Porque a influência dos crentes no Plano de Educação não tem relevância

jun 25, 2015 by     7 Comentários    Postado em: Educação

Na semana passada a Assembleia Legislativa aprovou o Plano Estadual de Educação, que fixa metas para os próximos dez anos, e conseguiu retirar as menções à questão de gênero do documento.

Houve protesto nas redes sociais por parte da esquerda e liberais, em função de uma “direitização” dos costumes, que na verdade vem tomando conta do poder legislativo do país. Aliás, o mesmo ocorreu em vários Estados da federação, em uma ação aparentemente orquestrada pelas igrejas.

Sabe qual o efeito da retirada à menção do gênero do Plano de Educação?

Absolutamente nenhum.

Apesar de acreditarmos que estas discussões sobre o Plano de Educação são importantes, na prática não representam nada.

Para começar, os governos sequer seguem as metas objetivas e quantitativas. Pior, não seguem e não dão explicações a ninguém e gestores não são punidos por não cumprirem.

No caso das menções à questão de gênero, vejo as preocupações legítimas, de muita gente boa, mas gostaria de tranquilizar, já que não fará também a menor diferença.

A gestão acadêmica e pedagógica das secretarias de educação dos estados está tão desconectada de um modelo razoável que nada do que é discutido nos planos chega a sala de aula. Nada mesmo.

A completa impossibilidade de aplicação do Plano de Educação se dá por vários motivos, mas dois deles podem ser destacados: a falta de consenso dentro do conjunto de profissionais de educação e a presença da liderança dentro das secretarias, além é claro, da completa dificuldade administrativa dentro do conjunto das secretarias de educação.

Se for para se preocupar com algo, esta deve ser com quem está liderando a educação no Estado ou município. Esta, se for exercida por alguém comprometido com princípios liberais, acabará deixando de lado toda esta discussão organizada por crentes e lideranças religiosas e vai influenciar positivamente as discussões nas escolas.

O que me preocupa mais do que essa “diretização” do legislativo exercendo influência na educação é o conjunto de conteúdos exigidos como disciplinas nas escolas, em detrimento do que realmente interessa: matemática, português e ciências. Esta já foi uma discussão travada no Acerto de Contas tempos atrás.

De toda forma, é preciso ficar atento porque há em curso uma espécie de cruzada fundamentalista no país, que apesar de minoritária na política, de certa forma tem sido fator de desempate e linha auxiliar na construção de maioria política, que serviu ao PSDB e agora serve ao PT. Hoje só consegue influenciar documentos, mas amanhã pode começar a gerenciar secretarias de educação.

O que quero dizer aqui é que não conseguimos sequer dar o básico para nossos alunos. E enquanto isso não acontecer e não houver punição a gestores pelo não alcance de metas, o Plano de Educação será apenas isso….um Plano.

7 Comentários + Add Comentário

  • “Esta, se for exercida por alguém comprometido com princípios liberais, acabará deixando de lado toda esta discussão organizada por crentes e lideranças religiosas…”

    Princípios liberais meuzovo. Ensinar uma ideologia de bosta, tranvestida de combate ao preconceito e discriminação, é um equívoco. Ideologia de gênero não é ciência. Sexualizar crianças não é avanço social. Não se apoie no liberalismo para ter uma opinião tão tacanha.

    • Existem religiosos que gostam de dinheiro além dos limites da ética mas seria bom tentar separar o joio do trigo e não generalizar e, mesmo com esse vício, eles podem estar corretos em outras questões, não se deve desconsiderar a opinião deles.

      Outra coisa: nem toda pessoa que defende as religiões e os valores cristãos atuais é alienada, desclassificada ou paga ou recebe dízimo.

      Algumas se dedicam a trabalhos voluntários importantes.

      No mais, os religiosos têm os mesmos direitos de lutar pelas causas deles, tal qual os gayzistas, abortistas, preguicistas, maconheiros, funcionários fantasmas, etc.

      O Pierre parece não gostar de religiosos e é um direito dele. Prefere os gayzistas e isso é outra opção dele. Mas mantém o espaço aberto para a gente discordar dessas idéias e acho isso arretado.

      No caso em que o Malafaia se lascou com o Boechat, mostrou antipatia pelo primeiro e esqueceu de citar as trelas do segundo com O Globo.

      Percebo uma tendência de certos grupos a apoiar os gays e os maconheiros, até aí, tudo bem se não fosse a discriminação dos religiosos que se opõem a isso, pior: generalizar e insinuar que todos são aproveitadores e apenas isso.

      Portanto, quem discordar, que se manifeste e até escreva um bom artigo para o blog.

  • Sou liberal e nem um pouco religioso… colocar a não concordância da ideologia de gênero como coisa de fundamentalista é coisa de quem não tem argumentos.

  • Titulo da matéria completamente preconceituoso e errado, afinal, não são apenas os “crentes ” que são contrários à ideologia de gênero, a maioria dos católicos também é. Aliás, qualquer pessoa com bom senso vê que sexualizar precocemente nossas crianças é um absurdo. Ainda bem que existem políticos que têm coragem de defender os princípios cristãos mesmo taxados de conservadores e fundamentalistas ( considero isso um elogio). O Brasil é um país em que a maioria da população é cristã. Aceitem isso.

  • Pierre “o moderninho sem religião”. Cristão é alvo de todo tipo de preconceito dos moderninhos

    • Essa pastozada e a bancada evangélica são os verdadeiros anti-cristos.

  • Fazia tempo que não via um artigo tão ruim no Acerto de Contas. Pobre em suas colocações, generalista e fraco. Tá ruim viu!!!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).