
Com o dólar em queda, o resultado das exportações começa a piorar. O Porto de Suape está começando a sentir os efeitos.
Em janeiro, Suape registrou retração de 3% no volume movimentado, que caiu de 484,62 mil toneladas no mesmo mês do ano anterior para 470,56 mil.
A performance tímida está relacionada principalmente a uma queda expressiva no longo curso (23%) e que se deveu ao recuo das exportações. No Nordeste, as remessas de cargas para fora do país vêm sendo afetadas pela valorização do real. Os Estados mais prejudicados são os que têm baixa ou nenhuma participação de manufaturados na sua pauta de exportações, como é o caso de Pernambuco, cujo perfil é de exportador de bens intermediários.
Como reflexo desse quadro, em Suape, as exportações despencaram 61%, de 131,2 mil toneladas para 51,03 mil. Já as importações, embaladas pelo dólar em baixa, cresceram 41% – de 77,24 mil toneladas para 109,08 mil – o que evitou um resultado pior no longo curso. No somatório, as cargas de comércio exterior apresentaram retração de 208,44 mil toneladas para 160,11 mil.
Na cabotagem, o desempenho foi bem melhor. Houve uma expansão de 12%, de 276,18 mil toneladas para 310,45 mil. O incremento reflete em boa parte a volta do transbordo de gás liquefeito de petróleo (GLP) aos níveis tradicionais.
A Petrobras utiliza Suape como base distribuidora regional do produto. Mas desde 2004 vinha reduzindo os volumes devido a problemas tributários. O combustível movimentado vinha sendo taxado integralmente pela Secretaria da Fazenda de Pernambuco, embora apenas 50% do volume ficasse no Estado. O GLP enviado aos Estados vizinhos era tributado novamente no destino, o que gerava uma bitributação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A questão foi solucionada com um acordo entre a Petrobras e o Governo de Pernambuco, no final do ano passado. O fim do impasse impulsionou a movimentação de granéis líquidos, que cresceu 30% no mês, passando de 214,935 mil toneladas para 279,617 mil.
CONTÊINERES – A movimentação de contêineres, por sua vez, cresceu 11%, de 17,23 mil TEUs para 19,07 mil. Mas o volume movimentado não acompanhou a expansão do número de contêineres, com um incremento de 3%, de 175,74 mil toneladas para 180,42 mil.
Os contêineres, após a entrada em operação do terminal da Tecon Suape, em 2002, vêm registrando um verdadeiro salto e já representam em torno de 40% da movimentação total de Suape. O terminal recebeu investimentos de US$ 70 milhões desde o início de sua construção e vem tendo ganhos consideráveis de produtividade, além de empreender uma atuação comercial agressiva. “Tudo isso contribui para a atração de clientes e da carga”, avalia o diretor de Operações de Suape, João Poggi Neto.
Quanto ao desempenho de janeiro, Poggi ressalta que, apesar da retração no mês, se mantém otimista em relação ao ano de 2007. Ele prevê que o complexo terá um crescimento entre 20% e 30% sobre as 5,34 milhões de toneladas registradas em 2006. “Esse ano, teremos a retomada da operação do terminal de minérios da Mhag Mineração e um incremento nas importações de ácido tereftálico puro com a entrada em funcionamento da fábrica de resina PET do grupo italiano Mossi & Ghisolfi, que também vai embarcar produto final por Suape”, afirma. “Além disso, haverá um salto na distribuição de GLP”, acrescenta.
O terminal da Mhag foi inaugurado no ano passado e realizou uma única exportação para a China. Logo depois ficou paralisado, devido a gargalos na logística terrestre da empresa. A empresa foi afetada por problemas no escoamento da carga a partir das minas, realizado por rodovias. As jazidas ficam localizadas na região de Jucurutu, no Rio Grande do Norte. A expectativa é que os reparos nas rodovias potiguares viabilizem a retomada do funcionamento do terminal de Suape.