CFCH: um monumento à ditadura e à sociedade fragmentária

mar 23, 2009 by     38 Comentários    Postado em: Educação
Imagem extraída do site http://diretoriohistoriaufpe.blogspot.com/

Imagem extraída do blog do DA de História http://diretoriohistoriaufpe.blogspot.com/

O Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Pernambuco é um prédio com a cara da Ditadura Militar brasileira. No alto de seus 15 andares, distribuem-se 6 departamentos: História, Filosofia, Ciências Sociais, Ciências Políticas, Psicologia, Ciências Geográficas (neste semestre foram inaugurados mais alguns cursos, como Arqueologia, Museologia e Ciências Políticas).

O CFCH foi assim erguido na primeira metade da década de 1970, na transposição dos governos Médici-Geisel, sendo assim denominado em 1974. O prédio é resultado da fusão dos departamentos da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Pernambuco (criada em 1950), e do Instituto de Ciências do Homem, primeiramente denominado de Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

O CFCH é um espigão do qual, lá de cima, até o mar do Recife se vê. A vista do alto do prédio é muito bela. Mas, não foi para proporcionar uma bela vista à comunidade acadêmica que o CFCH foi erguido da forma como foi. Olhemos para o CFCH por outros ângulos. Falemos de outro aspecto, que é um dos efeitos programados da especificidade arquitetônica do CFCH.

Sua disposição vertical, e também sua aparência de “repartição pública”, ambas causam efeitos danosos à sociabilidade do prédio, que mesmo sendo de Ciências Humanas, não existem luigares para boa convivência de humanos de cursos diferentes.

O objetivo da disposição vertical do CFCH, segundo entendo, é fragmentar a convivência multidisciplinar entre alunos e professores de cursos diversos. Cada um no seu andar.

Os primeiros períodos são no 1º andar. Depos do 1º período (ou “tronco comum”) de cada curso, eles vão para seus respectivos andares (separados por elevadores que vivem quebrados). História e Ciências Sociais e mais Psicologia, no turno da manhã, ficam no 2º andar. Filosofia no 3º andar. Ciências Geográficas no 5º e 6º. O curso de Direito se transfere para a FDR, e os demais cursos, cada um para seu centro específico. Isso é assim nas graduações.

Assim, num prédio sem “ambientes de sociabilização” como o CFCH, é danoso para o processo de integração das atividades acadêmicas, e o multidisciplinar, o transdisciplinar, são dissipados socialmente.

Em 2008 criaram um pequeno ambiente no térreo do CFCH, a que deram o carinhoso apelidado de “espaço Durkheim”.

(Atualização do autor – 3 de março de 2011 –> Este espaço chamado Durkheim, agora em 2011, está sendo utilizado para abrigar os materiais de construção da obra interminável da fachada leste do CFCH -  que estava prevista para outubro de 2009 e até agora, março de 2011, ainda está daquele jeitinho, devagar e sempre… e que foi orçada em mais de 776 mil Reais.)

Há anos e anos que está sendo reformada a parte de baixo do prédio, onde, antes, haviam alguns poucos bancos. A fachada externa também está passando por reforma, e como toda reforma de fachada, é apenas uma reforma de fachada.

É crescente a necessidade de interação. E, ela deveria ser proporcionada pelas estruturas acadêmicas, em vez de ser um prêmio aos que se dedicam às atividades extra-curriculares.

Afora o tal “espaço Durkheim”, aos ‘habitantes’ do CFCH restam apenas a parada de ônibus (que agora no ano de 2011 praticamente já não existe mais) e o Bares do Bigode/Cavanhaque/Margarida, para exercerem de fato a integração social que deveria haver no CFCH.

O CFCH é um monumento à preservação da memória da ditadura militar brasileira. os resquícios, mais do  que simples emblemas semióticos, refletem ainda aquelas pretensões iniciais: a compartimentação fragmentária das Ciências Humanas e, principalmente, de seus agentes interdisciplinares.

Contenção de motins, de revoltas e de revoluções ou de qualquer tipo de conluio. Estes eram (são?) outros objetivos daquela arquitetura bisonha. Atualmente isso não faz mais sentido, porque a Universidade inteira passa por uma era de apatia sem fim: durante o mais longo período democrático que vivemos, a UFPE se posiciona boiando sem nenhuma inserção e integração social.

Essas coisas deveriam ser motivo de reflexão em sala de aula, bares, blogs e casas.

________________________

* Post atualizado pelo autor em 3 de março de 2011.

38 Comentários + Add Comentário

  • não sei como só conheci este blog hoje (23/03/09)! e por puro acaso, procurando o e-mail do Secretário de Obras de Jaboatão (Vavá Rufino).

    parabéns pelo blog! já está em meus favoritos!

    quanto ao post sobre o prédio do CFCH, ele é tão feio quanto o prédio do CAC (que abriga o curso de Arquitetura!), só que muito mais opressor: de um lado, as salas de aula; do outro, uma meia-parede com a paisagem da Várzea (parece que ultimamente alguns têm preferido se jogar deste lado!).

    grande abraço!

  • Prezados;
    Gosto muito dos artigos deste blog, percebemos pessoas informadas e participantes políticos de peso e cultura.
    Gostaria apenas de comentar esse recente post.
    Essa abordagem sobre a ditadura militar é pequena, repleta de lugares comuns e quase burra, escapa do alto nível do resto do conteúdo do blog. Até hoje ouvimos os bestiais “companheiros” do governo referindo-se desta maneira ao governo militar. Chega a ser ridículo, pois muito se modificou da história daquela época. As informações que a sua geração recebeu foram distorcidas, como são até hoje, por pessoas de tendências de esquerda que estão nos colégios, repetindo e repetindo sobre o golpe militar e a ditadura. Vamos olhar para frente, lembre-se que do passado são muitas vozes que contam a história e no presente são muito ouvidos que a interpretam. Esse fato leva à desinformação para os menos cuidadosos. atenção para não ficar repetindo também como um éco , por hábito. Tenho certeza que este governo, dito democrático, é uma pústula infectada. Que colocado técnicamente diante dos governos militares perderiam em todos os índices. Hoje subi em uma favela de Copacabana (Pavãozinho). Meu objetivo era dar uma hora de recreação em uma creche. VOCÊ NÃO IMAGINA O QUE É PASSAR POR UM JOVEM ARMADO COM UMA METRALHADORA 9 MM, A 40 METROS DA AVENIDA DO BAIRRO. Ele te olha fixamente e concorda com a sua passagem. Poderia também fazer um outro julgamento e aí você estaria morto!!!
    Ver isso no jornal é uma coisa, sentir na pele é outra. Todas as pessoas passam em silêncio, olho no chão, e um aperto no peito. É muito pior que em Havana. Por favor procure saber mais sobre o passado e olhar mais para o presente, aí sim você vai saber realmente o que é fragmentar uma sociedade. Você vai saber que não existem “espaços para socializar” para um número muito grande de brasileiros que vivem hoje sobre a atual ditadura da corrupção, essa sim detonadora do futuro.
    Atenciosamente
    Marcio E.

  • Acho que o caro Marcio E. está olhando pouco para o passado e está se valendo de informações totalmente deturpadas. As informações que a sua geração recebeu foram distorcidas, como são até hoje, por pessoas de tendências de direita que estão nos colégios, repetindo e repetindo sobre o golpe militar e a ditadura – chamando-a, por exemplo, de ditaBRANDA.

  • A violência no Rio é uma esquizofrenia. Sr. Márcio E., lembre-se que foi durante a ditadura que os “marginais” (aqueles que são postos nestes lugares) subiram os morros.

    Tenho certeza que o tal garoto não iria lhe metralhar pq achou vc feio.

    Quanto ao Post, adorei a “reforma de fachada”, há pelo menos 4 anos ela está “em andamento”… andamento de fachada, para reformar uma fachada, que não é nada mais que uma “reforma de fachada”, fantástica essa consideração. Eu ri.

    Acho que a arquitetura serviu mesmo aos objetivos da ditadura e do isolacionismo, mas o prédio foi concebido para ser o Hospital Universitário, por isso sua cara de “Hospital”.

    Quanto as mazelas do individualismo contemporâneo, e sua expressão na universidade, só posso lamentar. Sou um ativo vivenciador do campus e vejo que a maioria, grande maioria, das pessoas “passam” pela universidade sem vive-la… somente “passam”, alguns até fazem supostos amigos, mas como dito pelo André, não dura uma meia década.

    Por outro lado, existem pessoas que pensam diferente, e que constroem outros tipos de relações. Me orgulho de ter feito os amigos que fiz na universidade, já se vão seus 6 anos e ao que parece, é pra vida toda. É uma pena que todas as pessoas não possam experimentar esses tipos de relações.

  • Os absurdos promovidos pela ditadura militar que se instalou no Brasil, entre 1964 e 1985 estão para além de visões esquerdistas ou direitistas.

    Em muitos aspectos, a ditadura agiu segundo o que se considera ideário esquerdista, a exemplo das tentativas de um capitalismo de estado. Em outros, agiu segundo um corporativismo fascista. E em outros, ainda, agiu segundo uma lógica de preservação, em que eram possíveis quaisquer meios.

    Muitos desses absurdos consistiram na reiterada negação da legalidade que a própria ditadura dizia obedecer. As torturas e outras infrações às liberdades de locomoção e à integridade física são exemplo das ilegalidades de estado.

    As modificações operadas nos cursos superiores inserem-se nitidamente nas ações visando a auto preservação. Convinha fragmentar a formação universitária, como forma de fragmentar a articulação de resistencias e contraposições.

    E isso foi muito eficaz. O exemplo da transição ocorrida em 1985 é fortíssimo. A transição foi comandada por gente forjada no sistema que teoricamente era superado.

    O centrão é o Brasil perfeito e acabado, um retrato nítido das concertações políticas, em que mudam aparências e mantêm-se substâncias.

    O governo atual dá exemplos de adesão ao modelo. A famosa e propalada governabilidade é a senha da concertação. Reedita-se o centrão.

    Essa tolerância, cultivada no seio das classes dirigentes, é o exemplo de que se deve tentar a impunidade e de que se deve agir com violência. Afinal, impunidade e violência são exemplos fornecidos pelo estado e por aqueles que dele sempre se apropriaram.

    Dá-se o exemplo e depois acha-se ruim que as massas o sigam. O patrimonialismo brasileiro sempre deixou claro que escravo é bem, pode apanhar. Empregado subalterno é sub-espécie humana e social. Pode sempre ser o primeiro suspeito de qualquer crime e apanhar para confessar qualquer coisa.

    Queríamos que o exemplo não frutificasse? Que não se desejasse a igualdade na iniquidade?

    Abordar o passado não é proibido. Devia ser feito e estimulado.

    Parabéns, André, pelo texto e escolha do assunto.

  • O blog está excelente, parabéns! Estudei no CFSH durante meu primeiro período e devo dizer que aquele prédio tem uma arquitetura bastante opressora e arcaica, e que essa reforma é como dizem “de rosca”. Adorei quando é dito: até criaram um pequeno ambiente, carinhosamente apelidado de “espaço Durkheim”, onde corre-se o risco de cair alguma coisa lá de cima, na cabeça do indivíduo. No meu primeiro período minha sala ficava justamente de frente para esse “espaço Durkheim” no primeiro andar, e não é que caiu uma coisa lá de cima. Um pouco antes minha amiga encontrava-se no local onde caiu o “objeto não identificado”. Ainda bem que não caiu na cabeça dela, mas poderia ter caído. O que é interessante é que ninguém considera essa hipótese e toma uma atitude significativa. Recentemente a menos de um mês atrás caiu outro. Apenas aproveitando a deixa para deixar minha incredulidade com a falta de atitude com relação a esse fato.

  • Este tal de Marcio E. vive em qual mundo?
    Ultimamente tem aparecido por aqui umas assombrações …

  • Realmente, o CFCH tem o jeitão da Ditadura Militar. Além deste aspecto simbólico, o CFCH ainda tem outros problemas: é feio, suas dependências são pessimamente distribuídas e a sua manutenção também não é nenhum primor. Cursei o mestrado em História lá e ainda me irrito ao lembrar daqueles elevadores tenebrosos e normalmente defeituosos.

    Mas faço apenas um acréscimo: se a arquitetura da ditadura viabilizou um prédio onde a comunicação e a integração são prejudicadas – o que importantes para o isolamento e o controle -, hoje, em plena democracia, o CFCH ainda está longe de ser um espaço de interação com a sociedade. Creio que há muito academicismo estanque no CFCH, reforçando a idéia de que a universidade muitas vezes desponta como um glorioso castelo de cristal alheio à sociedade ao seu redor.

  • Vocês estão procurando chifre na cabeça de cavalo… O CFCH é somente um prédio. Herança da ditadura ou não, devemos dar graças a Deus que ele ainda está lá, e de pé.

  • Concordo com um amigo que se formou em sociologia: O CFCH é um legitimo representante da arquitetura soviética. Me formei no CAC e posso dizer que lá é o contrário: a horizontalidade favorece totalmente a integração dos alunos. Todos os corredores se conectam, o que “força” o convívio dos estudantes.

  • Não considero obra da ditadura, e sim da burrice humana mesmo. Como disse uma vez o velho professor de História Antiga, Cerqueira, até um famoso General da Ditadura se perguntou na inauguração do prédio o porquê de ele ter sido construído verticalmente.

    espaço Durkheim? nunca ouvi ng falar, jaz o famoso puxadinho.

  • Gente é claro que a arquitetura tem uma função social e pode tanto facilitar como impedir encontros e socializações. Qualidades do espaço como profundidade (quanto mais distante do acesso) e segregação (quanto mais dificil de acessar) servem para separar funções, hierarquizar poderes e claro em edificio educacional como este garantir o controle.
    Mas nada disso me incomoda no CFCH, sinceramente o CAC é igualmente terrível. O que me realmente me incomoda é o fato do edificio ter se tornado meca dos suicidas da cidade e nenhuma ação ter sido tomada pela UFPE para evitar tais acontecimentos. Na verdade o que impera é a lei do silencio… abafar as noticias e fingir que tudo está bem.
    Voces sabem quantas pessoas ja se suicidaram do CFCH? só em 2009 foram dois suicidios e duas tentativas.
    Porque Dulce fala em pacotes? é gente mesmo se atirando la de cima Dulce… alguns alunos.
    O fato demonstra um enorme despreparo em tratar questoes delicadas, revela a deconsideração do trauma que provoca nos alunos.
    Parece que o que interessa realmente é a fachada..

  • O absurdo de dinheiro gasto e a falta de calor humano , o tornou o lugar de suicidios preferidos e me parece que ,não consegue se evitar que tenha mais e futuros suicidios!!!!!

    Arquitetura faraonica como a do parque dona lindu, vamos gastar que nem o CREA, VAI QUESTIONAR!!!!!!!

  • Fred, tu e todos q cultuam tua ideologia, vão-tes! Esqueçam a questão suicídio, o que André fala está além disso! Muito além!!!

    Leiam sobre os suicídios na década de 20, eram em muito maior número no Recife! É só estudarem um pouco de história !!!!

    Parabéns pelo assunto e pela abordagem! Muito bom!

  • É fácil falar do Márcio E sem ter que passar o que os cariocas passam.
    Alguém já deu uma resposta convinvente sobre o porquê da violência ter se instalado em Recife e no Rio de Janeiro, após o fim da Ditadura?
    Por que não vemos essa violência toda em Salvador e Fortaleza, por exemplo?

  • Prezado Marcio E, minha solidariedade a você.
    Agora o povo tem que fazer uma forcinha, segundo turno de Gabeira e Eduardo Paes é brincadeira…
    E um governador desses… francamente…

  • Faz até graça esse comentário de “Joel marins”!

    Como se os bolsões de pobreza no RJ e Recife não fossem um dos resultados bizarros da Ditadura Militar!

    Faz-nos graça, Srs.!!!!

  • Esta construção é morbida, e nem pode ser demolida, para mim deveria ser!!!!
    Conheço bem, tenho parentes que trabalharam neste predio sem lei e sempre sem dinheiro!!!!

    O maior problema é a falta de segurança e guardas suficientes e a ociosidade do predio, desde a sua fundação!!!!!

    Culpa da reitoria e da prefeitura do campus. que não se dispoe de resolver esta situação de suicidios!!!!!

    ELEFANTE BRANCO SEMPRE FOI, NUNCA SE ACHOU A RAZAO DE SUA EXISTENCIA E CONSTRUÇÃO!!!

  • Fred, Fred, delete a questão dos suicídios, vc pode pensar um pouco mais! Será que pouquíssimos mesmo vão entender o texto! Cansei da minha insistencia!

  • Sergio, este problema existe, e no fundo, o autor gostaria de falar neste problema diretamente, mas ele trabalha ou o colega de blog , trabalha na UFPE, e resolvi falar!!!!

    Sergio, não queira desviar o peso desta questão!!!

    Agora demolir, quase impossivel, poderia ser alugado, para terceiros!!!

  • Um cravo bem-temperado

    não só o CFCH, mas toda a Universidade,
    não há mais espaço para a dúvida,
    é uma “ode” aos deuses da cegueira.
    cada verso no seu devido lugar
    metrificando, consolidando posições…
    operando na óbvia manutenção de um oco,
    aniquilando o desejo da mudança.
    é satisfazer-se com pouco, muito pouco.
    lembra-me por ditadura, a escala diatônica.

    deve-se muito, muito e muito mesmo agora, agora, agora mesmo
    implodir essa melodia fatigada
    que conforta ouvidos paridos das ditaduras
    cheirando a presunção e exalando ignorância.

    não, eu não sou músico.

  • Caro Andre

    Sua análise está um tanto superficial. O projeto de isolamento dos cursos no planejamento do campus, que é da época da linha dura, envolve a disposição de todos os centros. O CFCH é apenas uma parte.

    Não há qualquer problema em você ter prédios em universidades, e a arquitetura do mesmo não é tão diferente de outros prédios daquela época, com muito espaço de circulação e ambiente demasiado espaçosos.

    Se você expandir e ver o campus como um todo, no entanto, perceba que cada área ficou fisicamente isolada no projeto original. As únicas áreas de convivência destes grupos foram posicionadas distantes de todos os centros, a Biblioteca Central e, particularmente, o restaurante universitário. Observe também que no projeto original cada centro dispunha de acessos próprios para as avenidas que circundam o campus, o que reduzia ainda mais a convivência entre os diferentes grupos.

    Logo, perto do projeto do próprio campus, os elevadores que separam os andares do CFHC são café pequeno.

  • Caro Fernando Dias,

    Suas informações são valiosas.

    Como diria Deleuze “A superfície é profunda para os lados.” No caso do CFCH, além dos lados, é profunda pra cima.

    Como especifiquei no título do post, não pretendi avaliar toda a disposição do campus, apenas do CFCH – que foi o prédio em que estudei e ainda frequento bastante. Mas, é salutar falar sobre o campus inteiro.

    O CTG também tem uma disposição semelhante ao CFCH, e também tem acesso próprio à rua.

    Vamos observar um pouco do Centro de Artes e Comunicação também.

    Quando criaram o CAC, em 1976 (se não me engano), foi com o objetivo de substituir a Escola de Belas Artes do Recife – o que considero uma grande perda, já que no CAC a maior parte dos cursos são voltados à formação meramente técnica, o que, no meu pensamento, significa dizer que poderia ser extinto, e mantidos apenas os cursos de Letras, Música e Arquitetura – já que Artes Plásticas é apenas voltado para Licenciatura, e de Comunicação, acredito que apenas as pós-graduações merecem atenção.

    Inclusive, é bom que se diga que o curso de Plásticas precisa urgente de uma formação voltada para o Bacharelado.

    Mas, seja como for, agradeço por acrescentar as informações que você colocou sobre o “projeto original do campus”. São preciosas, e ajudam nas reflexões.

    Abraço!

  • André, apesar de eu também desgostar do prédio do CFCH, lembro que ali, pelo menos há uma integração mínima, já que forma-se uma espécie de praça (utilizada como estacionamento) junto com o Centro de Educação e CAC. E lembrando que antigamente, o básico ficava do outro lado da rua, onde tempos depois foi o bar da UNE.

    O CCEN que é um prédio horizontal, se duvidar afasta mais que o próprio CFCH e olhe que o departamento de física e o de matemática compartilham um longo corredor.

    O que separam os cursos (alunos e professores incluídos) não são os prédios em si, mas a ausência de uma área comum de convivência. Neste aspecto, o CAC é mais agregador, pois todo mundo entra pelo mesmo hall, em que há um bom espaço, freqüentemente ocupado por algum tipo de atividade, o que não acontece em outros centros.

  • Márcio,

    Essa espécie de “praça” que você fala está inutilizada há anos por uma reforma da fachada, que não acaba nunca. Acho q desde 2002-2003.

    É o estacionamento. Acredito que deveria ser fechado (já que tem um grande terreno na frente com a mesma função, embora seja totalmente desordenado, além de outro terreno entre o CE-CFCH-Várzea, com possibilidade de ter o mesmo fim), e depois de fechado, ser projetado ali um grande espaço integrador entre CAC-CFCH-CE.

    Uma grande praça de verdade, não um estacionamento, como o uso o faz. Também existe um grande espaço inutilizado na parte de trás do CFCH, que liga com a parada de ônibus.

    Tudo aquilo poderia ser planejado para se tornar grandes centros de convivência. É só os responsáveis pelo lugar pensarem um pouco e se mobilizarem para isso.

    Mas, acho que essa mobilização terá de partir dos estudantes (inclusive, hj é o “dia do estudante”), e vou entrar em contato com o pessoal dos DAs do CFCH (também vou conversar com o presidente do DCE, e com o pessoal do DA de Pedagogia) pra dar a ideia e articular a proposta, pra ver se mudamos essa coisa.

    É inclusive mais factível, neste momento, do que sugerir a implosão do CFCH…

    Abraço!

  • acabei de saber que as telas de arame foram providenciadas, e estão esperando pela licitação da reitoria.

    Valor: 25.000,00

    • Telas de arame são tão fáceis de ser cortadas.. :S

  • André,
    Quanto à arquitetura do CFCH, infelizmente estás coberto de razão; só não sei se foi obra da ditadura ou da arrogância do arquiteto. Que me perdoem os arquitetos, mas essa turma não é fácil de lidar.

    Já no que se refere ao isolamento intelectual na área de humanas, creio que faltaou um detalhe importante: a vaidade do conhecimento. E na UFPE esta vaidade impera absoluta, principalmente na área de humanas. O departamentalismo tomou conta da academia há muito tempo, não sei se começou na ditadura, mas sei que já estamos em democracia há vinte anos e o que vemos? As sumidades cada vez mais isoladas nos seus mundinhos de conhecimento. E agora o autofagismo está completo, pois todos são inimigos que se degladiam pelos financiamentos do CNPq. O que eles esperam para romper o isolamento? Outra ditadura que lhes diga o que fazer?

  • ui!

  • Derrubar o CFCH???
    Pelo amor de Deus, André, que idéia absurda!
    A consciência política se dá através da mudança do pensamento e não da estrutura física, porque, ao que se sabe, houve revolução política até dentro dos Doi-Codis, embaixo do nariz dos milicos…

  • Sr Gibram, fica evidente o seu costume de repetir, provavelmente por causa das repetições que ouviu na escola. O sr. conseguiu repetir a minha mensagem. Que tal criar algo…tente é facil desde que se tenha idéias e conclusões próprias.. fuja do eco…articule idéias…corra do sarcasmo reles.
    Márcio E.

    Para mensagem sobre o título OBRIGATÓRIO, eu espero, sinceramente, que quando o tráfico chegar ao quarteirão onde mora o missivista, o garoto armado com a 9 milímitros não esteja drogado e não o julgue ‘feio” para que ele não o metralhe.
    Talvez um pouco mais de empatia com os brasileiros que hoje são escravos do tráfico fosse até uma caridade. Quem tem um “umbigo” gigantesco como o seu só tem vistas para seu próprio umbigo. Quando os bandidos chegarem em você ou nos seus você não terá onde reclamar. Assim já estão vários bairros do Rio. Achar que a ditadura foi quem criou a violência é repetir , como um eco, sem raciocinar sem conhecer a história e, ainda, se achar dono de conhecimentos…
    pobre do Brasil…é culpa de brasileiros desproteinados traficantes ou não.
    Márcio

  • Caro André

    Voltando ao projeto original do Campus, em todos os prédio haviam dois estacionamentos, sendo geralmente um voltado para a área interna reservado aos professores e outro voltado a área externa reservado aos alunos.

    O que vocês estão chamando de praça na verdade era o estacionamento dos professores, e a área que ficou isolada e dá para a Hélio Ramos era o estacionamento dos alunos. A única área de convivência era o térreo, que era originalmente aberto e tinha uns banquinhos aqui e acolá

  • Márcio, voltou novamente para soltar bulhufas?

    moro no subúrbio meu caro, o tráfico, as favelas, a polícia e a opressão policial são as constantes daqui.

    se eu me acho dono de conhecimentos, não quero nem imaginar em que ponto falas.

    Pensando melhor, adoraria que ele lhe metralhasse, seria um bem.

  • Arthemisia, voce é f…!

    Voce e amanda, tenho que reverenciar!

  • Obrigatório
    Sim, eu sei que você gostaria que atirassem em mim. Esta é resposta certa para o despreparo em debater um assunto- violência.
    Você sim, como um ditador (ou traficante) arrazaria o pensamento oposto ao seu.
    Não vou ler mais nada abaixo do seu “nome” pois só lhe resta o insulto, algo me diz que nisso você tem maestria…

  • Impressionante. Você conseguiu escrever quase tudo que eu penso do CFCH. Mais impressionante: tantas coisas que poderiam ser discutidas nessa postagem e alguns se perdem. Coisas que acontecem na ausência da multidisciplinaridade, infelizmente. Parabéns.

  • Concordo com tudo o que o artigo diz. Tocaram num ponto que eu precisava de um encalço pra pensar.

    Arquitetura isolacionista de um lado. Ensino bancário e pouco permissível ao debate de outro. Esse é o nosso centro reservado às ciências humanas!

    Quem não veio ao curso com seu diferencial próprio está fadado a desistir do curso ou a se tornar apenas mais um na massa, que não vai conseguir fazer a diferença profissionalmente.

  • o texto (de andré) trás de volta um bocado das recordações do cfch (ou a nau dos loucos, como o chamamos por algum tempo), e entre elas o desejo de derrubá-lo. na falta de espaços de socialização, forçava-mos algum, como o oitavo andar, os parapeitos em dia de lua (que doideira!), o espaço do D.A. (que pouco tinha haver com atividades acadêmicas) para uma partidinha de uno ou dominó, etc. a disposição de alguns para desenvolverem estratégias de convivio não anula a disposição do prédio para dificultá-la. tem que derrubar, e sem xororô. parabéns, andré!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).