O voto de Henry que derrubou as cotas raciais no Fies

ago 17, 2012 by     52 Comentários    Postado em: Educação

Dia desses conversava com Raul Henry sobre as cotas raciais, e sobre a possível aprovação da Lei pelo Congresso (naquele momento ainda não havia sido aprovada), e os seus impactos.

Dizia a ele que as políticas afirmativas se mostraram eficazes em alguns países no século passado, em especial os Estados Unidos.

Apesar de ser favorável à discussão, não concordo com a acusação de que ser contra as cotas raciais é racismo. O direito à opinião e ao debate deve ser facultado livremente.

Também não concordo com o coitadismo que permeia esta questão. Acredito muito mais nas cotas como sendo algo eficaz na redução de desigualdades do que qualquer outra coisa. Acho que realmente pode mudar a face da sociedade brasileira se for bem aplicada, embora reconheça que a atual universidade não reúne condições mínimas de assistir a estes jovens, que precisam de todo apoio para estudar.

Aliás, já falei da minha posição aqui no blog. E ontem publicamos um belo artigo de Anderson Rodrigo sobre o assunto, defendendo a aplicação da política afirmativa.

Voltando…Raul me contou do episódio onde foi relator do Projeto de Lei que alterava o FIES, colocando cotas raciais na distribuição do financiamento.

Sua argumentação acabou prevalecendo, derrubando a alteração, com apenas um voto contrário. Mesmo com o Governo sendo favorável.

Sua posição se coloca em uma linha tênue que deve ser observada.

Me disse Raul:

- Pierre, um dos grandes preconceitos que podemos verificar é contra o nordestino. Imagine um nordestino pobre, em uma favela de São Paulo, sendo vizinho de um negro pobre. Como dizer a ele que a política pública chegou na casa do vizinho, mas não chegou à dele, que foi igualmente discriminado a vida toda?

O debate ainda vai dar muito o que falar, mas vale a pena discutir.

Consegui levantar o voto dele, e acho que vale a pena acompanhar.

VOTO DO RELATOR
Há no Brasil um debate recente sobre a implantação de políticas de cotas raciais como critério de acesso às universidades federais. O projeto de lei em epígrafe, que dispõe sobre o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES) para atribuir prioridade absoluta aos alunos afrodescendentes e ameríndios, se enquadra nessa discussão.

Os defensores dessas teses argumentam que é necessário reparar as injustiças históricas causadas pela escravidão, que geraram no Brasil uma sociedade profundamente desigual, sendo os negros sua principal vítima.

O Brasil é realmente um país injusto. A distribuição da renda, medida pelo indicador de Gini, coloca o país entre as dez nações de maior desigualdade social do mundo. As causas dessa realidade perversa são várias: A colonização baseada na expropriação das riquezas nacionais, o absoluto descaso com uma educação pública e universal e, sem nenhuma dúvida, o regime de escravidão que foi o último a ser abolido entre todos os países ocidentais.
No entanto, sobre esse tema, em que pese a boa intenção do Autor, devemos considerar os seguintes argumentos contrários aos apresentados em sua proposição:

1. Reparar essas enormes injustiças históricas exige, sim, políticas afirmativas e compensatórias. Mas elas devem ser extensivas a todos os pobres. Todos eles, sem exceção, sofrem as conseqüências da falta de oportunidades, da exclusão e da pobreza. Não é aceitável, portanto, na hora de implantar essas políticas, separá-los pela cor de sua pele. Uma pergunta poderia sintetizar esse raciocínio: Qual a diferença entre uma criança branca pobre e uma criança negra pobre, que sejam vizinhas em qualquer favela do país?

2. A escravidão é uma cicatriz que não pode ser negada. E sua maior conseqüência é que os negros são as maiores vítimas do fenômeno da desigualdade no país. Eles estão em maior proporção entre os mais pobres. Segundo dados do IBGE, a proporção de negros e pardos entre os mais pobres é de 70%. Se o que se defende aqui são políticas afirmativas para os mais pobres, evidentemente, a população negra será a mais contemplada por essas políticas. Por que vamos excluir os outros 30%?

3. A sociedade brasileira é, como já foi afirmado, uma sociedade injusta. Mas ela construiu um patrimônio único: o Brasil é, indiscutivelmente, a nação mais misturada do mundo. Um verdadeiro caldeirão de riqueza étnica e cultural. Quem olhar no rosto do povo brasileiro vai enxergar todas as fisionomias e cores. Nenhum outro povo construiu tamanho legado. Não é correto tentar separar artificialmente o que naturalmente se misturou.

4. Os mais recentes estudos sobre o código genético mostram, com toda clareza, que é impossível definir raças sob o ponto de vista científico. Esses conceitos, que já tiveram no passado algum acolhimento na discussão científica, estão, mais do que nunca, ultrapassados e vencidos. Tome-se, por exemplo, o caso dos gêmeos univitelinos e idênticos, da Universidade de Brasília: um foi aceito pelo sistema de cotas e o outro foi rejeitado pelo mesmo sistema, de acordo com o julgamento do tribunal racial da instituição. Essas evidências levam à seguinte conclusão: todos nós pertencemos a uma única raça. A raça humana.

5. Não é admissível, depois dos desastres históricos vividos por nações que adotaram o critério racial para orientar a ação do Estado, um retrocesso a esses mesmos valores e critérios. Aceitar essas idéias é, por definição, aceitar um Estado baseado em uma ordem jurídica racista, a ser operada por tribunais raciais, instituições cujo destino deve ser o lixo da história.

6. Alguns apresentam a experiência americana como um caso de sucesso das políticas afirmativas das cotas raciais. No entanto, nada é tão diferente como a formação da sociedade brasileira e a formação da sociedade americana, sob o ponto de vista étnico. Os Estados Unidos têm uma história marcada pelo ódio racial. Empreenderam uma guerra civil sangrenta, com aproximadamente 600 mil mortos, motivada pelo tema da escravidão. E apesar do final da guerra, os ressentimentos permaneceram e continuaram a se expressar em violências freqüentes contra os negros, até a década de 1970. No Brasil, a miscigenação foi uma das principais características da formação da nacionalidade, desde os primórdios da colonização portuguesa. E essa é a maior riqueza da nossa florescente civilização tropical, preconizada e exaltada por Darcy Ribeiro e Gilberto Freyre.

7. Alguns também afirmam, com razão, que existe preconceito racial no Brasil. Mas para combater o preconceito, o instrumento adequado não é uma lei racial. Esse caminho pode gerar mais preconceito e fragmentação. Para enfrentar o preconceito, a solução é mais educação pública de qualidade, mais aprimoramento das instituições democráticas e mais ativismo da cidadania.

O Brasil tem uma agenda de grandes desafios pela frente: melhorar a educação básica e o sistema público de saúde, combater a violência nos grandes centros urbanos, aprimorar legislação do trabalho e o sistema tributário, investir em infra-estrutura social e econômica, e proteger seu imenso patrimônio ambiental, entre outros. O tema das cotas raciais não se incorpora a esse conjunto por ser inadequado, divisionista e ultrapassado.

Diante do exposto, votamos pela rejeição do PL 6.630/2002.
Sala da Comissão, em de novembro de 2011.
Deputado RAUL HENRY
Relator

52 Comentários + Add Comentário

  • relutante em fazer um elogio a Raul, faço-o a contra gosto. Pronto.

    • Educação de qualidade e reforma tributária já, para uma divisão mais justa do bolo.

  • muito boa a justificativa do raul, se o governo aprovar essa lei ele esta contribuindo para o aumento do racismo no Brasil, por que como foi dito por ele a questão das cotas deve existir não concordo com os 50%, mas devem existir apenas para aqueles que provem que estudaram em escola pública. A questão da dificuldade ao ensino de qualidade nada tem haver com a questão racial.

    tenho dito.

  • Argumento pobre esse de Raul sobre cotas raciais, negros e nordestinos. Da forma como ele pensa, cada forma de discriminação vai ser cotizada, então o sertanense que é discriminado pelo recifense terá direito a algum tipo de cota, o baiano por discriminar o pernambucano vai dar a este o direito a cotas. Ridículo!!! Cotas raciais não são a perfeição, pois esta sequer existe, mas são uma forma de diminuir desigualdades e fazer a nação pensar em soluções para uma camada da população que é discriminada dia a dia, pois quem é negro sofre com o preconceito a todo instante, tendo se impor perante os demais para não ser posto ainda mais para trás. Quem é branco tem enorme dificuldade de entender isso, pois não sofre a violência do preconceito racial. Se você for um negro rico, médico ou ministro do STF, todos sempre irão te discriminar dizendo: aquele ministro negão, aquele médico negão, etc. São formas de preconceito, pouco importando a entonação de quem fala. Ainda teremos muito a caminha e diminir desigualdades e a utilização de cotas é apenas um instrumento para isso.

    • Adriano antes de comentar faça o favor de ler o artigo inteiro coisa que parece que não fez e acabou escrevendo um grande disparate!

    • Vc certamente não entendeu o que leu, mas ninguém aqui vai traduzir pra vc… Faça como o colega disse, releia e veja por si só o equívoco que cometeu…

  • Post e comentários refletem a sociedade do Brasil. Se o negro é pobre, ele é negro. Se o negro é rico, ele é branco. A cota é uma reparação social para um povo que foi prejudicado por toda a vida, ponto.

    Pierre, porque o abafa do último CQC? Todos os candidatos a prefeito se deram mal, incluindo o seu preferido que parecia um aprendiz de político na alfabetização. Você está cada vez mais partidarizado e isso é vergonhoso. Foi-se o tempo que esse blog publicava matérias apartidárias como um todo. Parece que você faz questão de abafar as coisas. Aos poucos você está transformando o blog em seu mundinho imaginário e vitrine de satisfação para um ego ferido. Só resta pensar isso. Talvez você não queira perder amizades e deixar de comentar com os leitores do blog sobre suas conversas com vereadores, deputados e tal.

    • Luiz Henrique, olha só … sou leitor do Blog, sempre que posso venho dar minha espiada por aqui.

      Pierre já o vi algumas vezes, não sou amigo nem colega dele, Marco Bahe nunca o vi, mas se o Blog é deles dois eles publicam o que quiser por aqui.

      Eles não são obrigados a replicar aqui o que o Jamildo publicou no blog dele sobre o CQC.

      • Acho o seguinte, à partir do momento que o cara consegue uma certa fatia de influência em um determinado espaço, ele tem por respeito aos leitores que ser mais claro quanto ao que eles fazem ou deixam de fazer.

        Soube do CQC por um amigo, não pelo Jamildo. Espero que o AC não vire um Blog do Magno da vida, que jajá cai pro lado de tão inclinado que está.

        • Luis Henrique tem razão.

          O blog conquistou respeito e admiração pro ser crítico.
          De repente se descobre que tava fazendo campanha pra Henry e um mes depois vem um post do Pierre
          fazendo propaganda do deputado.

          Pierre tem meu respeito e pode trabalhar para quem quer que seja, pois me parece uma pessoa honesta. Agota, usar o blog aqui para fazer proselitismo é danao. Claro, que o blog é dele mas o perfil do blog não era essa.

          Desde que ele se declarou apoaindo Raul que o blog não critica mais ninguem do governo. Eduardo Campos tem sido colocado na berlinda pela midia do sul – já que aqui tá tudo censurado – e nao sai um comentário, uma notícia, um tema da campanha municipal.

          O blog tá trazendo temas pouco interessantes e a eleição munciipal não tem destaque algum.

          Se o Joao da Costa fosse o candidato do PT esse espaço tava metendo o pau no rapaz – que diga-se merece as criticas.

          Se o blog tá apoiando Geraldo Julio que vena a público e diga, Melhor do que fazer campanha subliminar ou se abster dela.

    • Meu Filho
      No dia em que entrevista do CQC servir de base para decisão de candidato a Prefeito, me mudo de país.

      • Ta na hora de ir embora então. Tem gente que escolhe o candidato por MUITO MENOS do que uma entrevista do CQC. Belo argumento contra uma acusação pesada….

  • A diferença entre o pobre branco e o pobre negro é que a pobreza do negro é resultado de séculos de ação deliberada do Estado e da sociedade.

    Durante no mínimo três séculos, o negro foi escravizado, tratado como coisa, como mercadoria. Quando finalmente a escravidão acabou (último país do mundo…..), o negro foi jogado na rua sem nenhum direito, sem educação, sem nada. O debate era sobre como indenizar os senhores de escravos, nunca sobre como incluir a população negra na sociedade.

    Nem trabalhar eles podiam. Sim, porque o País preferiu, durante décadas após 1888, IMPORTAR milhares de imigrantes europeus e japoneses a dar emprego para os ex-escravos e seus filhos.

    Então, a situação atual dos negros (são 70% de todos os pobres) é fruto dessa perseguição histórica que eles sofreram.

    E as cotas são apenas uma forma de compensar isso. Querer tratamento igual hoje para quem recebeu tratamento diferente durante toda a História não é justo.

    Na época da escravidão, ninguém tinha a menor dúvida sobre quem era negro. Na hora de prejudicar e discriminar, ninguém tem dúvidas. Mas na hora de beneficidar, surge todo tipo de dúvida. É cruel.

  • Eu posso até concordar com as cotas, mas antes eu tenho que entender o que são e a quem se destinam.

    Como é que eu vou comprar um produto se eu não sei nem mesmo pra que serve?

    Eu queria saber (de preferência de alguém que fosse a favor das cotas) que critério será usado para se definir quem é negro e quem não é.

    E tenho uma aparência parecida com os rapazes da foto, com o cabelo um pouco mais encrespado. Se eu for fazer vestibular vai ter alguém do governo que vai decidir se eu posso ser beneficiário das cotas julgando minha aparência, é isso?

    Quer dizer, eu tenho que comparecer a algum lugar para um agente do Estado analisar minha aparência e resolver se eu sou negro ou não?

    Ou vai ser auto-afirmativo, eu chego lá no ato da inscrição e me declaro negro?

    Gostaria muito de saber como vai funcionar esse sistema, até para ter condições de opinar a favor ou contra. Eu acho que existe muita propaganda das cotas mas pouco esclarecimento da sistemática utilizada nesse programa.

  • Parabéns a Raul Henry, pela sua coragem e lucidez.
    Essa coisa de cotas é gambiarra pura, de país da 5o mundo que não quer fazer o que é certo, que é melhorar o ensino público.
    E cotas raciais, então nem se fala, discriminação odiosa!

    • Desde quando os EUA, onde as cotas raciais vigoraram desde a década de 60 até poucos anos atrás, são “um país de quinto mundo que não quer fazer o que é certo”?

    • Exato. O melhor termo para definir essas cotas é gambiarra.

      Essas cotas são o melhor retrato da nossa cultura do jeitinho, do remendo. Além de não resolverem o problema, ainda vão criar mais problemas para o país já que vão piorar a situação do racismo. O racismo vai se tornar oficializado, praticado pelo próprio Estado.

      O Estado sabe que é incompetente para dar uma educação que preste aí aparece com essas fórmulas mágicas para empurrar a turma pra dentro das universidades de qualquer jeito sem se importar com a qualidade da educação que esse pessoal está recebendo, desde que tudo isso se reverta em votos para o governo, já que é a única coisa que interessa ao governo.

      A única preocupação do governo é fazer cena, jogar a galera dentro das universidades pra criar número bonito e dizer que nunca antes na história o país teve tanta gente dentro das universidades. A qualidade do ensino, no entanto, é pior que lixo.

      Tudo nesse governo é assim, a começar pelos números da educação básica, onde o sujeito termina o ensino médio sem saber sequer resolver uma equação com duas incógnitas e os pais do cidadãos orgulhosos achando que o menino é um gênio. Quem dá aula no ensino médio sabe do que eu falo.

      Essas cotas não passam de remendos mal-feitos numa casa que está caindo aos pedaços, a educação brasileira. Ao invés de o governo tomar vergonha na cara e fazer uma reforma decente na casa, fica jogando cal por cima das rachaduras de qualquer jeito pra parecer que a casa é nova. É a famosa estratégia do “jogar a poeira pra baixo do tapete”, o que importa é a sujeira não ficar à mostra.

      É impressionante a capacidade desse governo pra criar factóide, manipular a realidade e inventar número bonito, tudo isso reforçado pelas bilionárias propagandas mentirosas cheias de photoshop do governos e pagas pelas população que é enganada. É realmente um governo de fachada e ilusionismo. É o governo-bombeiro, só faz apagar incêndio, joga uma cal aqui, faz um remendo ali, dá um jeitinho acolá e assim vai. Resolver de verdade os problemas que é bom, NADA!!!!!!!!!!!!!!!!!! So caiação e enrolada!!!!!!!!

      Educação decente é pública, gratuita, de qualidade e UNIVERSAL.

      COTAS = RACISMO.

      • É isso aí, Ricardo, infelizmente.

        Concordo quando você fala em “gambiarra”, onde na verdade é o “jeitinho” impregnado na nossa cultura para tudo o que é sério (educação, saúde, segurança).

        Tá “F”

        • Pois, é, Dalto, é por isso que depois a gente só vê reprovação em massa na OAB, o Brasil ficando atrás de país africano em testes internacionais de avaliação da educação, o ensino da matemática decadente no país, analfabetismo funcional de aluno que mal sabe ler e por vai a bagaceira.

          Os resultados dessa política de pão e circo do governo são lastimáveis.

          É por isso que os empresários vivem reclamando de falta de qualificação e especialização. Com uma educação básica detonada onde o aluno passa de ano sem saber somar, como esperar uma maõ-de-obra qualificada?

          Enquanto isso, “Avenida Brasil”, BBB e futebol bombando. E a corrupção correndo solta nas obras da copa e no Congresso.

  • E é sempre bom lembrar que:

    - Ipea: cotistas têm melhores notas em universidades

    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI2907127-EI306,00-Ipea+cotistas+tem+melhores+notas+em+universidades.html

    - Desempenho de cotistas fica acima da média

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,desempenho-de-cotistas-fica-acima-da-media,582324,0.htm

    • Liberaê meu comentário!

    • Isso não demonstra que eles são capazes? Que podem “chegar lá” por esforço próprio? Não acho que deva existir privilégio, mas sim oportunidade. Mas é aquela história, o país está tão ruim que todas as discussões nos remetem a “falta educação básica de qualidade”. Enquanto em alguns países da Europa o governo paga para que deficientes façam sexo…

      “Ajudinha” que só atrapalha? Professores exigem menos de estudantes das minorias raciais
      http://hypescience.com/ajudinha-que-so-atrapalha-professores-exigem-menos-de-estudantes-das-minorias-raciais/

      • Demonstra que, uma vez vencida a barreira do vestibular, eles são tão capazes quanto qualquer não-cotista.

    • Possivelmente esses alunos têm uma característica positiva que é inerente à eles e teriam
      esse desempenho independentemente das cotas. Isso não é argumento em favor delas.

  • Brasil, o país do puxadinho.

  • 1) As cotas foram criadas porque seus idealizadores parte da premissa : TODO branco é rico e opressor e TODO negro é coitadinho e oprimido. Para eles não existe negro rico nem branco pobre. Logo, um filho de um negro rico, com acesso a um bom ensino, ainda vai ter as vantagens da cota sobre um branco pobre. Na prática, tão dizendo pro branco pobre : “Tome no cu. Quem mandou teus antepassados comprarem escravos negros que eram vendidos por outro negros ??”. No brasil a mediocridade é tanta, que criam uma lei racista para supostamente combater o racismo.

    2) As cotas não atuam na CAUSA do problema, que é uma só : Falta de ensino básico de qualidade para maioria da população. Jogar gente sem base na universidade não resolve o problema!!

    • Nada disso.
      As cotas vêm pra COMPENSAR séculos de racismo e escravidão, que têm consequências diretas na realidade de hoje, em que os negros são a imensa maioria dos pobres. É inacreditável alguém achar que os netos e bisnetos de quem sofreu na pele a escravidão têm condições de concorrer em igualdade de condições, mesmo que recebam educação de qualidade, com quem nunca teve um escravo na família. Chega a ser cruel dizer que cotas são racistas, quando na verdade elas são um meio de minimizar os efeitos do racismo.
      Tem que ser como fizeram nos EUA: criar cotas e depois extinguí-las quando não forem mais necessárias.

      • Logo, daqui a trezentos anos, os “brancos” vão entrar na justiça para “reparar” o preconceito e discriminação que o estado cometeu com seus antepassados…

        Não se repara injustiça com injustiça!

        • Meu deus….. é cada argumento!

      • “É inacreditável alguém achar que os netos e bisnetos de quem sofreu na pele a escravidão têm condições de concorrer em igualdade de condições, mesmo que recebam educação de qualidade, com quem nunca teve um escravo na família.”

        Mesmo com a mesma educação de qualidade não têm condições de competir, Fábio? Por que?
        Por acaso quem é negro têm menor capacidade de intelecto do que quem é branco? é isso que você quer dizer?

  • Interessante o debate. Será que ele não nos conta um pouco mais do voto que aumentou seu próprio salário. Tenho curiosidade de ler tão belas palavras…

  • A reparação por si só não pode justificar a perpretação de uma nova injustiça. O argumento é tosco e egoísta. Se a lógica é reparar uma situação de desigualdade, não é possível supor que devamos desprezar aqueles que hj estão excluídos somente pelo fato de pertencerem a “raça” distinta. Que houve um regime oficial nefasto isso ninguém nega. Mas o fato é que temos hoje pessoas que vivem excluídas (negros, brancos, pardos, índios, etc.) que precisam ser assistidas pelo Estado.

    • A lei beneficia todos os “excluídos”, independente de cor da pele, amigo. 50% das vagas são para as escolas públicas. Isso, obviamente, beneficia os brancos mais pobres. E dessas vagas, apenas a parte correspondente ao percentual de negros em cada estado será destinado ao critério cor da pele. Em São Paulo, 30%. Na Bahia, 70%. E por aí vai.

  • Cotas raciais, racismo. Cotas raciais, inconstitucionais.

    • Segundo quem? O Supremo disse, por unanimidade, que elas são constitucionais.

      • Luiz Fux: “Cicatrizes da escravidão devem ser revertidas em políticas”

        Rosa Weber – “Sem condições materiais mínimas, não há chance de igualdade (…) Nesses casos, é necessária a intervenção do estado”

        Rosa Weber: “Pobreza tem cor”

        Lewandowski – “Qualquer critério adotado colocará alguns candidatos em desvantagem diante dos outros, mas uma política de admissão pode, não obstante isso, justificar-se, caso pareça razoável esperar que o ganho geral da comunidade ultrapasse a perda global.”

        Cármen Lúcia – “A Constituição parte da igualdade para a igualação”.

        Cezar Peluso – “Não posso deixar de concordar com o relator que ideia é adequada, necessária, tem peso suficiente para justificar as restrições que traz a certos direitos de outras etnias”

        Marco Aurélio Mello – “Não se pode falar em Constituição Federal sem levar em conta acima de tudo a igualdade”.

        Celso de Mello – “Cotas são instrumento compensatório”

        Cesar Peluso: “Há graves barreiras aos negros”

        Cármen Lúcia: “Cotas são apenas uma etapa”

        Joaquim Barbosa: “Discriminação produz efeitos perversos”

        • “A prática comprova que, diante de currículos idênticos, prefere-se a arregimentação do branco. Nas lojas de produtos sofisticados, raros são os negros que se colocam como vendedores. O que se dirá como gerentes. Em restaurantes, serviços que têm contato direto com o cliente geralmente não são feitos por negros” – Ricardo Lewandowski

        • Fábio, que tal ver esse vídeo: http://youtu.be/dsSy4fEVKTI

  • Todos nós sabemos que não foi Raul Henry que escreveu o relatório. Os parlamentares tem uma penca de assessores bem preparados para isso. Ressalte-se o fato de que estamos diante de um político profissional que nunca trabalhou na vida, assim como Coelhinho, Jungmann e muitos outros.

  • Já chega, não aguento mais isso.

    Sou racista, pois sou humano e a minha raça é a raça humana, pra mim, negro, amarelo, viado, etc. não é raça pois são todos da raça humana.

    Agora por causa dessa putaria, os brancos pobres é que vão se fuder, daqui a 30 anos nós veremos o resultado.

    • “Todos iguais, todos iguais, mas uns mais iguais que os outros…”

  • “E ontem publicamos um belo artigo de Anderson Rodrigo sobre o assunto, defendendo a aplicação da política afirmativa.”

    Dizer que aquele artigo odioso é Belo é de um retardo puro!

  • Sou contra !!!

  • Parabéns pela matéria e pelo blog!

  • Mas e agora que as cotas ja passaram o que podemos fazer ?

  • Temos que continuar lutando pelo fim da racializção de nosso pais! Mas como ?

Tem algo a dizer? Vá em frente e deixe um comentário!

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  • “O homem de bem é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu.”
    Nelson Rodrigues.

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Informação com Humor

MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).