coisas da ufpe

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A UFPE se expandiu muito nos últimos anos. Diversos cursos aumentaram suas vagas, cursos novos foram abertos com o Reuni, mas velhas aberrações são cometidas sem que nada mude ao longo do tempo.

Vejamos o caso da UFPE. A Universidade está contratando professores, que na sua maioria não custam pouco aos cofres públicos. Um professor com doutorado, que é o padrão aceitável de uma universidade que pretende ter um bom nível de qualidade.

O salário bruto médio para um professor com doutorado, em dedicação exclusiva, é de uns R$ 7 mil. Aí contrata-se o professor, arrumam uma sala para ele trabalhar, receber os alunos, e aí vem a surpresa.

O professor contratado não recebe nem um computador. Se ele quiser, vai ter que comprar com o dinheiro dele.

A UFPE abre a possibilidade do professor “ganhar” um computador, em um edital anual. Aí o professor encaminha um projeto de pesquisa, que vai ser analisado.

Veja bem…..envia um projeto de pesquisa, para se ganhar um mísero computador, como se para preparar uma aula não fosse preciso um computador. A não ser que o professor resolva, por exemplo, escrever uma prova para os alunos de próprio punho e xerocar. 

O pior é que não tem computador para todos os professores que encaminham o tal projeto de pesquisa, que ninguém posteriormente fiscaliza, para saber se o professor realmente estava pesquisando.

Na verdade está apenas inventando mais burocracia, tomando mais tempo de trabalho do professor, para ele receber um instrumento de trabalho.

Imagine se um banco contratasse um gerente, e quando este chegasse à agência, fosse informado que teria que pagar pelo birô e pelo computador que iria usar.

Com pouco mais de R$ 1 mil se compra um computador e uma impressora. Com no máximo 20% do salário de um mês do professor, a instituição dá a ele o mínimo para começar a trabalhar.

Ao invés disso é preferível inventar mais um edital, mobilizar tempo inútil de trabalho, apenas para oferecer aquilo que deveria ser obrigação.

Um colega enviou o projeto solicitado pelo edital, e foi recusado. O mesmo projeto foi enviado ao CNPQ 6 meses depois e foi aceito. O projeto tinha qualidade para receber recursos do CNPQ, mas não para ganhar um computador para começar a trabalhar.

Por exemplo, na minha sala, quando voltei do doutorado, todos os móveis e o computador tiveram que ser pagos co o meu salário. Para piorar ainda entrou um gaiato da reitoria e “tombou” os móveis que foram comprados com meu dinheiro. 

Isso em tempos onde até o professor do Estado, que sempre foi um injustiçado por natureza, ganha um notebook para trabalhar.

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