Melhorando o aprendizado com jogos e redes sociais

mai 3, 2012 by     31 Comentários    Postado em: Educação

Não há como negar a importância das redes sociais nas nossas vidas. Imagine então na vida de adolescentes que já estão crescendo dentro desta perspectiva de relacionamento. Agora associe esta rede aos games e a influência na vida destes jovens.

Há uma tendência nossa em tentar refutar estas ferramentas, tratando-as como competidoras do tempo dedicado pelo jovem à sua educação formal. Pelo menos era assim a realidade quando conheci o saudoso Atari na década de 80, e passava horas jogando. Hoje é a mesma coisa, porém os adolescentes se conectam em grande parte via lan house. Hoje o tempo de conexão se divide entre os games e as redes sociais.

Ao invés de tratá-los como competidores, a Secretaria de Educação de Pernambuco resolveu juntar esforços com um grupo de empresas de games localizadas no Porto Digital, para articular uma forma de aprendizado que levasse em consideração estas ferramentas.

Na semana passada fui conhecer a joint venture chamada Consorcio Games PE, que representa um esforço conjunto do CESAR com 3 empresas de games: a Jynx, a Manifest Games e a Meantime.

Este consorcio foi responsável pela criação das Olimpíadas de Jogos Educacionais do Estado de Pernambuco, que reúne os estudantes da rede pública estadual dentro de um ambiente virtual de aprendizagem. Na prática, otimizou-se as atividades de ficar jogando na lan house ou jogar conversa fora na rede social, colocando-as à serviço da aprendizagem do jovem.

Os estudantes se juntam em equipes, auxiliados por professores (que validam os grupos), e passam a participar de uma competição onde várias disciplinas são colocadas ao mesmo tempo.

Para se ter uma ideia de como funciona, o estudante vai acumulando pontos, tanto participando de jogos onde o aprendizado é o carro chefe, como ao escrever e deixar recados na rede social em que participa. Toda vez que escreve errado, perde-se pontos. Aliás, a pobreza gramatical é absurda quando observamos as mensagens no Facebook ou Twitter. O objetivo é forçá-lo a escrever corretamente.

No caso dos jogos, a idéia é que os estudantes participem aprendendo. Cheguei a ver um jogo parecido ao clássico Space Invaders, onde ao invés de alienígenas o aluno matava tipos de bactérias. Mas para isso era preciso recorrer ao livro para buscar a informação precisa. Como funciona em grupo, há uma espécie de cobrança coletiva por resultados.

Os conteúdos seguem sempre a matriz de competências do ENEM ou do SAEB, que são as ferramentas formais de avaliação.


Luciano Meira, professor da UFPE e coordenador do projeto

As empresas de games instaladas no Porto Digital já exportaram o modelo para o Rio de Janeiro e Acre. O contrato com o Governo de Pernambuco deve ser renovado este ano. Apenas em 2010, 40 mil estudantes participaram jos jogos em Pernambuco, 60 mil no Rio de Janeiro e 5 mil no Acre.

A formulação dos conteúdos é gerenciada pelo Professor da UFPE, Luciano Meira, que estuda o assunto no Departamento de Psicologia. Luciano me disse que o resultado e a participação foram surpreendentes, e que o crescimento foi muito rápido.

Perguntei a ele sobre a competição do estudo com as atividades de lazer virtuais. A resposta é clara: “pode-se brigar com isso ou utilizar esta ferramenta para a aprendizagem”.

A Consorcio Games PE já possui 24 mini jogos casuais, além de 4000 enigmas,e em diversas áreas, como Biologia, História, Física, Matemática, Português,etc.

Muito se fala da introdução de novas tecnologias, mas a maioria fica restrita à sala de aula.

É certo que a atividade educacional da forma como é colocada é extremamente ineficiente. E arrumar formas alternativas de incentivo à aprendizagem inovando ao máximo é o que podemos fazer de melhor por aqui, principalmente porque os custos destas atividades são muito baixos quando comparados à forma tradicional de educação.

31 Comentários + Add Comentário

  • A ideia e o projetos são excelentes, mas vale a pena registrar que o vídeo foi produzido em 2010 e que a OJE simplesmente não funcionou em 2011. Participei da iniciativa e achei interessante, mas lamentando a falta de continuidade… embora para efeitos publicitários ela tenha sido utilizada mesmo não sendo aprimorada.

    Atualmente estudo, pesquiso tento desenvolver projetos e ações que utilizam jogos eletrônicos com finalidade educativa e até atuo como formador em programas de formação continuada em tecnologia educacional (sou vinculado a um ótimo projeto no Centro de Educação da UFPE financiado pelo FNDE que ofereceu este curso para professores de História de redes públicas).

    O problema que percebo é de ordem bem prática. Trabalho numa escola do programa integral e tenho muita dificuldade de implementar qualquer ação inovadora porque simplesmente não tenho nenhum espaço para isso. Por que? Porque as escolas estão funcionando praticamente como linhas de montagem sob controles tayloristas que me fazem preencher e fornecer dados e mais dados e atender a prazos burocráticos que desviam muito meu tempo e esforço, além das exigências cartoriais com um patético preenchimento de papelada. Para ser ter uma ideia, tenho mais de 600 alunos para ensinar e avaliar, além de ministrar 30 aulas semanais. Diante disso faço o questionamento sempre: Como vou promover qualquer inovação sozinho? Em que condições poderei empreender qualquer projeto se estou ou em sala de aula ou preenchendo papelada ou tendo que lidar com correções de centenas e centenas de provas e atividades cujos resultados serão exigidos imediatamente? Tento minimizar esta rotina utilizando também a tecnologia (como atividades online no GoogleDocs e outras ações), mas é um trabalho inglório porque há um descompasso entre o que se expõe na publicidade e o que se promove na prática.

    Esse modelo “escola linha de montagem + escola cartório” inibe a inovação, entre outras coisas, porque faz do professor uma máquina de dar aulas e um burocrata que não consegue desenvolver projetos.

    Em 2010 iniciei um projeto que utilizava o jogo de simulação SimCity (soft custeado por mim para ser utilizado na escola) para estimular os alunos a compreender fundamentos práticos de urbanismo, desenvolvimento sustentável, gestão público e planejamento estratégico através da simulação de cidades virtuais. Só o processo de ensinar e coordenar o uso do jogo a partir de critérios analíticos com os alunos demanda tempo para observações e para que os estudantes entendam como fazer com que o jogo funcione para experimentar conceitos e desenvolver soluções. Isso não é simples para mim nem para os alunos. Depois pretendi criar no jogo um Recife Virtual para que os estudantes pudessem reproduzir problemas e soluções para seus experimentos (até cheguei a iniciar e abortei por falta de apoio e de condições), tendo ainda tentado até trabalhar com eles design de prédios e monumentos da cidade para deixar a simulação mais realista (utilizei softs como GoogleSketch Up, Blender e GMax, além de editores de elementos de jogos). Esta fase, além de lidar com criação e manuseio de softs, os alunos ainda tinham que estudar construções importantes da cidade para desenvolverem suas reproduções virtuais. Enfim, era um projeto inovador que abandonei porque esse tipo de coisa não é estimulada e é até inviabilizada em nosso sistema público de ensino.

    Em lugar disso o que importava? Entregar papelório e preencher com rigor fanático, detalhista e perfeccionista mais de 20 diários de classe insuportáveis. Isso além das várias aulas em várias turmas tendo que apresentar “resultados satisfatórios” mesmo que fantasiosos ou maquiados pela benevolente proteção aos estudantes que preferem não produzir, não estudar e ainda podem contar com a boa e velha “ajudinha” para passar de ano (o que basicamente sou obrigado a fazer).

    Algum burocrata precisa entender que promover inovação exige modificar a estrutura do funcionamento da escola e assegurar aos professores condições para desenvolver projetos e ações. Controlar a qualidade do trabalho didático é importante, mas há uma diferença grande entre exigir números e assegurar efetivamente qualidade. Professor-operário e professor-escrivão não é criativo porque simplesmente não consegue. Os burocratas precisam entender que simplesmente implantar tecnologia em escola não basta: é preciso viabilizar meios para que a tecnologia acabe funcionando, do contrário, em vem de inovar, acabamos mecanizando o ensino.

    Eu, de minha parte, não estou mais desenvolvendo meus projetos com jogos eletrônicos. Não consigo fazer milagres.

    • Paulo Alexandre, também trabalho numa escola integral, mas como Assistente Administratvo, e confirmo tudo o que você colocou sobre o dia-dia do Professor nas escolas atualmente, principalmente as integrais que são obrigadas a dar resultados positivos.
      Eu até vejo positivamente algumas ações propostas pelo governo com Pacto Pela Educação, a exemplo dos Diários Eletrônicos (tablet) que estão em fase de testes nas escolas que fazem parte do pacto, não sei se você utiliza também, Paulo; apenas com um porém, quer dizer, vários poréns: estão literalmente empurrando todas essas ações em cima do Professor que já não consegue trabalhar de forma adequada, ainda precisa (leia-se: OBRIGADO) passar pelos testes, aumentando mais e mais a carga de trabalho; sendo pressionado pelos gestores a inserir dados nesse sistema etc… Eu, como Assistente Administrativo de EREM, tenho que orientar os Professores a utilizarem de forma adequada o sistema e mostrar como realizar todo o processo, mas deixo claro para eles – Professores – que faço apenas poque faz parte da minha função, porém não concordo como as coisas estão sendo empurradas ao Professor da Rede Estadual.
      Penso que, infelizmente, as coisas estão sendo levadas pelo Governo apenas para dar “resultados”, com aspas mesmo.

      • Só hoje chegaram os diários de classe na escola. São aqueles calhamaços cheios de firulas para preencher. É a inovação da Secretaria da Educação: adicionar a cada ano mais e mais minúcias burocráticas para que possamos desperdiçar tempo que seria mais produtivo se fosse utilizado para melhorar meu trabalho!

    • Paulo, se você tivesse 4 turmas e um salário decente (padrão IFPE, Colégio de Aplicação, etc.) com dedicação exclusiva, terias tempo hábil para além do ensino tradicional (o qual traz resultados) colocar em prática todas essas ideias, é só esse o real problema…

      Krish

  • André, minha escola faz parte do Pacto pela Educação mas em pleno mês de maio não temos ainda diário de classe seja em tablet ou em papel e o sistema para registros online de minha escola não funciona. Simplesmente não temos nada! Eu me recuso até a realizar chamada enquanto nenhum meio para tal registro for disponibilizado e não aceito ser cobrado por uma pendência que não foi de minha responsabilidade (embora saiba que irão exigir que eu aponte a frequência do período anterior à disponibilização da desgraça do diário).

    Esse “método” de gerir a educação não me parece razoável. Transformar professor em operário e em burocrata é um eficiente de gerar ineficiência, afinal, operários e burocratas possuem atribuições operacionais que implicam na execução de procedimentos previamente definidos. Eles geralmente não criam: executam. Então onde fica o discurso vazio enunciado recentemente como uma espécie de “mantra” da Secretaria de Educação a respeito da inovação na educação pública?

    É preciso discutir seriamente sobre isso em vez de ficarmos apenas ouvindo sobre a numerologia confusa e ilusória que é apresentada na forma de dados que atestam a propalada “evolução” da educação em Pernambuco.

  • (*) Transformar professor em operário e em burocrata é um eficiente meio de gerar ineficiência…

  • Participei da OJE em 2009 e 2010 como especialista na área de humanas (Soc, His, Fil), e posso dizer que a experiência foi fantástica! Foi uma das poucas vezes que me senti realizado como professor (hoje nem aulas dou mais, de tanto que me desencantei com a realidade que o Paulo descreveu tão bem), porque tínhamos tudo: boa remuneração, ótimas condições de trabalho, incentivo para sermos criativos, reconhecimento dos professores e alunos das escolas, e, mais rochedo de tudo, um sentimento muito bom de que conseguíamos produzir um impacto nas aulas!

    Basicamente, nosso trabalho lá, como especialistas, era construir os enigmas (que são itens estilo múltipla escolha dentro do game matriz, que é uma espécie de volta ao mundo com aventuras pelos países) tendo em vista os conteúdos, as competências e habilidades do ENEM, o nível de dificuldade e as habilidades cognitivas necessárias a realização do enigma (quero que meu aluno pesquise neste enigma? quero que ele faça relações com outros conteúdos? quero que seja simplesmente levantamento de conhecimento previamente adquirido?…). Evidentemente, como se tratava de um jogo, tentávamos deixar a linguagem atraente – sem perder de vistas a gramática -, usando temas do cotidiano, etc. Por fim, nós criávamos pequenas sugestões de aulas utilizando os enigmas ou os mini-games (havia mais um menos um ou dois para cada uma das áreas).

    Contudo, como Paulo disse, em 2011 a OJE não rodou. No início do ano passado, recebemos um contato para um projeto muito mais ambicioso, envolvendo jogos interativos tipo wiki-games e tudo mais. Mas, não sei bem o porquê, a coisa não andou. Sei que, no lado dos professores especialistas das disciplinas, tivemos problemas sérios em 2010: a coordenadora pedagógica saiu do projeto devido a aprovação em concurso de IF; houve rodízio muito grande de professores em algumas áreas e disciplinas, devido à dificuldade de encontrar pessoal qualificado e com perfil adequado (para não falar da dificuldade com treinamentos, etc.); a carga horária pretendida pela Joystreet (e a forma como ela deveria ser dada) tornou-se algo que não atraia mais, pois deveríamos passar muito tempo presencialmente no consórcio…

    Enfim, o balanço que faço disso é que:

    1) Os professores não têm preparação para algo desse porte! Quem se preparou foi porque correu atrás, deus sabe como! Eu tive boa formação tanto na área de história quanto de educação, fiz mestrado, sou gamer e ainda assim tive dificuldades para fazer rodar a coisa! Acredito que isso tenha ocorrido, pois na minha formação tive 3 disciplinas de prática de ensino (duas delas dadas num sistema burocrático de observar professores e depois reger turmas), e em apenas em uma disciplina tive uma aula, com a excelente prof.ª Dora Padilha, em que tocamos no assunto de tecnologia e educação!!!
    Tive companheiros de OJE que eram ótimos profissionais, mas não conseguiam fazer um enigma sequer porque não entendiam, não conseguiam interagir com aquele universo. A culpa é (só) deles? Evidente que não. A formação a que temos acesso ainda é deficiente, atrasada e baseada em modelos arcaicos de ensino. Como só podemos ensinar o que – e quase sempre da forma que – aprendemos, as coisas tornam-se um tanto complicadas.

    2) É muito difícil mudar a mentalidade no macro: mesmo um projeto como a OJE acabou se rendendo a certo “tradicionalismo”, ao exigir, no contato preliminar de 2011, que fizéssemos diversas atividades presenciais, indo na contra-mão da interatividade que pregava. Vi companheiros reclamarem disso, afinal, como recebíamos em sistema de bolsa e apenas por alguns meses no ano, não podíamos tratar a OJE como prioridade. Lembro das palavras da coordenadora em 2010, que resumiu bem a questão, quando começou essa cobrança de atividades presenciais: como a gt vai cobrar que esses caras estejam aqui? Quem pode estar aqui não está dando aulas, e quem não dá aulas não pode fazer enigmas! Como é que a gente desenvolve um projeto interativo, na rede, e cobra que os caras venham aqui, bater ponto?

    Espero que com o fortalecimento do Edumatec (no CE), e a retomada de projetos como a OJE (que parou justamente quando começava a dar gás, indo pro seu terceiro ano) haja mudanças neste quadro, porque tablet, projetor, laboratório sem formação, sem preparo não adianta… Nossa experiência com a OJE – e artigos na área – deixa claro que um tablet ou um projetor nas mãos de um prof. sem a formação adequada e/ou com uma cabeça tradicional, vira apenas uma forma diferente – e mais bonita – de mostrar os mesmos livros velhos e chatos, as mesmas questões de decoreba e assim por diante.

    Bom, para finalizar deixo o site da joystreet para quem não conhece http://joystreet.com.br/, e fico na torcida para que a OJE volte logo e com tudo!

  • FATO:
    O melhor, sempre estará nos comentários.

    • kkkk verdade!!

      Tem vezes que vou direto pros comentarios e so depois começo a ler o post.

    • Pensava que era só eu que pensava assim…kkkkk..gosto muito dos comentários e muitas vezes vou direto a eles. rssrsrs

  • Sobre isso eu acho que quando se fala em inclusão digital só se fala em games e redes sociais, quando na verdade o cara mal sabe redigir um texto no word e utilizar as fórmulas no excel, por exemplo.
    Sofri para contratar um funcionário após triagem de vários curriculos. Ao entrevistar a maioria, todos tinham micro em casa, curso de informática, etc, mas o básico do básico não sabiam fazer no Office.

    “Joguinho” e “Facebook” não são habilidades que garantem ganha pão não.

    • Apesar de ser entusiasta de tecnologias educacionais, concordo contigo!

      O aluno vai ter tablet. Mas mal sabe ler!

  • Pierre, não vamos discutir aqui as novas regras da poupança?

  • Que ótimo, que continue assim o país do pt e da manada.
    Enquanto isso, o meu menino faz o caminho contrário.
    Aluno graduado do Colégio Militar e passou no ITA com 1 ano de antecedência. Fez só por experiência. hahahahahahahahahaha…

    • A educação federal é de longe a melhor do país.

      Mas eu nunca colocaria meu filho no Colégio Militar.

      No Colégio de Aplicação, sim.

      • Quem disse que você é parâmetro para alguma coisa?

        Colégio Militar e Aplicação não é para quem quer, mas para quem pode.

        Vê se te enxerga e continua investindo na graduação no Sesi aí.

        • Exato, a maioria dos alunos entra sob teste de seleção…

        • Oh, que figura educada e civilizada….

  • Acho incrivel quando vejo relatos como esses do Paulo e do Hugo, mas não consigo ver como a experiencia deles ainda rendeu algum fruto. Não estou querendo desmerecer oq vcs escreveram aqui, mas minha experiencia com o OJE foi bem diferente.

    Minha escola participou do piloto do projeto, acho que em 2009. Vou tentar citar os problemas que me lembro:

    1- Se exigia que um professor fosse “orientador” de cada grupo. Primeiro problema: muitos alunos corriam para o mesmo professor, pq além de alguns não se disponibilizarem ainda tinha aqueles que eram evitados pelo alunos. Acabava um mesmo professor ficando com uma grande quantidade de grupos dar suporte, lembrando que eram grupos de até 10.

    2- Os conteudos eram de todas as disciplinas, sendo que o professor responsavel por cada grupo nunca teria como dar conta de todos os assuntos necessarios. Teria que haver uma articulação com um grupo de professores, mas em que tempo? Se não me engano, o calendário da SEDUC desse ano tinha 201 dias disponiveis, sendo que são obrigatórios 200 dias letivos. Com a carga horaria dos professores e toda a burocracia imposta, como vai ser parar pra fazer algo com esses alunos?

    3- Boa parte dos professores tem dificuldade com o computador para fazer coisas simples, como se queria que eles dessem conta de algo que muitos não conheciam e que não tiveram nenhum tipo de capacitação? Resultado, como sou professor de informática, acabei ficando sobrecarregado com alunos pra dar suporte.

    4- Os conteudos eram disponibilizados para todo o ensino médio, não importando a série dos participantes. Dai, os grupos que não conseguissem ter alunos do primeiro, segundo e terceiro médio ao mesmo tempo não tinham nenhuma chance.

    5- As perguntas que apareciam eram dispostas de forma aleatória ou eu pelo menos não percebi nenhum tipo de regra. Tanto fazia aparecer um conteudo do primeira unidade do primeiro ano como da quarta unidade do terceiro. Resultado, quando não pesquisavam no google pra tentar achar uma resposta, chutavam pra ver se acertavam.

    6- Como não existia nenhuma forma de saber quais seriam as questões que apareceriam, os professores não tinham como direcionar os conteudos em sala de aula. Nesse ponto eu já não via a utilidade real do OJE.

    7- Nas escolas que tem laboratório de informática, pq pelo que falam são poucas, geralmente se tem somente um laboratório e com dez maquinas. Como é que se atenderia todos os alunos? Só na minha escola, tinhamos pelo menos umas 10 equipes, cada uma com 10 pessoas, dai já são 100 pessoas pra colocar em um só laboratório. Como nem todos tinham computador em casa, grande parte desistiu por conta disso.

    8- Outro ponto era que o formato do jogo beneficiava aquele aluno que passava o maior tempo possivel dentro do jogo. Ou seja, muitos alunos queriam ficar fora da sala de aula pra ficar no jogo.

    Isso é o que me lembro, mas o resultado disso é que todas as equipes acabaram desistindo rapidamente do OJE. No ano seguinte, acho que somente uma ou duas equipes se inscreveram, mas como não estava acompanhando mais acho que devem ter desistido mais pra frente.

    Como falei, não quero desmerecer oq vcs falaram, mas se o OJE deu certo com vcs, provavelmente vcs tiveram alguma forma de contornar esses problemas. Eu gostaria muito de saber qual foram as estrategias.

    • Luciano,

      Eu não afirmei que a experiência comigo funcionou bem. Eu acho uma boa iniciativa, mas que precisa de muita coisa para poder funcionar. Eu concordo com todas as suas observações e sei bem que elas fazem total sentido.

      Eu cheguei a realizar um experimento por iniciativa própria e desvinculada da OJE, contudo o abandonei por total falta de condições de executar – o que é quase um resultado previsível para que se atrever a realizar algo diferente.

      Minha experiência na OJE foi limitada inclusive porque não consegui dar conta de me envolver suficiente. Mas, acima de tudo, há a desconexão entre este interessante projeto e a própria Secretaria de Educação, que adota a iniciativa para fazer marketing mas sequer assegura nas escolas o seu funcionamento. Eu estou decidido a NÃO PARTICIPAR sem ter condições e este ano eu não terei nenhuma mesmo! Por isso acho que “inovação” propagada pela SE é mera peça retórica!

      • Paulo, faça minha as suas palavras. Pelo mesmo motivo não participei da última. Muito fácil para a SEDUC querer a participação mas sem dar nenhuma condição. Na verdade, tenho me mantido afastado de qualquer coisa que não seja minha obrigação formal por causa disso. Além da falta de capacitação, além da falta de espaço e tempo, vc ainda vai receber cobrança quando não conseguir atender as espectativas do burocratas.

        • Lendo os comentários, achei sua postura muito coerente, professor. Não participar de nada que seja proporcionado pela SEDUC, sem a devida preparação e fornecimento de condições básicas de funcionamento, deveria ser a atitude de todos os professores da rede estadual. “Fazer graça para os outros rirem” é coisa de palhaço e como não pertencemos a essa classe (profissão muito digna, mas que não é a nossa), deveríamos nos mobilizar em não cumprir as determinações descabidas da secretaria. Exigir que o professor insira médias, total de faltas (justificadas e não justificadas – não sei a utilidade desta distinção se no sistema contabilizam todas como se a justificada não existisse) dos mais de 720 alunos que possuo (tenho algumas disciplinas com apenas 1 aula por semana) em apenas 5 dias úteis após o final da unidade é humanamente impossível, isso sem ter ainda, as famigeradas cadernetas, estamos na primeira semana de maio, e ainda não as recebemos!!!! Eu, particularmente, não consegui inserir as médias no prazo determinado (dei prioridade às recuperações, se assim não fosse no final do ano estarei ainda mais cheia de alunos na final, e não estou preocupada com as faltas, como não recebi nenhum mecanismo de controle das mesmas, raramente faço a chamada.

  • Puxa, mas pela propaganda do Governo tudo parece funcionar tão bem…
    Deve ser uma nova modalidade de gestão, o photoshop governamental.

    • Só propaganda pra ludibriar os bestas, como quase tudo no país nas últimas décadas…

  • Os professores do Estado ganhando R$ 1.200,00, com notebook sem internet, pois com esse salário não dá pra pagar a cara banda larga do nosso Estado. Pior salário do País, e o Estado arrecadando fortuna no Complexo de Suape.

  • Vocês sabem que essa ideia aí não é nova, né?
    Silvio Meira teve a brilhante ideia de copiar uma palestra do SXSW, de Austin – Texas, ministrada no ano passado e que também fez muito sucesso no TEDx de Nova Iorque.

    Muito fácil ser gênio assim…

    • Só mais outro bom de lábia como o Mozart Neves…

  • Só mais outro bom de lábia como o Mozart Neves…

  • Pierre voce pode tambem pesquisar sobre cadeiras de algumas universidades que tem como tema algum jogo. Se voce procurar sobre um jogo chamado Starcraft 2, verá que ela em umas universidades se tornou uma cadeira para administradores e economistas trazendo um senso estrategico e estimulando varias caracteristicas que podem ser usadas nos dia a dia das empresas

  • Um livro muito bom que estou lendo sobre o tema é:
    “A Utilização das Redes Sociais na Educação”
    http://clubedeautores.com.br/book/50369–A_Utilizacao_das_Redes_Sociais_na_Educacao

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).