da racionalidade, então o governo teria que subir a selic para a extratosfera para poder competir com as taxas do cheque especial e diversas modalidades de crédito direto ao consumidor, que são muito mais vantajosas.
Sabemos ainda que a demanda por crédito no Brasil é alta, (não sendo maior devido às taxas juros praticadas) o que permitiria uma migração dos títulos públicos para o crédito.
Dessa forma, explico a preferência dos bancos por títulos públicos devido ao excesso de conservadorismo aliado a uma baixa profissionalização do setor. Para emprestar ao público é necessária uma estrutura de análise e acompanhamento muito mais robusta do que a necessária para emprestar ao governo (além de know how), já que esta é fixa e não aumenta com o volume dos negócios. Suponho que os bancos estejam satisfeitos com a lucratividade atual e isso os deixa pouco estimulados a desbravar uma nova fronteira de negócios que exigiria assumir novos riscos.
Abç
Boa tarde!!
Gostaria de saber qual é a composiçao do “Spread” bancário?
Obrigado.
Gostaria de saber o real conceito de spread bancário, e não apenas (diferença entre a taxa captada e a repassada ao consumidor), pois, é muito pouco para uma complexidade de cunho estrondoso.
muito obrigado!!!
Com a a tual taxa Selic (9,25%) o que os bancos podem fazer para manter seu spread a patamares anteriores quando foi anunciado essa notícia?
Grato
Gostaria de saber se é possível conhecer a taxa do ‘spread’ de cada Banco, pois estou com o seguinte problema: em 1969 e 1979 foram depositados em juizos valores em favor de meu cliente e até a presente data não foram levantados muito embora o juiz tenha reconhecido a obrigação da instituição devolver o dinheiro, esta se recusa a fazê-lo. Agindo no caso o Banco como depositário judicial, este cai na hipótese do artigo 150 do Código de Processo Civil, que impõe a devolução da remuneração obtida, no caso o ‘spread’, descontados, evidentemente, aquilo que o Babco despendeu, ou seja, os custos bancários, mas só conseguirei o intento se provar o ganho líquido do Banco. É possível conhecer estes dados através do BACEN?
“Temos alguns conceitos para spread bancário.”
Pode me ajudar?
Acredito que como a frase acima, temos mais de um conceito para spread bancário, porém na literatura acadêmica só encontro aquele de que o spread consiste na diferença entre a taxa de juros de empréstimo e a de poupança. Onde posso encontrar conceitos diferentes na literatura?
Muito Obrigada.
Parabéns pelo tema. Sou acadêmico do curso de direito, da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz – localizada entre Itabuna e Ilhéus/Ba. Com a experiência de um homem de 47 anos, inicio minha monografia cujo tema é sobre as taxas de juros. Escrevo-lhe porque informar é função primordial de todo jornalista. Estou preocupado com milhares de brasileiros, de boa-fé, que levantam créditos bancários ou que compram com cartão de crédito junto às administradoras, porque desconhecem as práticas abusivas das altas taxas de juros. Muitos destes clientes, consumidores como nós, tenderão a questionar as taxas de juros, com o decorrer do tempo. Infelizmente, perceberão, tardiamente, que é inócuo questionar a revisão das taxas de juros remuneratórios, quer quantos aos contratos bancários, quer seja com relação aos cartões de crédito. Isto porque o STJ – Superior Tribunal de Justiça – Tribunal dos cidadãos, mantém uma jurisprudência que nada resolve os anseios desses milhares de brasileiros em reduzir o impacto destas altas taxas de juros em suas dívidas. Isto porque, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal, apenas se configura abusividade se a taxa praticada pela instituição financeira “estiver acima” da “taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil. Interessante saber que o Banco Central não apura, apenas tira a média a partir das taxa informadas por todos os bancos, ou seja, a média que o STJ considera como parâmetro da abusividade é informada pelos mesmos bancos cujas taxas são questionadas pelos milhares, se não milhões, de clientes. O mais incrível é que, segundo o mesmo STJ, nem os bancos e mais recentemente, nem as administradoras de cartão estão sujeitas às limitações legais das taxas de juros que submetem a todos. Que proteção tem os consumidores que nunca conseguem (ou conseguirão) sair de suas dívidas em decorrência das intermináveis renovações contratuais provocadas pelas sufocantes taxas de juros. Taxas estas que se estiverem próximas da “taxa média de mercado”, que é considerada como uma das médias mais altas do mundo, não são revisadas pelo nosso maior Tribunal infraconstitucional. Salve o nosso Estado Democrático de Direito!
bom dia estou precisando saber o seguinte calculo de spread
taxa de captação=22%
taxa de aplicação=14%
por favor me ajude – obrigado
Composição do spread dos Bancos: Inadimplência representa 37,35% do spread, o lucro dos bancos corresponde a 26,93%, os impostos são 18,62%, o custo administrativo é 13,5% e o recolhimento compulsório é 3,6% do spread.
[...] Respondendo a uma leitora sobre spread bancário [...]