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Depois de quase três meses, nesta segunda-feira as aulas recomeçam na UFPE. Como muitos sabem, o início das aulas foram adiados em função dos problemas ocasionados no Enem, que teve seus resultados postergados por causa da anulação da primeira prova.

Para o professor, o início do semestre letivo é como a passagem do reveillon. Ali começa realmente seu trabalho. Claro que no meu caso começa muito antes, porque sou coordenador do curso, mas mesmo assim o início do semestre é onde conhecemos as pessoas com quem iremos trabalhar.

No meu caso específico, este mês é particularmente importante para decidir se continuo ou não na Coordenação do Curso de Administração. O cargo hoje é ocupado através de eleição entre os professores e alunos do curso, e ainda posso me recandidatar mais uma vez. A eleição deverá ser no fim de março ou começo de abril.

Assumi o curso em abril de 2008, e fiquei preocupado com o quadro que encontrei. Tínhamos metade das turmas de graduação nas mãos de professores substitutos, que somavam 23, muitos deles com até 3 ou 4 turmas. Isso sem falar no estagiário-docente, que muitas vezes assumia o lugar do professor em total descumprimento do objetivo de qualificação dos alunos de mestrado e doutorado.

No começo do segundo semestre, face às dificuldades e ao completo desprezo da graduação por parte significativa dos colegas de UFPE, fiz um desabafo aqui no blog, que repercutiu muito mais do que eu esperava. Mas vendo o apoio incondicional dos alunos, me motivei a trabalhar pela melhoria do curso, e acredito que muito acabou sendo transformado.

Não temos mais estagiários docentes assumindo função de professor (agora ele só acompanha e dá apenas 3 aulas), fizemos cursos de férias nos dois anos, montamos uma secretaria específica para os alunos, saindo da escolaridade geral, que era uma reclamação constante dos alunos, dentre várias outras coisas. Em especial tivemos a felicidade de ver a substituição de professores substitutos por professores efetivos. Agora temos apenas 3 no curso de administração, que realmente estão substituindo professores em licença. A luta pela melhoria na infraestrutura das salas também teve grande efeito.

Mas acho que o mais importante foi o apoio e a mudança de concepção dos colegas de departamento, que contribuíram efetivamente para que o curso de graduação melhorasse. Vários professores estão hoje com a carga horária acima do exigido para que os alunos sejam atendidos da melhor maneira possível.

Mas tudo isso é feito às custas de enorme sacrifício pessoal e desgaste em alguns momentos. Este ano já tenho algumas coisas acertadas, como ser professor visitante na Universidade do Minho (Portugal) durante 30 dias, e tudo isso precisa ser decidido com muita cautela. Até porque o Acerto de Contas hoje consome parte significativa do meu tempo e disposição. E ainda tenho as atividades de pesquisa e de pós-graduação (mestrado/doutorado), com orientandos na área de finanças.

A parte boa é que ainda tem muito espaço para inovação e melhoria na UFPE. A relação com o mercado de trabalho e com as empresas seria com certeza o ponto a ser focado. Os alunos da UFPE que aproveitam as oportunidades que a universidade lhe propiciam acabam se dando muito bem. Para ter uma idéia, conversei com todos os formandos, e estão todos empregados. Os que não estão é porque se preparam para concurso, e isso é uma minoria.

Até a terça ou quarta-feira decidirei definitivamente se me candidato à reeleição, ou se dou a oportunidade a outro colega. Escrevi este post porque muitos me perguntam, principalmente os alunos, e aí seria bom deixar claro os motivos da indefinição.

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PS: esta semana praticamente não escrevi no blog, porque estava como coordenador do curso preparando o início do semestre letivo para receber nossos 1300 estudantes. Para falar a verdade, praticamente nem pude ler os comentários e posts escritos por Bahé e André, mas farei o possível para responder o que tiver direcionado a mim.

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91 comentários para 'A difícil decisão de continuar ou sair da Coordenação'


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