Pense nos que te inspiram, não nos que te envergonham

mai 18, 2012 by     93 Comentários    Postado em: Educação

EDUCAÇÃO

Nesta quarta e quinta fui a Petrolina dar aula no Doutorado Interinstitucional entre a UFPE e a Univasf, e não pude estar na Assembleia dos professores. Acho que deveriam ter esperado o dia 31 de maio para deflagrar a greve, porque ainda está em negociação. Olhando por este lado, achei um pouco precipitada a decisão.

Porém, a maioria presente decidiu e eu acato a decisão dos que ali estavam. Além disso, concordo com os termos da paralisação, conforme explico abaixo.

A partir desta sexta-feira não terão aula comigo, pois a greve já começou, e como disse, é a posição da maioria.

Em relação aos outros professores, cada um fala por si. Não tenho ideia de como irão se comportar.

Sei que tem uns poucos que já vivem de greve direto, porque os alunos é que dão aula por ele em milhares de seminários, ou mesmo têm horror a sala de aula.

E sei também que muitos estudantes tiram a totalidade dos docentes por estes que não honram a profissão, mas temos que pensar na carreira docente e na UFPE. É um equívoco acreditar que a falta de compromisso de alguns deve ser o padrão de uma universidade.

Saibam que nada me revolta mais do que ver um professor descompromissado, porque no fim do mês este recebe o mesmo salário que eu. E os que se dedicam acham isso muito injusto.

Temos que pensar no professor que honra a carreira e se dedica, porque se deixarmos, daqui a pouco os que se esforçam e são bons professores irão virar pesquisadores fora da Universidade.

Temos sido enrolados pelo Governo Federal deste 2005, e uma hora chega o limite. Um pesquisador do IPEA entrava ganhando R$ 300,00 a menos do que um Professor Adjunto em 2003, e hoje entra ganhando R$ 5 mil a mais. Hoje ganhamos 12% a menos do que em 1998, em pleno Governo FHC, quando descontamos a inflação.

Então se você se pergunta se os alunos serão prejudicados, pense que seus professores foram prejudicados muito antes disso, quando viram sua carreira estacionar enquanto outras semelhantes mudaram de patamar.

Pense nos professores que te inspiram, não nos que te envergonham.

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PS: cheguei de viagem e amanhã reformo este texto com maiores detalhes

93 Comentários + Add Comentário

  • Esse é o sentimento de todas as carreiras do Poder Executivo, inclusive, as dos Auditores/Procuradores da Receita/Fazenda, Defensores Públicos da União, Auditores do Trabalho, Analistas do Bacen, etc.
    Queria deixar claro que o pleito é exatamente o mesmo. O resto é retórica em busca da hegemonia da profissão mais importante.

    Certo ou errado aos nossos olhos? O sentimento é esse.

    Quanto à greve, penso que cada um tem sua responsabilidade pelo prejuízo aos alunos, principalmente o Governo, e, de certa forma, também o professor, afinal, essa greve nada tem de altruísta, nem da parte dos bons professores e, muito menos, dos ruins.

    • A greve é um recurso, legal, na luta por melhores condições de trabalho e salário. Não é para ser altruísta. Luta-se em benefício próprio, os alunos se beneficiam também, por consequência.

    • FANTÁSTICO O QUE JOCA ESCREVEU:

      “O problema do funcionalismo público é que este só acha o salário satisfatório na hora de fazer o concurso. Mas basta assumir o cargo pro salário passar a ser péssimo.”

      PIERRE, coloca teu currículo para ensinar numa universidade privada. Pode ser que você ganhe muito mais (e vai continuar ensinando, que é o você gosta de fazer!!). Sugiro aos demais professores o mesmo.

      São poucos os professores que tem suas pesquisas publicadas em revistas renomadas internacionais. E NÃO venham reclamar que o governo não dá apoio pois é mentira!! É VERGONHOSO!!! A questão é que dá trabalho..

    • Eu só acho interessante uma coisa: os professores que mais produzem conhecimento (publicação em revistas CONCEITUADAS) não costumam aderir à greve. (por certo recebem gratificações por produtividade). Digo isso porque tem um MONTE de professor que só produz pesquisa RUIM (para não dizer m…) que não serve para nada… na verdade só para incluir no Lattes. E que na verdade esse salário que recebem (e estão reclamando) já é mais do que suficiente para as duas turmas por período que costumam ensinar.

      Se querem greve, então que o façam!! Mas utilizem esse tempo para se manifestarem e lutarem por melhorias e não aproveitar o ‘tempo’ para poder viajar e curtir a vida (como muitos fazem).

    • Ó, J.G., nenhuma greve é “altruísta”, nem na iniciativa privada, nem no serviço público. Então considero irreal cobrar fins altruístas no caso desta greve.

  • Ataco apenas à zona que se instala, prejudicando os alunos não por falta de aula, mas por não saberem quem estará em greve e quem estará em sala, marcando as faltas dos alunos nesse período.

    Será justo obrigar os alunos a ficarem indo à faculdade, apenas para descobrir se haverá aula ou não??

    Deviam pensar em uma solução pra essa situação. Os professores poderiam entrar em contato com os representantes de turma e informar. Seria simples, mas muitos não aceitariam “perder tempo” apenas para dar satisfação pra uns bostinhas de uns aluninhos ¬¬.

    • concordo plenamente Carlos,
      o pior para os alunos não é a greve geral, mas sim a “greve individual” dos professores, onde não sabe-se quem vai aderir ou não.

      obs.: a greve geral não deixa de ser ruim para os alunos também, apesar de entender o que Pierre declarou no post.

      • Acho que custava nada que cada professor tivesse a dignidade de passar um e-mail avisando: “aderi a greve. Não teremos aula, até que vocês sejam comunicados do contrário.”. Hoje mesmo tenho aula de Avançada 2 e Auditoria 2. “Tenho, né”. Porque não faço ideia se estes professores aderiram ou não a greve. E como é bem comodo enfrentar 2h de transito pra UFPE pra chegar lá e não ter aula, os professores estão nem aí. Por outro lado, já tive um professor que deixou claro: não vai aderir, vai ter aula e ponto final.

        Honestidade e respeito é o melhor caminho, SEMPRE.

        Entendo a causa dos professores. É uma categoria jogada no lixo, mal paga, mal remunerada, desvalorizada. Mas também eles acabam descontando toda essa frustração na gente e nos tratam do mesmo jeito que o governo os trata. Olho no olho não é a solução.

        Nunca tive aula com Pierre (uma pena), mas ele me parece ser uma rara exceção. Um professor transparente e correto, e certamente já informou aos seus alunos se aderiu ou não. Só ignoro o que Pierre fala, quando ele fala de futebol (com todo o respeito, fala muita besteira). Ainda assim, é um cara 100%.

    • Em deflagrando a greve, os alunos têm direito de não haver aula enquanto ela durar. Se houver aula durante a greve, qualquer aluno pode reivindicar a reposição de aulas após o retorno da greve.

  • Vem jogar os melhores games online em:
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  • Não darei opinião sobre a greve em si; acho que essa decisão cabe realmente aos professores, que já decidiram. Mas, como aluna e como cidadã tenho questionamentos quanto aos encaminhamentos.

    Segundo informações do site da UFPE, o número de professores é 2.366 (não fala se ativos e inativos). A assembléia que decidiu a greve contou com a presença de 218 professores (dados do JC online), sem especificar se ativos e/ou inativos. Não dá para dizer que a maioria dos professores aprovou a greve. Acho mesmo incômoda a ideia de uma greve decidida por uma categoria que não quer decidir, que não comparece em assembleias, que não quer discutir seus problemas. Não adianta disfarçar: esta é uma greve decidida por lideranças, por isso vai ter furo, por isso vai ter professor que seguirá sua rotina normal.

    Meu outro questionamento vai para Pierre e demais professores grevistas: vão parar a pós-graduação também? Vão dizer ao CNPq e CAPES que estão em greve e não enviarão relatórios? Vão prorrogar prazos dos alunos por causa da greve? Deveriam, pois o professor não pode dividir sua greve não é?

    Finalmente, devo esclarecer que sou a favor de greves; ainda acho um instrumento sério e importante para pressionar quem quer que seja o patrão. Mas sempre questionei o fato de que os grevistas costumam requerer que não haja desconto dos dias parados. Isso acontece principalmente no serviço público e contribui para a perda da seriedade do movimento. Espero que isso não ocorra com esta greve e que os professores grevistas assumam todas as consequências de sua decisão, ou então apenas os alunos sofrerão as consequências de repor aula às pressas e de qualquer jeito.

    • As Pós-Graduações não param. A greve é dividida, sim.

      • Quem disse que a pós-graduação não está em greve? As minhas aulas foram paralisadas a partir de ontem.

        • Se a pós graduação para, adeus bolsa.

        • Se isso tiver acontecido, o prejuízo será maior do que na graduação, porque na pós há prazos de titulação a serem cumpridos, os quais, por sua vez, recaem sobre as avaliações dos programas por parte da Capes. Além disso, os órgãos de fomento, que pagam as bolsas dos alunos, não levam em conta, na quantidade de mensalidades pagas, se houve greve ou não. Ou seja, paralisar as aulas nas pós considero irresponsável.

    • Arthemísia, desconto nos salários é punição por utilizar-se de um instrumento garantido pela constituição. A constituição é clara e permite a greve. O Estado não poderia dar com uma mão e tirar com outra. O que se faz, nos casos de greve no serviço público, é a compensação das horas paradas.

      Acaso a ideia de o desconto ser correto venha a se manter, estaremos coibindo as greves. Daqui há pouco estaremos coibindo o mandado de injunção, o habeas corpus, o habeas data, a ação popular, etc etc etc.

      Realmente, as consequências da greve só deveriam atingir os aluno no que atine às perdas temporárias das aulas e atraso na formação. SÓ.

  • Pierre, me tira uma dúvida. Você disse que a categoria hoje ganha 12% a menos do que em 1998, descontada a inflação. Mas os dados que você colocou no outro texto sobre isso me sugerem que não é bem assim.

    Segundo seu estudo, o salário real em 1998 era 100 e hoje é 91. Com o aumento de 4%, passa para algo em torno de 94. Então não seria mais exato dizer que o salário é 6% menor do que em 1998?

  • Pierre,

    Ja notou que todos que trabalham diretamente para para o povo ganham bem menos que aqueles que trabalham diretamente para vossas excelencias, os políticos ?

    É só comparar salario de professor, médico, policial, enfermeiro, defensoria publica,etc com motorista de deputado, assessores, secretários, garçom(procurem saber quanto é o salario daquele garçom que serve água no plenário da assembléia legislativa de PE), etc

    Os melhores salários está na esfera judicial federal.

  • Que post miguxo!

  • Pessoal, vejam a “importância” que este governo dá a educação.

    Este texto é de Andre Barcinski e tem como título: “Um Maracanã vale 1,3 mil escolas?”

    Pra quem quiser conferir no original: http://andrebarcinski.blogfolha.uol.com.br/2012/05/17/um-maracana-vale-1289-escolas/

    Achei interessante postar aqui (já que o tema deste post é educação) pra mostrar como a ordem de prioridades deste governo está totalmente invertida. Estamos muito mais preocupados com futebol do que com educação e saúde.

    Segue o texto:

    Há uns 15 anos, cometi uma gafe: numa matéria sobre uma banda de rock, escrevi que um disco da tal banda tinha vendido um bilhão de cópias.

    Era um absurdo. Faria da banda a maior vendedora de discos da história.

    Para minha surpresa, ninguém percebeu. Nenhum leitor escreveu reclamando.

    Isso chamou minha atenção para um fato: muita gente tem dificuldade com números.

    Todo dia, somos bombardeados com tantos números e estatísticas, que é cada vez mais difícil pôr em perspectiva o que esses números realmente significam.

    Por exemplo: os custos da Copa do Mundo.

    Todo mundo sabe que os custos anunciados são altos. Mas você já parou para olhar os valores com cuidado?

    Resolvi fazer uma comparação entre os custos previstos para a Copa e outros gastos, só para dar a dimensão real da coisa. Todos os dados foram tirados de reportagens recentes na imprensa. Veja só:

    O “novo” Maracanã vale 1289 escolas

    A reforma do Maracanã custará R$ 931 milhões. Há poucos dias, o governo de Santa Catarina anunciou a construção de nove escolas, a um custo total de R$ 6,5 milhões. Cada escola atenderá a 520 alunos. Ou seja: o que o governo está gastando com a reforma do estádio no Rio seria suficiente para colocar 670 mil alunos na escola.

    Outro dado curioso: o orçamento anual da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro em 2011 foi de R$ 120 milhões. A reforma do Maracanã, portanto, consumirá o equivalente a 7,7 anos do dinheiro gasto com a educação no Estado.

    Um Itaquerão vale 38 hospitais

    O estádio do Corinthians custará R$ 890 milhões. Enquanto isso, a Universidade Federal do Tocantins anunciou a construção de um hospital universitário, ao custo de R$ 23 milhões.

    A reforma de um estádio de treino em Roraima vale a reconstrução da Região Serrana do Rio

    Os governos federal e de Roraima estão investindo R$ 100 milhões para reformar o Estádio Canarinho, em Boa Vista, apenas para que a cidade possa tentar ser escolhida como sede de treino – isso mesmo, sede de treino – por uma das 31 seleções que virão para a Copa do Mundo. Para isso, Boa Vista vai disputar com outros 158 municípios no país, que também querem receber treinos das equipes.

    O valor é o mesmo que a presidenta Dilma liberou para ajudar a reconstruir oito cidades – incluindo Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis – atingidas pelas enchentes de 2011, que mataram cerca de mil pessoas.

    Gastos públicos com a Copa acabariam com 80% da miséria no país

    Essa semana, a presidenta Dilma Rousseff lançou o plano “Brasil Carinhoso”, com um investimento de R$ 10 bilhões até 2014. Segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, o programa terá “impacto imediato de 40% na redução da miséria (considerando os valores repassados a todas as faixas etárias)” e de “62% entre as crianças de zero a seis anos”.

    Os gastos totais com a Copa, segundo o Portal da Copa, chegam a R$ 25 bilhões (tem gente que calcula mais de 30, mas deixa pra lá), sendo que pelo menos 80% desse total (R$ 20 bilhões) vêm dos cofres públicos. Façam os cálculos.

    É ou não é para ficar empolgado com a Copa?

    • É a velha tática do ” Pão e circo”.

      • E futebol …

        Quer ver algo interessante? Compare os custos dos nossos estádios, com o custo dos estádios europeus.
        Creio que mesmo com desvios (lá) o custo é bem inferior ao nosso.

  • Concordo com o post de Pierre.

    Este governo não priorizou a educação como discursado na campanha política. De acordo com dados do Ministério da Educação, apresentados na assembléia, apenas cerca de 5% do orçamento do Brasil está direcionado para a educação, 0,5% para ciência e tecnologia, enquanto 27% para pagamento de juros da dívida pública, se não me engano.

    Na próxima aula estarei na universidade explicando aos meus alunos o porquê da minha aderência a greve e quais os rumos que tomaremos a partir de agora.

    • “27% para pagamento de juros da dívida pública, se não me engano”

      Não, é 47% e se não for mais.

  • Sou contra qualquer tipo de greve de servidores públicos. Por outro lado, os servidores públicos que mais precisamos são os professores. Esses sim, são imprescindíveis sobretudo os professores de nível fundamental.

    Sobre a questão dos salários, Dilma mandou divulgar os salários dos servidores do poder executivo. Assim, poderemos ter uma noção se essa onda de greve é justa ou não. Eu acredito que a maioria dos servidores públicos não roubam “legalmente” o dinheiro da coletividade. Ou seja, são pessoas trabalhadores e honestas, mas soube que existe um quantitativo que rouba “legalmente” dinheiro público todo mês. Esses aí são justamente os que não trabalham nada e ganham fortunas. São aqueles que querem ter uma vida nababesca às custas do dinheiro da coletividade.

    É importante que o país implante uma cultura de Transparência Total.

  • Dilma realmente está tendo uma postura admirável nessa questão do funcionalismo público.

    Ela tem mesmo que frear o abusivo inchaço da máquina pública, coisa que Lula não fez pois o estilo de Lula era agradar a tudo e todos pra ganhar voto.

    Ela terá meu voto se insistir fortemente nessa política e se tentar, pelo menos, acabar com os abusos dos marajás e barnabés do serviço público.

    O Brasil se quiser ser visto com um país sério e respeitado tem que dar um basta aos excessos do funcionalismo que consome fortunas de impostos. O Estado não pode viver para se manter, não pode ser um fim em si mesmo.

    É imposssível tocar outros importantes projetos para o país como a redução da carga tributária se as intermináveis regalias do funcionalismo não forem reduzidas já que boa parte dos impostos só servem mesmo para manter a casta luxuosa e opulenta dos marajás em toda a sua regalia e mordomia.

    Chega de estupro do dinheiro público.

    • Ela vai diminuir o efetivo policial nas fronteiras (gerando um maior aumento do tráfico de armas e drogas), ela vai diminuir a quantidade de médicos no atendimento nos hospitais (prejudicando os doentes que precisam de ajuda), ela vai continuar pagando pouco aos professores (causando insatisfação, diminuindo a procura dos melhores profissionais pelo cargo, e prejudicando a qualidade dos formandos).

      enquanto isso, os salários dos ministros e dela mesma continuam tendo aquele aumento de mais de 60% que pessoas tipo, tiririca, luciana, dilma, etc passaram a receber (lembra???)

      Ou seja, ela tá controlando legal, né??? mas até agora só vi atuação prejudicial aos mais carentes e à nação.

      Ela criou uma previdência complementar, mas não a regulamentou, alegando déficit na previdência, mas logo depois criou um tal de brasil carinhoso, pra dar mais grana da assistência social.

      Sem contar a poupança, mal supostamente necessário para diminuir os juros (mas os tributos continuam atacando a tudo e a todos).

      Tributos que eu acho imorais: ITCMD, contribuição por melhoria, IRPJ cumulada com CSLL, IOF, PIS e COFINS, além da absurda alíquota de 27,5% para pessoas que ganham acima de um percentual não tão grande assim.

      Alguém lembra de mais algum??? talvez o IPI, o imposto de importação, as taxas de alfândega, contribuição para iluminação pública. Tem mais????

      Mas eu acho que ela tem uma boa vontade e pulso firme (ao contrário do charlatão que queria agradar a todos, LULA), portanto, deverá fazer coisas boas para o país como um todo.

      abçs

      • O problema do funcionalismo público é que este só acha o salário satisfatório na hora de fazer o concurso. Mas basta assumir o cargo pro salário passar a ser péssimo.

        • Pois é, meu jovem. Concordo com voismicê.
          Colocar o CV no mercado e tentar uma recolocação ninguém quer.

          É isso que fazem os trabalhadores insatisfeitos com seu salário/carreira. Ou não.

          Quanto ganharia um professor federal, na iniciativa privada?

        • Ganha MUITO menos do que nas federais, com certeza.

          Há as exceções de praxe, mas a regra é pagamento por hora/aula.

          E quem recebe R$ 30 por hora/aula nas particulares pode se considerar um felizardo.

          Isso quer dizer que para ganhar os 7300 que um professor federal ganha, um professor de particular precisa dar umas 250 horas de aula por mês.

          Ou seja, ninguém chega nem perto disso.

        • Tenho um conhecido que recebeu um convite de uma faculdade dessas que ofereceu R$12,00 a hora aula. Claro que ele não aceitou. Tem muito colégio pequeno de bairro que paga melhor do que isso. Imagine a qualidade dos seus profissionais?

        • A maioria das pessoas que se inscrevem num concurso para um cargo no serviço público faz isto por dois motivos principais: (1) questões salariais e (2), sobretudo, estabilidade de emprego. Fora o fato de que para algumas áreas, por exemplo das humanas e sociais, a carreira acadêmica continua ser o caminho profissional mais comum. Que há faculdades privadas que pagam mal e que sugam os professores, porque só querem explorar os conhecimentos acumulados, mas não querem investir em inovação e aperfeiçoamento, a maioria de nós sabe.
          A questão dos salários na carreira profissional no ensino superior público é outra: como estimular a produtividade acadêmica, como atrair profissionais qualificados? Ou como disse recentemente a presidente da SBPC: “Justamente agora que o Brasil atingiu a 13ª posição na produção científica mundial, aumentou a quantidade de universidades federais e o número de pesquisadores, o país deu um “tiro no pé” reduzindo em 22% os recursos federais para ciência”. (ver a entrevista em http://www.abant.org.br/file?id=554) Em comparação internacional, os salários dos professores do ensino superior no Brasil não são bons, quando se aplica o critério de poder aquisitivo no contexto nacional, como mostrou uma reportagem da revista DER SPIEGEL em fevereiro deste ano.
          Ou seja, a política dos petralhas voltada para o ensino superior revela miopias e cegueiras muito parecidas com aquela do tucanato.

        • Martins toda vez vem com essa de que as federais pagam bem mais que as privadas.
          Um professor da UNICAP assistente I, que portanto só precisa ter o mestrado, se estiver
          enquadrado em regime de 40h ganha mais de R$ 6.000,00 líquidos. E isso sem DE.

        • Anônimo,
          a UNICAMP não é uma universidade federal, e sim estadual.

          Os rendimentos de um professor Assistente Nível I, em regime de Dedicação Exclusiva numa universidade federal (o Google diz, meu contracheque também) é de R$ 4.651,59, sendo composta por:
          Vencimento Básico: R$ 2.001,85 (dois mil e um real e oitenta e cinco centavos); Gratificação Específica de Magistério Superior (GEMAS): R$ 1.056,83 (hum mil e cinquenta e seis reais e oitenta e três reais); Retribuição por Titulação (RT): R$ 1.592,90 (hum mil, quinhentos e noventa e dois reais e noventa centavos).

  • Ele tem mestrado, pelo menos?

    • Não me lembro agora se estava concluindo ou se já tinha terminado o mestrado.

  • Dilma e Lula são farinha do mesmo saco. Tem gente que ainda gosta de se enganar!!!!!!!!!!

    • EU. Adoro ser enganado.

      Em quanto sou enganado, vejo o Brasil bem melhor do que há dez anos atrás.

      Esté é realmente um bom engano.

  • O Zaverucha já deve ter avisado que está em greve. Mas greve por tempo infinito. A galera está se mobilizando para que ele pare de dar aulas enquanto corre o seu apelo para que a pena seja revista, o que é impossível. Fora Zaverucha da UFPE já!!

  • Site do ig dizendo q Luiz Estevão é “Exilado” !

    O crime compensa sim, quem disse q nao?

  • Palmas pro governo da terrorista. É só o começo, se preparem pra tomar no “forevis”, func. públicos !

    • KKKKKK!!!! Viúva da ditadura detected!!!!

      • Ataque fajuto esse seu, simplesmente chamar de viuva. A ditadura continua, só mudam os métodos. Hj é a sua “turminha” que tá “comendo”.

    • Por uma questão moral, os professores das IFEs deveriam não fazer greve. Aquela federal, principalmente o núcleo CFCH, CAC e CE, é um antro de lulistas/dilmistas e utilizaram/utilizam o espaço da Universidade descaradamente para fins partidários e políticos (são raríssimas as exceções). Estudei no CFCH e vi muito mais proselitismo político do que conteúdo e pesquisa. Agora tenham vergonha e vão dar aulas (coisa que pouquíssimos fazem de verdade).

    • Faltou citar a terrorista, ou não teve coragem de colocar o nome.

      A terrorista, posteriormente chamada de poste, faz um governo que deveria receber o apoio de todos
      os brasileiros.

      Terrorismo é fazer tortura. Dilma foi vitima de torturas. Por um simples motivo, era contra a
      ditadura e teve a coragem de lutar. Os aproveitadores da ditadura como o grupo Globo, estão ai pensando
      que ainda mandam no Brasil.

  • Eu só acho interessante uma coisa: os professores que mais produzem conhecimento (publicação em revistas CONCEITUADAS) não costumam aderir à greve. (por certo recebem gratificações por produtividade). Digo isso porque tem um MONTE de professor que só produz pesquisa RUIM (para não dizer m…) que não serve para nada… na verdade só para incluir no Lattes. E que na verdade esse salário que recebem (e estão reclamando) já é mais do que suficiente para as duas turmas por período que costumam ensinar.

    Se querem greve, então que o façam!! Mas utilizem esse tempo para se manifestarem e lutarem por melhorias e não aproveitar o ‘tempo’ para poder viajar e curtir a vida (como muitos fazem).

    Saudações!!

  • FANTÁSTICO O QUE JOCA ESCREVEU:

    “O problema do funcionalismo público é que este só acha o salário satisfatório na hora de fazer o concurso. Mas basta assumir o cargo pro salário passar a ser péssimo.”

    PIERRE, coloca teu currículo para ensinar numa universidade privada. Pode ser que você ganhe muito mais (e vai continuar ensinando, que é o você gosta de fazer!!). Sugiro aos demais professores o mesmo.

    São poucos os professores que tem suas pesquisas publicadas em revistas renomadas internacionais. E NÃO venham reclamar que o governo não dá apoio pois é mentira!! É VERGONHOSO!!! A questão é que dá trabalho…

  • Isso aqui vira um circo de insultos. Uma guerra entre quem foi incapaz de passar em concurso público e os que passaram. Resultado??? nenhum.

    • Que mentalidade bipolar, Carrilho. Será que o mundo se divide de gênios que passaram em um concursos e nos idiotas que não passaram?? Será que o objetivo maior da vida é passar em um concurso? Será que os homens foram feitos para os concursos??

      Cara, enquanto eu for obrigado a pagar imposto, vou criticar quem quiser viver às custas do dinheiro da coletividade, sobretudo se o produto final for um lixo.

      No mais, não conheço um caso de um ex barnabé empreendedor. Porque soube que os caras, mesmo com tempo de aposentar, não saem. Que tipo de trabalho é esse que o cara só se aposenta se for compulsório??

      • De que adianta passar num concurso e ficar o resto da vida reclamando do salário?

        • Pois, é martins, mas é o que a grande maioria faz: passa no concurso, se acomoda e fica o resto da vida reclamando de tudo, sobretudo do salário.

          Isso é ingratidão pura. É o mesmo que você ser convidado para almoçar na casa de alguém e depois ficar reclamando da comida e da casa do anfitrião.

          Na hora de fazer o concurso é uma beleza, depois todo mundo só sabe reclamar da vida e fazer greve.

          Talvez Dilma esteja querendo dar um basta nessa palhaçada. Se ela conseguir, vou considerá-la a melhor presidenta da redemocratização.

      • Foi só fazer a carapuça que muitos já a vestiram.

        Tratei de provocar, sr. Carlos reclamão. E o sr. se doeu. A verdade é que servidor público pra vc é sinônimo de sanguessuga e pronto. E com gente assim. Não dá pra dialogar.

        Pra começar, não precisa ser gênio pra passar em concurso público. Do mesmo jeito que precisa muito menos pra trabalhar na iniciativa privada.

        No serviço público, a pessoa paga ao empregado para receber depois (não é só o sr. que paga tributo). Na iniciativa privada, o trabalhador apenas trabalha e recebe por isso. Não precisa pagar ao empregador tb, não.

        Na iniciativa privada existe FGTS, no serviço público, NÃO.

        Se a iniciativa pricada fosse honrada e tivesse noção de sociedade e nação, o setor públivo não precisaria de bons profissionais para tentar corrigir as mazelas existentes.

        Veja, por exemplo, que se a tim, vivo, oi, claro, celpe, sky, itau, fiat, ford, chevrolet etc etc etc, respeitassem seus consumidores e as leis deste país, o judiciário não precisaria gastar tanto em pessoal e insumos para tentar apaziguar as lides envolvendo tais pessoas jurídicas e seus clientes.

        Portanto, é muito fácil falar, quando não se consegue enxergar (ou se faz que não enxerga) o que é causa e o que é efeito.

        No caso das universidas estrangeiras, como as americanas, por exemplo, o professor ganha bem pq a universidade é paga e é muito cara.

        Inverta a situação para o Brasil e verão que aqui os professores dos cursinhos são os de faculdade de lá, ganham muito.

        A inversão de valores é grande. A culpa?? da iniciativa privada.

        • E quem veste a carapuça do barnabé?? Eu é que não sou.

    • Carrilho, uma pessoa desavisada que lê os o post e os comentários pode até achar isso que você falou mesmo.

      Eu, sinceramente, discordo.

      Conheço algumas pessoas que estão no serviço público que não deixaram de ver os absurdos que acontecem lá dentro. São pessoas que não se cegaram em relação às coisas erradas do país. É a minoria, mas existe. E tem também os que estão fora e não querem/não precisam entrar, mas criticam também pois sabem que está errado, afinal quem gosta de sustentar marajá? Eu podia ser o Bill Gates mas não ia ficar calado em relação ao que há de errado no país. É unicamente uma questão de consciência.

      O problema é que servidor detesta ser criticado pois acha que é o salvador da pátria, acha que tudo o que acontece de bom no país se deve a ele. Daí quando o criticam, ele acha que estão com inveja. A prova é que já acusaram Pierre de invejoso aqui não sei quantas vezes, mesmo ele fazendo crítcias totalmente válidas ao funcionalismo.

      A maioria das pessoas quando ingressa no serviço público realmente faz de conta que está tudo uma maravilha no Brasil. Mas nem todo mundo entra nesse esquema. Muita gente se vende fácil. Não é por que a pessoa passa a receber regalias estatais que vai fingir que mora no melhor país do mundo. Isso foi muito comum no governo Lula. Parece que agora com Dilma (que aparenta ser uma pessoa mais sensata e pé no chão) as coisas estão mudando para melhor.

      O problema é que é difícil você explicar pro povão que eles se acabam de trabalhar debaixo de sol pra manter barnabé que “trabalha” 4 horas por dia e ganha R$ 30 mil no fim do mês e ainda se acha o injustiçado. Talvez Dilma seja mais consciente em relação a isso, já que ela tem uma visão mais desenvolvimentista do que Lula. Lula só estava procupado em sair distribuindo mordomias para todo mundo pra conseguir voto, pouco importando se essa postura detonasse o país. Todo mundo sabe que esse hiper inchaço da folha de pagamento complicou a situação das contas do país e agora que Dilma entrou talvez ela esteja vendo o tamanho do rombo que o governo Lula deixou em vários setores e ela esteja talvez tentando consertar as coisas. Um dia essa hora iria chegar, fatalmente. Alguém iria ter de pagar essa conta. Não dá mais pra fazer de conta que nada está acontecendo ou então onde iremos parar?

      Espero, de fato, que a presidenta tenha pulso firme para lutar contra as coisas erradas deste país, coisa que Lula sequer tentou fazer.

      Não me espantaria se em 2014 os servidores quisessem a volta de Lula.

      Mas, por outro lado, Dilma vai ter o apoio consciente e racional de muita gente que concorda com as medidas tomadas por ela e vai entrar para a história de uma forma bem positiva, muito melhor do que Lula. Ela vai entrar como a pessoa que fez a coisa certa. Ela sabe o que tem que fazer e sabe que tem que ser feito.

      Lula patrocinou muita coisa errada nesse país e com isso agradou muita gente que se beneficiou direta ou indiretamente dessas coisas erradas, inclusive ele próprio.

      • Qual foi o “hiper inchaço da folha de pagamento”????

      • Então afonso. Respondi sobre minha colocação mais acima. Caso queira ler, irá entender.

        Lembro que na greve do TJPE eu falava abertamente com os grevistas, que o salário de técnico judiciário estava bom, acaso comparassemos com pessoas com nivel médio.

        O que causa revolta no serviço público é que na iniciativa privada existe a reposição inflacionária anual (chamada de aumento do salário mínimo), e no setor público muitas vezes passam-se 5 anos para que se reponha o equivalente a um desses anos, logo, o salário acaba corroído (o que é muito do justo, afinal, somos barnabés e não trabalhamos, apenas mamamos, segundo alguns).

        Falei o que falei apenas para provocar, revoltado que estou com os insultos que vejo um proferindo contra o outro diariamente por aqui. Só pode ser inveja, pensei. Mas óbvio que não é. É ignorância das coisas que acontecem em repartições públicas ATUALMENTE.

        Os servidores mais novos estão herdando uma pecha que a eles não deveria pertencer.

        Não seremos os solucionadores dos problemas do país, mas não vejo nenhum trabalhador de iniciativa privada, ou seus patrões, querendo ser tb não.

        Só acho que antes de abrir a boca pra falar, cada um tem que olhar para si e pensar no que está fazendo. Eu, por estar trabalhando diretamente na resolução dos conflitos, faço por dever (tecnicamente falando), mas gosto de ajudar. E a iniciativa privada??? não poderia ajudar, não?? Poderia, mas não se interessam, afinal, pagam impostos.

  • Não leram o EDITAL? Não sabiam o quanto ganhariam????GREVE DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO É CRIME!! SÓ PREJUDICA A POPULAÇÃO!!!QUE O GOVERNO CORTE O PONTO DOS GREVISTAS!!!

    • Na hora de se inscrever é tudo festa. A turma só pensa nas férias eternas, no salário, no status, na carteirada e em aparecer. É fácil pensar no carrão importado, nas roupas de grife, nos restaurantes caros, no apartamento beira-mar que vai comprar e nas viagens pro exterior que vai fazer. Vida de milionário todo mundo quer.

      Depois que entra, só faz reclamar, contrai dívidas impagáveis, entra em depressão e só pensa em licença e aposentadoria e ainda tem a cara de pau de dizer que “deu o sangue” no serviço público.

      Com toda a moleza, ainda tem servidor que se considera um sofredor.

      É um absurdo num país como o nosso, o governo manter uma classe de bon-vivants inúteis que não produzem nada e vivem de reclamar. É um insulto com quem trabalha de verdade e paga quase tudo que ganha em imposto pra manter essa farra.

    • Você já ouviu falar em inflacao?
      Nao?

      • Cobrar reposição da inflação é justíssimo, Pierre.

        O que está sendo criticado é a postura de boa parte dos servidores públicos, que fazem o concurso e depois passam a vida inteira se dizendo “perseguidos”, “massacrados” e “humilhados”.

        Ora, ninguém os obriga a permanecer em empregos tão ruins.

        • Só assim eu sou obrigado a concordar com martins.

          Se não gosta da moleza pública, por que não larga o filé?

          Por que as pessoas insistem em ficar numa coisa que é tão ruim e que as incomoda tanto?

          Reclamar todo mundo quer. Deixar a festa do serviço público ninguém quer.

          Ficar na farra reclamando de barriga cheia em meio ao luxo e às mordomias é bom demais.

          Estamos num bom momento do país e tem emprego sobrando fora do serviço público. Por que os marajás não vão atrás de outras oportunidades que não as tetas públicas? Quero ver largarem as tetas.

          Deixem o comodismo de lado, saiam das salas amplas, luxuosas e confortáveis das repartições e busquem outros horizontes mais nobres e dignos. Larguem os super salários, a mínima carga horária e os incontáveis benefícios.

          Reaprendam a ser ativos e menos acomodados.

          Não são tão competentes? Certamente conseguirão se dar bem longe da mamata estatal.

          Deixem o dinheiro público em paz e procurem fazer outra coisa da vida.

        • Edson
          Muitos dos melhores já largaram mesmo, da pior forma…apenas fazem o mínimo esperado e vão buscar fora.

        • Martins
          E desde quando foi suprimido o direito de lutar por melhores salários?
          Ainda mais em um lugar onde depois perdemos as ferias para repor as aulas.

        • Ô Pierre, eu nunca falei que não se deve lutar por melhores salários.

      • Pois é, acho q o Ricardo deve morar em Mônaco, onde nem imposto o cidadão tem q pagar… Falar de fora é fácil, quero ver é o cara sustentar família c/ salário defasado, com tudo aumentando ao seu redor, inclusive os salários dos parlamentares, estes sim os verdadeiros sanguessugas desse país. Como se não bastasse trabalhar em um ambiente desmotivador e mal estruturado e ainda ter q aguentar as “politicagens”, o servidor ainda tem q dar graças a Deus pq passou em um concurso público q pagava bem (no tempo da realização do mesmo)!!!

  • E outra: Fazer GREVE nas costas do outros é bom demais,né? Fazer greve e continuar recebendo o salário é muito massa,viu? Não tem o sindicato,adufepe, andes?O s professores não pagam uma contribuição?Então, o sindicato,adufepe,andes deveriam reservar os recebimentos e guardar para o caso de greve e PAGAR O SALÁRIOS DOS GREVISTAS NESSE PERÍODO!!!O GOVERNO TEM QUE CORTAR O PONTO DOS GREVISTAS!!!Todo mundo só recebe se trabalhar, agora os “servidores públicos” fazem greve e continuam a receber dinheiro público sem prestar serviço ao público!!!GREVE DE FUNCIONÁRIO PÚBLICO DEVERIA SER TRATADA NA ESFERA CRIMINAL!!VERGONHA ISSO!!

  • Se o cara é tão bom pra ter um doutorado acadêmico,pq não passa num concurso melhor?Pq não trabalha na iniciativa privada do centro-sul?Pq não ensina em universidades privadas famosas no centro-sul(puc,ibmec,fgv,faap)?Muito doutores não ganhariam fora da ufpe o q ganham dentro dela.E fora os privilégios q essa classe tem:Férias,aposentadoria,bonificações tudo isso melhor q a população em geral.Agora eu entendo o q os professores do CFCH falam: O BRASIL TEM UMA ELITE ESPOLIADORA(funcionários e servidores públicos)!!!Os caras não trabalham como a populaçao,tem privilégios e AINDA RECLAMAM!!

    • Eu já tive como ir para a FGV e a PUC. Fiz a opcao pela UFPE mesmo porque queria ficar em Pernambuco.

    • Concordo plenamente.

  • Acho que o problema do serviço público, em geral, é o seguinte : Os concursados geralmente ganham menos que parasitas indicados, que caem ali em cargos de chefia sem entenderem porra nenhuma do fazem e ainda atrapalhando o serviço de quem trabalha diretamente com público. Se não houvesse esses parasitas indicados, em cargos burocráticos, ganhando 5-10 x mais e ainda aporrinhando o serviço alheio, teríamos 2 consequencias : 1) Poderia-se pagar mais ao concursado. 2) O cara não usaria o salário do parasita como modelo.

  • Funcionário público é uma racinha….. mas o Pierre não respondeu sobre a proposta de ir pra iniciativa privada.

    • Eduardo
      Nao há nenhuma instituição de ensino privada onde seja possível participar de pôs graduação, pelo menos em Pernambuco.
      No meu caso sair da UFPE nao seria grande problema para recolocação em outro lugar, especialmente bancos.
      Você precisa pensar que quando os salários nao acompanham a inflacao, o que acabam fazendo na federais é ir procurar outra coisa pra fazer, como projetos fora.
      O lado perverso é que apenas os melhores conseguem espaço fora, e aí a universidade fica um espaço para os incompetentes.

      • O que eu vejo é os professores das particulares fazerem TUDO pra entrar numa federal, inclusive se mudar de estado.

  • Martins, Rafael, Alexsandro, Thomas e alguns demais,
    O que está em discussão é a valorização da carreira do magistério superior.
    Quem esteve na assembleia de quinta-feira pode perceber algumas das insatisfações dos docentes. Além das questões salariais, estão em jogo, por exemplo, a demasiada pressão por produção acadêmica imposta pelos órgãos de fomento ligados à pesquisa. Junta-se a isso, o ” EXTRA-ORDINÁRIO” REUNI, que tem aumentado substancialmente a quantidade de alunos por turma e consequentemente sobrecarregado os professores. A universidade é um lugar de ensino, mas também de produção de conhecimento. Imagina por exemplo, um professor com 3 turmas de graduação, orientações, projetos de pesquisas, pós-graduação, etc. Parece-me que vocês estão querendo trazer para o ensino superior público o mesmo que acontece com a educação básica: professor com 500 alunos (em média), dos quais não sabem nem ao menos o nome. Não esqueçam que não estamos falando de máquinas de produzir conhecimento! Pois bem, é por essas e outras razões que a greve foi deflagrada e não apenas por melhores salários. Além disso, sugiro que compareçam às assembleias dos docentes para conhecer melhor suas reivindicações. PS: aluno

    • Sou professora do REUNI, Assistente I DE. Tenho 120 alunos na graduação. Mais 40 de um projeto do FNDE que paga uma bolsa de R$ 900,00. Imagina quantos artigos maravilhosos eu consigo produzir.

      Quantas horas diárias eu posso dedicar-me à leitura detida e realmente pesquisadora, visando à construção de conhecimentos, efetivamente? Resposta: muito menos que o mínimo necessário.

      Eu mal dou conta de saber o nome de todos os alunos mesmo, na boa.

      Eu trabalho mais de 8 horas por dia.
      E, de fato, se quisesse, não trabalharia mais que 8 horas por semana.

      Serei eu uma tola?

      Onde está o problema? Está em mim, que optei pela atuação numa IFES e não vou “botar o meu currículo no mercado” ou está na maneira como as coisas estão organizadas? Porque, vejamos bem, o trabalho numa universidade pública não tem a menor possibilidade de comparação com o trabalho numa faculdade particular. Todos sabemos que instituições privadas não têm interesse em investir em pensamento crítico. Fora isso, o público que se atende é completamente diferente (em geral). Não são fazeres que se possa comparar. Forçar essa comparação é completamente ilógico.

      As instituições públicas de ensino precisam existir com qualidade para o bem social. A questão é que eles vem funcionando mal. Estão sendo sucateadas há anos.

      Por isso estou em greve.

  • Acredito sim que para contratar os melhores profissionais para o ensino superior público deve-se oferecer salários competitivos. O problema é que esses mesmos salários serão pagos a profissionais fracos de conteúdo ou que não querem dar aula. Exatamente, tem “professor” ali que dá aula a contragosto, como se não estivesse ali justamente para isso.

    Tive uma professor, doutora, concursada, que dava aula lendo uma transparência (isso a 5 ou 6 anos atrás) tirada de um livro, de cabo a rabo, vírgula por vírgula. Quando chegava lá e o pré-histórico retroprojetor estava quebrado ela dispensava os alunos e ia embora. Uma criatura como essa merece receber quanto? Se não fosse a tetinha da universidade ela não arrumava emprego nem em escolinha de bairro, no ensino fundamental 1.

    Outros doutores pararam no tempo. Por exemplo, uma certa sumidade do CFCH, além de não querer trabalhar, fazendo os alunos apresentarem seminários todos os dias de aula (estou falando literalmente todos), tinha uma bibliografia que terminava em 1982. Ou seja, de lá pra cá ele não indicava mais nada. Esse era doutor e pesquisador do CNPq.

    Assim como eu, diversos outros que estudaram na UFPE devem ter histórias bizonhas como essas. E não vou falar eufemisticamente que é a minoria, pois se não são pelo menos metade, são a maioria dos docentes daquela instituição (estou falando, pelo menos, da minha área de ciências humanas).

    Enquanto isso, no mercado de trabalho existem excelentes profissionais, com vivência prática (coisa que falta a muitos da UFPE), consagrados e que não podem ministrar aulas por não terem a titulação exigida (doutorado ou pós-doutorado). Não digo que essas trabalhariam lá por dinheiro, mas sim buscando conciliar o ensino com suas atividades profissionais, o que no atual sistema fica muito difícil. Prefiro um CEO de uma grande empresa, apenas com um MBA ou pós, dando aulas de administração, do que um pós-doutor que nunca administrou nem o condomínio do prédio onde mora.

  • http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2012/03/vergonha-das-bancas-de-pos-graduacao-e.html

    A Vergonha das Bancas de Pós-Graduação e de Concursos Públicos

    O filme Twelve Angry Men (Doze Homens e Uma Sentença), de Sidney Lumet, conta a história de um júri que deve decidir se um jovem é culpado ou inocente da acusação de assassinato. Entre os doze, onze estão convencidos da culpa do réu. Mas um deles (interpretado pelo notável Henry Fonda) tem dúvidas. Ele quer discutir, trocar ideias, avaliar o caso com cuidado. É uma pessoa que prestou cuidadosa atenção nas alegações da defesa e da acusação.

    O filme é uma batalha dialética como poucas vezes se testemunhou no cinema. No final, os doze acabam por inocentar o réu, por perceberem que não havia provas concretas, mas apenas evidências circunstanciais. Afinal, um réu só pode ser considerado culpado por assassinato se não houver dúvidas sobre o caso.

    Em 2005 foi publicado um belo livro de Richard Dawkins (O Capelão do Diabo, Companhia das Letras), no qual o autor coloca em xeque a cientificidade dos usuais procedimentos adotados em tribunais de júri. Um júri (em diversos países) é formado por doze pessoas supostamente idôneas e de espírito independente, que não podem ter contato com o mundo exterior e eventuais reportagens da mídia. Eles têm a finalidade de decidir o futuro de um réu a partir de sessões em tribunal envolvendo advogados, testemunhas, eventuais peritos e o próprio réu. No entanto, os membros do júri podem conversar entre si em sessões secretas. A questão então é a seguinte: de que forma isso garante independência de pensamento e, portanto, de julgamento?

    Quando uma nova droga é testada em humanos, criam-se dois grupos de voluntários: aqueles que recebem a droga e um grupo de controle que recebe apenas um placebo, algo como uma pílula de açúcar. Nem mesmo os enfermeiros que administram a droga, ou aqueles que distribuem o placebo, sabem o que estão entregando aos voluntários. Isso garante independência entre eventos, encarando as reações de cada voluntário como um evento. Se, por exemplo, metade dos pacientes do grupo de controle sentir os efeitos da droga, sabemos que este é um efeito ilusório, alcançado por sugestão. Isso porque todos os voluntários sabem o que estão fazendo: o teste de uma nova droga.

    Tais cuidados que previnem o conhecimento direto sobre o quê os voluntários estão de fato recebendo em seus organismos, se fundamentam parcialmente em noções elementares sobre teoria de probabilidades, assunto primariamente estudado no ensino médio de nossas escolas. Como todos os voluntários acreditam na possibilidade de estarem sendo testados com a nova droga, é importante que os envolvidos não tenham certeza se estão realmente a recebendo ou não. Isso porque a probabilidade de uma pílula surtir o efeito da droga em teste, uma vez que o voluntário tem certeza que está ingerindo um placebo, não é necessariamente igual à probabilidade dessa pílula surtir o mesmo efeito diante de um voluntário que tem a certeza de estar submetido à droga. Em geral, há diferenças substanciais entre tais probabilidades, particularmente no teste de drogas que servem ao tratamento de doenças ou distúrbios de ordem psicossomática.

    Voltando ao caso do tribunal de júri, é natural que grupos de pessoas formem líderes. E é natural que esses líderes definam o comportamento do grupo como um todo. No caso do filme acima citado, a personagem de Henry Fonda se firmou como uma liderança, apesar de ter sido inicialmente recebida com grande ceticismo por membros do júri. Foi uma liderança com um resultado aparentemente justo. Mas a questão principal não é se uma decisão foi tomada corretamente. Se não há independência intelectual entre os membros de um jurado, por que então escolher doze deles? Se uma só pessoa for capaz de influenciar as demais (o que não é absurdo supor), então bastaria o julgamento deste único indivíduo para definir o destino do réu. Os outros onze jurados mostram-se absolutamente dispensáveis.

    Em teoria de probabilidades sabe-se distinguir entre a probabilidade de um evento A e a probabilidade do mesmo evento A diante de circunstâncias dadas por outro evento B, especialmente quando os eventos A e B não são estatisticamente independentes. No caso do tribunal de júri, a opinião de um jurado é um evento e a dos demais jurados é outro. E comumente esses eventos não são estatisticamente independentes.

    O que queremos dizer com independência estatística? A questão é complicada para ser respondida sem fugirmos dos propósitos da postagem. Mas este é um conceito amplamente conhecido entre estatísticos e matemáticos. Para fins práticos, neste caso, podemos dizer que a independência estatística não ocorre entre os eventos no sentido de que a probabilidade de um jurado tomar a decisão A sem conhecer a opinião dos colegas é diferente da probabilidade de o mesmo jurado tomar a decisão A, conhecendo a opinião dos demais.

    Algo semelhante ocorre em bancas de pós-graduação e de concurso público para docentes em universidades. Uma típica banca de doutorado, por exemplo, conta com cinco membros titulares, sendo que um deles é o orientador de quem defende a tese. No Brasil, o orientador normalmente é o presidente da banca. Ele é o responsável pela condução dos trabalhos de avaliação. Os demais membros são escolhidos pelo próprio orientador e/ou por aquele que será avaliado. É claro que essa escolha está sujeita à aprovação do colegiado do curso; mas orientadores experientes sabem como lidar com nomes de modo a evitar frustrações ou indeferimentos diante de colegiados de programas de pós-graduação. A banca, uma vez formada, deve decidir em sessão pública se aprova a tese de doutorado defendida na forma como está, se a aprova condicionalmente a alterações feitas no texto original, ou se a reprova.

    Neste sentido, a escolha de uma banca de doutorado é consideravelmente mais tendenciosa (e, consequentemente, mais estúpida) do que a de um corpo de jurados. Jurados são escolhidos, a partir de um pequeno universo de cidadãos, pelos advogados de defesa e acusação. Já no processo de defesa de doutorado, somente as partes interessadas no sucesso do candidato escolhem os membros da banca.

    Portanto, minha pergunta é: onde está a cientificidade dos procedimentos usuais de formação e aplicação de bancas de pós-graduação? Que diferença faz se uma banca de especialização tem dois professores, uma de mestrado tem três e uma de doutorado tem cinco? Afinal, não é o orientador uma liderança natural? Mesmo no caso em que o orientado aponta possíveis nomes para a banca, a prática mostra que a interferência do orientador é de extrema importância.

    É claro que existe orgulho suficiente entre professores doutores pesquisadores para suportar a narcisista crença de que seus julgamentos são (estatisticamente) independentes. Mas se isso fosse verdade, por que não adotar procedimentos mais justos, menos suspeitos, menos sujeitos a severas e pertinentes críticas?

    Podemos mesmo supor independência estatística entre os julgamentos dos membros da banca e o julgamento do presidente desta?

    Alguns professores universitários chegam a abraçar a seguinte política sobre participação em bancas: “se eu não concordar com o conteúdo da tese, basta não aceitar o convite; o orientador conseguirá alguém que irá em meu lugar.”

    E essa postura é um fato extremamente comum. Aqui está mais um exemplo das consequências da não existência de um código ético entre docentes.

    Ou seja, uma vez que um professor orientador dê seu aval, é muito difícil que a banca crie confusão. Defesas de monografias, dissertações e teses são geralmente meros rituais acadêmicos que pouco têm a ver com qualquer postura científica. Isso significa que teses científicas devem ter caráter científico, mas a avaliação delas não. Por que será, então, que tão poucos leem teses e dissertações que ficam mofando em prateleiras de bibliotecas? Isso não é sintomático?

    Essa situação não ocorre apenas no Brasil, mas também nas melhores universidades do mundo. O próprio Dawkins, em seu livro citado acima, defende a ideia de que jamais devemos confiar no conhecimento que se justifica por revelação, tradição ou autoridade. Faz-se necessária uma argumentação racional para a defesa de qualquer tipo de conhecimento. Pois bem, a formação tradicional de bancas de pós-graduação é algo que tem se mantido por mera tradição. E, pior, se sustenta em absoluta presunção e vaidade intelectual. Opera como uma liturgia de uma antiga sociedade secreta.

    Houve época, em algumas universidades europeias, que o professor orientador tinha que defender a tese juntamente com seu orientado. Isso faz um pouco mais de sentido, mas ainda não elimina o problema de comunicação entre os membros da banca. Tal comunicação ocorre, no mínimo, no dia da defesa da tese; pois o avaliado tem que fazer sua apresentação, seguida de uma arguição da banca, realizada na presença de todos. Mas, na prática, muitas vezes a comunicação entre membros da banca acontece antes da defesa, a qual novamente se denuncia como um mero e hipócrita ritual.

    É claro que existe uma argumentação não ignorável em favor da troca de ideias entre membros de uma banca de pós-graduação. Uma vez que um trabalho de ordem intelectual está sendo realizado, faz-se necessária a troca de ideias para avaliá-la. Isso porque uma perspectiva pode estar sendo percebida por um membro da banca e não pelos outros. Mas esse argumento não passa de uma ingênua falácia.

    De fato, o desenvolvimento de um trabalho acadêmico demanda interações entre especialistas. Mas o julgamento sobre os méritos de um trabalho concluído que visa preparação para o ato da pesquisa é outra situação. Analisemos, para fins de ilustração, uma prática internacional que se qualifica de maneira muito mais profissional.

    Quando um pesquisador escreve um artigo e o submete para publicação em um periódico, dois especialistas da área são convocados pelo editor para avaliar o texto. Os dois especialistas são completamente independentes, pois são anônimos perante todos, exceto o editor. Cabe ao editor ler os pareceres, para poder tomar uma decisão. Dependendo do caso, o editor pode se sentir obrigado a consultar outros especialistas, que novamente atuarão de forma independente e no anonimato. Já atuei como avaliador para diversas publicações brasileiras e do exterior, e jamais tive conhecimento sobre quem eram os outros avaliadores. Também já atuei como editor e sempre procurei contato com especialistas de instituições geograficamente afastadas entre si. São procedimentos padronizados que têm garantido, salvo raras exceções, uma boa qualidade de publicação de textos acadêmicos. Por que não usar procedimento semelhante no processo de avaliação de monografias, dissertações e teses de pós-graduação? Se o doutorado é uma iniciação às atividades de pesquisa científica, por que não preparar o candidato para a realidade científica mundial? É por isso que existem tantos doutores no Brasil que jamais publicaram em periódicos internacionais? Estamos formando doutores com mentalidade infantil?

    As bancas de pós-graduação mais se parecem com uma demonstração de força do orientador e não com um processo de avaliação do orientado. Há até uma anedota muito inspirada e que ilustra bem essa situação.

    Uma raposa passeava por um bosque, quando repentinamente encontrou um coelho. Sua fome não tinha limites, mas a raposa ficou intrigada ao perceber que o apetitoso roedor escrevia sem parar, mesmo notando a ameaçadora presença de uma caçadora impiedosa. A raposa não resistiu e teve que alimentar sua curiosidade antes do estômago.

    Raposa: “Olá, coelho. Antes de comê-lo, preciso saber o que estás a fazer.”

    Coelho: “Estou a escrever minha tese de doutorado.”

    Raposa: “Ah, é? E qual é a sua tese?”

    Coelho: “O coelho é o predador da raposa!”

    Raposa (gargalhando): “Sua tese é empiricamente inconsistente, coelho. Tanto é verdade que eu mesma vou comê-lo.”

    Coelho: “Tudo bem. Vou demonstrar minha tese. Entremos em minha toca, por favor.”

    Os dois entraram no buraco e então uma feroz luta é ouvida do lado de fora. Em seguida o coelho sai sozinho da sua morada, sem um único ferimento no corpo e sem qualquer abalo emocional.

    Dessa vez um lobo se aproxima, também com fome, e vê o mesmo coelho ainda escrevendo sem parar. O lobo, apesar da fome, age como a saudosa raposa.

    Lobo: “Olá, suculento coelho. Antes que te devores, preciso saber o quê estás a escrever.”

    Coelho: “Minha tese de doutorado, senhor lobo.”

    Lobo: “Essa é boa. Nunca comi um intelectual. E qual é a tua tese?”

    Coelho: “O coelho é predador do lobo!”

    Lobo: “Minha piedade sobre tuas pobres ilusões de vida não me impedirão de comer-te aqui mesmo, ingênuo coelho.”

    Coelho: “Por favor, acompanha-me para a toca. Posso demonstrar minha tese com prazer.”

    Os dois entram na pequena morada e logo em seguida é possível ouvir os desesperados gritos do lobo em agonia de morte.

    Quando o coelho sai novamente da suspeita residência, está acompanhado de um leão. O rei-das-selvas é seu orientador!

    No caso de concursos públicos, para fins de contratação de docentes em universidades federais e estaduais, há umas poucas diferenças em relação a bancas de pós-graduação. Não existe qualquer orientador ou tutor que necessariamente tome partido para o lado do avaliado. No entanto, há mecanismos por vezes mais traiçoeiros.

    Não são raros os concursos públicos em nosso país que são obviamente direcionados a um profissional específico. O objetivo da instituição que abre o concurso público é a contratação daquele indivíduo! Isso pode ser facilmente conseguido com a redação do edital, a qual é decidida pela unidade administrativa na qual o aprovado será lotado, em caso de classificação. Consequentemente, eventuais outros interessados em um emprego na instituição passam a ser prejudicados sem que o saibam. É uma maneira de instituições públicas contornarem as limitações de autonomia administrativa impostas por governos. No entanto, é também um ato de covardia, na opinião de muitos. No lugar das instituições públicas lutarem seriamente por autonomia, elas adotam esses subterfúgios que denunciam uma contradição no sistema de ingresso na carreira pública de ensino superior.

    Vários foram os movimentos de greve em universidades que reivindicavam autonomia administrativa. Mas todos foram silenciados com uma simples negociação salarial, ainda que a negociação envolvesse uma gratificação que sequer fosse incorporada ao salário base. Outro motivo para que eu não seja sindicalizado.

    Ainda em concursos públicos para docentes, devemos lembrar que o presidente da banca é, geralmente, membro da instituição que abriu o edital. Além disso, todos os membros da banca são indicados pela unidade administrativa que se beneficiará com o preenchimento da vaga. Isso também propicia outra situação isenta de critérios científicos. O presidente, normalmente conhecido pelos demais membros, pode secretamente orientar a banca no sentido de não aprovar um determinado candidato. Eu mesmo já testemunhei esse tipo de interferência em diversas ocasiões e instituições de ensino público.

    Posso garantir o seguinte: É muito difícil crer na existência de bancas verdadeiramente justas, tanto em concursos públicos ou testes seletivos, quanto em programas de pós-graduação. Eu, por exemplo, já fui convidado por um pesquisador para participar de uma banca de qualificação para doutorado simplesmente porque o presidente da banca considerava o candidato fraco. Durante a arguição os demais membros da banca (exceto o presidente, que evitou interferências) elogiaram o projeto. Eu, porém, não consegui aprovar o projeto do candidato porque era obviamente ridículo. Consequentemente o candidato desistiu de sua intenção para ingressar no programa. Ou seja, bastava ter me substituído por outra pessoa (como aqueles professores doutores de mentalidade medíocre) para que o candidato fosse aprovado.

    Outro aspecto importante sobre este cenário é o preconceito racial ou xenófobo, notado principalmente após a aprovação de um candidato. É muito comum a presença de estrangeiros nas universidades públicas brasileiras, vindos de países como Peru, China, Rússia, Argentina, Alemanha e outros. E em muitas ocasiões vi alguns estrangeiros perceberem com estranheza certas características da vida universitária brasileira. Quando eles se manifestavam, testemunhei evidente preconceito diante de frases do seguinte tipo: “Não está satisfeito? Volte pra China!” ou “Aqui não é o Peru. É melhor ir se acostumando com os nossos modos.”

    Não vejo motivos para não nos beneficiarmos das experiências que podem ser assimiladas a partir de outras culturas. Mas assim como houve época em que a contratação de estrangeiros era legalmente proibida em universidades públicas brasileiras, essa xenofobia, praticamente diária em nossas universidades, se parece com algo que está nas raízes da cultura brasileira, mesmo em um suposto ambiente de tolerância, compreensão e razão dos acadêmicos tupiniquins. Talvez isso faça parte até mesmo da cultura de igualdade que se sente em nossas universidades. Diversidade é algo que assusta a muitos, o que justificaria em parte a perpetuação até mesmo das políticas de formação e de ação de bancas de concursos e pós-graduação.

    Ou seja, até quando manteremos a farsa de nossas universidades? A farsa das bancas é um fenômeno praticamente mundial. Mas o escândalo velado de nossos concursos públicos é uma afronta contra qualquer noção de civilidade. O que é necessário para o Brasil despertar de sua estupidez? Ou será que já estamos imbecis o bastante para não percebermos nossos mais graves e fundamentais erros? Se este for o caso, só vejo uma solução: abrir mão da soberania nacional e entregar o governo do país nas mãos de nações mais competentes. Não me importo de ser governado por japoneses, alemães ou norte-americanos. Só estou cansado dessa inércia brasileira.

    • Esse texto não pode ter sido redigido por alguém que atua como docente/pesquisador numa universidade pública.

      1) Para a formação de bancas de pós-graduação funcionasse da forma como o senhor propõe, seria necessário – ao menos na área das ciências humanas – que as universidades tivessem grande quantidade de especialistas em especialistas – isto é, pessoas que conheceriam intimamente a pesquisa de todos os docentes de relevância numa determinada área e, assim, indicariam a afinidade intelectual deste professor com esta banca. Não há porque um especialista da escola X participar da banca de uma pesquisa voltada à escola Y, por exemplo. É por isso que os orientadores, em geral, escolhem as bancas: são as pessoas que eles lêem, com quem suas pesquisas se comunicam. Não se trata de uma guerra de adesão a determinadas ideias ou a outras! Trata-se de alguém que entende muito do assunto Y avaliando outro alguém que também está debruçando-se sobre o assunto Y.

      Agora, se os componentes de uma banca agem com complacência, ou por motivações políticas, se lhes falta ética em sua atuação, bem, aí então são outras questões que temos de rever – e não o processo de composição das bancas.

      Se bem que, particularmente, parece-me agora que a ideia dos “formadores de banca” seria uma boa. Seriam, porém, mais e mais funcionários públicos onerando o Estado.

      2) Um curso de graduação ou pós-graduação não é uma máquina. Ele vai muito além do que está redigido em seu Projeto Pedagógico, por um fato bastante simples: esse projeto é levado adiante por seres humanos. A subjetividade é inerente à função docente, mesmo nas áreas mais “exatas”. Impedir a participação de um docente local na avaliação pode gerar resultados como a contratação de profissionais que não contribuirão efetivamente com este projeto. A vida não é ciência, sinto muito.

      No mais, o que tenho visto de dentro do processo – ao menos em minha instituição – é um processo realmente limpo. Mesmo porque todo aquele que venha a sentir-se lesado em sua avaliação pode solicitar um recurso, e esse processo jurídico vai além do âmbito local, emperra as vagas sob litígio, é o terror de qualquer docente, de qualquer departamento. No mínimo, rola aí um terror.

      • Coloquei o elo da fonte no começo do artigo, se dê ao trabalho de ver quem é o autor do texto…

        • Ops, é mesmo.
          Fiquei procurando um link e não encontrei. Estava tão visível…
          Obrigada pelo toque.

          De qualquer maneira, está atestado no blog o que eu desconfiava: trata-se de alguém da área das
          ciências exatas, onde pode ser que seja possível esse outro tipo de formação de banca. Não acredito
          que um pensador das ciências humanas cogitasse isso.

          No tocante aos concursos, felizmente minha experiência é muito mais positiva que a do professor Adonai.

        • Parece-me que ele é interdisciplinar…

        • Não precisa ser grosseirinho, colega.

  • Pierre, vi uma foto sua do laguinho da UFPE que está irreconhecivel e lembrei de outro assunto que ninguem mais deu bola, ficou por isso mesmo, que é a da passarela do hospital das clinicas.

    Será que vão esperar a ferrugem devorar tudo de vez e esperar que aquela estrutura desabe em cima de um carro que passe por baixo?

    • Acho que arrumaram

    • Houve uma manutenção sim, há uns dois anos, foi quando ficou interditada e colocou-se quebra-molas e faixas de pedestres na BR, gerando incomensuráveis congestionamentos… o poder público brasileiro desconhece do que se trata manutenção preventiva…

      Aquela passarela e de responsabilidade da prefeitura de Recife?

      Por que não é uma passarela de concreto?

  • O problema é que não os que envergonham são maioria.

    Segue mais um exemplo: Professor marcou de conversar com os alunos sobre o andamento da disciplina com a greve e não apareceu nem deu notícias:

    Comentário de Décio Fonseca quinta-feira

    Não teremos aula, mas na hora da aula discutiremos o encaminhamento das atividades dos alunos durante a greve para não se perder tempo e o após greve retornaremos com algumas atividades acadêmicas para completar a disciplina.

    Pode ser acessado em http://ufpeadministracao.ning.com/group/si-ferias012012

    E ele está utilizando o mesmo grupo para a disciplina que lecionou nas férias!

  • O problema é que os que envergonham são maioria.

    Segue mais um exemplo: Professor marcou de conversar com os alunos sobre o andamento da disciplina com a greve e não apareceu nem deu notícias:

    Comentário de Décio Fonseca quinta-feira

    Não teremos aula, mas na hora da aula discutiremos o encaminhamento das atividades dos alunos durante a greve para não se perder tempo e o após greve retornaremos com algumas atividades acadêmicas para completar a disciplina.

    Pode ser acessado em http://ufpeadministracao.ning.com/group/si-ferias012012

    E ele está utilizando o mesmo grupo para a disciplina que lecionou nas férias!

  • Na minha época de estudante da UFRPE, tive que assistir aulas desastrosas,com o professor sem o menor conhecimento daquilo que falava, mas que era respeitado só porque tinha título de doutorado. Dia desses, fui em busca de alguns artigos científicos sobre um determinado assunto, não encontrei uma única publicação que tratasse do assunto de forma objetiva, muito texto, muita citação, mas resultado de verdade não mostrava nada.

  • Excelente texto, e muito pertinente. O que mais me preocupa no Brasil, e que não me deixa pensar em nós como país civilizado, é ausência de investimentos consistentes em educação.
    Em especial à evidente desmotivação dos professores, que na prática são os formadores dos futuros cidadãos.
    Espero que essa praga do marxismo cultural não continue pressentindo e manipulando esses ressentidos com o sistema, levando à inevitável doutrinação de tão perniciosa doutrina. Bela na teoria, impraticável na realidade, e tão útil aos mal intencionados.
    Valorizar e aperfeiçoar mestres, estruturas educacionais e muita ênfase ao esporte, evitaria atuação maciça de desassistidos como mão-de-obra descartável do crime organizado.

    • Coloquei o elo da fonte no começo do artigo, se dê ao trabalho de ver quem é o autor do texto…

      • Desconsiderar o comentário acima.

  • similar to that of suede, soft and comfortable, exclusively the fall and winter events. The most important an specialized D500 strengthen need to have to think that not at all the kind of one-sided pursuit of sight belongings, tricks, can be legitimate for indivdiuals, all the new changes earned are based upon the experience of the end user, it’s always mentioned is a fantastic initiative meant for .

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).