A Dedicação Exclusiva perdeu o sentido nas Universidades
No sistema universitário brasileiro temos três opções de regime de trabalho para os professores, em número de horas semanais: 20 horas, 40 horas sem Dedicação Exclusiva e 40 horas com Dedicação Exclusiva.
A prática (e também a regra formal) seria a seguinte:
- 20 horas: o professor ministra duas turmas de 60 horas por semestre. Normalmente é exigida apenas a sua presença na sala de aula e em reuniões oficiais de departamento.
- 40 horas sem Dedicação Exclusiva: o professor ministra 4 turmas (ou 2 mais a pesquisa). Na grande maioria dos casos no máximo é dado 3 turmas ao docente que não faz pesquisa, e a exigência é a mesma do professor 20 horas.
- 40 horas com Dedicação Exclusiva: a carga de trabalho é a mesma do 40 horas sem DE, mas não é permitido a este o acúmulo de qualquer outro emprego ou atividade remunerada contínua.
Na prática o regime de 40 horas sem DE praticamente morreu nas Universidades. A grande maioria hoje é de professores em Dedicação Exclusiva, e em muitos casos de 20 horas.
Mas aí está o problema.
A Dedicação Exclusiva supõe que o professor não tenha nenhuma atividade além da Universidade. Se você ler com atenção o Estatuto do do Funcionalismo Público, vai perceber que qualquer outra atividade remunerada, mesmo que esporádica, fere a legislação. Na prática isso caiu porque as próprias universidades criaram algumas legislações paralelas regulamentando. A própria UFPE criou a sua, anacrônica, é verdade, mas que sinaliza que o professor pode ao menos discutir juridicamente a sua participação em outras atividades.
O principal objetivo da DE é o de criar um grupo majoritário de pessoas comprometidas com a instituição, mas a experiência mostra que isso não funcionou. Ainda não entenderam que muito mais eficiente do que proibir o docente de exercer outra atividade é criar um ambiente acadêmico adequado à prática do exercício do ensino e da pesquisa. Quando fiz meu doutorado na PUC-Rio pude perceber isso. Lá o professor não tem a DE, mas todo mundo acaba trabalhando e passando o dia na Universidade. Lá era possível vivenciar o que o ambiente acadêmico tem de melhor: os debates.
Na prática a Dedicação Exclusiva nas Ifes virou letra morta. A grande maioria dos docentes fere a Dedicação Exclusiva de alguma forma, seja através de palestras remuneradas, em aulas em pós-graduações pagas (na própria universidade) ou em consultorias, etc. Isso tudo é aceito pelos pares. O que não é aceito se restringe a ser professor de graduação de uma outra Ifes. Neste caso diversas punições já foram verificadas.
E quem está errado?

Obviamente a legislação está equivocada. Em muitas áreas é preciso romper a Dedicação Exclusiva porque a prática profissional é essencial para exercer a docência.
A motivação em muitos casos nem seria a questão salarial, que aumenta com a Dedicação Exclusiva (há uma gratificação), mas caso o professor opte por ficar em regime de 20 horas semanais ele fica impedido de participar como membro efetivo da pós-graduação.
Em uma universidade 100% formal no cumprimento do regime, diversas pós-graduações seriam fechadas ou ficariam mancas na sua formação. Teríamos um mestrado em Direito onde os professores nunca advogaram, ou então um Doutorado em administração onde os docentes nunca administraram nem um carrinho de pipoca. Ou ainda um mestrado de engenharia civil com professores que nunca colocaram uma laje sequer.
É preciso entender que em uma universidade temos uma enorme diversidade entre áreas e entre pessoas. Então precisamos dar certa flexibilidade para que as suas unidades optem por seguir o caminho que melhor se adaptem às suas necessidades. O grande erro é pensar que seu microcosmo universitário se adapta para todo o sistema. As necessidades e a realidade de um centro de ciências humanas é completamente diferente de um centro de tecnologia e informática, que é ainda mais diferente de um centro de saúde.
Para piorar, como o salário está ruim (para quem realmente trabalha), a DE ficou completamente contraproducente. Com um salário bruto médio de menos de R$ 8 mil (menos de R$ 6 mil líquidos), ficou impossível para a Universidade exigir 100% de exclusividade dos seus docentes. Pelo menos dos que possuem outras oportunidades.
Isso porque nem falei do excesso de papelada e burocracia que o professor é obrigado a suportar. Dezenas de pareceres inúteis são solicitados a estes todos os anos, sem que nada de produtivo saia daí. Mas isso é assunto para outro post.
Neste sistema irreal, o que aconteceu foi o abandono dos mais competentes da exclusividade do regime da DE. Nisso incluo aqueles que fazem uma ou outra atividade esporádica remunerada (como as aulas remuneradas das pós-graduações).

A parte da Universidade que não sobrevive a meia hora de mercado (e falo mercado a qualquer outro emprego) fica pelos corredores, enfiada nas fofocas e intrigas departamentais. Estes docentes normalmente se escalpelam em busca de uma gratificação nas reitorias. Normalmente são péssimos professores e passam a vida sem publicar nada de relevante.
O resultado disso é a enorme incompetência gerencial que tomou conta das instituições, que inclusive escanteiam seus técnicos-administrativos que teoricamente deveriam ser responsáveis pelas atividades-meio.
O outro efeito colateral disso está nas atividades de coordenação de curso ou nas chefias de departamento, cuja gratificação é ridícula (R$ 700,00 bruto por mês). Via de regra professores recém–contratados assumem estes cargos sem ter a menor condição acadêmica e prestígio necessários para a cobrança de resultado junto aos colegas. Já cheguei a ver no Centro de Artes e Comunicação da UFPE um Chefe de Departamento cujo subordinado era seu orientador de doutorado. No mínimo uma relação conflitante.
Todo este texto era apenas a argumentação necessária de que é preciso flexibilizar o regime de trabalho dos docentes. Não há sentido deixar um professor produtivo e com relevância social de fora das pós-graduações (caso ele vá para 20 horas).
A melhor saída neste caso é deixar o professor alterar seu regime de trabalho de acordo com as necessidades momentâneas. O próprio Governo Federal já sinalizou neste sentido anos atrás.
Em outras palavras e dando um exemplo, caso o docente vá participar de um projeto de 2 anos, que ele possa passar para 40 horas revertendo a DE ao final deste sem ter que pedir favor a ninguém, ou mesmo ter que fazer política junto aos colegas de departamento. Isso é positivo para o ensino e a pesquisa, para a universidade e também para o docente.
Do jeito que está acaba-se partindo para a desmoralização da legislação e ainda se premia a incompetência.
Sem citar nomes, porque são pessoas que trabalham comigo, gostaria de falar de dois casos.
O primeiro é de um professor que declaradamente rompe a DE. Apesar de sua extensa atividade externa, ele não falta a uma aula sequer, é um dos que mais publicam no seu departamento e também é conhecido por dar uma excelente aula. O segundo é um docente que cumpre a DE e anda pelos corredores o tempo todo. Não produz nada e ainda é conhecido como um péssimo professor. Um dos motivos pelos quais é odiado pelos alunos é por suas constantes faltas.
Qual dos dois é melhor para a Universidade?
Não tenho dúvidas em responder que prefiro o primeiro. O resultado do segundo é apenas desagregar e propagar a incompetência.
Muito melhor do que exercer papel de xerife de comportamentos é cobrar resultados.
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Postado em:
É… meu pai adorava ensinar, mas era professor apenas de 20 horas e foi “rifado”, aposentado às pressas. Ainda arranjava estágio aos estudantes de engenharia de minas, em empresas de conhecidos para os que se interessavam. Procurava passar o conhecimento, mas isso não interessava, nos anos Collor, FHC et caterva.
No meu departamento, na UFRN, o professor de 20 horas é um escravo com 03 turmas, mais orientação de TCC, que trabalha mais que boa parte dos DEs, que estão dando aula e fazendo consultorias por aí impunemente e brigando desesperadamente para manter o regime de 20 horas dos colegas para ter a quem explorar…
No post você só esqueceu de colocar os patrocinadores, empresas de professores que estão se lixando p/ universidade que inclusive nada tem produzido, além de fortunas em suas empresas. Vamos citar?
O salário não está ótimo, mas também não está ruim. Está melhor que na Espanha (~5 mil reais), Canadá (~5.500 reais) ou França.
Vamos ao Canadá, citado por você.
Imagina-se um cara de classe média.
Lá ele não paga plano de saúde, tem escola decente para os filhos e ainda opta por ter um carro, já que o sistema de transporte público é decente.
Ah…e lá não existe DE
Pierre, tás esquecendo que em universidades como a Mcgill, ele não precisa gastar com livros nem necessariamente ter uma biblioteca particular que ele precisa dividir com os alunos por que o preços dos livros é proibitivo para estudantes. Tais volumes ficam disponíveis na biblioteca da universidade.
Pois é, Pierre. Enquanto isso, lá vamos nós docentes de IFES ser ludibriados pelo governo
federal mais uma vez! Entre a PROIFES “chapa-branca” e a ANDES perdida, não sabemos nem
ao menos se o governo nos dará aqueles míseros 4% ao final deste mês. Isso para não
mencionar a tão almejada equiparação com a carreira de C&T. Eu não esperava grandes coisas
da Dilma, mas está muito pior do que imaginávamos!
5.500 reais para um professor universitário no Canadá?!
Segue um link com informações sobre os salários dos professores no Canadá: http://www.livingin-canada.com/salaries-full-professors-canada-q.html
Tem que se comparar o salário do Prof. Universitário com o resto do funcionalismo público no Brasil, aí sim é possível dizer se é muito ou pouco (eu acho pouco).
Pela tabela, considerando o mais baixo salario e o 13º como parte do salario anual, R$ 11.370,00 mensal. Nada mal, hein? E sem dedicação exclusiva.
Silvio,
Só se for na Federal de Marte! Eu sou adjunto com DE e recebo menos de R$ 8.000,
com todos os penduricalhos. O que ainda me salva é uma bolsa de produtividade
do CNPq (a astronômica quantia de R$ 1.100). Quem me dera!
Governo do PT, levando o professor para a classe C!
Perdão, Silvio, vc se referia ao salário do Canadá…
Reais ou dólares mesmo?
Querido José Antonio, se o senhor é professor federal foi muito infeliz no seu comentário.
Veja só:
Técnico Previdenciário do INSS, 30 horas com nivél MÉDIO – salário: R$ 4.690,89.
Professor com MESTRADO, 40 horas e DE – salário R$ 4.650,00. Ta bom para você?
Deixemos de comer as migalhas que caem da mesa do nosso “dono”.
Concordo com o texto, mas tenho algumas ressalvas. Do jeito que está, os currículos dos cursos ficam muito pesados de coisas inúteis pro estudante. Isso em parte se deve à inexperiência dos professores no campo profissional.
Estou num intercâmbio estudando numa universidade nos EUA e aqui eu vejo exatamente o oposto. Todos os meus professores, sem exceção, ou trabalham em empresas ou são egressos do mercado de trabalho (alguns, inclusive, trabalharam nas maiores empresas da minha área). A abordagem que eles dão nas aulas é fantástica. Eles conseguem focar os alunos no que realmente interessa de formas brilhantes, mostrando exemplos de como usaram tal conhecimento no trabalho.
Entretanto, receio que, com isso, a pesquisa universitária possa ser prejudicada. Também acho que talvez essa flexibilização faça a profissão do professor universitário parecer somente um ‘bico’, deixando os professores mais descompromissados com o ensino. Mas isso pode ser consertado com algumas medidas de controle nos professores com regime não-DE.
Mas cara, tipo assim, universidade voltada para o mercado é algo tipo assim, extremamente pequeno-burguês, tá ligado? Assim, a universidade tem que formar cidadãos politizados, conscientes do seu papel na sociedade e comprometidos com a justiça social, tá ligado? Para que o trabalhador assuma as rédeas do seu destino com a revolução, se ligou? E tipo já fez sua carteirinha de estudante desse ano, bicho? É 10 reais!
Concordo com o texto, não em relação aos salários, mas referente a pouca ou nenhuma experiência dos docentes na área produtiva que é o mercado de trabalho. Afinal como se pretende preparar um estudante para o mercado sem conhecer bem o mesmo. É preciso também melhorá as cardeiras que se paga na UFPE, pois muitas são apenas pra preencher a carga horária sem nada a acrescentar ao estudante.
Pierre
Já havíamos conversado a respeito e raras vezes vi um texto tão lúcido sobre o assunto. Parabéns.
Acrescentaria que de acordo com as peculiaridades dos cursos, alguns necessitam mais de professores com DE, normalmente pesquisadores mais voltados à própria universidade, e que às vezes passam horas a fio dentro de laboratórios e salas de pesquisa (biólogos e químicos, p. ex.). Outros são mais operacionais e os professores precisam, além da sólida formação acadêmica, ter um pé na prática, no modus operandi de sua profissão. Não dá para aceitar, p. ex., que um Professor de Cirurgia não opere ou que um Professor de Processo Civil não saiba como funciona o trâmite burocrático dos processos nas varas judiciais. Essas necessidades mostram a importância de que Professores de Medicina, Direito, bem como de outros cursos, possam ao lado de suas pesquisas e atuações acadêmicas, atuarem no dia-a-dia de suas profissões (o cirurgião operar, o Professor de Processo advogar etc.), o que só é possível se se admitir que os colegiados de curso decidam em favor do regime de 40h sem DE, após analisarem as carências e necessidades do curso.
Nesse particular, posso dar um depoimento pessoal. Há cerca de dois anos, pleiteei a mudança do meu regime atual (40h com DE) para 40h sem DE e, como era de se esperar, tive apoio unânime dos meus pares do Departamento. Entretanto, a Diretora da Faculdade (Profa. Luciana Grassano), não obstante ter se colocado à disposição para me apoiar e interceder a meu favor no que fosse possível, me desaconselhou a ir adiante com meu pedido, pois embora com a aprovação pelos colegas do curso, a Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) vetaria com veemência meu pedido, posto que lá prevalece a visão monolítica de que na universidade deve preponderar os DEs e o regime que eu pleiteava deveria ser algo absolutamente excepcional. Em virtude disso, desisti (temporariamente ao menos).
O curioso é que, apesar dessa visão, há Professores na FDR que conseguem as 40h sem DE pelo simples fato de exercerem outro cargo público como o de juiz, p. ex. Digo de antemão que não considero isso um privilégio, mas algo justo, pois, só para ficar em um exemplo, há um Professor em meu Depto. (que é 40h sem DE) que, não obstante ser um excelente juiz, estando em sua vara com os processos em dia e sendo famoso pelo seu bom senso e ponderação nos julgamentos, é academicamente mito produtivo e extremamente dedicado ao Curso, orientando muitos alunos em TCCs, mantendo projetos de pesquisa e ainda colaborando com a Pós-Graduação stricto sensu, orientando, dando aulas e participando de bancas. A considerar o raciocínio 20h ou DE, este Professor, tão importante para a Faculdade, ou estaria fora ou reduziria drasticamente sua dedicação, o que seria péssimo para o Curso. Por óbvio que, por mais que goste da academia/docência, quem, em sã consciência, vai deixar um salário de R$ 22 mil brutos por outro de R$ 7 mil brutos?
O que acho errado é que outras pessoas que não exercem cargos públicos, mas gostariam de fazer outras atividades profissionais que possam enriquecer a sua própria atividade docente, não possam fazê-lo. Eu, p. ex., gostaria de advogar, mas o faço muito esporadicamente e de forma não remunerada, exatamente para não ter problemas. Mas sem remuneração, é normal não me sentir estimulado a advogar mais,já que nada me acrescentará financeiramente e, como pai de família, prefiro passar esse tempo com meus filhos.
A decisão sobre o regime de trabalho deveria ser conjunta entre o docente e o seu respectivo Centro/Departamento sem “interferências superiores”, a não ser em casos de absoluta excepcionalidade. É preciso respeitar a diversidade e a autonomia dos cursos para determinarem suas prioridades é algo decisivo para sua qualificação.
Do mesmo modo que não desejo a imposição dos critérios do Curso de Direito a Engenharia Civil, Sociologia, Medicina ou Química, não quero que os profissionais desses cursos imponham seus padrões ao Curso de Direito. Cada um possui sua própria realidade.
É anacrônica ao extremo a obrigatoriedade quase absoluta do regime de DE nas Federais, como se tem visto.
Vocês estão esquecendo a famigerada tabela “professor-equivalente”, que impede que os docentes mudem de regime de acordo com suas necessidades.
Em tempo, se não há rigor em punir atividades remuneradas por docentes DE, os docentes sem DE são apenas docentes com salário menor para fazer a mesma coisa.
De fato, ou extingue-se a DE equiparando-se os atuais salarios dos DE e dos T40, ou aplica-se a letra fria da lei. Como está é uma piada.
–
Comentário rápido: em regiões com pouca atividade econômica, a gratficação DE acaba se tornando atrativa para docentes pouco qualificados ou que não têm outras opções no mercado (ou para aqueles que querem se encostar na moleza do serviço público).
Sou professor T40 sem DE e os comentários até aqui descrevem minha situação: quero mudar para T40 com DE e preciso ficar mendigando, implorando para conseguir a dedicação exclusiva, porque hoje trabalho do mesmo jeito que os demais e ganho 50% menos.
“fica pelos corredores, enfiados nas fofocas e intrigas departamentais e se escalpelam em busca de uma gratificação nas reitorias. Normalmente são péssimos professores e passam a vida sem publicar nada de relevante.”
Conheci vários assim no CCSA.
Tive a chance de freqüentar duas instituições (E sou muito grato a Deus e minha família por isso). Conclui Administração pela UFPE e Direito pela UNICAP.
Já ouvi uma frase que tem uma certa pitada de maldade e verdade. Ao ser dita no curso de Administração da UFPE ela pode causar um grande mal estar… já no curso de Direito da UNICAP é tida como mera piadinha. A frase é
“Quem sabe faz. Quem não sabe ensina.”
Lá na UFPE os professores são altamente titulados. Mas quando questionados sobre onde exercem o que ensinam a resposta normalmente é (já fiz uma pesquisa sobre isso, Publiquei um artigo, entrevistei um executivo, antes de entra no mestrado trabalhei na área etc.). Acredito que experiências como essas são muito validas. Mas falta a vivencia de mercado. Na minha opinião o ideal é conciliar o dois teoria e pratica.
Lá na UNICAP os professores também são altamente titulados. E quando questionados sobre onde exercem o que ensinam a resposta normalmente é (Além de professor sou: Juiz, desembargador, procurador, defensor, advogado atuante, etc.)
Realmente a burocracia e a politicagem estão minando as Universidades publicas. Onde se deveria desenvolver o pensamento e a ciência o que acaba prevalecendo é a intriga e fofoca.
Silvio Meira manda lembranças
A essência da idéia de DE é boa: como o próprio nome diz, essa era para ser uma ferramenta a favor da dedicação única e exclusiva do professor à Universidade, à pesquisa e às aulas. O problema é que a boa e velha malandragem vai existir de um jeito ou de outro em todo canto (quem é servidor, então, tá careca de saber disso…). Sempre vai ter aquele espertalhão que vai viver arrumando um jeitinho (o tal do jeitinho brasileiro, como sempre…) de se livrar dos compromissos, obrigações e responsabilidades.
Se o regime de DE fosse efetivamente levado a sério pelos docentes, seguramente seria ótimo para a comunidade acadêmica, um professor dedicado e focado SOMENTE nos afazeres acadêmicos. É engraçado por que é sempre aquele discurso: quando o cara tem outras atividades fora da Univ. reclama da falta de tempo e energia para se dedicar à Universidade. Quando dão a ele todo o tempo do mundo para se dedicar à universidade, ele diz que está sobrando tempo e não tem o que fazer.
Eu acredito que os professores, em sua maioria, deveriam buscar mais formas de aplicar esse “tempo ocioso” no desenvolvimento de mais projetos relacionados a própria universidade e a seus respectivos cursos.
Concordo totalmente, havendo o cumprimento das obrigações na universidade, qualquer professor deveria gozar de liberdade de complementar suas atividades e seu salário.
Esse post lembra muito o CSSA e o CIN.
Na verdade onde isso ocorre (40 horas) é no CCS e na FDR
Pierre,
independente das possíveis razões lógicas para instituir a DE, é preciso reconhecer que na verdade este foi apenas um instrumento para aumentar a gratificação de professores sem aumentar o salário-base. O Brasil é pródigo nestes artifícios. Recentemente, o que temos visto em relação às reformulações da carreira? Ao invés de recuperar o valor dos salários pagos, criam-se novas categorias superiores com maiores vencimentos. Resultado, eu, por ex., professor há 20 anos que entrou como auxiliar e foi galgando a carreira ao longo dos anos com esforço, mestrado para ser assistente e doutorado para ser adjunto, produção suficiente para mudar de nível, encontro-me, no último estágio (excluindo Titular) da carreira antiga: Adjunto 4 (ainda pleiteando, mas já com direito). Mas não estou mais no último estágio, precisarei de mais 8 anos para chegar lá, se não inventarem mais uma categoria… Em outras palavras, deixa prá lá que aqui é ambiente de respeito.
O Silvio tem toda a razão! O governo cria faixas novas lá em cima, nos deixando cada vez mais longe
do topo. Deveria haver enquadramento conforme a produtividade, não esta ridícula por tempo!
Eu tenho mais produção que muito professor associado, mas tenho que ficar aguardando até chegar
a adjunto IV e poder pleitear a ascensão pra associado. Isto nivela por baixo!
Pierre, entrei no regime de DE há um mês… A vatagem salarial é menor do que o que eu ganhava em outra instituição, de modo que optei pela DE apenas para ter menos trabalho e mais tempo livre para o IF. No ato da entrega da portaria, meu reitor deixou claro que não poderíamos ter vínculos empregatícios, mas deixou em aberto a possibilidade de outras fontes de rendas (como aulas particulares, aulas em especialização, ser sócio de uma empresa (desde que não a presidíssemos)
Se fosse pública mesmo a imensa maioria aqui não precisaria ficar cheios de dedos, anônimo e não vou contra isso para não levar mais tapas do que já tenho levado por não fazer parte da bandalheira, pelo menos até ontem. E coisa que nasce desse jeto, é mais vigarice do que qualquer coisa.Leiam:
[Digo isto porque, com a formação de uma banca examinadora composta por cinco avaliadores capitaneados pelo professor titular do departamento, as possibilidades de burla e ludíbrio se concretizam, a partir do momento em que o responsável pelo processo seletivo, em dócil conluio com um docente da própria universidade em questão e mais um bom conhecido gentilmente convidado por ele, vem a ser onipotente portador dos três votos suficientes para aprovação de seu eleito privilegiado docente de nível superior – fruto da podridão de uma farsa burlesca e ridícula a que, bestificados, aplaudimos por covardia e complacência.]
Celas de aulas I,II e III
http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2011/12/14/celas-de-aula-i-a-fabula-da-educacao-jesuitica/http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/01/03/celas-de-aula-ii-a-parabola-do-ensino-publico/http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/01/17/celas-de-aula-iii-a-farsa-de-uma-identidade-mutilada/
“O resultado disso é a enorme incompetência gerencial que tomou conta das instituições, que inclusive escanteiam seus técnicos-administrativos que teoricamente deveriam ser responsáveis pelas atividades-meio.”
“Muito melhor do que exercer papel de xerife de comportamentos é cobrar resultados. ”
Estas duas frases refletem com muita fidelidade a vida daqueles servidores não docentes que no dia a dia ficam a suportar o despreparo daqueles que foram selecionados para a docência e não para a administração de recursos humanos e materiais.
Se ao menos houvesse um pré-requesito tal como um curso básico preparatório( direito administrativo, gestão de conflitos) para a ocupação de cargos de chefia, muitos dos problemas de recursos humanos na UFPE seriam mitigados.
Dedicação exclusiva não é garantia de dedicação. Apenas que você não vai (teoricamente) fazer outra coisa. Ou seja, conceitualmente, trabalha muito mais a favor do não fazer. Toda exclusividade tem em si a negação, a exclusão, é algo negativo por princípio.
Quando observamos esse requisito já na concessão de bolsas de mestrado e doutorado, podemos ver uma situação ainda mais estranha: doutores que não possuem experiência nem mesmo na docência. Um estudante que segue uma carreira acadêmica, coisa cada vez mais comum, ingressando no mestrado logo após a graduação e sequenciando com o doutorado, chega ao título sem passar pelo mercado (no máximo um estágio na época da graduação) na sua área e sem ensinar (no máximo um estágio docência ou outro no meio do caminho). Estamos dando títulos a doutores que nunca fizeram uma laje ou advogaram uma causa e que assumiram duas ou três turmas de disciplinas eletivas em seus estágios docência. Tem o outro lado dessa moeda: ampliamos a distância entre a formação e o seu retorno à sociedade.
E que tal um ambiente fofoco-acadêmico compartilhado por professores e diretores em regime de DE completamente ociosos por conta de um campus novo sem muitos cursos associados com funcionários terceirizados para coibir as ações de um pequeno grupo de professores compromissados? Essa é a lastimável realidade do IF do qual faço parte.
Olá amigo!
Conheço uma séri de professores com dedicação exclusiva no meu estado (RO) que não cumprem as 40 horas, pois dizem que estão amparados por lei, será que existe alguma lei que os abones para ficar fora de sala e só cumprir 20 horas???