Pernambuco tem a menor diferença do Brasil entre escola pública e privada

ago 8, 2015 by     5 Comentários    Postado em: Educação

Uma das coisas boas que fizeram no Brasil das últimas décadas se refere a estrutura de dados sobre educação no Brasil, através do Inep. O Instituto do Governo Federal possui hoje várias metodologias de avaliação, que foram aplicadas ao longo dos anos, e que permite estudos de várias formas. Soma-se a isso as várias aplicações realizadas nas escolas, através do Enem e Enade.

Já é possível fazer diagnósticos cada vez melhores sobre educação e ainda perceber a enorme diferença de resultados quando estratificamos por indicadores sociais.

Esta semana saiu o resultado do Enem e podemos nos debruçar sobre uma mega planilha para tentar entender o que acontece na educação brasileira.

Alguns filtros são essenciais para analisar corretamente a planilha e felizmente o MEC percebeu isso, porque há uma clara tentativa de fraude por parte de escolas que separam alunos em unidades inexistentes e os matriculam à parte para maquiarem resultados.

Podemos filtrar por:

  1. Porte da escola: temos faixas de 1 a 30 alunos, de 31 a 60 alunos, 61 a 90 alunos e 91 ou mais alunos. Por aqui tiramos as escolas espertalhonas que segregam. Por outro lado o problema é que pequenas escolas rurais acabam saindo.
  2. Indicador de permanência na escola: aqui você pode verificar o percentual de alunos que cursou todo o ensino médio na mesma escola. Coloquei a partir de 60%. O MEC colocou 80% nos rankings divulgados, mas acho muito radical. Aqui podemos tirar os colégios de chegada (aqueles que os alunos vão apenas fazer terceiro ano).
  3. Indicador nível sócio-econômico: este é um indicador chave para entendermos a causalidade entre pobreza e resultados educacionais e vou falar à frente. Vale a pena comparar vários resultados e tentar entender onde quem tem menos renda aprende melhor.

A primeira conclusão que podemos chegar é que há uma enorme correlação entre renda e resultados educacionais, mesmo por tipo de escola. Neste caso, há uma variante importantíssima: em alguns Estados não temos pobres ou muito pobres estudando nas escolas, mesmo públicas, na sua maioria. Nem é preciso dizer que os Estados do Sul e Sudeste (e também Centro-Oeste, estão nesta conta).

Quando levamos esta faixa de renda para dentro do filtro utilizado, chama a atenção como Pernambuco se destacou, ficando em primeiro lugar, seguido de Goiás e MG. Retirei Mato Grosso do Sul porque apenas uma escola ficou dentro da amostra, viesando o resultado.

Fazendo uma planilha dinâmica, tirando a média dos alunos por Estado, filtrando por alunos pobres, temos a tabela abaixo.

Esmiuçando os dados, podemos encontrar resultados bem interessantes e que mostram que algumas escolas de dois Estados do Nordeste se destacam: Pernambuco e Ceará.

Entre as escolas grandes e com mais alunos pobres, temos duas escolas de Pernambuco nas duas primeiras colocações. Cinco são de Pernambuco e quatro do Ceará.

As duas primeiras escolas nesta situação são: Escolas de Referência Coronel João Francisco e João Pessoa Souto Maior.

O ranking segue abaixo.

Claro que chama a atenção o fato da média ser muito mais baixa para as escolas públicas, mas um ponto específico deve ser mencionado: as escolas privadas de Pernambuco estão abaixo da média das escolas privadas do país (553 a 537 pontos). O mesmo não ocorre com as escolas públicas.

Estes resultados mostram que estamos avançando na educação pública de ensino médio em Pernambuco, mas o mesmo parece não ocorrer com as escolas privadas.

Mas daí é preciso analisar com cuidado, já que a renda interfere muito. Isso é provado quando retiramos os alunos ricos da amostra, novamente Pernambuco empata com a média nacional das escolas privadas (521 a 520).

Em outras palavras, sugere-se que as escolas privadas de Pernambuco não aparentam estar tão bem porque seus alunos são também mais pobres que nas escolas privadas do sul/sudeste do país.

Mas o resultado mais importante é o da tabela abaixo: a diferença de resultados entre a média das escolas privadas e escolas públicas estaduais: Pernambuco tem a menor diferença de qualidade de ensino do país (41,92 pontos = 513,88 a 495,96).

Neste caso ficamos à frente de São Paulo, e nem filtrei por indicador sócio-econômico. E o Ceará, que teve 4 escolas bem avaliadas, nem chega perto.

A tabela abaixo explica muito.

Podemos ter certeza que isso não é pouco.Ainda vou filtrar posteriormente pelas escolas de referência, mas estes resultados preliminares mostram que o ensino médio de Pernambuco parece ter encontrado seu caminho.

5 Comentários + Add Comentário

  • Enquanto o governo continuar pagando um salário de quase 40 mil reais a juízes e 3 mil reais a professores, eu me recuso a acreditar que este país leva educação a sério.

  • Parabéns aos professores que de forma direta contribuíram para o sucesso dos estudantes e do estado de Pernambuco.

    Vamos que vamos!

  • E parabéns aos alunos que escolheram meter a cara e estudar, em vez de partir para o crime por serem “vítimas excluídas do sistema opressor”.

  • Pierre, penso que é necessário fazer algum teste estatístico para verificar se essa diferença entre as médias é estatisticamente significativo. No próprio Excel é possível fazer isso.

  • Eu não confio em estatísticas do Governo Federal. Que estamos avançando nas escolas públicas, eu também não acredito. Professores ganhando uma merreca, o ensino aqui ainda é uma porcaria. Alunos aprovados aos montes para a escola receber as verbas, atender a etatísticas e muitas outras carências notórias. E há muitas escolas particulares ruins também, mas nada comparado ao público. Os alunos do colégio público são favorecidos pelas cotas para entrarem nas universidades. Vamos ser realistas. Há alunos bons nos colégios públicos, mas mal preparados. Pro guia eleitoral há as escolas de referência, mas a grande maioria do ensino médio não é escola de referência, que também tem suas carências e na atual situação do país está sem verba pra muita coisa. É muita mentira do governo, procurem qualquer aluno ou professor de escola pública para falar da real situação, que é diferente dessas estatísticas. A grande maioria no final do ensino médio, não está preparada ainda para o vestibular, dependem de um PRONATEC que agora o governo diminuiu as verbas, e os melhores dependerão das cotas.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).