Esperteza

do Jornal do Commercio

No início deste ano, a União divulgou que a Previdência Social fechou o ano de 2006 com um déficit de R$ 42 bilhões. Isto é, uma insuficiência de receitas de R$ 42 bilhões para pagar todas as despesas geradas pela Previdência. Imagine agora se o mesmo governo anunciar, dentro de alguns meses, que esse déficit passará para R$ 22 bilhões. Isso tudo sem promover grandes mudanças na forma de pagamento de aposentadorias e pensões, nem obter economia expressiva no combate a fraudes, nem qualquer outra medida que amplie receitas e reduza despesas de forma a explicar essa queda no déficit. Como será possível atingir esse resultado? Apenas utilizando uma nova forma de apresentação contábil. Mas as mesmas despesas continuarão existindo, pesando nas contas do governo e impedindo a disponibilidade de recursos para investimentos.Com a medida, o governo federal não ficará sob pressão de fazer uma reforma da Previdência de forma emergencial – o que gera ônus político por tratar de mudanças no pagamento de aposentadorias e pensões que não são bem vistas pela população atingida. Isso porque uma redução tão expressiva no déficit serviria como um alívio, serviria como uma prova de que a situação nas contas da Previdência não são tão preocupantes quanto se pensava. O próprio ministro da Previdência, Nelson Machado, já declarou que a reforma da Previdência não ficará para este governo. A discussão sobre as alterações estruturais no sistema, porém, será iniciada dentro do Fórum Nacional de Previdência Social, que será instalado no dia 12 de fevereiro.

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