Depois da confusão gerada pela publicação do Edital do PIBIC, que dizia que apenas os alunos da Área de Exatas poderiam ser reprovados e serem bolsistas, a Propesq/UFPE recuou, e divulgou uma retificação.
O Edital foi criticado neste blog (leia aqui), na quinta-feira passada, porque diferenciava os alunos da UFPE, em um evidente modelo que conferia diferentes tratamentos aos alunos de acordo com seus respectivos cursos, jogando para debaixo do tapete as distorções existentes no Básico da Área II (Exatas).
Ficou suprimido o Item 4.2.3 do Edital, que proibiu alunos que tivessem alguma reprovação de serem bolsistas, excetuando-se apenas os alunos de Exatas.
Reconhecendo o erro, a Pró-Reitoria voltou atrás, e retificou o Edital. Quem quiser, pode ver aqui como ficou.
Em audiência com estudantes nesta segunda, o pró-reitor reconheceu que teria sido um erro, e que a Comissão que elaborou o Edital estava equivocada.
________________________________
* Post publicado originalmente às 20:17h de 0ntem.



Seria muito melhor que o pró-reitor tivesse simplesmente alocado mais bolsas para o CCEN e CTG ao invés de ter tentado dar um ar legalista ao processo de seleção.
O fato que ao meu ver foi relegado até agora é que o estado (e o país em geral) está em clara deficiência de gente com formação em ciência e tecnologia, e é preciso incentivar isto de todas as formas possíveis. Pelo outro lado, a nossa tradição brasileira é o incentivo às ciências sociais e humanas, o que reflete na formação muitíssimo deficiente que os alunos ingressantes na UFPE apresentam em matemática e ciências exatas. Este círculo vicioso não vai acabar a menos que haja um comprometimento de todas as esferas do governo para pará-lo.
Seria bom que se pensasse nestes pontos antes de reclamar de falta de apoio institucional para cursos que deveriam e poderiam encontrar alternativas junto à iniciativa privada para suportar os seus alunos de graduação.
Engenharia é uma área de maior complexidade , isso é óbvio .
CTG e CCEN precisam de mais bolsas?
Ciências Sociais são historicamente privilegiadas com recursos??
oO
Pierre,
Agora fica calado pra ver se a irregularidade não passava, fica…
Engenharia é uma área de maior complexidade , isso é óbvio . [2]
´´Isso mesmo que vocês estão lendo. A UFPE aboliou a meritocracia, ou melhor, deu uma afrouxada, para os cursos de Exatas. Está assumindo que seus alunos (futuros engenheiros e físicos) não sabem matemática, ou que seus professores são uns incompetentes que não sabem ensinar e avaliar seus alunos. Ou as duas coisas juntas.´´
Seu blog é bom mas às vezes vc não sabe o que fala cara… na area2 tem muita gente muito boa com reprovações, e isso não desmerece nem o aluno e MUITO MENOS o professor. Um dos motivos do novo sistema ENGENHARIAS CTG ser implantado foi justamente pq o índice de reprovação do pessoal era grande, e continuava muito grande pq os professores NÃO diminuiram o nível.
Portanto, vai falar mal dos professores do teu centro e não se mete a falar o que vc não entende.
ps: nas aspas o que o Pierre falou
Fernando,
Pergunte-se o que é mais provável: um aluno egresso em secretariado conseguir um emprego na sua área de atuação ou um estatístico. Agora compare a situação em qualquer país da Europa, EUA ou Japão e Coréia e me diga se estamos indo para o caminho certo.
Para a nossa universidade pública, a demanda do nosso mercado implica na criação de mestrados “lato sensu”. Seria ótimo e saudável que os centros usassem esses recursos para a melhora na formação dos futuros profissionais, via programas de iniciação científica/profissional/docente. Mas não, preferem esperar o apoio governamental. Enquanto puxam o cobertor para si, descobrem áreas estratégicamente relevantes para a sociedade que não tem alternativa na busca de recursos.
É justo?
Engenharia é uma área de maior complexidade , isso é óbvio [3]
Pessoal, sou formado em Ciência da Computação pela UFPE e posso dar um exemplo bem claro de quanto as áreas exatas são diferenciadas.
O curso de ciência da computação já é considerado difícil por muitos, mas quando nos formamos junto com a turma de engenharia, o aluno homenageado de ciência tinha uma nota média de aproximadamente 9, e a maioria dos outros alunos numa escala de 8 até 9. Já o de engenharia foi laureado com 8, e a maioria dos alunos numa escala de 6 – 8. Isso porque a matemática no curso de engenharia é mais puxada.
Lembro muito bem do pessoal saindo da área 2 dizendo que botou pra lascar na prova, tirou um 7!
Gente, lá um 7 tem cara de 10.
[]s
Pierre,
há uma discussão boa aqui a respeito da ufpe e o modelo de ensino.
não sei se seguras a onda ou se te interessa.
Pelas respostas, há um grande desentendimento do que poderia ser uma compreensão mais macro da ufpe.
Aos que se interessem pelo assunto, procurem saber se houve já um dia, na área II, um mínimo de reprovações desejadas e como metas perseguidas.
Silvio,
A única forma de se fazer isso é afrouxando a avaliação, não adianta tentar “ensinar mais ou melhor para uma aluno que não tem bom rendimento”. Em exatas não se tem métodos para se seguir, o aluno tem que raciocinar. O problema é que muitos não o fazem.
Por mais que existam metas, a única forma de se alcança-las é afrouxando as provas, e isso está fora de cogitação.
Não sei se há essa altura esse post ainda está sendo lido, mas gostaria de deixar minha opinião.
Sou de Ciências da Computação e digo que é necessário diferenciar os tratamentos por curso sim. Por mais que se queira achar injusto, os cursos de exatas e saúde são visivelmente mais difíceis que os de humanas e os próprios alunos da área concordam com isso. Afirmo e conheço MUITAS pessoas de exatas realmente boas e que reprovaram cadeiras.
Injusta é a realidade atual, em que alunos de exatas disputam com alunos de humanas vagas para intercâmbio e o critério utilizado é a média geral. É praticamente impossível um aluno de exatas ter média geral maior que os de humanas. E estou considerando aqui apenas os BONS alunos.
Não estou dizendo que a área de humanas é ruim, jamais. Mas não adianta negar que os cursos de exatas são mais puxados. Embora este edital não tenha ido em frente, concordo no tratamento diferenciado para os cursos.
Só retificando:
“Não sei se a essa altura esse post ainda está sendo lido, mas gostaria de deixar minha opinião….”
i