BCs agem, mas mercados têm forte queda

ago 10, 2007 by     Sem Comentários    Postado em: Finanças

Timothy A. Clary/France Presse

Da Folha

Os mercados mundiais tiveram mais um dia de fortes quedas ontem, iniciadas após o banco francês BNP Paribas ter congelado três fundos ligados ao setor de crédito imobiliário americano. O anúncio e suas repercussões fizeram o BCE (Banco Central Europeu) e, em menor escala, o Fed (BC dos EUA) e o BC japonês injetarem bilhões nos mercados para elevar sua liquidez, o que, para alguns analistas, elevou a tensão.

Em Nova York, o índice Dow Jones teve seu maior recuo em um dia desde a turbulência de fevereiro, caindo 2,83%. No Brasil, o índice Ibovespa teve perdas de 3,28%, e o risco-país subiu 5,14%, para 184 pontos.

As principais Bolsas européias fecharam em queda. O FTSE 100, principal índice de Londres, recuou 1,92%. Frankfurt caiu 2%, e Paris, 2,17%.

A turbulência atual nos mercados começou no último dia 24 e acontece pouco depois de as principais Bolsas mundiais, inclusive a paulista, terem batido recordes históricos.

Outros bancos europeus e americanos já haviam suspendido fundos ligados ao mercado imobiliário. Por isso a principal novidade do dia foi a surpreendente ação do BCE, que emprestou cerca de 94,8 bilhões (cerca de US$ 130 bilhões) para 49 bancos da região -a maior injeção de dinheiro já feita pelo órgão-, numa tentativa de corrigir a falta de liquidez.

O recorde anterior ocorreu no dia 12 de setembro de 2001, após os ataques terroristas nos EUA, quando o BCE emprestou 69 bilhões -seguidos de 40 bilhões no dia seguinte.

Já o Fed agiu com mais parcimônia e injetou ontem no mercado US$ 24 bilhões (cerca do dobro da sua média diária).

O BCE tomou a decisão de conceder empréstimos a todas as instituições que solicitassem ajuda depois que a taxa de overnight (usada para operações de um dia em empréstimos entre bancos) chegou a 4,7%, acima da meta de 4%. Essa elevação indica que os bancos estão reduzindo a oferta de dinheiro, em um momento em que os prejuízos com a crise no mercado imobiliário residencial norte-americano, especialmente no segmento “subprime” (empréstimos de alto risco), espalham-se por todo o mundo.

E pode piorar hoje. Após o fechamento do mercado ontem, a Countrywide, maior financiadora imobiliária dos EUA, disse que enfrenta problemas “sem precedentes” no mercado de hipotecas que devem afetar seus resultados de forma “desconhecida”. Com as Bolsas abrindo em baixa hoje no Japão, o banco central do país anunciou a injeção de US$ 8,4 bilhões no seu mercado financeiro.

A grande dúvida entre economistas é saber se a crise no mercado de crédito dos Estados Unidos afetará os fundamentos da maior economia do mundo, gerando efeitos negativos além dos mercados financeiros.

Muitos crêem que esse momento ainda não chegou e que a turbulência pode servir até como um ajuste benéfico num mercado extremamente líquido após anos de crescimento global vigoroso. Mas há exceções: “Isso [a ação do BCE] foi um minipânico. Todas as coisas que foram negadas até agora estão aparecendo. As vendas ao varejo nos EUA foram medíocres, o que mostra que o colapso imobiliário está afetando o consumidor”, disse Joseph Battipaglia, da firma Ryan Beck.

Outros crêem que a forte ação do BCE possa ter até elevado os temores, alimentando o pânico. “Existe uma crise de liquidez no sistema financeiro que até mesmo os participantes regulares [do mercado] estão tendo dificuldades para compreender”, disse Jane Caron, do Dwight Asset Management.

O BNP Paribas, um dos maiores bancos europeus, informou que a suspensão dos fundos ligados ao mercado imobiliário dos EUA foi tomada porque a crise no “subprime” tornou “impossível avaliar alguns ativos corretamente, independentemente de sua qualidade ou classificação de crédito”.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).