
A Folha de S.Paulo traz, hoje, um artigo intrigante da Elio Gaspari. Trata-se de uma “novidade” dos serviços Oi/Velox: um um programa, chamado “navegador”, que rastrea e registra os percursos que seus clientes fazem na internet. Segundo Gaspari, a empresa garante que a identidade do cliente será mantida em sigilo, já que o programa “Navegador” mapeia o computador do usuário utilizando um algoritmo de 24 dígitos que não pode ser decifrado.
A isso, Sinhá Boça diria: “Acredite, por favor!”
Talvez fosse mais honesto dizer que “é difícil decifrar”. Mas dizer que “não pode” soa como uma sinistra traquinagem. Pra completar, essa coisa chamada “Navegador” está sendo ativada sem o conhecimento e consentimento prévio dos clientes Oi/Velox. Ou seja, a coisa surge para o usuário numa caixinha informando que já está ativa, perguntando se a pessoa quer ou não desativar o “serviço”.
Será legítimo ser obrigado a desativar algo que não foi sequer solicitado? Ainda mais num País onde se acha que tudo que vir a mais é lucro, e se idolatra o tal do “brinde”, que faz o brasileiro ter mania de comprar, por exemplo, uma revista para ganhar uma xícara ou um prato, jurando que está se dando bem.
Pode até se dar bem com o brinde, mas caiu direitinho na artimanha da revista, que muitas vezes nem sequer é aberta pelo consumidor. Invertendo e parodiando o dito popular: compra-se lebre por gato.
E tem mais. A Oi/Velox, neste “serviço”, está associada com uma empresa conhecida internacionalmente por fazer vigilantismo dos conteúdos que circulam na internet, a Phorm (leiam sobre essa empresa clicando aqui). Pra finalizar o “pacotão da generosidade”, associaram-se à Oi/Velox e à Phorm, portais brasileiros como o Uol (controlado pelo Grupo Folha), IG, Terra e O Estado de S.Paulo.
Leiam o texto do Elio Gaspari, logo abaixo.
“A trapaça do rastreador da Oi no Velox”
por Elio Gaspari
da Folha de S.Paulo
Com uma linguagem empolada e uma pegadinha, a operadora quer reciclar sua freguesia
A OPERADORA Oi anunciou na semana passada o lançamento de uma ferramenta para a internet chamada “Navegador”. Trata-se de um rastreador dos caminhos percorridos na rede pelo cliente de seu serviço Velox. A novidade é apresentada aos consumidores de maneira trapaceada, deselegante. (A operação já começou, pequena e felizmente sujeita a correções, no Rio.)
O mimo é oferecido como uma “facilidade”, omitindo que é um rastreador. Quando o “Navegador” entra num computador que usa o serviço Velox, os endereços por onde o cliente passa são registrados pelo programa. A Oi garante que o rastreador passa longe de alguns sítios, inclusive dos que pedem senhas. Além disso, assegura que a identidade do cliente será preservada, pois o “Navegador” atribui ao computador rastreado um algoritmo de 24 dígitos que não pode ser decifrado.
O rastreamento interessa à Oi e aos seus parceiros porque permite a segmentação de público para o mercado publicitário. Assim, uma empresa de turismo pode anunciar só para pessoas que pesquisaram preços de pousadas, e todos ganham com isso. É o que faz o Google. Quando uma pessoa entra nas suas páginas, seus interesses são registrados e, a partir daí, selecionam-se os anúncios que lhe serão oferecidos na barra lateral da tela.
Há uma diferença entre o Google e o “Navegador” Oi/Velox. No Google, o sujeito entra se quiser, quando quiser, para usar ferramentas que lhe são oferecidas de graça. Velox e Oi são fornecedoras de um serviço remunerado e vendem o acesso à banda larga a 4,5 milhões de clientes.
A Oi trapaceia na maneira como oferece o “Navegador”. O sujeito liga a máquina, aciona o Velox e vê uma tela que lhe apresenta a “facilidade” (em relação a quê?). A lisura recomendaria que a empresa mencionasse, de saída, a função rastreadora do “Navegador”.
Até aí, manipulam a comunicação. No lance seguinte, recorrem a uma pegadinha para capturar clientes. Quando a tela do “Navegador” aparece, o mimo é oferecido com o aviso de que ele “já está ativo”. A tela do “Navegador” permite que o consumidor desative a ferramenta, mas não é assim que se faz. Uma pessoa não pode ser obrigada a desativar algo que não solicitou.
Pouco custaria à Oi informar, com clareza que o “Navegador” rastreará o freguês, garantido-lhe a privacidade. Em seguida, como fazem as boas casas do ramo, ofereceria duas caixinhas: “Quero” e “Não quero”. O freguês escolhe e não há mais o que discutir.
A relação entre um consumidor e sua operadora de internet baseia-se em algum tipo de confiança. Se a “facilidade” manipula o idioma e recorre a uma pegadinha, arrisca-se a estimular a suspeita de que, algum dia, não respeitará sua privacidade.
Nesse lance a Oi está associada à empresa Phorm que, em 2008, meteu-se num escândalo na Inglaterra quando se descobriu que rastreava os clientes da British Telecom sem que eles tivessem sido avisados. Teve que fechar a barraca.
Na empreitada do “Navegador” juntaram-se à Oi e à Phorm alguns dos principais portais de comunicação do país. Lá estão o UOL (empresa do Grupo Folha), o iG, o Terra e “O Estado de S. Paulo”. Todos deveriam rastrear melhor a maneira como usam suas marcas.



O modo como está sendo conduzido o processo é muito errado de fato, mas há possibilidades interessantes neste serviço.
Especialmente para os pais, já que o “navegador” rastreia seu fluxo de navegação, seria interessante que em algum lugar um relatório fosse disponibilizado para o cliente. Claro que não acredito que a ferramenta tenha sido criada com esse intuito, mas creio que não seria de todo mal agregar algum valor a um recurso que é de interesse exclusivo (neste modelo) da operadora.
Seria isso uma entrada sutil de um tenebroso sistema de vigilância e censura?
http://www.trezentos.blog.br/?p=4439
Robson, não creio que os fins deste serviço sejam para cercear a liberdade de expressão. Do ponto de vista comercial, é muito mais lucrativo vender informações de navegação para fins comerciais do que para uma suposta censura que é inconstitucional.
Claro que a forma como está sendo feita e o passado negro da empresa (li a matéria do link que você postou) não são corretas, mas dai a pensar que estamos diante de uma possível “conspiração” acho um salto muito grande.
Quem sabe… O Phorm está sendo utilizado por portais de comunicação e provedores, isso pode ser mau sinal.
E o AI-5 Digital de Azeredo potencializa esse temor de vigilância virtual.
Bem, em uma resposta lá embaixo eu falo sobre isso, mas o AI-5 de Azeredo não precisa dessa ajuda, já que teoricamente os provedores tem como guardar estas informações sozinhos. O que eu digo é que não teria pra que pagar por uma coisa que você pode “baixar decreto” e tornar obrigatória, e quem quiser que se vire pra fazer acontecer. De fato eu sou contra a proposta, tando do Azeredo quanto da OI, mas não creio que seja tudo parte do mesmo plano.
Já sabemos a solução… banda larga fixa GVT ou móvel 3G não-Oi.
(Enquanto eles não aderem ao Grande Irmão.)
Acho que a OI/Phorm não compraram anúncios na Folha de São Paulo…
Nada me assusta vindo da empresa campeã do Prêmio Nelsinho Piquet!!!
É obvio que se trata de uma forma de explorar os clientes ainda mais. Melhorar a qualidade do serviço, nem pensar.
[]´s
pra se ter um relatório pessoal da movimentação do seu PC na net existem programas pra download na web… se um pai quiser controlar as informações da meninada é só instalar e usar por conta própria.
Neste caso, um filho mais esperto consegue facilmente burlar esta segurança. Se os dados são gerados no servidor, ai sim torna-se quase impossível a pessoa escapar do relatório.
De qualquer maneira isso tem que ser uma iniciativa do usuário, e não algo feito sem a ciência e consetimento do mesmo.
Não quero que ninguém saiba o que meus filhos fazem na web, exceto eu, até que eles completem 18 anos.
Gostaria bastante de ver aqui no blog um post sobre a diminuição de poderes/atribuições da Chesf pelo governo federal. Como o blog tem otimos leitores/debatedores, acredito que seria um assunto de interesses de todos.
Grande abraço!
Isso é tudo que a CIA, FBI, Mossad e outros quejandos desejam. Vá o sujeito apoiar os palestinos em sites, e os americanos já não darão visto de entrada nos EUA. Com a generosa colaboração da OI…
Era o que eu tava falando sobre a vigilância e o controle que dizem que o Phorm tenta auxiliar em implantar.
Absurdo, a empresa jamais poderia fazer isso, mesmo alegando que os dados não serão divulgados.
Na realidade, o que a velox deve também estar pretendendo é se proteger de possíveis futuras intervenções da polícia federal na caça aos pedófilos, traficantes e piratas cibernéticos.
Vão me prender jájá por eu ter baixado o jogo Aliens vs Predator, Mass effect 2, Batman, Fallout 3 dentre outros.
Podem até me prender, mas me fazer dar dinheiro em impostos pro governo mais do que já dou, aí não. Prefiro ir preso.
Isso é questão para o Ministério Público Federal agir, pois se for permitido, já já a própria GVT vai fazer isso também e aí, xau xau à privacidade e inviolabilidade dos dados telemáticos e da informática. País que pisa na própria Constituição não tem um fim bonito.
Até concordo contigo Carlos, quando falei sobre tirar algum proveito disso foi imaginando que alguém acharia alguma forma de tornar isso “constitucional”. Ao menos não sairíamos no prejuízo total.
Mas convido a todos os leitores do blog a procurar saber mais sobre o projeto de lei proposto pelo Senador Azeredo/MG, que entre outras coisas tornam os provedores polícias virtuais, criminalizando práticas simples como a troca de aquivos por P2P (sabemos que muitos usam de fato para a pirataria, mas não é exclusivamente uma rede “pirata”).
Para quem quiser protestar, no site http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html tem um abaixo-assinado virtual para vetar o projeto, além de mais informações sobre o projeto.
Carlos,
É questão de tempo até a GVT “entalar” no consumidor – isso se ela tiver pelos brasileiros o mesmo desapreço que a VIVENDI, sua nova controladora, tem pelos franceses – esse novo “brinquedinho”.
Sacanas como os criadores da Phorm e os controladores da Oi é que deviam apanhar feito bicho e ainda ir presos, uns por ajudar a enganar e outros por expropriar ainda mais os consumidores, apenas pra faturar com seus esqueminhas publicitários.
Nada me convence, paranóico remanescente do AI-5 que sou, de que, com ou sem rede, nossos micros são vigiados.O Grande Irmão (o de Orwell, não o da Globo) já está nosso calcanhar a muito tempo.
Exatamente amigo. Compartilho dessa mesma opinião. Nada me convence que nós navegamos livremente sem nunhum tipo
de fiscalização e controle ocultos pela internet. O pior é que se dissermos isso por aí seremos “esquizofrenicos” ou “conspiradores”. Mas acho que muitos pensam assim também.
O pior é que a maioria cai no conto da “democracia da informação”, achando que o sigilo de suas andanças pela internet está plenamente garantido só pq a “constituição garante”. Se for a mesma “garantia” que ela dá à segurança, à saúde e à educação públicas, universais e de qualidade realmente estamos à beira de um colapso democrático.
Somos, sim, potencialmente rastreados. A questão é, para quem rastreia, estabelecer o critério de relevância da informação que querem investigar.
Nada impede que um provedor armazene todo um histórico de navegação, tabule preferências de acesso e coisas assim.
No caso da Oi há ilegalidade explícita, pois violam sigilo sem consentimento, além de impor um serviço sem perguntar, também.
É nitidamente inconstitucional, além de violar o código do consumidor, mas, provavelmente, nada acontecerá. Ou, se acontecer, a Oi continua rastreando sem que se saiba.
Andrei,
Não achas que está na hora de abrir uma CPI no Senado Federal para apurar e punir as empresas que violam a nossa privacidade e expô-las ao público, assim como descobrir quem está pro tras disso e quais parlamentares estão compromissados com essas empresas?
Fica dificil eu sei, pois as doações de campanha envolve milhões de reais , para eleger as bancadas dos planos de saúde, operadoras de telefonia, etc.
É ISSO AI.
AGORA É VER QUANDO O BRASIL VAI FICAR PIOR DO QUE A CHINA EM TERMOS DE LIBERDADE E DEMOCRACIA.
Assim vai ficar difícil entrar nos sites p&%%$$. Aí correr para a locadora é retrocesso.
E a TV A CABO… serve pra que?
mas é paga, salvo algumas horas da madrugada no max prime kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Além do PÉSSIMO serviço que a Oi/Velox oferece, com muitas instabilidades e o não cumprimento da velocidade contratada, agora inventaram essa de rastreamento. Isso é um absurdo, Estamos caminhando para uma ditadura! Pode parecer exagero, mas tudo começa pelo controle de informação, e a internet era o principal meio de fugir da alienação que grande mídia pratica. Não sei por qual motivo o governo interrompeu as investigações sobre cobrança abusiva dos provedores de internet. Será que existem interesses de que isso não interfira nas eleições?
“BIG BROTHER IS WATCHING YOU!”
Absolutamente, não é paranóia nehuma crer que temos nossos acessos vigiados na rede. O fato é que, enquanto nehuma lei for criada deburrubando a liberdade de expressão, temos pelo menos garantidos o direito de usar a internet como um meio democrático – utopicamente falando – onde é possível escolher de que forma queremos receber e entender as notícias mundiais e não ficarmos presos ao sistemas de televisão.
Lógico, a questão sobre vigilância é uma questão importante, questionamentos sobre a segurança do Estado. Mas nada tirou, ainda, o carácter revolucionário da internet quanto a possibilidade de expressão.
Jamais uma lei poderá derrubar o direito a liberdade de expressão, pois esta é um direito fundamental previsto na constituição e, por isso, apenas uma Emenda a Constituição poderia restringir ou revogar tal direito (salvo casos expressos pela constituição, como guerra externa, estado de sítio..).
E digo mais. Por se tratar de direito fundamental, ela encontra-se protegida pela chamada cláusula pétrea. Logo, nem Emenda a constituição pode restringir ou revogar tal direito. Apenas uma nova ordem constitucional poderia fazê-lo.
.
QUE DOIDEIRA!
Fiquem à vontade … de mim, podem puxar e rastrear tudo que quiserem … se aguentarem, ahaha
* estão levando isso a sério?
Sim, Liberdade de Expressão no Brasil é coisa pra se tratar com seriedade. Nossa democracia ainda é muito jovem, e o monitoramento é o início de tudo.
tudo = práticas ditatoriais; cerceamento da liberdade de expressão
Podem olhar o que quiser.
Eu tenho mais o que fazer…
Só gosto mesmo é de ouvir música, ver fotografia de natureza e dizer “hi” para os brothers…
O resto: fuck´em all!!!
e vc ouve música comprada??? ou baixada??
[...] anteontem um link que levava para esta postagem, de autoria de André Raboni, cujo texto abordava um certo novo recurso lançado pela operadora Oi. [...]
[...] No Acerto de Contas [...]
[...] Acerto de Contas e Gilberto [...]
Se isso lhe preocupa, eu me precuparia muito mais com essa iniciativa do Congresso de obrigar os provedores de Internet a armazenar seus dados de navegação por 5 anos. Isso sim me dá medo.
http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=469968