Anistia Internacional denuncia execuções, torturas e estupros durante governo golpista de Micheletti

jan 26, 2010 by     24 Comentários    Postado em: Economia

Charge: Carlos Latuff

Fenômeno curioso ocorre naqueles espíritos de memoriosidades seletivas. Geralmente acompanhadas de atroz vulgaridade intelectiva, as conveniências ideológicas produzem efeitos de reações interessantes (e pedagógicas) naqueles que nutrem verdadeira ânsia por emitir uma opinião qualquer, mesmo que embasada em pilares de areia. A premissa acima está em sincronia com o que diz Ortega y Gasset, na sua primorosa obra A Rebelião das Massas:

Acontece o mesmo nos outros campos, muito especialmente no intelectual. Talvez seja vítima dum erro; mas o escritor, ao pegar na pena para escrever sobre um tema que estudou longamente, deve pensar que o leitor médio, que nunca se ocupou do assunto, se o lê, não é com o fim de aprender dele alguma coisa, mas, ao invés, para sentenciar sobre ele quando não coincide com as vulgaridades que este leitor tem na cabeça.”

Um discurso independe de um “sujeito”, porque discursos circulam na sociedade e os enunciados dispensam psicologias baratas daquelas filosofias do sujeito, predecessoras não-evolutivas das filosofias da consciência, marcadamente as de Sartre, ou aquelas heideggerianices todas. Na internet, tanto as vulgaridades quanto os argumentos mais analíticos proliferam-se com semelhante velocidade, espacial e temporal.

Meses depois do golpe, Micheletti tornou-se “deputado vitalício” (ver aqui), e o post sobre o assunto mostrou algum silêncio que entendi como um certo constrangimento dos opinistas que defendiam a “pureza democrática” de Roberto Micheletti e do comandante das forças armadas que liderou o golpe, Romeo Vásquez Velasquez (antigo líder da famosa “quadrilha dos treze”, especializada em roubar carros de luxo, provavelmente para clientes de luxo).

Agora, a Anistia Internacional denuncia que o governo golpista de Micheletti teria violado os Direitos Humanos, e praticado execuções, torturas e estupros contra simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya.

A notícia foi publicada, ontem à noite, pela BBC Brasil, e a repercussão nos grandes veículos tem sido bastante parca, ou, no mínimo, discreta. Coloquei essa matéria em nossa clipagem de hoje, quando a achei solta no site do Estadão. Podem ler clicando aqui.

O documento publicado pela Anistia Internacional informou que “Centenas de pessoas que se opunham ao ‘golpe de Estado’ foram agredidas e detidas pelas forças de segurança durante os protestos nos meses seguintes (à deposição de Zelaya). Mais de dez teriam sido mortas durante os conflitos, de acordo com relatos.”

Os defensores de Micheletti, que acreditam piamente em sua dedicação especial à defesa da Constituição das Honduras (muito embora não mencionem aquela tentativa de alterá-la em favor de um seu correligionário, na década de 1980) – se pensarmos em sincronia com Ortega y Gasset -, permanecerão gozando em suas defesas vulgares do golpista, independente das ações autoritárias de seu “governo de facto”.

Isso não surpreende, já que não se pretende aprender coisa alguma, mas tão somente opinar – custe o que custar. Mais produtivo, entretanto e doravante, seria assistir, se possível, à desconstrução amiúde dos enunciados e argumentos daqueles posts, elencados aqui abaixo.

No entanto, isso não se espera, que a esperança foi o único mal a permanecer trancafiado na velha Caixa de Pandora.

______________________________

Leia mais sobre o golpe nas Honduras clicando nos posts abaixo.

1 – “Militares tomaram o poder nas Honduras”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/militares-tomaram-o-poder-nas-honduras/

2 – “Honduras corta luz, água e telefone da embaixada brasileira”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/honduras-corta-luz-e-agua-da-embaixada-brasileira/

3 – “Zelaya foi deposto porque desagradou a elite”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/zelaya-foi-deposto-porque-desagradou-a-elite-hondurenha/

4 – “Golpistas fecham a rádio Globo e tv ‘36′, e pressionam o Brasil”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/golpistas-tiram-radio-e-tv-oposicionista-do-ar/

5 – “CIDH condena estado de sítio imposto pelos golpistas. Blogueiros relatam caso de tortura”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/cidh-condena-estado-de-sitio-imposto-pelos-golpistas-blogueiros-relatam-caso-de-tortura/

6 – “Para os juristas de botequim”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/para-os-juristas-de-botequim/

7 – “Micheletti diz que segue à risca os Direitos Humanos, mas jornalista denuncia tortura”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/micheletti-diz-que-segue-a-risca-os-direitos-humanos-mas-ontem-golpistas-torturaram-jornalista/

8 – “À homogênea mídia”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/a-admiravel-homogeneidade/

9 – “Romeu Vásquez Velásquez: de integrante da “Quadrilha dos 13″ à Chefe das Forças Armadas de Honduras”

http://acertodecontas.blog.br/internacional/romeu-velasquez-de-integrante-da-quadrilha-dos-13-a-chefe-das-forcas-armadas-de-honduras/

Charge: Carlos Latuff

24 Comentários + Add Comentário

  • André,

    Estava a lembrar do prólogo para ingleses, da rebelião das Massas.

    Com a precisão de sempre, o extraordinariamente claro liberal castelhano, trata de como os ingleses falavam muito à vontade sobre a Espanha de então – Guerra Civil – sem se terem dado ao trabalho de procurar saber o que se passava lá. Se saber mesmo o que era a Espanha.

    E ele menciona como tudo quanto se relacionasse com Espanha era abordado pela imprensa inglesa, que já criava personagens e lugares-comuns dos comportamentos ibéricos. Tanta interpretação decorria de meia dúzia de correspondentes que os jornais haviam mandado à Espanha!

    E o resultado, previsível, era que o inglês médio via-se ancho do que julgava ser tudo quanto se poderia dizer e julgar sobre Espanha e sua guerra civil. Seguro de possuir a verdade e incapaz de suspeitar minimamente de que algo pudesse ser diferente. Enfim, mocinhos satisfeitos britânicos.

    • Andrei,

      No epílogo, falando da Inglaterra, mas com aquela sagacidade que lhe é peculiar, Ortega y Gasset lança uma das bases que posteriormente viriam a se tornar premissas em toda e qualquer análise histórica/sociológica que se pretenda séria. Ele diz o seguinte:

      “É preciso extirpar da história o psicologismo, que já foi afugentado de outros acontecimentos.”

      Nisso consiste minha sincronia com Gasset, quando escrevi no post:

      “Um discurso independe de um “sujeito”, porque discursos circulam na sociedade e os enunciados dispensam psicologias baratas daquelas filosofias do sujeito”

      Coisas desse naipe hão de doer nas vulgarices cotidianas. Fazer o quê?

      “Sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio, e agora?… “

      • André,

        Já leste os Estudios sobre el amor e a Desumanização da arte?

        O primeiro, chamei-o pelo titulo em castelhano porque foi assim que o li, já que nunca encontrei em português. É fantasticamente objetivo.

        O segundo é uma teoria da arte escondida em título despretencioso. Também, claro e objetivo.

        A ensaística, convém que seja objetiva. O campo da criação artística, por seu lado, é vasto e aberto para que a subjetividade produza quanta coisa for capaz e diferente do próprio criador.

        Mas, repito, a ensaística deve ser objetiva e Ortega o é a ponto de alguns considerarem difícil. Acho que consideram porque nos escritos dele há pensamento, cogitação sem amarras.

        Não era um propagandista de partido e assumia as premissas que a realidade oferecia.

        • Andrei,

          O problema formal, que interessou particularmente a Ortega, era uma questão central na época das vanguardas.

          Esse problema estético, na profundidade, talvez abarque as próprias angústias daqueles tempos, como por exemplo, a angústia do deparar-se com o assombro das imagens por trás das janelas da mímesis, as perdas de referências, e os efeitos psicológicos de uma, agora, arte não-humanizada, provocariam certo constrangimento inevitável se se lidasse com tudo isso de forma tão desacorrentada. Talvez nisso consista essa “dificuldade” que você fala. Não é fácil deparar-se de forma lúcida com um problema que lhe ataca o estômago.

          Mas não se resumem a isso, evidente, os problemas. Ortega também tinha seus horizontes, claro. O rompimento com o neokantianismo não foi uma invenção de Husserl, nem mera desvairice jovial daquela gente.

          talvez isso explique um pouco do tom de martelo da lucidez de Ortega. Um martelo que, não duvido, era uma marreta nas mãos de Nietzsche.

          Mas, enfim, já começo a tagarelar e a questão é que não li os “Estudios sobre el amor”.

  • Micheletti, golpísta e ditador que recebeu da nossa mídia o maior apoio.
    Onde andam os que nesse blog o defenderam.

    Onde andam os que atacaram a diplomacia brasileira.

  • gostei do freio no esquecimento que o autor do post nos proporcionou! é mesmo de assustar a opinião de alguns nestes posts citados. bom mesmo é saber que alguns parecem ter esquecido da existência deste blog e não mais retornaram. já outros… tsc, tsc, tsc… gentinha dura na queda, viu! continuam destilando seus reducionismos e antipatias em comentários pra lá de arrogantes, diariamente. como dito ontem em outro post: só eles e as baratas sobreviverão!

  • Raboni, uma pena citar a clareza orteguiana num post contraditoria e paradoxalmente permeado de rombudas expressões heideggerianas. Atroz vulgaridade intelectiva? Poupe-me. Do texto, desbastados os arroubos retóricos, vejo, pela enésima vez, sua tentativa de desqualificar opiniões contrárias recorrendo a golpes abaixo da cintura. Juristas de Botequim? Poupe-me novamente, a não ser que o Dalmo Dallari, cujas convicções ideológicas se assemelham às suas, tenha se tornado um pária da academia. E não é que o Professor defendeu a constitucionalidade DA DEPOSIÇÃO do Zelaya? Ele, a Corte Suprema Hondurenha, a Procuradoria Geral, o Parlamento e até mesmo membros do partido do bufão, pra não falar do apoio da grande maioria da população. De fato, vivemos num império da doxa, e posts como esse seu é um exemplo disso. A DEPOSIÇÃO seguiu sim os trâmitesconstitucionais, já a CAPTURA e DEPORTAÇÃO do sujeito infringiram o ordenamento. Se houve violação dos direito humanos, que sejam apuradas, mas isso não torna inconstitucional a deposição do marionete chavista, tampouco, retroativamente, confere ares de constitucionalidade à consulta que o chapeleiro maluco queria impor goela abaixo da população.

    Na verdade, o artigo do Serrano deveria ganhar o Nobel de Física, por ter inventado o pensamento quântico, aquele que defende um tese e a sua oposta, AO MESMO TEMPO. No corpo do artigo, ele sai tecendo toda uma cadeia argumentativa que impele à ideia de que a convocação para o referendo foi inconstitucional. Só que, no final, tchan-tchan-tchan, se fiando apenas nas palavras do bufão, diz que a intenção deste não era a recondução do mandato. Não julgais pelos atos e sim pelas autopropagandeadas intenções. Parece mentira, né?! Tem mais, o devido processo legal foi respeitado sim, no âmbito da ação que chegou até a Corte Suprema. Querer dizer que quem defende a consitucionalidade da DEPOSIÇÃO o faz por ideologia e quem defende o contrário é isento nesse campo me faz lembrar a máxima leninista: “acuse-os do que você faz”….

  • Ah, o link para o artigo do Dallari é esse:

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0310200906.htm

    • No caso do dallari não foi por ideologia. Foi por desinformação. É a excessão que confirma a regra.
      O fato é que a deposição foi ilegal. Espero que esse novo presidente faça um grande mandato. E que o “deputado vitalício” vá pra cadeia pagar por seus crimes,assim como aquele outro espertalhão que conseguiu ser nomeado “senador vitalício “no Chile,mas foi preso na Espanha.

      • Desinformação do Dallari? É muita pretensão sua, meu rapaz. O jurista pode ser um idiota político, mas em debates jurídicos é muito bom. Pode-se até discordar de suas teses nessa área, mas chamá-lo de desinformado, além de ser uma boçalidade, só demonstra um soberba ignorância de sua parte. Cadê os argumentos contrários aos do professor, Alex? O que quis dizer foi justamente isso, até mesmo o Dallari, jurista respeitadíssimo, mas também um notório filopetista, nesse caso resolveu deixar a ideologia de lado e centrou-se nos argumentos jurídicos, afinal defender a inconstitucionalidade da deposição seria “uma causa perdida”, mesmo que 120% da esquerda tupiniquim repetindo, “ad vomitum”, o contrário. Achei até corajoso da parte dele, pois poderia ficar calado a ter que combater a falácia da patota que pertence. Já o Serrano – advogado da Marta Suplicy, portanto um mambro da “tchurma” – em nome da ideologia, fez um malabarismo argumentativo digno de um Cirque du Soleil, no intuito de, sem sucesso, defender a inconstitucionalidade da deposição. Reconheceu que o chapeludo infringiu o art. 374, mas, matreiramente, sonegou que a medida foi tomada com base em outro ispositivo constitucional. Prêmio Óleo de Peroba pra ele…

        • O Dallari se baseou em informações da mídia tradicional.Que mentiu.
          Não existia nada que remetesse remotamente a “perpetuação de poder”.
          o Proprio micheletti,depois de alguns dias, admitiu que zelaya foi deposto porque chamou muitos esquerdistas para compor o governo”.
          O santayana explica direitinho. Mas o amigo certamente não se interessará.

        • “O Dallari se baseou em informações da mídia tradicional.Que mentiu.”

          HAHAHAHAHAHAHAH!!! A mídia tradicional SEMPRE mente né? A não ser quando é algo de interesse do PT, aí tá sempre certa. Aliás, caro colega, quem é que diz a verdade? PHA, Nassif, o blog de Dilma, Carta Capital… quem mais? São sempre os mesmos os “paladinos da verdade”.

          “Não existia nada que remetesse remotamente a “perpetuação de poder”.

          Como não? Afinal, com o tal plebiscito ele queria o que? E o que falar da estatua dele proprio que ele ja tinha colocado no palacio presidencial? Aliás, mesmo que a reeleição por ele proposta não valesse para agora, tenha certeza que ele iria colocar um “poste” lá durante quatro anos e voltar em 2014 para nunca mais soltar o osso.

          Não dá para perceber que Zelaya é uma imitação de Chavez? A diferença é que ele foi pego antes implantar em seu país o novo conceito de “democracia” bolivariana. É uma matriz com várias filiais espalhadas pelos outros países (Morales, Ortega, Correa, etc).

          Meus parabéns ao Alexis que não se cansa de humilhar indivíduos como esse alexandre, mesmo sendo minoria. Sim, porque eles estão acostumados a atacar em grupo. Quando alguem escreve algo diferente, pensam que “um único opositor” com vários nomes. Felizmente não, ainda há poucas pessoas que tem a coragem de bater de frente com os petistas arrogantes e donos da verdade.

          Engraçado que, quando confrontado com a tese puramente jurídica de Dalmo Dallari remete a um artigo raivoso, ideológico, carente de argumentos jurídicos e muitíssimo mal escrito por um tal blogueirozinho qualquer. Sant o quê? Quem é esse? Prefiro acreditar em Dallari, que, garanto a você, tem muito mais informação que esse outro aí que vc citou. Dallari é esquerdista histórico, professor da Faculdade de Direito da USP (antro dos vermelhos) e é leitura obrigatória para todo calouros do curso de Direito na cadeira de Teoria Geral do Estado, eu mesmo estudei por ele, por sinal, muito bom, se ignorarmos a questão ideológica, concentrando-se no puramente jurídico.

          Aliás, foi exatamente isso que ele fez no artigo. Despiu-se, por alguns segundos da carapuça vermelha e traçou uma boa síntese dos fatos que ocorreram em Honduras, juntamente com a respectiva argumentação jurídica.

          Se eu soubesse da existência deste artigo na época que Raboni defendia até os testiculos de Zelaya aqui no blog, com certeza já teria remetido a ele. Diz tudo que eu já havia entendido e não conseguia explicar para pessoas como este alexandre. Mas ele só vê o quer, com esse tipo de gente não adianta perder tempo – nem se vc DESENHAR eles entendem!

  • Quando me deparei com essa charge do sempre genial Latuff, achei que era o Nelson Jobim. Como se diz aqui em Minas,cara de um ,focinho do outro.

  • Deve haver investigação sobre esses abusos. Se eles realmente foram cometidos, os culpados têm de ser responsabilizados. Mas eu ainda não entendi como isso pode deslegitimar a deposição de Zelaya! Se alguém puder me explicar, eu agradeço…

    • Não existe constituição num estado de direito que admita”execução sumária”.
      è só minha opinião.
      Mas o Santayana explica timtim por timtim.

      http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=15847

      • Primeiro: Não respondeu a minha pergunta. Ainda que isso fosse verdade, a tirada de Zelaya do poder já não seria legítima, independentemente das violações aos direitos humanos.
        Segundo, constituição democrática eu conheço, pelo menos, uma… a de Honduras: “ARTICULO 239.- El ciudadano que haya desempeñado la titularidad del Poder Ejecutivo no podrá ser Presidente o Vicepresidente de la República.

        El que quebrante esta disposición o proponga su reforma, así como aquellos que lo apoyen directa o indirectamente, cesarán de inmediato en el desempeño de sus respectivos cargos y quedarán inhabilitados por diez (10) años para el ejercicio de toda función pública.”

        • [...] Quem ouve os comentários dos cientistas políticos e analistas internacionais das emissoras de televisão e lê alguns jornais brasileiros está certo de que Zelaya pretendia, em referendum popular – que ocorreria em junho passado – disputar um segundo mandato presidencial. Não é verdade. Zelaya queria – e sem efeito vinculante – que o povo dissesse se concordava, ou não, que nas eleições de novembro próximo uma quarta urna fosse colocada nas seções eleitorais. Nessa urna especial, os eleitores aceitariam, ou não, a convocação de Assembléia Nacional Constituinte para redigir nova Carta Política. A consulta direta ao povo, por iniciativa do presidente da República, é prevista pela atual Constituição de Honduras, em seu artigo 5º. Embora provavelmente nova Assembleia Constituinte pudesse tratar também do problema dos mandatos, a consulta de novembro não faria referência expressa a isso, nem Zelaya seria beneficiado: ela coincidiria com a eleição de seu sucessor, dentro das regras atuais do jogo. Portanto, não é verdade que Zelaya pretendesse, com a consulta prévia – e frustrada com o golpe de junho – obter um segundo mandato presidencial. Zelaya e as forças políticas que o apoiam pareciam dispostas a avançar na luta pelo desenvolvimento econômico e social de um dos países mais pobres do mundo. Tendo sido eleito pelas oligarquias conservadoras, às quais pertence por origem familiar, Zelaya, no exercício do poder, modificou a sua orientação ideológica, encaminhando-se para uma posição de centro-esquerda.

          A Constituição hondurenha, mesmo estando ultrapassada pela nova situação mundial, é taxativa, em seu artigo 3º, na condenação aos golpes de Estado. Diz o dispositivo: “Nadie debe obediencia a un gobierno usurpador ni a quienes asuman funciones o empleos publicos por la fuerza de las armas o usando medios o procedimientos que quebranten o desconozcan lo que esta Constitución y las leyes establecen. Los actos verificados por tales autoridades son nulos. El pueblo tiene derecho a recurrir a la insurrección en defensa del orden constitucional”. Se assim é, não foi exatamente Zelaya quem violou a Constituição, mas os golpistas, civis e militares, que o sequestraram com sua família, alta madrugada, e o baniram do país.

          O que ocorreu em Honduras e tem ocorrido na América Latina é o conflito entre um presidente eleito por voto majoritário, com amplo apoio popular, e um Congresso que representa, sobretudo, o poder econômico conservador. Pouco a pouco, Zelaya se foi distanciando das forças que o haviam elegido. Daí, provavelmente, a sua preocupação em buscar a convocação de nova Assembleia Nacional Constituinte – que poderia, eventualmente, promover a sua volta ao poder em 2014 – mas, também, consolidar algumas de suas medidas. [...]

          Mauro Santayana
          http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=15847

          O problema é simples, e foi dito pelo próprio Goriletti: Zelaya estava “esquerdista” demais. Já já ia comer alguma crioncinha…

        • pedro,
          leia o comentário do lucas.
          e depois releia o trecho da constituição hondurenha que você mesmo trouxe aqui pra gente.
          é isso.

        • lucas,obrigado por “salvar o dia’.

  • [...] This post was mentioned on Twitter by acertodecontas, geraldo vilar. geraldo vilar said: RT @acertodecontas: Anistia Internacional denuncia execuções, torturas e estupros durante governo golpista de Micheletti http://bit.ly/86AiDQ [...]

  • A mídia continua monitorando os fracos.

    O crédulos se guiam por ela. E repetem o que lêem.

    • feito papagaios.

      • “Engraçado que, quando confrontado com a tese puramente jurídica de Dalmo Dallari remete a um artigo raivoso, ideológico, carente de argumentos jurídicos e muitíssimo mal escrito por um tal blogueirozinho qualquer. Sant o quê? Quem é esse?”
        he,he. santayana?blogueiro? Raivoso?ideológico?
        essa foi ótima.” sant o que” santa ignorãncia.

  • mais uma vez,o link do “Sant o que?”:
    http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=15847

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).