Nosso momento mais vergonhoso.

jul 8, 2015 by     8 Comentários    Postado em: Esportes

Por Pedro Jácome

Há um ano, amigos chegavam lá em casa. Traziam cerveja, snacks, animação e descontração. Íamos enfrentar a Alemanha.

Há 71 anos, num mesmo 8 de Julho, soldados britânicos avançavam em Caen, França. Não traziam nada do que meus amigos trariam, 70 anos depois. Não havia espaço para diversão. Eles enfrentariam a Alemanha.

Os britânicos venceriam e liberariam Caen. Nós seríamos derrotados e aprisionados a uma fragorosa humilhação.

Bem, eu não quero fazer exatamente uma comparação. Por mais que levemos a sério o futebol, ele não pode ser comparado à liberdade do mundo ocidental.

Mas o que há de comum entre o exército britânico dos anos 40 e a seleção brasileira da copa passada? Ou melhor, o que há de diferente?

Acho que o problema, evidentemente, é multifatorial. E prefiro separar as responsabilidades entre comissão técnica, dirigentes da burocracia e jogadores.

- Entre os comandantes, o problema talvez seja (a falta de) seriedade.

Os Comandantes Britânicos (e os aliados, como um todo) apostaram na tática, no treinamento e na sobriedade de seus soldados.
Os técnicos da CBF (e digo técnicos, porque isso precede a “família” Scolari) confiaram no talento, na criatividade e na imagem de seus soldados.
Durante a Copa de 2014, os jogadores brasileiros foram liberados para dar entrevista em cima de entrevista; faziam ações de caridade em lugar de treinos (caridade é mais importante que futebol, claro. Mas tudo tem sua hora) e abusavam da exposição em redes sociais.

- Entre os burocratas, eu apontaria (a falta de) infra-estrutura e preparo.

Os britânicos fizeram um imenso esforço de guerra, de abrigos anti-aéreos à inteligência.
O Brasil é uma negação completa em termos de investimento em futebol.

A Federação Alemã de Futebol (DFB) obrigou todos os times de primeira e segunda divisão a construírem centros de excelência para a formação dos jovens; fez centros de excelência espalhados pelo país, e realiza fiscalizações periódicas em suas instalações e nas instalações dos clubes, observando fatores que vão muito além do futebol; cursos formadores para técnicos, que atuam em todas as categorias de base antes de ir pro profissional.

A CBF, por sua vez, achou que a barreira que separava o futebol brasileiro do do resto do mundo era uma barreira divina, ontológica. Um muro que não precisava de reparos, melhorias, nem manutenção periódica.
Deu no que deu.

- Por fim, entre os jogadores, senso de dever e preparo emocional.

Os britânicos sabiam que o país dependia deles. Que os olhos de sua nação estavam voltados para a europa continental.
“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos” na frase eterna de Winston Churchill, um dos mais importantes líderes políticos da humanidade.

Os jogadores brasileiros, por sua vez, pareciam muito mais preocupados com sua própria imagem, com sua valorização, com instagram, facebook, twitter’s, grifes, patrocinadores e etc.

Isso pode parecer bobagem, mas não é.

Em qualquer experiência coletiva, onde haja soldados e não guerreiros, da Legião Romana ao Exército de Israel, é difícil vencer batalhas se o indivíduo não percebe que o grupo e o dever o precedem.

Eu sei que, tanto numa guerra quanto num jogo de futebol, os brios não vencem sozinhos.
Mas qual imagem mais clara da decadência da nossa seleção, se não o choro de Thiago Silva em contraponto à sobriedade do Dunga camisa 8?
Enquanto este metia o palavrão, pra desabafar contra um país que estava de “má-vontade” com a seleção, aquele se desfazia em prantos e negava suas responsabilidades mais evidentes como jogador, diante de um país extremamente benevolente (ao menos, até então) com a canarinha?

É verdade, o Brasil vem caindo pelas tabelas, com um futebol horrível, vexame atrás de vexame.
3×0 contra Holanda. Futebol horripilante na Copa América, neymardependência, eliminação para o Paraguai.

As causas são muitas, como falei: safra ruim, corrupção na CBF, gestão obsoleta,etc.

Os 7×1 para a Alemanha não foram uma caso isolado. Não foram um colapso. Foi um sintoma de tudo que fizemos de errado.

O sintoma inicial, que nunca será esquecido.

Churchill, em um dos seus mais brilhantes discursos, disse que, se a Grã-Bretanha derrotasse a Alemanha; se a civilização ocidental durasse mais mil anos; em todos os momentos de glória, as pessoas olhariam para trás, veriam aqueles anos duros da Segunda Grande Guerra e diriam olhando para aqueles homens: “Este foi o seu mais glorioso momento”.

Eu, de minha parte, creio que ainda que o futebol brasileiro dure mais mil anos; as pessoas ainda olharão para aquele 8 de julho e dirão:
“Este foi o nosso momento mais vergonhoso”.

P.s.: Agradeço imensamente a todos os amigos dos grupos de whatsapp que me ajudaram a escrever esse artigo, em especial Arthur Telles.
Eu sou um magrela que sempre preferiu o History Channel a ESPN.
Não me vanglorio disso, pelo contrário.
Queria ter, de Nelson Rodrigues e Galeano, a genialidade literária e a paixão pelo futebol.
Mas a gente faz o que pode.

8 Comentários + Add Comentário

  • Futebol no Brasil virou zona. Nunca foi muito sério, e hoje avacalhou de vez. Jogadores recém saídos da pobreza extrema tornam-se multimilionários do dia para a noite, esquecem dos compromissos com o futebol e caem na gandaia, só querem saber de drogas, orgias intermináveis, amplo envolvimento com prostituição, noitadas, festas e muita vagabundagem. O mundo do crime e das mais variadas máfias (tráfico de drogas, política, lavagem de dinheiro e jogo do bicho) também anda de mãos dadas com o futebol. Hoje em dia é difícil separar o que é futebol e o que é bandidagem.

    Jogadores marginalizados que mais parecem palhaços (ou retardados mentais) fazem de trouxa os torcedores, esses sim, os verdadeiros PALHAÇOS do grande circo que virou o futebol brasileiro.

    Como tudo neste país é uma grande PALHAÇADA, o futebol brasileiro está a cara do Brasil.

  • Só falta o PT estatizar a seleção brasileira e fazer dos jogadores de futebol servidores públicos.

  • A diferença é que a Alemanha joga futebol profissional. Brasil , futebol amador.
    Nossos jogadores são amadores, ficam ricos do dia para noite, e não querem saber de compromisso.
    Ainda fazem boicote a técnico que tente fazer algo profissional!

  • O sonho de qualquer jogador brasileiro é se mandar para o prestigiado e riquíssimo futebol europeu. Essa bosta de futebol brasileiro está completamente falido e desmoralizado, ninguém leva esse lixo a sério, é corrupção, imoralidade, esculhambação e putaria pra tudo quanto é lado, os caras aprenderam bem com os exemplos do PT.

  • Às vezes eu acho que esses jogadores mereciam uma bela surra pra aprenderem a virar gente, os caras parecem maloqueiros drogados, acham que podem tudo, na Europa eles se comportam por que lá a coisa é séria e disciplinada, quando chegam no Brasil fazem o que querem por que sabem que aqui é cabaré.

  • Dilma foi no urologista fazer um exame na mandioca.

  • O blog poderia fazer um artigo sobre a atual situação em que se encontra o famoso “Caso Serrambi”, um dos mais aberrantes, grotescos e escandalosos casos de impunidade da história de Pernambuco, um típico exemplo da força do poder econômico que impera nessa baderna chamada Brasil.

  • O futebol brasileiro é um antro de marginais só tem mafioso picareta nesse caralho.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).