Professores de Olinda entram em greve. Não há outros caminhos?

nov 11, 2008 by     22 Comentários    Postado em: Educação

Os professores da rede municipal de ensino de Olinda entraram, na manhã de hoje, em greve por tempo indeterminado. A pauta não apresenta novidades, e são velhas conhecidas: reajuste salarial, revisão do plano de cargos e carreiras e inclusão de gratificação por tempo de serviço.

A greve foi decidida em uma assembléia realizada na quinta-feira da semana passada. Amanhã deverá ocorrer uma nova assembléia, no Mercado Eufrásio Barbosa.

Greve é sempre assim: alguém sai prejudicado. No caso da Educação, os alunos são os que mais sofrem. Dependendo do tempo que a greve dure (espero que não muito!) os alunos da rede municipal de Olinda deverão ter de assistir aula durante o período de férias.

Tudo bem que os mecanismos de reivindicação da categoria de professores são poucos. A greve sempre é o mais utilizado. Mas, às vezes eu me pergunto se não seria tempo de se criar novos métodos de reivindicação – ou agregar mais valor educativo aos movimentos grevistas.

Eu acredito que as reivindicações não deveriam ser pontuais, como acontece no caso das greves. Acho mesmo que as manifestações deveriam ocorrer todos os dias, o ano inteiro. Seja realizando atividades paralelas, como debates periódicos com as famílias dos alunos, com a sociedade em geral, seja promovendo atos públicos de ridicularização dos governantes.

Acho que a ridicularização cotidiana dos homens públicos e órgãos governamentais (por mais absurdo que iso possa parecer) seria um caminho bastante viável, porque também poderia vir a criar, aos poucos, uma mentalidade mais cidadã nos alunos e nos pais de alunos, no intuito de despertar nas pessoas uma perspectiva de sociedade mais proativa para os direitos a que todos, em tese, têm.

Dessa forma, creio que dificilmente se criaria aquele mal-estar entre professores e pais de alunos, que muitas vezes se relacionam como inimigos. Essa visão é fortalecida pela forma como os próprios veículos de comunicação lidam com o assunto: sempre de forma superficial, e muitas vezes criando o estereotipado professor-mercenário X pais indignados.

Essa lógica não é nada boa, porque, no final das contas, estamos todos no mesmo barco, e essa fragmentação social tem apenas um objetivo: facilitar o manejo dos governos.

É essa lógica que deve ser rompida, caso queiramos conseguir alguma mudança substancial na nossa sociedade.

Professores e pais de alunos não são inimigos. Deveriam se unir, porque, como eu disse, todos estão no mesmo barco – que, infelizmente, está afundando; não apenas por causa dos buracos, mas, principalmente, porque ninguém se entende nessa tripulação, enquanto os comandantes sorriem gordos na proa do barco.

Esse modelo tacanho de reivindicação que viraram as greves acaba se tornando mesmo um tanto “mercenária”, pois só visa o aumento salarial – quando na verdade os problemas na Educação são de ordens muito mais profundas.

Não quero dizer que reivindicar melhores salários não seja justo. Só é! Mas, se de hoje para amanhã os salários dos professores forem triplicados, o problema da Educação não estará automaticamente resolvido. Isso é sintomático de que o problema é bem mais grave.

Mas, como todos sabemos, é sempre assim: faz-se a greve; professores se indispõem com os alunos e seus pais, e com o restante da sociedade; a imprensa trata logo de apenas “noticiar”, sem fazer uma análise mínima que seja; pede-se X de aumento salarial, o governo concede um terço de X e tudo volta à normalidade.

E, “normal”, nesse caso, é: escolas caindo aos pedaços, alunos desmotivados, professores desmotivados, pais desacreditados – muitas vezes só mantendo os filhos na escola por causa das Bolsas -, Pernambuco com os piores índices da Educação Básica do País; os governos tapeando todo mundo, a grande imprensa posando de responsável e guardiã da voz do povo (que, dizem, é a voz de Deus).

Assim, o ano letivo prossegue, e a falência da Educação Pública continua seu rumo lamentável…

Esse estado de conflito social só favorece aos governos pouco comprometidos – e, são pouquíssimos os que são realmente comprometidos.

Essa lógica social precisa ser transformada.

Talvez até as próprias greves se tornassem mais profícuas, caso acompanhadas de eventos e ações mais efetivas e cotidianas.

As reivindicações deveriam ser atos periódicos, que aglutinassem toda a sociedade, porque, no fundo, quem se prejudica com essas greves não são apenas os alunos, nem os professores (que também deverão trabalhar durante as férias para repor as aulas), mas toda a sociedade.

22 Comentários + Add Comentário

  • André, concordo em partes, importante discussão essa…

    Mas como assim, reivindicações paralelas? Além de trabalhar feito um camêlo, levar trabalho pra casa, lidar com as pecinhas boas… ainda fazer luta política dentro da escola??? Né trabalho demais n?

    A greve certamente prejudica a sociedade, e se demonstra muitas vezes um meio falho de chegar a conquistas… No sentido de seu post, acredito também ser importante, dentro das escolas, nas salas de aula, no programa pedagógico, efetuar uma melhor compreensão da importancia desses profissionais na formação da sociedade.

    Mas de bucho vazio, não dá.

  • André, oportuna sua preocupação. Creio, porém, que sua análise sobre as alternativas de reivindicação é simplista.

    Ocorre que qualquer governante tem a exata noção da crise educacional que administra e, sem exceções, mandatários utilizam o discurso de que valorizarão a educação se eleitos. Os governantes costumeiramente desprezam as reivindicações feitas pelos professores o tempo inteiro. Uma hora, o inevitável acontece: quando não há nenhuma resposta dos governos, ocorre a deflagração de algum protesto como a greve.

    A questão não é a simples busca criativa de uma solução que substitua a greve. As greves não serão dotadas se houver, enfim, o reconhecimento efetivo – e não retórico – da valorização profissional dos professores – o que, obviamente, requer melhoria salarial. É claro que a gravíssima crise educacional que atormenta o Brasil – e Pernambuco numa escala ainda mais grave – não se restringe à questão salarial, mas os professores precisam sobreviver recebendo salários indecentes enquanto as demais pendências também não são resolvidas.

    Sobre a discussão sobre os prejuízos causados aos alunos pela greve, vale apena ressaltar que os estudantes são prejudicados – com ou sem greve – pela falta de política de valorização da educação e pelo completo descaso dos governos. Nesta situação, o prejuízo ocorre mesmo com o aluno em sua sala de aula superlotada com professores insatisfeitos, que trabalham sob ameaças de violência e desgastados porque necessitam recorrer a longas jornadas de trabalho, em mais de um vínculo empregatício, para poder sobreviver recebendo os salários patéticos que são pagos.

    Mesmo sem greve, os alunos são prejudicados por políticas educacionais desenvolvidas por burocratas que não possuem a menor idéia do que é uma sala de aula – videm o fenômeno da produção de analfabetos funcionais diplomadas pelas políticas educacionais produzidas para alimentar estatísticas. Crianças seguem avançando séries sem ter comprovado a aquisição dos conhecimentos mínimos que deveriam ser exigidos, ao passo em que os professores são destituídos de suas condições de avaliadores do processo de aprendizagem, pois são reduzidos a meros preenchedores dos espalhafatosos diários de classe e obedientes cegos das normas pseudo-pedagógicas que os iluminados das secretarias de educação expelem de suas delirantes divagações retóricas.

    A questão salarial é, obviamente, a ponta do iceberg da crise. Mas os professores precisam sobreviver e os governos ainda estão habituados a ter alguma atenção ao que é reivindicado somente através do recurso da greve. Os governos também não agem por iniciativa própria e, de certa forma, são os grandes incentivadores das greves.

  • Obrigatório,

    entendo que a reivindicação salarial é extremamente importante. Não nego isso em momento algum. Nunca neguei, e seria ridículo negar.

    Das “reivindicações paralelas” que você citou, não se trata de “luta política” no sentido ideológico-partidário-sindical.

    Acho que essa luta de que estou falando envolve toda a sociedade, e os professores têm papel fundamental dentro desse contexto de luta por melhores condições de cidadania – sobretudo quando falamos de Ensino Básico e Fundamental.

    Isso não é “trabalho”, é postura social.

    Abraço!

  • Paulo Alexandre,

    como sempre, seus comentários são muito engrandecedores e esclarecedores.

    Concordo com o que foi exposto no seu texto.

    Acho que só teria a esclarecer que eu não pretendo, em um único post, abarcar toda a problemática da Educação Pública e suas possíveis soluções.

    Sou um entusiasta pela melhoria das condições salariais e também de infra-estrutura no Ensino Público, bem como de mudanças na realidade social do País. Assim, minhas propostas são sempre as de abrir, de alguma maneira, os debates sobre o tema, tentando abordar aspectos que, aparentemente, nunca são colocados em questão (como por exemplo, esse estado de conflito entre Professores X Sociedade, que foi meu objeto, nesse texto, especificamente).

    Minha intenção é abrir o debate, com o objetivo de pensarmos juntos sobre caminhos que podem ser mais efetivos sob um ponto de vista de maior amplitude, não apenas da questão salarial (que urge, claro!), mas também do sentido de cidadania que pode ser atingido no contexto dessas importantes reivindicações pontuais.

    É aí que eu acho fundamental buscar alguma forma de os professores conseguirem a “simpatia” e adesão dos pais dos alunos e dos alunos para os movimentos reivindicatórios. Isso certamente traria uma maior densidade aos movimentos, colocando os governos (independente da sigla partidária) numa posição mais vexatória e moralmente delicada – assim eu penso.

    Abraço!

  • É bom pra que Renildo Calheiros e Luciana não fiquem achando que estão com essa bola toda, pois todo mundo sabe que eles pagam uma ninharia para os professores e o pessoal contratado que atua nos caps, por exemplo.

  • A se confirmar a esplêndida notícia do governo, com a promessa de estabelecer um piso de 800 e poucos reais para professores em jornada integral (40 horas) até 2012, esses professores estarão recebendo em 2012 menos do que hoje e, muito provavelmente, menos que o salário mínimo.

  • Olinda está como o diabo gosta. Sem oposição. E nem precisa sonhar com a infância no Brasil… o Brasil ainda nem nasceu…

  • Acho emocionante ler esse tipo de artigo, principalmente quando focam os “pobres mortais que sofrem com as greves”.

    Por oportunismo ou esquecimento mesmo, deixam de expor que em se tratando de Brasil, a greve é a única forma de reação do trabalhador.

    Esse mesmo Brasil que coloca a educação em patamares vergonhosos.

    Esse mesmo Brasil que possui alguns Governadores (inclusive alguns aliados do governo) que se recusam em pagar o teto salarial para os Professores recentemente aprovado.

    Esse mesmo Brasil que ainda paga um salário minimo para Docentes.

    É… de fato, o mecanismo greve ainda incomoda muita gente.
    Mas, num país como o nosso, é o único meio de reação.

  • André,

    Ratifico o que afirmei aqui em outras oportunidades: acho fabulosa sua disposição de abrir aqui no blog espaço para discussão sobre a educação pública.

    Costumo concordar com cada um de seus argumentos. Por atuar na educação pública, já tenho convivido “in loco” com certos problemas e percebo na pele a falta de disposição dos governos de agir de maneira decisiva em torno de soluções concretas para a crise da educação pública.

    Infelizmente, o governo só reconhece mesmo a greve como forma de pressão. Outras alternativas de “luta” podem ser viáveis, mas não atingiriam nem movimentariam os letárgicos soberanos que deitam e rolam no Poder Público no sentido de fazer com que eles atendam sequer certos pleitos pontuais, então fica a triste constatação: se os governos não resolvem sequer os problemas pontuais, dificilmente resolverão aqueles que são estruturais. Podemos observar isso facilmente.

    Mais uma vez, parabéns pela sempre aguçada vontade de colocar este tema em debate. Eis aí uma alternativa de instrumento de pressão!

  • Esta luta dos professores será loga e intensa,pelo menos para mais quatro anos.Não é por nada que a nosa educação está em ùltima lugar.Sem comentário…………..

  • Nada contra greves, mas precisamos esclarecer algumas coisinhas aqui. O patrão do servidor público não é este ou aquele governante; o servidor público serve ao Estado, sendo a sociedade seu patrão. Os governantes seriam só os “gerentes” de plantão, portanto, não dá pra igualar a condição de servidor público aos demais trabalhadores.

    Seguindo este raciocínio, a sociedade é que escolhe seus dirigentes pelo voto direto; se a sociedade teima em continuar escolhendo dirigentes que não privilegiam a educação, talvez signifique que a sociedade mesma também não valorize a educação e dê a ela o mesmo significado que os políticos.

    Acho que os sindicatos do serviço público tem, sim, obrigação para com a sociedade em pensar novas estratégias de negociação, pois a gente não pode querer se articular nos dias de hoje como se estivéssemos no início do século XX.

  • Se a culpa é do povo e o governo não tem nada com isso, então deixa tudo para lá! Que beleza!

  • Como o professor é massacrado pela sociedade! É impressionante! Muitos filósofos….e o Brasil….ó…..

  • Existe greve e greve. A greve de professores e de outras categorias profissionais, legítima, é um dos instrumentos mais importantes da democracia. Existe, também “greves” motivadas, claramente, para atender grupos de interesse: partidários, eleitoreiros, econômicos, etc., não protegem, no caso da educação, os alunos e, claro, não exige nada de excepcional para o professor. É preciso que a população esteja atenta. Esse tipo de “movimento” deve ser repudiado pela sociedade, é pura delinqüência política que atende interesses escusos, nada tem com a causa social. Exemplos não faltam.

  • Um contrato de estagiário (sem concluir o curso) de qualquer área profissional com 20h de trabalho o mercado paga mais do que ganha um professor com carga horária de 40h e anos de carreira. É uma desmoralização.

  • “É essa lógica que deve ser rompida, caso queiramos conseguir alguma mudança substancial na nossa sociedade”.

    Tenho uma amiga professora da rede pública foi praticamente obrigada pela direção da escola a participar de uma mobilização da categoria (já viu patrão incentivando empregado a sair de greve? Aí tem!). E o pessoal do sindicato fazendo pressão, piquete modelo porta de fábrica. Numa primeira passeata ela chegou lá e só viu baderna. Gente bebendo à rodo! Políticos, militantes, com torcida organizada, um cenário selvagem, radicalismo troglodita, palavras de ordem de arrepiar e o acirramento de arruaças do tipo “MSTs da vida”. Ela não teve dúvida. Deu meia volta. Disse que aquilo não era passeata de professores. Só havia gente infiltrada do nível mais baixo que ela já viu na vida!

  • Os que acham que professores são vítimas da sociedade e do governo podem responder a pergunta que não quer calar? Vocês, sinceramente, acham que uma greve vai mudar alguma coisa nessa desgraça toda?

    Vamos olhar atentamente o passado: quantas greves já foram feitas e a situação da educação só piora? E os salários, então? Se fosse pelo número de greves que já aconteceram, professor de escola pública tava ganhando igual a juiz.

    O que eu tentei dizer anteriormente, mas acho que não me fiz entender, é que a greve é um instrumento falido, não dá mais resultado e sabe por que? Porque os que estão no poder são os especialistas em greves, tanto no governo federal, quanto no estadual e no municipal (Recife e Olinda). Vocês acham que esse pessoal não sabe lidar com grevista? O governo federal deu um banho no movimento docente das universidades, desmontou todo o esquema de greve e desacreditou as lideranças sindicais.

    Este é o x da questão: agora que vivemos em democracia, os movimentos continuam se organizando como se estivéssemos na ditadura e não sabem lidar com seus antigos companheiros de luta e de greves que hoje estão no poder e que não vão agir como se fossem militantes grevistas. Será que uma categoria enorme como a dos professores não consegue pensar em outras alternativas? Ou será que as lideranças sindicais, a maioria longe das escolas há muito tempo, ficam repetindo o modelo só para se perpetuar no poder e depois se eleger vereador ou deputado, como Tereza Leitão?

    Não sou filósofa, nem professora, mas tenho o direito de emitir minha opinião como qualquer cidadão. Minha família está cheia de professores da rede pública e ainda posso acrescentar muitos amigos a este número. Nenhum deles defende as greves, pois sabem que a pauta é tão inatingível que não acham que vale a pena. Além disso, também reclamam das assembléias, que são apenas passarelas para políticos “ligados” aos movimentos fazerem seus discursos, e nas quais os professores que estão em sala de aula não são ouvidos.

  • Sou a favor de manifestações públicas, de greves. O cidadão não pode abrir mão desse instrumento democrático. os professores não podem abrir mão desse direito, e não permitir mais a manipulação política. O aprimoramento começa pela eleição de seus representantes sindicais que não sejam pelegos, oportunistas, e mamadores do dinheiro público em troca de adesão a partidos e governos. Tudo o que governantes totalitários, ditadores, querem é calar a população e cassar seus direitos. Como não conseguiram, ainda, acabar com a democracia aqui no Brasil, então usam greves e manifestações públicas para promoção pessoal, partidária, perseguição política, promoção da baderna para desestabilizar opositores e uso eleitoreiro.

  • Até concordo que a greve em si não garantirá a solução definitiva de problema nenhum, por outro lado, se fazer greve não resolve a questão, não fazer também não resolve nada.

    O discurso reducionista de que a greve “prejudica os alunos” é vazio diante das condições que prevalecem sobre o dia-a-dia das escolas públicas em seu pleno funcionamento.

    Prejuízo muito maior do que uns dias de greve é manter uma escola aberta com profissionais desestimulados, com alunos que não conseguem receber um ensino adequado – inclusive por culpa das políticas pedagógicas patéticas que são adotadas pelas secretarias de educação -, com a falta de recursos básicos para o processo de ensino-aprendizagem, com insegurança, com violência, com a completa falta de atenção dos governos. Isto é prejudicar alunos, pais e a sociedade como um todo sob a aparente idéia de que está tudo bem. Para todos, o funcionamento de escolas sem condições é pior do que uma greve! Nenhum raciocínio superficial – que não considere estes aspectos – se sustenta com o propósito simples de afirmar que a greve é um fator prejudicial como se fosse um ato isolado, antidemocrático ou qualquer outra ladainha descontextualizada que se afirme em vão.

    Fora uns oportunistas, ninguém faz greve por prazer. O que leva uma categoria a parar suas atividades é exatamente a falta de diálogo do Poder Público, que fecha canais de negociação e simplesmente não atende solicitações e reivindicações cotidianas.

    Simples pensar na idéia de que a categoria deveria pensar em alternativas eficientes que substituam as greves, pois parece até que não é feito nada neste sentido. Professores denunciam o estado crítico o tempo inteiro em suas aulas, entre vários momentos de interação, através da mídia e por meio de qualquer espaço encontrado. Isso tem bastado?

    Inclusive pela constante atuação de denúncia dos professores, a crise na educação pública brasileira é conhecida, notória e hoje em dia parece até que é obrigatória. Quem não sabe disso?

    Os governantes que foram eleitos afirmaram que levariam tudo isso em consideração e repetiram aos quatro ventos que a educação seria prioridade – usaram como mantra os lugares-cumuns mais fáceis do repertório eleitoral sobre este tema.

    Como via de atuação, a categoria até recorreu à ilusória tática de eleger certas “lideranças” para “lutarem” por suas causas, isto é, até buscam os meios da política governamental institucionalizada e eletiva para ver algo ser efetivado. Nada acontece.

    Sim, os professores precisam de alternativas. Creio que a alternativa mais adequada seria radicalizar sua atuação crítica, incluindo a deflagração de greves. Incluiria ainda não oferecer a nenhum aproveitador em tempos de eleições o menor crédito de confiança. Inclui arrancar de suas entidades representativas a pelegada inútil que se esbalda em sindicatos riquíssimos como o SINTEPE e fazem da atuação sindical um espaço para o conforto de lideranças partidárias de terceira categoria.

  • Diante do fantástico texto, algumas coisas merecem ser destacadas. Principalmente no que se refere aos comentários acima lidos.

    Quero deixar claro que concordo que, nós professores, fomos os grandes prejudicados durante tantos anos de péssimos governos. Concordo com todos que dizem que durante a história brasileira, a educação nunca foi ponto fundamentalmente debatido ou até mesmo seriamente financiado.

    Mas, me assustam um pouco algumas posturas que tanto já vi, e li novamente aqui em cima. A postura de ‘professor-sofredor’ me incomoda de uma forma absurda. E a idéia de que nós professores somos garis, médicos, psicólogos, sofredores, oprimidos… Me assusta cada vez mais.

    Penso que ninguém escolhe uma profissão sem saber do fardo que carregará. Ao escolhermos a pratica docente, sabíamos da realidade adversa que encontraríamos no Brasil. E partindo desta idéia, é nossa obrigação saber lidar com os ônus e bônus condizente com nossa profissão.

    Ganhamos pouco?SIM

    Trabalhamos muito? SIM

    Somos explorados? SIM

    Mas, isso não nos tira a obrigação de buscar alternativas. As greves cada vez mais destroem a relação entre pais e professores, como o texto tão bem mostra. Aliás, as greves destroem muitas coisas e não só essa relação. As greves destroem a credibilidade de instituições publicas de ensino, colocando a esfera privada em uma posição favorecida, já que estas não têm greves e não tem alunos prejudicados. As greves prejudicam, e muito, os estudantes, e não me venham com argumentos que ‘valem a pena’, já que a educação, por natureza, deve servir exatamente a estes alunos. Investir neles, seja como ‘capital humano’, seja como ‘ferramenta revolucionaria’, independente de posições políticas, é ponto prioritário pra qualquer país que deseje um futuro melhor… A educação deve ser um meio de fomentação do futuro nacional e acima de tudo, deve privilegiar os ALUNOS.

    Vejo greves que, fundamentalmente, não contam com participação popular. Uma greve deve ser o ‘ultimo tiro’ e nunca o primeiro. Grevistas profissionais, que NÃO são a maioria FELIZMENTE, transformaram o sindicato em um centro de greves periódicas. Como exemplo, um doente que fica “morrendo” toda semana, depois de um tempo perde a credibilidade. Da mesma forma o sindicato docente chegou a um ponto em que as greves se tornaram rotineiras. “Ano ímpar tem greve…” é um comentário que, cada vez mais, tira a credibilidade do sindicato.

    Penso que todas as formas de negociação devem ser tentadas antes de uma greve e que, acima de tudo, uma greve deve ser articulada entre as mais diversas pessoas envolvidas com o problema em questão. Uma greve em que nada acontece, os professores tiram ferias e a “esquerda festiva” fica tomando cachaça nas “barricadas” não pode ter crédito. Uma greve que reivindica coisas justas como: melhorias nos hospitais, mudanças curriculares, 30% de aumento, incorporação de bonificação… E que, ao receber 5% de aumento, é terminada. Só pode soar MENTIROSA e demagógica. Greves sem apoio popular terminam diante de qualquer bonificação recebida. Greves desestruturadas, contam com um sindicato desarticulado, que usa de táticas como ‘ata aberta’, ou debates intermináveis para cansar oposicionistas, só se mostram fracas e terminam acabando diante de qualquer esmola governamental.

    A luta salarial não é indigna, por isso ela tem meu apoio. Só penso que devemos procurar mobilizar os pais, os alunos, a sociedade… E não só três ou quatro sindicalistas profissionais.

    Uma greve ‘REAL’ não precisa de ‘apelar’, já que professores sabem da realidade e se juntariam ao sindicato…sem precisar ser chamados de ‘pelegos’ ou coisa parecida… só por não concordar com o sindicato.

    Num sindicato ‘REAL’ a luta é natural!!

    Numa greve ‘REAL’ , não seriam os sindicatos parte da maquina dos partidos, já que a articulação com o povo seria natural..sem necessidades de militantes contratados…

    Enquanto esse tipo de sindicato não existir, seremos obrigados a lidar com uma Kombi “gritando”…

    ” companheiros e companheiras da UFPE…”

    “ Professores juntem-se a nós!!!…”

    Pra mais uma greve ‘furada’!!!

  • aluno da escola- va ter aula amanha terça feira ? e vai ter greve?

    • a greve ate q è bom mais q a greve vai pjudicar os alunos

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).