Tsakalotos, o senhor é um fanfarrão!

jul 7, 2015 by     13 Comentários    Postado em: Economia, Política

 

Por Pedro Jácome

Dia desses estava vendo o noticiário internacional. Comentei com minha namorada que no parlamento grego ninguém usava gravatas.
Ela retrucou. Disse que eu levava as formalidades muito em conta.

Levo mesmo.

Não que eu vá à praia de fraque. Não vou.
Mas acredito que se você vai pedir dinheiro emprestado ou a uma entrevista de emprego, enfim, se você precisa demonstrar credibilidade, o primeiro ponto a ser levado em conta é não parecer malamanhado.

Hoje, o Ministro das Finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, foi à reunião do Eurogroup pra negociar saídas para a Grécia.
As saídas para a Grécia, boladas pelo ministro, estavam numa pasta de couro, distribuídas em gráficos ou até mesmo numa enfadonha apresentação de powerpoint?
Não.

Tsakalotos trouxe rabiscos acostados numa folha de papel de um bloco de notas de hotel.
A atitude, evidentemente, virou piada.

 
O pior da crise na Grécia é que, aparentemente, os gregos não estão tratando a situação com a seriedade devida.

Aviso aos gregos, não é preciso ter lido Aristóteles pra saber:

A zueira não tem limites.

O dinheiro do contribuinte e a paciência dos credores, pelo contrário, têm.

13 Comentários + Add Comentário

  • Com terno ou sem terno, o importante é resolver o problema.

    De que adianta usar ternos William Westmancott de 90 mil dólares cada, se os políticos são delinquentes iguais aos políticos brasileiros?

    Prefiro um político de short e havaianas, mas com um sólido preparo acadêmico, competente e honesto disposto a resolver efetivamente os problemas do país.

  • Achar que isso foi um mero desleixo, como se os gregos tivessem realmente feito uma conta de padaria e levado pra reunião ou é ingenuidade demais ou má fé. Claro que isso foi um gesto político. Pensado e intencional. Assim como o referendo de domingo não era sobre economia, mas sim sobre política. Nele o povo grego tomou a decisão política de reafirmar sua soberania. Tomar para si a definição dos seus rumos, da condução de sua política econômica, ao contrário do que o FMI e União Européia estavam praticando.

    A Grécia está com a corda no pescoço, eles sabem muito bem disso, mas nem por isso devem baixar a cabeça. Em toda mesa de negociação deve haver igualdade, do contrário não é negociação, é chantagem. Mesmo que a balança financeira pese apenas pro lado do capital financeiro, uma nação soberana, seja ela qual for, deve ser tratada com respeito. É isso que os gregos exigem. E se não são respeitados enquanto nação soberana, simples, devolva-se o tratamento. Leve-se uma conta de padaria pra a mesa de “negociações”. O que está em jogo aí não é como e se a Grécia vai pagar o que deve, mas sim em que termos esse pagamento será negociado. De cima pra baixo o povo grego já disse que não aceita mais.

    • Respeito se conquista. O governo grego não tem feito por merecê-lo.

  • Por sinal, bem que o Brasil poderia aprender essa lição com o povo grego, em vez de aceitar toda e qualquer condição que o capital financeiro impõe a título de “ajuste fiscal”. Somos uma democracia há 30 anos, quase mesma idade da moratória; temos uma economia estável há duas décadas, cumprimos fielmente as metas de superavit primário por mais de uma década e ainda assim nossa taxa de juros explode a qualquer sinal de ameaça? A taxa de juros brasileira só é menor que a de uma meia dúzia de países, contando aí alguns em guerra, e bem acima de outros paraísos de estabilidade, tipo o Paquistão. Pagamos proporcionalmente mais juros que qualquer outro país no mundo. O que explica isso? Que eu saiba, o juro aumenta quando aumenta o risco. O que os “investidores” (a.k.a especuladores) precisam mais pra acreditar que a sétima maior economia do mundo não vai dar calote de novo e os juros baixarem a um patamar lógico? Mas, sobre isso, silêncio.

    Fala-se em corte de gastos, ok. Mas o maior gasto que o Governo tem, que é a dívida, se quer é citado. Como pode isso? Corta-se direitos trabalhistas, verbas de saúde e educação, mas reestruturação da dívida é pecado, coisa de esquerdista irresponsável. Tudo bem, deixa a dívida quieta, não vamos irritar os INVESTIDORES. Mas, se estamos quebrados, qualquer fonte de renda é válida, não? Por que então não taxar as grandes fortunas e deixar a grana da saúde em paz, só como um exemplo (nem vamos falar de reforma tributária, tributação mais justa)? De novo, coisa de esquerdista. Bem, os esquerdistas gregos decidiram dar um basta a essa palhaçada. Que eles obtenham êxito. É o mínimo que alguém que não usa gravata pode desejar.

  • Engraçado é que esses socialistas metem o pau nos capitalistas e banqueiros, mas quando a grana da festa acaba a quem os socialistas vão pedir dinheiro? Aos banqueiros malvados, é claro.

    Esses socialistas torram tudo, incham o Estado, fazem concursos públicos com mega salários, distribuem benefícios a todo mundo, o povo fica mal acostumado, não quer trabalhar nem produzir, todo mundo só quer fazer concurso e vagabundear no Estado, o país vai à falência, e de quem é a culpa? Dos banqueiros malvados, é claro. A culpa nunca é dos socialistas, é sempre do “sistema financeiro”.

    Lula passou a vida falando mal dos bancos, mas sempre dependeu deles e pediu dinheiro a eles. Quando Lula ganhou as eleições, os bancos deviam ter deixado o Brasil. Queria ver como o “jênio” Lula ia se virar sem a grana dos bancos capitalistas imperialistas e malvados.

    Pois bem, quando esses socialistas quebrarem e forem pedir dinheiro ao sistema financeiro, o sistema devia dar as costas e não dar um centavo. Deixa os “maravilhosos” socialistas se virarem, afinal, são “jênios” das finanças.

    Todos os bancos deviam abandonar a Grécia. Se os socialistas são tão maravilhosos eles vão dar uma solução na Grécia, não precisam do dinheiro bancos malvados. O povo e os socialistas que se danem e se virem sozinhos.

    • Enquanto tu reclama dos socialistas, teu banco te cobra 15% de juros ao mês no cartão de crédito. Tu trabalhasse pra produzir o dinheiro (assim acredito), já o banqueiro sentou no capital, coçou o ovo e ficou mais rico em cima do teu suor. Se tu realmente acha que tá tudo certo nessa equação, beleza.

      PS: se vossa senhoria souber de uma forma de viver em um sistema capitalista sem capital (o qual está majoritariamente na mão dos bancos), por favor, nos elucide.

      • Tá bom Felipe, beleza, vamos todo mundo virar servidor público, analista administrativo de órgão público e expulsar os malvados bancos do Brasil pra ver o que acontece. Todo mundo servidor público e recebendo bolsa-família sem os bancos. Quero ver quanto tempo essa brincadeira vai durar. E quero ver também como os “jênios” socialistas vão resolver o problema, mas aviso, não vale pedir ajuda aos bancos, afinal eles são capitalistas maldosos.

        • Não estou dizendo que o capitalismo é perfeito ou isento de falhas, mas o socialismo é imensamente pior. Na prática, não existe um sistema perfeito, em modelos teóricos pode até existir, mas na prática acredito que o capitalismo seja o melhor. Prefiro ser explorado por banqueiros do que por “líderes da revolução” como Fidel que sempre viveram no maior luxo andando de iate enquanto o povo cubano passa fome.

        • Você dizendo isso pra mim tá perdendo tempo. Não precisa me convencer, não sou socialista e não tenho pretensão de acabar com o capitalismo. Enquanto o sistema for capitalista, é nele que teremos que viver. Só não sou besta de ver um povo sendo explorado por banqueiro e achar normal. Ainda mais quando eu faço parte desse povo. Ou você acha normal o tanto de juros que nós pagamos?

          Os defeitos do capitalismo não podem ser usados como desculpa para opressão. Tem muito banqueiro por aí que não usa seu capital pra produzir um biliro, gerar um emprego. Apenas especula. Tira de um “mercado emergente” pra colocar em outro, exige “medidas de austeridade” às custas dos destinos de milhões de pessoas. Não precisa ser socialista pra ser contrário a isso, basta não ser otário.

        • Felipe, eu penso o seguinte: alguém sempre vai explorar e alguém sempre será explorado. O capitalismo é o único sistema onde os explorados (nós da classe média) podem viver com uma certa qualidade de vida. Por isso que prefiro ser explorado por um Rockefeller da vida do que por um Fidel Castro ou Hugo Chavez. Veja os países anglo-saxões que fundaram o capitalismo, veja a qualidade de vida das pessoas de lá e compare com a porcaria que é viver em Cuba ou na Venezuela. Os banqueiros são demonizados, mas foram eles que criaram os maiores hospitais e as maiores universidades dos EUA através da filantropia doando centenas de bilhões de dólares. Os caras investem em empresas que vão gerar milhões de empresas, ciência e tecnologia. Fidel Castro fez isso? Hugo Chavez fez isso?

          Entre ser explorado por Rockefeller ou ser escravo de Stalin, prefiro mil vezes mais a primeira opção.

          Banqueiros estão longe de serem santos, mas são muito melhores que esses “libertadores” comunistas.

  • É fácil ser socialista tendo conta em banco, usando MacBook, comendo fast-food, calçando Nike, andando de Chevrolet e vestindo Lacoste. Queria ver abrir mão das comodidades do capitalismo e ir morar em Cuba, na Venezuela (onde falta papel) ou na Coreia do Norte (onde falta comida). Sempre me divirto vendo adolescentes vociferando “viva lá revolución” ou “hasta la victoria siempre”. Pergunta se esses retardados querem largar a vidinha de classe média regada a luxo e mordomia que os pais lhes proporcionam (com muito suor e trabalho capitalista) e ir morar na miséria em Cuba. É como dizia um velho amigo meu: “Esse negócio de socialismo é coisa de vagabundo, só serve de pretexto pra roubar de quem trabalha”.

  • O governo cubano é tão “democrático” que Fidel manda fuzilar os coitados que tentam fugir de barco para Miami.

    Se o governo socialista de Cuba é tão bom, por que tanta gente quer fugir e migrar para os EUA?

  • A Grécia acaba de entrar com um pedido de empréstimo financeiro à zona do euro. Nessas horas, eles esquecem que são socialistas. Os bancos deviam negar o empréstimo e deixar esses comunistas de merda se virarem sozinhos, detestam trabalho, mas adoram o dinheiro (dos outros).

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).