E já que estamos falando das eleições nos EUA, quero chamar a atenção sobre o papel da internet no marketing político. A grande rede tem sido o principal palco das propagandas e dos embates entre eleitores ianques. Nesse campo, Obama está dando um banho em Hillary Clinton. Vejam o clipe acima, gravado por vários artistas e cuja a letra é toda montada em cima de trechos dos discursos do senador – que, repito, é um grande orador. Para os mais moderninhos, conheçam no vídeo abaixo o grande sucesso dessa campanha online, a Obama Girl, que bombou no YouTube com muitos milhões de acessos.
Acho que já sentiremos um pouco do efeito internet nas eleições desse ano no Brasil. Claro que são grandes as diferenças. Lá, 70% têm acesso à rede. Aqui são apenas 22%. Mas as classes média e alta brasileira já usam a internet como principal canal de informação.
Não é à tôa que um monte de políticos já lançou blogs por aí, tentando entrar de carona nessa onda. Só que pouquíssimos parecem ter pego o jeito da coisa. A internet não é um outdoor a mais. Tem uma lógica própria. Mas a experiência estadunidense parece demonstrar que ela pode ser uma poderosa ferramenta de marketing político: barata e de alta combustão.
Na matéria abaixo, do Estadão, vejam uma análise mais detalhada do que está ocorrendo nos EUA.
Nas eleições americanas de 2004, o democrata Howard Dean ficou conhecido como o ‘candidato da web’. Usando a internet, ele ganhou apoio de blogs, recrutou internautas para pedir votos, participou de fóruns, entrou em contato direto com os eleitores e, acima de tudo, arrecadou US$ 15 milhões via internet – um recorde na história entre os democratas. Mas seu sucesso no mundo virtual resultou em fracasso na vida real e ele acabou derrotado.
Se, na época, a internet não ajudou nem mesmo o candidato mais conectado de todos, por que nessas eleições ela está sendo tão importante? O próprio coordenador da campanha de Dean responde: ‘Demoramos seis meses para compilar 139 mil e-mails. Uma comunidade no Facebook (site de relacionamento) leva 20 dias para conseguir 200 mil e-mails. Isso é algo astronômico’, disse ao Estado, por telefone, Joe Trippi. Semelhante ao Orkut, o Facebook é uma das chaves para entender os motivos pelos quais democratas e republicanos estão investindo milhões em seus palanques virtuais.
Da campanha anterior para esta, 40 milhões de novos americanos passaram a usar a internet. Hoje, mais de 70% da população tem acesso à web – no Brasil, o percentual é de 22%. No entanto, o que está fazendo da internet uma peça central na corrida à Casa Branca não é só esse novo e, como disse Trippi, ‘astronômico’ alcance que ela tem hoje nos EUA. Mais importante é a maneira como eles estão navegando.
Antes, a internet era usada basicamente para e-mails e consultas. Hoje, são cada vez mais populares as ferramentas em que os usuários podem interagir uns com os outros e criar seu próprio conteúdo. Seja no Facebook, no YouTube ou em blogs, é possível debater ou fazer vídeos sobre qualquer assunto: do último escândalo de Britney Spears às propostas dos políticos. Nessa quase anarquia, o que conta não é o dinheiro, mas a criatividade de mostrar algo diferente. E, segundo analistas, é Barack Obama quem melhor entendeu esse potencial.
Obama tem 320 mil usuários em seu perfil no Facebook (que tem 62 milhões de usuários) e seus vídeos já foram assistidos mais de 14 milhões de vezes no YouTube. O democrata tem ainda um blog, participa do MySpace (um Orkut com ferramentas multimídia), do Flickr (site de fotos) e do Twitter, outra febre entre internautas: miniblog em que você informa seus amigos sobre o que está fazendo no momento. Além disso, dos US$ 32 milhões que arrecadou, US$ 28 milhões foram obtidos online.
E é o eleitorado com menos de 30 anos o maior responsável por essa movimentação política online. ‘Muitas iniciativas de Obama, como seu Facebook, foram criada por jovens, que se sentem valorizados por estarem contribuindo’, diz Peter Levine, diretor do Centro para Informação e Pesquisa sobre Participação Cívica da Universidade de Maryland, que estuda o potencial de eleitores novatos.
Por ser o mais novo entre os candidatos, Obama, que tem 46 anos, também parece entender melhor o eleitorado jovem. ‘Candidatos que continuam usando programas na TV e o telefone estão tendo dificuldade em conquistar os jovens. Já Obama leva a internet a sério e os jovens o tratam como ‘um de nós’ e não como alguém da geração de seus pais’, disse Andrew Rasiej, fundador do site TechPresident, que analisa como a internet está sendo usada na campanha eleitoral.
Mas como garantir que campanhas online vão realmente fazer a diferença e não repetir o fiasco de Dean? ‘Descobrir como converter entusiasmo online em votos é o Santo Graal da política online’, diz Rasiej. ‘O que se pode ter certeza até o momento é que os candidatos estão usando a internet para tudo: fazer campanhas, construir comunidades, arrecadar dinheiro, conquistar partidários, atrair a atenção das massas, o que os torna conhecido por milhões. E isso certamente se converterá em votos’, conclui.
‘Como a escala na qual esses novos aplicativos estão sendo usados é enorme, eu ficaria surpreso se a internet não tivesse impacto na votação’, diz Levine, que cita duas pesquisas para corroborar a tese de que a internet está influenciando na eleição. A primeira mostra que as chances de um americano ir votar (o que não é obrigatório) é maior se ele debateu sobre a eleição. A segunda revela que a presença de jovens nas prévias eleitorais está batendo recordes este ano. ‘Hoje, o principal palco de debates no país é a internet. E são justamente os jovens seus maiores usuários.’
Como já acontece com o comércio, o jornalismo e a música, a penetração da internet na política é irreversível. São milhares de novos usuários a cada dia, munidos de ferramentas de interação e discussão – o que cria mais debate e, conseqüentemente, mais votos. E é essa equação que torna a internet uma ferramenta cada vez mais essencial na campanha política de qualquer candidato.



Eu também estou de olho na presença da Hillary e do Obama na rede Bahé. Tenho até um comentário sobre esse assunto, se é que os leitores me permitem tal liberdade.
Visitei os dois sites, o do Obama (barackobama.com) e o da Hillary (hillaryclinton.com) e achei ambos muito bons, mas existe uma diferença de estilo que representa o atual debate estético nos EUA.
O site do Obama assume um estilo similar à Apple usa em seus produtos, especialmente o iPod, busca agradar um público jovem, que adere fácil aos modismos (como usar a onipresente roupa preta do Steve Jobs, Rarará!), tenta ser diferente, harmonioso, agradável, com grandes vazios estéticos, uma paleta de cores equilibrada, fotos tiradas nos mesmos ângulos dos produtos da Apple, fotos do Obama sério, etc. A mensagem visual é a mesma da Apple: “Se você quer ser um cara inteligente, maneiro e descolado vote no Obama”. Veja esse vídeo que o Bahé colocou aí e tire as suas dúvidas.
O problema desse estilo é que ele isola o Obama, não é uma comunicação imediata, dá a sensação de paralisia, de vácuo de idéias. Falta estímulo.
Já a Hillary escolheu um estilo Windows Vista / XP / Milennium. Letras em caixa alta, tudo ao mesmo tempo e agora mostrado na tela, “Contribua”, “Junte-se a nós”, uma paleta de cores similar a bandeira de Pernambuco, fotos de uma Hillary sempre sorrindo.
Mesmo sendo menos caprichado que o site o Obama, Hillary é puro movimento. Não dá a mínima chance de pensar e a mensagem parece ser essa: “Eu vou começar a trabalhar a todo vapor”, não precisa pensar, eu penso por você, não se preocupe pois comigo não tem moleza.
Tal como o Windows a Hillary não deseja agradar, ser bacana, deseja resolver a parada o mais rapidamente que for possível.
Em minha humilde opinião, a Hillary é um banho de marketing político.
Num país onde o presidente é chamado pela imprensa de “o homem que ocupa a Casa Branca”, onde a ameaça de crise econômica é real, a estratégia da Hillary faz todo sentido.
Deixa eu ver se concordo…
Discordo. O site do Obama tem muito mais cara de Windows Vista (com todo aquele “glow”) do que o da Hillary. O site do Obama tem um visual que parece um misto de noticiário da Fox News (muito glow) com um toque de BBC World pra dar seriedade (pois só tem linhas retas). Nada a ver com o site da Apple que é todo com cantos arrendondados e usa paletas bem neutras.
O site da Hillary tem uma leve carinha de Microsoft, mas nada tão Windows Vista quanto Obama.
Veja como são as coisas Sophia. Esse vídeo que foi colocado no início do post do Bahé é praticamente uma cópia dos comerciais da Apple. O slogan é SIM, NÓS PODEMOS (Yes, we can). A frase é repetida até o final. É lindo, mas tenho dúvidas da eficiência.
Enquanto o Obama usa a primeira pessoa do plural a Hillary usa a primeira do singular. O slogan dela é “EU POSSO” (CAN DO)
Veja a campanha da Hillary nesse link:
http://hillaryclinton.com/video/118.aspx
Ela é positiva, chama a responsabilidade para si e diz “Eu sou a democrata que vai vencer o McCain”.
Aqui pra gente, se essa campanha do Obama der certo vai me surpreender. A Hillary é uma vencedora nata, entrou na para pra ganhar, pra ser a presidente e ponto final.
Claudio,
Eu acho que a campanha do Obama já deu certo. Afinal, ele saiu do nada e hoje ameaça concretamente Hillary, que é tida como nova presidente desde meados de 2007.
Porém, isso não significa que Obama vai ganhar. Mas que a campanha dele provou ser a melhor, isso provou.
Abs
No meu ponto de vista a camapnha dele se mostrará melhor se ele vencer as eleições. Uma camapnha capaz de alavancar um cadidato, mas incapaz de evitar que morra na praia, não me parece ser a melhor.
De qualquer forma, qualquer um dos dois que venha a ganhar, é melhor pros EUA e pro resto do mundo! O idela, a meu ver, seria uma chapa composta por ambos!
Você está corretíssima Sophia, campanha boa é aquela que vence.
Vocês não falaram nada do candidato republicano e nas pesquisas, dá ele.Então, como é que é? A campanha da Cornuda quietinha-porque-rende
e do Turcão ensaboado são boas, são windows num-sei-que, Ipod o scambau, tem glow, tem cacoetes de BBC e outras BaBaquiCes mas no final, num dá nada, mano. E alguém aí acredita que vai fazer diferença -
no final, alí na bucha – quem ganhar?
Sai mané
Ou post interessante kra, brigadaum msm, eu acabei de escrever um post sobre o assunto, porém escrevi sobre um ponto de vista mais técnico, gosteria de indicá-lo aqui: http://www.diegolopes.com.br/blog/index.php/2008/09/como-ganhar-mais-votos-usando-a-internet/
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