Alberto Dines cutuca a Opus Dei tupiniquim, e acusa silêncio da mídia sobre Baltasar Garzón

abr 27, 2010 by     30 Comentários    Postado em: Economia

O âncora do Observatório da Imprensa, Alberto Dines, publicou artigo hoje sobre o silêncio que a grande(!) mídia brasileira está fazendo em torno do imblóglio que se estabeleceu no judiciário espanhol nos últimos dias. Em seu artigo, Dines afirma que a jornalada tupiniquim está a embargar notícias sobre as acusações que o juíz espanhol Baltasar Garzón vem sendo alvo no Reino de Juan Carlos I, e que pode levar ao seu afastamento das funções.

Dines não cita nomes, mas não é preciso muito esforço pra fazer saltar de seu “silêncio” o nome de Carlos Alberto Di Franco, articulista do jornal O Estado de S.Paulo que, além de ter dado o ar de sua graça no “1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão” (organizado pelo Instituto Millenium), é mestre-iluminador do ex-governador Geraldo Alckmin, além de membro do Opus Dei (organização ultraconservadora ligada à Igreja Católica, que se expressou nos anos da ditadura militar brasileira sob a égide da TFP – Tradição, Família e Propriedade).

A estratégia tornou-se conhecida aqui no Brasil depois das ações do juiz Fausto De Sanctis e do delegado Protógenes Queiroz contra o banqueiro Daniel Dantas: aquele que investiga os verdadeiros criminosos acaba indo ao banco dos réus. No caso de Espanha, a coisa apresenta um caráter mais ideológico, e a perseguição se dá por parte de alguns magistrados falangistas, como Adolfo Prego (a Falange é um partido que no passado deu sustenção à ditadura fascista de Francisco Franco, e é uma das três organizações de ultradireita que iniciou o processo contra o juiz).

Um dos casos que fez Garzón ficar bastante conhecido internacionalmente foi a expedição de um mandato de detenção que colocou o ditador chileno Augusto Pinochet em prisão domiciliar, por crime de lesa-humanidade contra cidadãos espanhóis. Baltasar Garzón vem realizando investigações de crimes de sequestro e desaparecimentos praticados pelo regime franquista, e a direita espanhola tem protagonizado uma reação veemente contra o juiz.

Para melhor compreensão do leitor, que provavelmente está recebendo pouca, ou nenhuma informação sobre o caso, reproduzo abaixo texto de Andrei Barros Correia, postado no dia 11/04, em seu blog A Poção de Panoramix, e em seguida o texto de Alberto Dines, postado hoje no site do Observatório da Imprensa.

Leia os textos logo abaixo.

“A falange quer silenciar Baltasar Garzón”

O juiz Baltasar Garzón Real

por Andrei Barros Correia
Extraído no blog A Poção de Panoramix

Baltasar Garzón Real é juiz da Audiência Nacional de Espanha, máximo tribunal ordinário do reino. No mundo, tornou-se conhecido por ter processado, julgado e emitido um mandado internacional de captura contra Augusto Pinochet, ditador chileno, por tortura e assassinato de cidadãos espanhóis. Trabalhou a partir de muitas informações, notadamente um relatório da Comissão Chilena da Verdade.

Iniciou investigações sobre o desaparecimento de mais de 100 mil pessoas, durante a ditadura de Francisco Franco. Antes, já trabalhou com os crimes de terrorismo dos separatistas bascos e as detenções ilegais de cidadãos de diversas nacionalidades, encarcerados no campo de concentração norte-americano em Guantánamo.

Por conta da iniciativa relativamente aos desaparecidos do franquismo tornou-se alvo da Falange – ou o que dela remanesce – partido fascista espanhol que dava suporte ao regime franquista. Um notório falangista, o juiz Adolfo Prego de Oliver, do Tribunal Supremo, tomou a seu cargo a tarefa de tentar silenciar Garzón.

Adolfo Prego é patrono da associação neo-franquista Defensa de la Nación Española, firmou um manifesto contra a Lei da Memória Histórica, nunca se furtou a participar em atos públicos a favor do golpe militar de 1936 e da ditadura que lhe seguiu, por quarenta anos. Convém lembrar, também, que o lado político ardorosamente defendido por Adolfo Prego foi responsável pela deflagração da Guerra Civil Espanhola, uma vez que, não aceitando os resultados eleitorais, patrocinou o golpe e a guerra.

O juiz do Tribunal Supremo está a funcionar como magistrado e parte, o que é, no mínimo, repugnante a qualquer direito. Assustador é que isso acontece em um país rico – renda per capita de U$ 33.700,00 – com economia grande e diversificada, produzindo desde laranjas a aviões. Um país que, hoje, pretende-se conhecido por cultivar liberdades, diversidade cultural, letras, artes e ciências.

O recurso contra Garzón deve-se ao fato de estar a investigar os milhares de desaparecimentos sucedidos no longo período franquista e, segundo os ideólogos e magistrados falangistas, isso viola a lei de anistia de 1977. Garzón entende que os crimes de sequestro, por serem delitos continuados, não se sujeitam à prescrição, nem são passíveis de anistia. Entendimento, de resto, perfeitamente consoante às Convenções da ONU sobre direitos humanos. Não obstante, enfrenta processo que pode implicar na sua suspensão das funções judiciais.

Todavia, a Espanha adotou, mais recentemente, a Lei de Memória Histórica. A investigação iniciada por Garzón insere-se no espírito dessa lei. Na verdade, era extremamente improvável que o processo culminasse em punições, porque inevitavelmente seria longo e os responsáveis não poderiam responder criminalmente por uma razão trivial: estão mortos. Fica claro que seu intuito tinha muito de simbólico, e de um simbolismo importantíssimo a estimular o estudo histórico. Se não se estabelecem responsabilidades criminais, ao menos estabelecem-se as históricas.

O juiz Adolfo Prego, ao alinhar-se sem ambiguidades contra a Lei da Memória Histórica, firmar manifestos contra ela, proferir discursos contra ela e participar de associação de destaque da nostalgia franquista evidentemente compromete sua imparcialidade para julgar um tal caso. E, até onde se sabe, a imparcialidade do juiz é um princípio de direito no Reino de Espanha.

Esta questão deve ser compreendida sob a perspectiva política. Além de reação dos saudosos do franquismo, visa a turvar a compreensão e a investigação de casos de corrupção envolvendo o PP, partido de extrema direita espanhol, que flerta – meio dissimuladamente – com as saudades franquistas. O caso está na Audiência Nacional, onde ainda trabalha Garzón.

Pode parecer assunto sem importância, esse. Todavia, convém lembrar que essas coisas em Espanha não costumam terminar bem e que o país tem um peculiar histórico de divisões políticas dificilmente conciliadas. José Ortega y Gasset, castelhano, liberal, direitista, mas anti-fascista e a mente mais clara que o século passado produziu, já advertia dos riscos da ascensão das massas – grupo que não se caracteriza economicamente, nunca é demais reafirmá-lo.

Elas estão no Supremo Tribunal espanhol. Não percebem, essa a imensa cegueira, que é muito mais fácil dividir a Espanha que mantê-la unida. Ou será que somente a querem unida a custo de sangue?

Link:
http://apocaodepanoramix.com/2010/04/11/a-falange-quer-silenciar-baltasar-garzon/

*****

“Opus Dei não quer o juiz Garzón na mídia brasileira”

por Alberto Dines em 27/4/2010
Extraído no site do Observatório da Imprensa

A Espanha rachou novamente e o protagonista é um de seus heróis. Não se trata do cineasta Pedro Almodóvar, nem do ex-tenor agora barítono Plácido Domingo, do piloto Fernando Alonso ou do tenista Rafael Nadal.

Aos 55 anos, traços de galã, precocemente grisalho, o juiz espanhol Baltasar Garzón é o novo tipo de herói num mundo dominado pela banalidade e pela complacência. Destemido, pertinaz, incorruptível, conseguiu colocar o ditador chileno Augusto Pinochet em prisão domiciliar, obteve altíssimas penas de prisão para dois facínoras da repressão argentina, tentou quebrar as imunidades do premiê Silvio Berlusconi, acusou formalmente o segundo maior banco espanhol, o BBVA, de lavagem de dinheiro, investiu contra os terroristas do ETA, contra o sistema de torturas do governo Bush, derrubou o seu próprio partido, o PSOE, e mais recentemente assumiu as investigações contra a alta direção do PP, Partido Popular, de direita, envolta numa incrível rede de corrupção.

Garzón está sacudindo a Espanha por causa de uma sangrenta conflagração encerrada há 71 anos. No sábado (24/4), em 21 cidades do país e em sete do exterior, entre 60 e 100 mil pessoas saíram à rua para protestar contra renascimento do furor fascista, 31 anos depois da morte do caudilho – parceiro de Hitler e Mussolini – Francisco Franco.

Falanges histéricas

Apesar do seu acervo de façanhas, o magistrado Garzón corre o risco de sentar no banco dos réus e ser destituído de sua função na Audiência Nacional (a mais alta corte criminal espanhola) justamente porque não reconhece os limites impostos pela Lei de Anistia e iniciou as investigações sobre os terríveis crimes praticados pelos fascistas espanhóis durante a Guerra Civil (1936-1939) e os 37 anos seguintes da ditadura de franquista.

Seu acusador, Luciano Varela, juiz de instrução do Tribunal Supremo, quer enquadrá-lo por “abuso de poder” porque não teria competência para iniciar essa investigação. A direita espanhola (que compreende um pool de interesses empresariais, ideológicos e religiosos) quer vingar-se de Garzón porque suas investigações sobre os escândalos do PP desmoralizam não apenas os projetos eleitorais do partido, mas a herança reacionária firmemente encastelada na sociedade espanhola.

Garzón alega que a Lei de Anistia e a Lei de Memória Histórica não impedem investigações de crimes de lesa-humanidade. O Ministério Público (Fiscalia) não endossa as acusações de prevaricação manifestadas pelos juízes franquistas. Mas o Partido Popular investigado por Garzón corre o risco de desaparecer se as investigações de corrupção forem adiante – e suas falanges estão histéricas.

Fantasmas do passado

O caso do Quixote togado ameaçado de punição por um judiciário infiltrado pelo totalitarismo dos anos 1930-40 está apaixonando a Espanha, comove a Europa, mexe com a América do Sul, porém não toca nem anima os álgidos “porteiros” de nossas redações.

Explica-se: mencionar a direita espanhola significa mencionar a Opus Dei. E a prelazia queridinha do papa João Paulo II, firmemente infiltrada na mídia brasileira, sobretudo nos escalões intermediários, abomina holofotes. Prefere operar na sombra.

A mídia européia e americana solidarizou-se com Balta Garzón: para o New York Times, The Guardian, The Economist, o Liberation e Le Monde investigar os desaparecimentos durante a Guerra Civil não é delito, delito é perseguir um juiz que vai às últimas conseqüências em busca da verdade.

O cerco a Garzón dificilmente empolgará nossa mídia e não apenas por causa do embargo da Opus Dei nativa, mas porque o recente imbróglio em torno do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) foi resolvido com um acordo entre as partes: o governo retira do programa os itens que desagradam à mídia e esta não insiste na reabertura das investigações sobre as violências cometidas pelos órgãos de segurança durante o regime militar.

O franquismo estaria hoje esquecido na Espanha se o establishment direitista – ao contrário do que aconteceu na Alemanha – não teimasse em ressuscitar e reabilitar os fantasmas que criou no passado.

Escreva ao seu jornal ou revista, caro leitor. Cobre deles um mínimo de informações sobre a perseguição a Baltasar Garzón. Você tem esse direito. Pergunte por que razão o cidadão brasileiro deve ser narcotizado pelas irrelevâncias e mantido à margem das trepidações que estão mudando o mundo.

[Texto fechado à 0h35 de 27/4/2010]

Extraído em:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=587IMQ001

Leia também:

A recuperação da memória histórica – El País

Sobre o Tribunal Supremo – El País

30 Comentários + Add Comentário

  • As razões, hoje, pelas quais estão perseguindo o Garzón são infames. A Falange sequer ter direito a existir mesmo ainda apoiando os ideais franquistas e defendendo a violência a todo tempo é algo ridículo e que comprovam que a Espanha está longe de ser uma democracia.

    Por outro lado, Garzón é um canalha. No dia das grandes manifestações em sua defesa só duas regiões nada fizeram: La Rioja e o País Basco.

    Porque o País Basco?

    Porque Garzón foi o responsável por ilegalizar diversos partidos nacionalistas Bascos e mandar para a cadeia e para a tortura permitida pelo estado CENTENAS de Bascos e Bascas ao longo das últimas duas décadas.

    Garzón é um contumaz perseguidor do nacionalismo Basco e deveria ser, por isto punido. A punição para ele vem por razões errada,s mas não é fácil sentir simpatia por ele.

    tsavkko.blogspot.com

    • Esquisito…

      Depois de criticar ( acertadamente) a violência da Falange o comentarista tasca um “canalha” no Juiz, sem a menor cerimonia….

      É isso… Violentos, autoritários, arbitrários…
      São os outros….

      • O fato do Garzón ser perseguido pela Falange não o torna um lutador da liberdade. Ele é midiático, oportunista. Por mais que fosse correto investigar os crimes franquistas, seu passado – e presente – de perseguidor de Bascos não se apaga de um dia pro outro.

        http://haciaeuskalherrialibre.wordpress.com/2010/04/27/sigue-garzon/

        http://jmalvarezblog.blogspot.com/2010/04/baltasar-garzon-se-ha-vuelto.html

        http://kaixo.blogspot.com/2010/04/la-muy-franquista-izquierda-espanola.html

        • Raphael,
          Meu comentario não ataca o conteudo do que vc disse.
          Pouco conheço do assunto…
          Me limitei a realçar a sua critica à violencia das falanges quando, ao mesmo tempo, investe ferozmente contra o Juiz, usando um adjetivo muito forte ( pelo menos para meus sensiveis olhos e ouvidos… hehehe).
          Mas, em todo caso, é bom saber que o Juiz não é essa brastemp toda ( e quem seria, não é mesmo…????).

          Os herois não me atraem.
          Temo os salvadores da patria.
          O Garzon parece ser um deles… ( pelo menos é visto como tal).
          Cá pra nós, prefiro os outros “Garzons” que não aparecem na Midia. E há muitos, não tenho dúvida….

          Usando uma comparação futebolistica tão ao gosto do nosso guia: Jogo bom é aquele em que o Juiz nem é lembrado no final….

        • Chamar de canalha é dar nome aos bois. O que a Falange faz é exigir que se mate gente. Bem diferente!=) Usar palavra forte é diferente de espancar e matar. Ou eu deveria chamar o Garzón de “querido”?

          Amanhã posto artigo tentando desmascarar o “querido” Garzón!

          tsavkko.blogspot.com

  • Dines tem o dom do texto!!! Primoroso!!!

  • Se Baltasar Garzón nos fizesse o favor de mandar prender alguns do nosso Generais de pijama, eu o apoiaria. Ou então se mandasse prender Pimenta Neves.

    Nossos milicos de 1964 estão aí, sendo condecorados por sua covardia. Nunca vi ninguém ser homenageado por ser covarde. Só no Brasil.

    Ah, sobre Pimenta Neves, o maior incone de covardia recente. Atira na ex-namorada pelas costas e nunca dormiu numa cela.

  • Será que não é o Alberto Dines, membro da mídia judaico-sionista, fazendo o tradicional ataque aos católicos?

    Sei lá, me bateu essa dúvida. Mas posso ser paranóico claro, quiçá anti-semita, e não sei…

    • Como se não houvessem motivos para atacar os católicos. Preciso lembrar que é a instituição que diz que os africanos devem morrer de AIDS, contato que não usem camisinha?

      • Deixa de ser repetidor de bobagens. A Igreja não proíbe ninguém de usar camisinha. Apenas aconselha a fazer sexo dentro do casamento. Obedece quem quer. Se africanos, ou quem mais quiser, pegam AIDS não é por obediência à Igreja, mas por outros motivos.

        • Obviamente, a igreja não proíbe ninguém de usar preservativo, até porque não pode.

          Mas, no caso africano, há, sim, uma recomendação expressa.

        • Não disse que a culpa é da igreja católica, disse que ela recomendou, o que por si só já é um absurdo. Mas o próprio pensamento religioso é tão primário que nem vejo motivos pra alguém dar pelota para o assunto. Mas há quem dê, fazer o que ne…

      • A África é católica?

        • Independente de ser ou não, o que eu coloquem em questão foi a postura de conservar tradições sem sentido em face as necessidades da vida moderna.
          E obrigado Andrei, por esclarecer nosso amigo paroquiano.

  • No fundo, tudo isso é a raspa do tacho ideológico brasileiro.

    A origem, junto a certos costumes portugueses, de todas as nossas desgraças político-sociais.

  • Apenas uma correção. A falange ainda existe e é um partido legal, tanto a tradicional quanto a falange de las jons. Outro dia, passando em frente a sede de falange de Granada, me surpreendi com um cartaz defendendo a liberdade de expressão. Curioso, nunca tinha pensado que um fascista defendesse a liberdade de expressão… bem, talvez eles defendam apenas a liberdade de suas expressão.

    Ah! Batasuna e os abertzales, estão na ilegalidade

    • a liberdade de suas expressões, analfabeto!

      • Pois é, agradeça a Garzon que sempre preferiu atacar os nacionalistas na base do “Tudo é ETA” à ir contra os fascistas que tem o sangue de mais de 150 mil nas mãos.

        tsavkko.blogspot.com

        • Raphael, ainda que concorde em muitas das ações, tenho a convicção que Batasuna deveria ser um partido legal.

          Não tenho a menor simpatia pelo ETA, penso que eles já perderam a legitimidade (e o juízo) há muito tempo.

          Quando morei em granada, tive a casa vigiada pela polícia porque a dividia com 3 bascos. Me pareceu uma afronta.

          Agur!

  • Não conheço a história completa, mas não me parece que o passado dele deva ser demérito do benefício de suas ações. Critica-se quando há o erro, mas devemos apoiar os acertos, independente de quem venha.

  • Dan Brown, autor da ficção O Código da Vinci e do mito da Opus Dei Bicho Papão, faz muito sucesso mesmo. Até o Dines aderiu à moda.

  • Para RAPHAEL TSAVKKO:

    Muito interessantes os seus comentários, fugindo do “quem persegue o que é ruim é bom”, tão comum no Brasil.

    Vou tentar copiar dois textos de JANER CRISTALDO, acerca do tal magistrado, inclusive um que ele pergunta o motivo pelo qual o juiz não vai atrás dos comunistas que mataram religiosos – e a isenção de sua assertiva é porque Janer é um ateu convicto e praticante, sendo os homens de fé alvos de críticas constantes dele.

    Tem mais: quando é que no Brasil vamos pegar os homicidas que praticaram “justiçamentos”?

  • REMEMBER PARACUELLOS DEL JARAMA
    (por JANER CRISTALDO, 31/08/2008)
    http://cristaldo.blogspot.com/2008_10_01_archive.html

    O juiz espanhol Baltasar Garzón, da Audiência Nacional, declarou-se ontem competente para investigar a desaparição de vítimas do franquismo. E ordenou a exumação de 19 fossas já identificadas, entre elas a suposta fossa em que se encontraria Federico García Lorca. No auto de 68 páginas, Garzón assinala que o caso é competência da Audiência Nacional, por estarem implicadas pessoas relacionadas com instituições do Estado, entre elas Francisco Franco e outros 34 acusados, em desaparições ilegais, dentro do contexto de crimes contra a Humanidade. Considerando-se que os 35 acusados já estão mortos, pergunta-se qual a intenção do juiz. Quem sabe obter, ao melhor estilo tupiniquim, gordas indenizações para os herdeiros dos desaparecidos?

    Não sabemos. O que sabemos é que Baltasar Garzón não demonstra nenhum interesse em investigar o massacre de religiosos pelos comunistas na Espanha. Estima-se que 6.832 religiosos, entre os quais 4.184 padres e 13 bispos foram assassinados na Guerra Civil. Freiras foram violadas e mais de 160 igrejas incendiadas e depredadas. Segundo Paul Johnson, alguns padres foram queimados vivos e outros alguns tiveram suas orelhas decepadas. Freiras tiveram os tímpanos perfurados por rosários enfiados à força em seus ouvidos.

    Isso sem falar na chacina de Paracuellos del Jarama. Em 1936, neste sítio que ninguém gosta de lembrar, foram fuzilados pelo Partido Comunista nada menos que 2.400 espanhóis que se opunham à Frente Popular. A Garzón, não interessa investigar estes massacres.

    Não bastasse o absurdo de pretender julgar crimes prescritos e condenar pessoas mortas, Garzón pediu o atestado de óbito de Francisco Franco e de uma trintena de generais, entre estes os generais Emilio Mola e Gonzalo Queipo de Llano. Segundo o juiz, trata-se de um mero trâmite judicial já que “é certo e notório que a participação nos fatos daqueles que estão falecidos ficará extinta uma vez constatada sua morte”.

    Pelo jeito, Garzón ainda não sabe que Franco, Mola e Queipo de Llano estão mortos e bem mortos. Como disse alguém, é o mesmo que pedir o atestado de óbito de Napoleão.

  • Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

    NADA DE NOVO SOB O SOL
    (por JANER CRISTALDO)
    http://cristaldo.blogspot.com/2009_12_01_archive.html

    Há Estados interferindo na legislação de outros Estados. Nestes dias em que estive na Espanha, Baltasar Garzón, o famigerado juiz espanhol, pretendeu julgar os familiares de Pinochet por supostos crimes cometidos … no Chile. A impressão que o magistrado deixa é que a Espanha se arroga o direito de julgar atos em qualquer país do mundo. Isto não é novo. Nos anos 90, um cidadão francês foi condenado por crime que teria cometido… na Tailândia. Só que na Tailândia não era crime. Comentei isto há quase dez anos.

    Amnon Chemouil, funcionário dos transportes públicos franceses, descobriu em 92 a praia de Pataya, na Tailândia, para onde voltou em 93 e 94. Na terceira viagem, em companhia de um turista suíço, Viktor Michel, decidiu iniciar-se na pedofilia. Viktor trouxe-lhe uma menina de 11 anos, que praticou uma felação em Chemouil, pelo preço módico de 125 francos. Até aí, nada fora do previsível. É internacionalmente sabido que o Estado tailandês tolera tais práticas, daí boa parte do afluxo turístico àquele país. O suíço, que além de pedófilo era voyeur, filmou a cena. De volta ao mundo europeu, Chemouil recebeu do amigo suíço uma cópia do vídeo, para sua coleção. E aqui começam os problemas do funcionário.

    Anos depois, em uma revista no apartamento de Viktor, a polícia suíça encontrou o vídeo e enviou uma cópia do mesmo à gendarmeria francesa. Chemouil foi detido e levado ante um tribunal parisiense, que o acusava de transgredir o código penal francês de 94, pelo crime de violação sexual de menor. Além do mais, uma lei aprovada em 17 de junho de 1998, autoriza os tribunais franceses a julgar as “agressões sexuais cometidas no estrangeiro”, mesmo quando os fatos imputados ao acusado não sejam considerados delitos no país onde foram cometidos.

    Claro que a França jamais condenaria um cidadão francês que fosse a Cuba – como vão – para curtir os encantos de uma jinetera a preço de baguete. Nem a Alemanha condenaria os Fritz que vêm ao Brasil em busca das celebradas mulatas do Rio e Bahia. Quanto à Tailândia, é crime. Mesmo que lá não seja crime.

    Na ocasião, o escritor peruano Vargas Llosa, em artigo para El País, afirmou que o precedente estabelecido pela França é impecável, pois uma democracia moderna não pode aceitar que, saltadas as fronteiras nacionais, seus cidadãos possam ser exonerados de responsabilidade legal e delinqüem alegremente porque, no país estrangeiro, não existem normas jurídicas que proíbam aquele delito. (…) Os legisladores franceses decidiram estender a jurisdição das leis e códigos a esta sociedade globalizada de nosso tempo, o que permitiu assentar um precedente e um exemplo, como ocorreu, já não no campo dos delitos sexuais, mas no dos crimes contra a humanidade, com o general Pinochet na Espanha e Inglaterra.

    O lúcido Vargas Llosa parece ter-se imbuído da arrogância européia, que se julga no direito de julgar um chileno por crimes cometidos no Chile, mas jamais ousaria pedir a cabeça de um Clinton ou Blair pelo bombardeio de populações civis na Iugoslávia. Diga-se de passagem, Barack Obama acaba de receber um Nobel da Paz por seus bombardeios no Afeganistão.

    Por uma lei de 1998, Amnon Chemouil foi condenado na França a sete anos de prisão. Por um fato ocorrido em 1994, na Tailândia. Não é preciso ser versado em Direito, para entender-se que tal atitude gera uma insegurança total no campo dos atos humanos. Ora, no artigo 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, lemos: “Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento de sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito nacional ou internacional”.

    Tenho comentado, ao longo destas crônicas, uma outra tendência cada vez mais em moda em nossos dias, a de criar diferentes legislações para os cidadãos pertencentes a um mesmo Estado. No Brasil, negro vale por dois brancos em vestibular, índio pode espancar mulheres e matar crianças, desmatar e exportar mogno, o MST pode invadir propriedades e próprios federais, demolir laboratórios e culturas transgênicas. Se um outro cidadão que não pertence a estas tribos fizer o mesmo, cai sobre ele todo o rigor da lei.

    Na Europa, os muçulmanos reivindicam o direito a práticas que na Europa constituem crime, como a ablação do clitóris e a poligamia. Na Alemanha, citando o Corão, a juíza Christa Datz-Winter, de Frankfurt, negou o pedido de divórcio feito por uma mulher muçulmana que se queixava da violência do marido. A juíza declarou que os dois vieram de um “ambiente cultural marroquino em que não é incomum um homem exercer um direito de castigo corporal sobre sua esposa”. Se um alemão bate em sua mulher, estão estabelecidas as condições para o divórcio e para a punição do marido. Muçulmano pode bater à vontade.

    Costumo afirmar que quando em um Estado há duas ou mais legislações, então há dois ou mais Estados. Falei em “tendência cada vez mais em moda em nossos dias”. Me corrijo. Isto não vem de nossos dias. Há dois mil anos, uma seita de fanáticos já tinha a mesma pretensão.

    Celso, nobre romano, autor de Discurso Verídico, que foi queimado pela Igreja e do qual só temos notícia pela contestação de Orígenes em Contra Celso, em sua época já acusava os cristãos de rebeldes contra a ordem estabelecida. Se se negavam a participar na vida pública e civil, isto equivalia a estabelecer um Estado dentro do Estado, com normas e costumes próprios, mas distintos aos do Império. Se se contentassem em anunciar um deus novo, isto pouco importava aos romanos. Mais deuses, menos deuses, tanto faz como tanto fez. Ocorre que se empenhavam em denegrir os deuses do país que os acolhia.

    Como dizia o Koelet, nada de novo sob o sol.

  • Quem é Alberto Dines???

  • “Aos 55 anos, traços de galã, precocemente grisalho, o juiz espanhol Baltasar Garzón é o novo tipo de herói num mundo dominado pela banalidade e pela complacência. Destemido, pertinaz, incorruptível,”. Xii, acho que o Dines tá apaixonado. Sei não…

  • Sobre o Garzón, compartilho a opinião dos espanhóis (traduzido): http://tsavkko.blogspot.com/2010/04/o-caso-do-juiz-baltasar-garzon-um-juiz.html

  • Talvez o meu comentario seja tardio mas me parece que o “equívoco” do Dines foi o de descrever o juiz Garzón com indisfarçável simpatia, contrariando a opinião de alguns que julgam o mesmo, no mínimo, suspeito, em razão de sua posição no que se refere aos separatistas bascos. Fiquei com a impressão de que aquilo que deveria ser o teor da discussão, ou seja, a reparação de equívocos cometidos contra a humanidade, seja ela qual e onde for, torna-se irrelevante se confrontada com uma e/ou tantas outras semelhantes vertiginosamente apresentadas por leitores inegavelmente “cultos”. Diante de tanta controvérsia, resta-me observar e concluir que, a despeito da intelligentsia, masturbação intelectual constitui tão somente empolação e ignorancia lapidada. È por estas e outras que aqueles que detém o verdadeiro poder no nosso país continuam perpetuando-se e rindo à toa de nossas elites pensantes.

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).