Tablets por menos de R$ 200

nov 7, 2011 by     27 Comentários    Postado em: Educação

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Bem antes do que muitos previam, os tablets já começam a ser vendidos por valores populares. Já é possível encontrar modelos por menos de R$ 200,00. Isso com tela colorida e sistema Android instalado. Obviamente ainda se trata de um Xing ling, mas totalmente funcional.

Com isso, já é possível falar no fim do livro didático de papel no Brasil, nos próximos 3 anos.

O livro didático em papel é um daqueles casos em que a ineficiência é grotesca. Muita gente não fala, mas a verdade é que trata-se de um grande desperdício de recursos naturais e financeiros.

As pessoas só utilizam o mesmo por um período específico, e na maioria dos casos vira mofo em alguma estante caseira.

Enquanto isso, as bibliotecas públicas, que realmente precisam do material, sofrem para conseguir atualizar suas coleções.

No caso dos livros universitários, a substituição será muito mais rápida do que muitos imaginam. Basta recordar o caso dos periódicos científicos, que rapidamente viraram artigo virtual.

Falo do livro didático porque este se configura como um grande desafio para o mercado editorial e para os estudantes. Como o livro não tem uma tiragem tão grande como best sellers, tendem a ficar com o preço unitário mais alto do que a média. Neste caso, o livro digital se encaixa perfeitamente.

O problema agora será organizar isso com o Governo, que deverá organizar a compra/aluguel para as bibliotecas e para seus estudantes. Como não há custo unitário de produção, a solução será o pagamento por produtos, independente da quantidade de downloads.

Como disse antes, essa mudança será muito mais rápida do que muitos imaginam.

27 Comentários + Add Comentário

  • Em dezembro ou janeiro já vou providenciar o meu ;)

  • Pierre,

    Considerando o lobby das editoras de livros didáticos – o mercado é concentrado e existem até multinacionais mandando aqui dentro – acho que a substituição não deve ser tão rápida, pelo menos nos ensinos fundamental e médio (quero dizer, os antigos primário, ginasial e científico).

    Mais: penso que todo livro vendido para o Governo já é um best-seller, são milhões que se pagam às editoras; na verdade, é melhor que qualquer best-seller, pois o negócio é pago antes de ser usado.

    Em todo caso, o fim do livro convencional já é visualizado sem dificuldades hoje (para desespero de pessoas que adoram o papel, como esse que agora escreve).

    • Mesmo que a substituição seja rápida, o monopólio desses grupos a que você se refere não irá acabar em razão da troca do papel pelo tablet. Os donos do conteúdo continuarão a ser os mesmos. Eles negociam os direitos autorais com os autores vivos ou com a família dos autores mortos. Detêm, por contrato, os direitos sobre o conteúdo por 70 anos, se não me falha a memória. Pensar que esses conteúdos irão baratear é a maior das utopias. Precisaríamos, sim, mudar a lei de direitos autorais e acabar com o monopólio do conhecimento.

      • “acabar com o monopólio do conhecimento”

        O monopólio do conhecimento é privilégio de quem estuda, pesquisa, compara e escreve livros – e, portanto, deve sim ser remunerado por isso.

        Todo mundo quer posar de Robin Hood. Pergunto, se fosse o seu livro/música/filme/quadro/álbum fotográfico/CD, você distribuiria de graça, ou a preços “módicos” cujos rendimentos não lhe permitissem o sustento?

        • Claro que o autor tem de ser remunerado. Por outro lado, garantindo os direitos autorais por 70 anos criamos uma semaria editorial. É um lapso de tempo absurdo.

        • Vocês estão certos quanto ao conteúdo (quem detém o direito).

          O danado é que, certa vez, conversando com alguém que conhecia esse mercado das editoras de livros didáticos, foi-me dito que, para fugir dos 15% (não tenho certeza do percentual) devido aos autores, as editoras começaram a inventar PROJETOS:

          1- No projeto (normalmente nome bem nacional ou indígena, para mostrar empatia, como, Juriti, Araribá, etc) o livro é um compilado de vários autores, feitos normalmente por recém-formados ou profissionais sem experiência

          2- O custo cai muito, mas só para as editoras – o cliente final paga o de sempre

          3- A qualidade… bom, isso não interessa.

          4- Multinacionais fortíssimas, com ministro e secretários de educação ganhando muito dinheiro nas compras

    • O endereço estraga a piada.

  • Uma escola do Vale do Silício que não computa – Por Matt Richtel
    Publicado no The New York Times em 22 de outubro de 2011 (veja postagem anterior!)
    Tradução pessoal…

    LOS ALTOS, Califórnia – O diretor de tecnologia da eBay envia seus filhos a uma escola daqui de nove salas de aulas. Da mesma forma, assim o fazem outros funcionários de gigantes do Vale do Silício como Google, Apple, Yahoo e Hewlett-Packard.

    Mas as ferramentas de ensino da escola em questão são tudo menos alta tecnologia: canetas e papel, agulhas de tricô e, ocasionalmente, lama. Nenhum computador pode ser encontrado. Eles não são permitidos na sala de aula, e escola ainda coloca restrições sobre seu uso em casa.

    Escolas de todo os Estados Unidos da América têm suprido às pressas suas salas de aula com computadores, e muitos políticos dizem que são tolas aquelas que não o fazem. Mas o ponto de vista contrário pode ser encontrado no epicentro desta economia tecnológica, onde alguns pais e educadores têm uma mensagem: computadores e escolas não se misturam.

    Esta é a escola Waldorf da Península, uma das cerca de 160 escolas Waldorf no país que com uma filosofia de ensino focada em atividade física e aprendizagem através de tarefas criativas e outras em que se põe a “mão na massa”. Aqueles que defendem essa abordagem dizem que os computadores inibem o pensamento criativo, o movimento, a interação humana e a atenção.

    O método Waldorf tem quase um século de idade, mas sua presença aqui entre os digerati (pessoas que estão bem informadas sobre as tecnologias digitais) coloca em destaque crescente o debate sobre o papel dos computadores na educação.

    “Eu fundamentalmente rejeito a ideia da necessidade de aparatos tecnológicos na escola primária”, disse Alan Eagle, 50, cuja filha, Andie, é uma das 196 crianças na escola primária Waldorf; seu filho William, 13, está no ensino médio na mesma escola. “A idéia de que um aplicativo em um iPad pode ensinar melhor os meus filhos a ler ou fazer contas é ridícula.”

    O senhor Eagle sabe um pouco sobre tecnologia. Ele graduou-se em ciência da computação pela Dartmouth e trabalha como executivo de comunicações da Google, onde ele escreveu discursos para o presidente, Eric E. Schmidt. Ele usa um iPad e um smartphone. Mas diz que sua filha, uma aluna da quinta série “não sabe usar o Google”, e seu filho está apenas aprendendo. (A partir do oitavo ano, a escola aprova o uso limitado de alguns aparelhos.)

    Três quartos dos alunos daqui têm os pais com uma forte conexão com a alta tecnologia. O senhor Eagle, como outros pais, não vê contradição. A tecnologia, diz ele, tem o seu tempo e lugar: “Se eu trabalhasse na Miramax e fizesse bons filmes destinados ao público adulto, eu não deixaria meus filhos vê-los antes de completarem os 17 anos.”

    Enquanto outras escolas na região se gabam de suas salas de aula modernas, a escola Waldorf abraça um olhar simples e inspirado no passado: quadros com giz colorido, estantes com enciclopédias, mesas de madeira cheias de cadernos e lápis número 2.

    Em uma terça-feira recente, Andie Eagle e sua turma de quinta série exercitaram suas habilidades: cruzando agulhas de madeira com novelos de lã, tricotando pedaços de tecido. É uma atividade que a escola diz que ajuda a desenvolver a solução de problemas, padronização de competências, habilidades em matemática e a coordenação motora. O objetivo a longo prazo: fazer meias.

    No corredor, uma professora lança desafios a alunos da terceira série em multiplicação, pedindo-lhes para fingir que seus corpos sejam relâmpagos. Ela lhes fez uma questão simples – quatro vezes cinco – e, em uníssono, gritaram “20″ e rapidamente desenharam o número no quadro negro. Uma sala cheia de calculadoras humanas.

    Na segunda série, os alunos de pé em um círculo aprendem habilidades de linguagem, repetindo versos depois do professor, enquanto brincam de pegar saquinhos contendo feijões (do tipo que usamos nos jogos de 5 Marias). É um exercício que visa sincronizar corpo e cérebro. Aqui, como em outras classes, o dia pode começar com uma recitação ou um verso sobre Deus que reflete uma ênfase não ligada a religiões sobre o divino.

    A Professora de Andie, Cathy Waheed, que é uma ex-engenheira de computação, tenta tornar o aprendizado tanto irresistível como altamente tátil. No ano passado, ela ensinou frações fazendo as crianças cortar alimentos – maçãs, quesadillas, bolo, – em quartos, metades e um dezesseis avos.

    “Durante três semanas, nós “comemos” o nosso caminho através de frações”, disse ela. “Quando eu fiz frações de bolo suficiente para alimentar a todos, você acha que eu tive atenção deles?”

    Alguns especialistas em educação dizem que o impulso para equipar as salas com computadores é injustificado, porque os estudos não mostram claramente que isso leva a uma melhor pontuação em testes ou a outros ganhos mensuráveis.

    E a aprendizagem através de frações de bolo e tricô é melhor? Os defensores da pedagogia Waldorf consideram difícil comparar, em parte porque as escolas privadas que administram não fazem os testes padronizados do ensino fundamental público. E eles seriam os primeiros a admitir que alunos mais novos podem não pontuar bem nos testes porque, dizem eles, não são orientados desde cedo a uma matemática padronizada ou forçados a ler muito cedo.

    Quando perguntado sobre a evidência da eficácia das escolas, a Associação das Escolas Waldorf da América do Norte apontou uma pesquisa realizada por um grupo de filiados que mostra que 94 % dos estudantes de ensino médio das escolas Waldorf nos Estados Unidos entre 1994 e 2004 frequentou a faculdade, com grande parte em instituições de prestígio como Oberlin, Vassar e Berkeley.

    É claro que esse número pode não ser surpreendente, uma vez que esses são alunos de famílias que valorizam a educação o suficiente para procurar uma escola privada seletiva, e geralmente têm os meios para pagar por isso. E fica difícil separar os efeitos dos métodos de baixa tecnologia instrucional de outros fatores. Por exemplo: pais de alunos da escola de Los Altos dizem que ela atrai bons professores que passam por um treinamento intensivo na abordagem Waldorf, criando um forte senso de missão que pode estar faltando em outras escolas.

    Na falta de evidências concretas, o debate se restringe à subjetividade, a escolha dos pais e uma diferença de opinião sobre uma simples palavra: engajamento. Defensores de equipar as escolas com tecnologia dizem que computadores podem prender a atenção dos alunos e, de fato, que os jovens que foram acostumados com os dispositivos eletrônicos não irão sintonizar sem eles.

    Ann Flynn, diretor de tecnologia da educação para a Associação Nacional de Conselhos Escolares, que representa os conselhos escolares em todo o país, disse que os computadores são essenciais. “Se as escolas têm acesso às ferramentas e podem comprá-las mas não as estão usando, elas estão enganando nossos filhos”, diz Flynn.

    Paul Thomas, ex-professor e professor adjunto de educação da Universidade Furman, que já escreveu 12 livros sobre métodos de ensino público, discordou, dizendo que “uma abordagem criteriosa da tecnologia na sala de aula vai sempre beneficiar a aprendizagem.”

    “Ensinar é uma experiência humana”, disse ele. “A tecnologia é uma simples distração quando precisamos é de alfabetização, matemática e pensamento crítico.”

    E os pais Waldorf argumentam que o envolvimento real vem de grandes mestres, com planos de aula interessantes.

    “Engajamento trata de contato humano, o contato com o professor, o contato com seus pares”, disse Pierre Laurent, 50, que trabalha em uma empresa que está surgindo de alta tecnologia e que anteriormente trabalhou na Intel e na Microsoft. Ele tem três filhos em escolas Waldorf, que tanto impressionou a família, que sua mulher Monica, juntou-se a uma como professora em 2006.

    E para aqueles que defendem a lotação das salas de aula com tecnologia dizendo que as crianças precisam de um tempo com o computador para competir no mundo moderno, pais Waldorf respondem: Para que a pressa, considerando a facilidade para desenvolver essas habilidades?

    “É super fácil. É como aprender a usar a pasta de dentes”, disse o senhor Eagle. “No Google e em todos os lugares produzimos a tecnologia de modo que ela seja muito simples de ser utilizada. Não há razão para que as crianças não possam aprender isso quando ficarem mais velhas.”

    Há também muitos pais ligados a alta tecnologia em uma escola Waldorf, em San Francisco e ao norte dela, na Escola Greenwood em Mill Valley, que não tem total conhecimento sobre a pedagogia Waldorf, mas sentem-se inspirados por seus princípios.

    A Califórnia tem cerca de 40 escolas Waldorf, dando-lhe uma parcela desproporcional – talvez porque o movimento nasceu e cresceu aqui, disse Lucy Wurtz, que, junto com seu marido, Brad, ajudou a fundar a escola Waldorf de ensino médio em Los Altos, em 2007. O senhor Wurtz é o chefe executivo da Power Assure, que ajuda centros de dados computacionais a reduzirem seu consumo de energia.

    Experimentar a escola Waldorf não sai barato: o custo anual no Vale do Silício é de $17.750 (cerca de R$ 2.600,00/mês) para o jardim de infância até o oitavo ano e $24.400 dólares (cerca de R$ 3.600,00/mês) para o ensino médio, embora a Sra. Wurtz diga que seria possível uma assistência financeira. Ela diz que pais Waldorf típicos, que tem um amplo leque de escolas de elite públicas e privadas para escolher, tendem a ser liberais e de elevado nível educacional, com opiniões fortes sobre a educação, mas que possuem conhecimento e estão prontos para ensinar seus filhos sobre tecnologia a qual eles têm amplo acesso e suporte em casa.

    Os estudantes, entretanto, dizem que não ignoram a tecnologia, nem a descartam. Andie Eagle e seus colegas de classe dizem que, ocasionalmente, assistem a filmes. Uma menina, cujo pai trabalha como engenheiro da Apple, diz que às vezes ele pede a ela para testar os jogos que ele está depurando. Um menino brinca com programas de simulador de vôo nos fins de semana.

    Os estudantes dizem que podem se frustrar quando seus pais ou parentes ficam muito entretidos com seus telefones e outros dispositivos. Aurad Kamkar, 11, disse que recentemente foi visitar os primos e encontrou-os sentados jogando em seus aparelhos, não prestando atenção nele nem entre si. Ele começou agitar os braços para eles dizendo: “Olá pessoal, eu estou aqui.”

    Finn Heilig, 10, cujo pai trabalha no Google, disse que ele gosta de aprender com caneta e papel – ao invés de em um computador – porque ele pode monitorar seu progresso ao longo dos anos.

    “Você pode olhar para trás e ver como sua caligrafia era desleixada no ensino fundamental. Você não pode fazer isso com computadores pois todas as letras são as mesmas”, disse Finn. “Além disso, se você aprender a escrever em papel, você ainda pode escrever se derramar água sobre o computador ou acabar a luz.”
    http://morehirata.blogspot.com/

    • Muito bom esse artigo, Ed.

      Muito bom o trabalho que a escola Waldorf desenvolve. Mas isso só podia ser em país rico e desenvolvido mesmo, onde as pessoas enxergam um pouco mais distante.

      Aqui no Brasil, se uma escola resolvesse “inovar” como fez a Waldorf, ia ter pai chegando atacado na escola querendo bater no diretor do colégio e ameaçando processar até o papa.

      Infelizmente, não temos a consciência da importância das crianças crescerem sem essas porcarias tecnológicas por perto. Essa mentalidade representa um avanço pedagógico muito grande.

      Tem muito pai e mãe que acha que trabalho artístico, música, esportes, xadrez é perda de tempo. Na visão desses pais, criança tem que tá dentro de uma sala de aula, muitas vezes fingindo que está aprendendo alguma coisa.

      Tem muita mãe no Brasil que acha que criança brincar de tricô é coisa de débil mental. Mentalidade de terceiro mundo é foda.

      Fora que hoje em dia, é muito comum no Brasil, a criança fazer o que quiser, pois manda no professor e nos otários dos pais.

      Eu flagrei numa escola uma mãe dizendo que não queria o filho fazendo educação física, pois (pasme!!!) ele suava muito. Veja o “nívi” de raciocínio da criatura.

      Quero ver quando essa criança se tornar um adulto sedentário e todo entupido o que a mãezinha velhinha vai achar de o filhinho doentinho ter que fazer umas pontes de safeninha.

      Na hora deu vontade de dizer umas coisas, mas deixa que a própria vida ensina.

    • Perfeito!

      Se depender dos blogueiros progressistas da vida, em breve a criançada não saberá nem ler, nem escrever e muito menos falar, só vão mesmo gruir…

      • É verdade kkkkkk.

      • Como se só o uso de aparatos tecnológicos produzissem gênios…

    • Valdemar Setzer é o nome de um professor *titular* aposentado de Computação da USP que, até hoje, faz palestras e escreve artigos e livros defendendo sabe O QUE ??

      Que tecnologias como TV, computador, videogame, etc. são MALÉFICAS para a criança! Na verdade, ele as considera maléficas para todos. Na pior das hipóteses, ele diria que bem elas não trazem!

      Setzer tem muitos argumentos científicos bons…

      Uma coisa que ele diz é que: NENHUMA pesquisa até hoje comprovou o aumento de desempenho dos alunos de escolas que adotam computadores!!! Pelo contrário, em geral, o desempenho cai.

      Além dos argumentos científicos, ele também tem argumentos mais filosóficos também. Ele segue a linha filosófica antroposófica e, consequêntemente, é fiel defensor da PEDAGOGIA WALDORF.

      Curioso esse padrão: pessoas da computação e áreas afins buscando o ensino Waldorf.

      Apesar de não concordar com algumas colocações mais filosóficas, é impossível não concordar com vários pontos dos argumentos Setzer ao ver uma de suas palestras. Ele também diz, por exemplo, que pesquisas apontam que o uso de TV e de internet chega a baixar o nosso QI!

      Um livro recente traz informação similar sobre a internet: “The Shallows” (de N. Carr).

      Por isso, Setzer defende que não devemos nem sequer ter TV em casa — na casa dele não tem e seus filhos e netos foram criados sem TV ou outras bugingangas digitais. Todos estão muito bem, obrigado, me parece.

      Acredito que ele concordaria comigo quando digo que o livro de papel NÃO PODE acabar das escolas, nem pode ser trocado por uma porcaria (para fins educacionais) digital. Além dessas buginganas distrairem, (em certo sentido) elas também tem péssima acessibilidade e usabilidade quando comparadas a um livro!

      Ah, sou da computação também e também NÃO APOIO o uso atual, imatura, da tecnologia na educação!

      Ainda precisamos amadurecer muito sobre os meios certos para usar a tecnologia, mas acho que NUNCA, JAMAIS ela vai “aposentar” em definitivo o livro, a aula presencial, o lápis e o caderno!!!

      P.S. 1: Setzer tem um site que tem vários dos seus textos: http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/
      P.S. 2: Tem muitas escolas Waldorf no Brasil, inclusive uma em Recife.

      • Estão querendo abolir até o ensino de letra cursiva, agora os livros também…depois reclamam quando as pesquisas escolares são na base do copiou colou da wikipédia…depois reclamam quando as crianças brasileiras, a partir dos 9 anos, já estão em rede social, enquanto que as européias e americanas só a partir dos 12, 14 anos…que a tecnologia ajuda, isso é inquestionável, contudo o que estão promovendo é uma idolatria imbecil aos tablets, ipods e cia. Percebo que quanto mais se facilita, mais se permeia a ignorância. Digo isso pelo que observo na Biblioteca do CTG na UFPE: quase todos os alunos tem, cada um, seu notebook, mas não conseguem procurar um livro nas prateleiras, nem tirar boas notas na área II, se alimentam e jogam lixo nas mesas, enquanto tem lixeiras bem próximas, além da barulheira infernal (menos na sexta que é o dia santo do Bar da Kely)…saudades dos bons tempos em que se pesquisava na Barsa e se tinha respeito nos lugares de estudo.
        Nada substitui um livro, manuseá-lo, devorar cada página, guardar embaixo do travesseiro, presenteá-lo com uma bela dedicatória…façam uma grande fogueira e queimem todos, numa ode à grande deusa tecnologia, com uma foto gigante do Steve Jobs e outra do Silvio Meira!!

        • Se isso aqui fosse Facebook eu clicava em LIKE.

        • E vejam só! Até o pergaminho tão querendo abolir! Com o abandono do pergaminho as pessoas deixaram cada vez mais de escrever livros a próprio punho! Agora todo mundo depende de uma gráfica para imprimir seu livro. Que absurdo! Já viu quantas crianças e pessoas semialfabetizadas estão por aí escrevendo com essas letras de forma uniformizadas e sem vida? Quantos copistas estão agora sem ter o que fazer? Culpa da imprensa e seus livros produzidos em série! Maldita seja!

          Depois praticamente aboliram o código Morse! É impossível encontrar alguém que saiba se comunicar em código Morse hoje em dia. Mas nunca se sabe quando você vai ter que fazer um sinal de fumaça ou se comunicar através de um sinal de rádio produzido sabe lá como.

          A humanidade corre perigo! Vejam as grandes guerras mundiais! Depois do advento da imprensa, logo, causadas pelo advento da imprensa! Nada mais lógico!

          Eu, como ser elevado e superior, não abro mão do meu papiro e do meu telégrafo. É uma sensação incomparável ouvir o tic-tic-tic ritmado do telegrafista e aquele rolo elegante e sem as orelhas dos livros modernos.

          Onde vamos parar, afinal?!

        • Para ficar mais claro, a questão que eu trouxe é científica:

          Nenhuma pesquisa comprova que o uso dessas bugingangas eletrônicas aumentam o desempenho escolar das crianças.

          Existem, pelo contrário, evidências científicas de que essas tecnologias afetam negativamente algumas habilidades mentais.

          Ponto.

  • Pierre, parece-me que você acertou em cheio. O sistema de ensino com Tablets será implantado em uma famosa escola particular em Brasília. Segundo a direção, é um projeto pioneiro.

    http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2011/11/colegio-do-df-inclui-tablets-na-lista-de-material-de-2012.html

  • Acho isso legal porque viabiliza uma democratização do acesso a novas tecnologias.

    Porém, pra mim, prefiro o bom e velho notebook. Não gosto de Tablet.

    Não faz o meu estilo.

  • O caso dos periódicos é totalmente diferente. Não se tinha o acesso, nem em papel, e o governo proveu para todos. Além disto, a velocidade do avanço da ciência é radicalmente diferente da necessidade dos livros didáticos. No fim, grande parte baixa o artigo e imprime para ler no papel.

    Sou professor universitário também e percebo como as leituras digitais na web deixam o aluno mal acostumado a ler e estudar um assunto com profundidade. Não pense que sou um daqueles velhos antiquados: tenho menos de 30 anos e sou da área de Ciência da Computação.

  • O pessoal costuma torcer o nariz para os produtos chineses: por enquanto só há na praça os “Xing Ling”. Os grandes magazines, porém, dão preferência aos produtos chineses porque a margem de lucro é maior. O Kalunga, por exemplo, só trabalha com suprimentos de informática de origem chinesa. Precisamos acabar com esse preconceito – parece ignorância.

  • made in china, manda no mundo, segura que emprego so na china!Que pais que entende de economia de mercado, dando licao no ocidente!

    comunistas capitalistas, e um case!

  • Tablet funcional por 199? Onde?

    Pierre deve estar se fazendo de inocente, só pode…

    Fim do livro didático? Será que devemos confiar tão cegamente na tecnologia? E se tiver um apagão, ninguem estuda?

    Sou totalmente a favor, não de algo tão radical quanto a escola Waldorf, mas de maneirar nessa coisa de enfiar tecnologia em cima das crianças desde o maternal. Quando era criança eu tinha que pesquisar de verdade em Barsa, Britannica e congêneres e realmente aprendia com a pesquisa. Meu pai dizia que um professor dele do Ginásio Pernambucano mandava os alunos lerem o dicionário…. ehehehe.

    Já a geração da minha irmã 10 anos mais nova, já pegava tudo prontinho no Google. É tudo muito fácil para esse pessoal de hoje. Devem existir outros fatores, do ponto de vista pedagógico, que eu desconheço porque não sou profissional do ramo, mas eu acho que o menininho do final da reportagem do NY Times resumiu bem, com sua sinceridade típica de uma criança:

    “Você pode olhar para trás e ver como sua caligrafia era desleixada no ensino fundamental. Você não pode fazer isso com computadores pois todas as letras são as mesmas”, disse Finn. “Além disso, se você aprender a escrever em papel, você ainda pode escrever se derramar água sobre o computador ou acabar a luz.”

    Agora vamos ao tal TABLET FUNCIONAL. Creio que Pierre viu algum anúnciou num site, clicou e achou que: 1) era mesmo um tablet por 199 reais; 2) que era mesmo um tablet FUNCIONAL.

    Esse aí é o famoso Tablet Wei Duo vendido em CompreDaChina MpxShop e outros sites que IMPORTAM da China. Esse é o preço inicial. Tem ainda o FRETE e o IMPOSTO de importação.

    Ademais, é um XING LING seboso, com componentes de baixíssima qualidade, sem atualizações de software, sem garantia, sem assistestência técnica, sem peças sem resposição, etc.

    Quem já teve um celular xing ling sabe do que estou falando. Eu já fui enganado por estas porcarias quando comprei um destes há 3 anos numa feirinha em SP (aqui ainda estavam começando a chegar).

    São tão ruins que vêm com 2 bateriais, a autonomia é péssima. O resultado? Travava direto e em 4 meses parou de funcionar.

    Vá acreditar que xing ling é funcional lá na …. CHINA! Só se for!! Qualquer coisa eletrônica que venha da China e seja um legítimo XING LING (ou seja, excetuando-se as fábricas que fornecem produtos para empresas de outros países) não presta.

    O tablet FUNCIONAL mais barato do Brasil é PHASER KINNO PC-719, que custa 499 reais. Quem quiser saber mais, é usar o velho GOOGLE. Depois vêm o Multilaser Life, um outro da Huwaei, outro da ZTE, outro da Positivo e por aí vai.

    • Tem razão, por esse preço, esse site tem que ser um daqueles sites brasileiros que simplesmente intermediam importações pelo correio. Eu não levaria esses preços em consideração porque a própria operação desses sites é duvidosa.

  • Acho que Pierre se referiu à tendência dos preços. Os xing ling têm lá sua funcionalidade, mas é inferior aos top. Obvio.

    O fato é que os tableys e todo esse aparato tecnológico não tem gerado um fomento à produção intelectual.
    As pessoas não passaram a ler mais livros (digitais ou não).
    O equipamento apenas possibilita entretenimento e acesso rápido a informação segmentada, parcial ou ainda fragmentos dela.
    Não há evolução no aprendizado. O copy cole permanece. E pasmem, há quem não consiga sequer extrair uma informação no São Google.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).