Obra Bicentenária
Dilma com Eduardo e Steinbruch, ontem. Tentativa de desempacar o PAC (Foto: Humberto Pradera)

Dilma com Eduardo e Steinbruch, ontem. Tentativa de desempacar o PAC (Foto: Humberto Pradera)

Se tem uma coisa que está incomodando a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) mais que as sessões de quimioterapia, essa coisa se chama Transnordestina… Trata-se de uma das principais obras do PAC , que está parada porque o empresário Benjamin Steinbruch (dono da malha ferroviária do Nordeste) não vai bater um prego até receber algum adiantado do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

A Transnordestina é uma obra que só existe no papel desde o governo do imperador Pedro II e é fundamental para o desenvolvimento do Nordeste. Lula prometeu que iria fazê-la e colocou tudo no colo da mãe do PAC, Dilma. Como custa quase R$ 6 bilhões, se a ferrovia empaca o PAC também empaca. E o índice de eficiência do Plano de Aceleração do Crescimento vai lá para baixo.

Só que a Companhia Ferroviária Nacional, de Steinbruch, só vai tocar a obra (uma Parceria Público-Privada, PPP), caso receba 100% do valor que tem que investir através de financiamentos públicos. Ou seja, não entra com nada e ainda fica com a concessão da ferrovia pelos próximos 30 anos (renováveis por mais 30).

Ontem teve uma reunião em Brasília, da qual participaram Dilma, Steinbruch e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Eduardo está servindo de mediador da solução, pois Pernambuco será um dos estados mais beneficiados pela obra.

Steinbruch, para quem não lembra, foi um dos que mais mamaram na época das privatizações. Pegou a Vale do Rio Doce (que era a Petrobras da mineração) e adquiriu os direitos sobre a rede de trilhos do Nordeste, pela Companhia Ferroviária Nacional (CFN). A malha ferroviária nordestina ele deixou virar ferrugem. Antes tínhamos quase nada desse modo viário, hoje temos coisa alguma.

Já a privatização da Vale foi um grande escândalo. Foi vendida por R$ 3,34 bilhões ao consórcio formado por Steinbruch mais Previ (fundo de pensão do BB), Petros (fundo de pensão da Petrobrás), Funcef (fundo de pensão da CEF), Funcesp (fundo de pensão dos empregados da Cesp), Opportunity (olha o dedo de Daniel Dantas aí) e Nations Bank. Dizem que o empresário pagou propina de US$ 15 milhões ao ex-presidente do Banco do Brasil no Governo FHC, Ricardo Sérgio de Oliveiria (ex-tesoureiro das campanhas de José Serra), para que todos os fundos de pensão aderissem à sua proposta, abandonando o consórcio do Grupo Votorantim, de Antonio Ermírio de Moraes.

Além dessa “forcinha”, ficou demonstrado depois que o edital de privatização subtraiu bilhões de toneladas de minério de ferro das jazidas pertencentes à Vale, diminuindo, assim, seu valor de mercado. As reservas em Minas Gerais, que eram 7,918 bilhões de toneladas, apareceram como 1,4 bilhão. E a reserva de Carajás caiu misteriosamente de 4.970 bilhões de toneladas para 1,8 bilhão.

Steinbruch aproveitou bem esse presente, diga-se de passagem. Sob sua gestão, a Vale comprou outras 16 empresas do setor, incluindo a canadenses Inco (por US$ 13 bilhões), transformando-se na maior do mundo.

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