Um ano da morte de Eduardo

ago 13, 2015 by     21 Comentários    Postado em: Política

Por Pedro Jácome
para o Acerto de Contas

“A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
De repente não tinha pai.”

Reluto em confessar. Mas meu poeta brasileiro preferido é Vinicius de Moraes.

E os primeiros versos de sua “Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes” nunca me saíram da memória. E é impossível não lembrar destes versos agora quando se lembra do um ano da morte de Eduardo Campos.

A morte me chegou pela televisão. E as mortes à distância têm disto. Não lhes chegam com o descalabro caloroso de uma boca amiga, como nas tragédias de Shakespeare ou Sófocles. Não. Por vezes, atingem-nos na mais fria e dura solidão, com o formalismo desapaixonado da leitura de uma previsão do tempo.

De repente já não tínhamos Eduardo. Mas como?

Essa era a angústia, minha e de todos os amigos, em especial os do Movimento Estudantil, que viveram a Faculdade de Direito admirados com os passos do então Governador de Pernambuco.

Todos repetíamos incessantemente, explícita ou apenas mentalmente, a mais genial das perguntas idiotas: “Mas morreu como, se estava vivo?” nas palavras, essas imortais, de Nelson Rodrigues.

Apesar de nenhum de nós sermos sequer próximos a Eduardo (alguns nunca nem o tinham visto pessoalmente), a notícia nos abalou, a todos, pessoalmente. As pessoas me ligavam e eu ligava pras pessoas e todas estavam visivelmente abatidos com a notícia.

Nas ruas, o sentimento era de uma melancolia coletiva de fazer inveja ao relatos mais poéticos do clima de 1950 pós-Maracanaço.

Eduardo estava presente em nossas vidas como nunca. Lembro-me que voltando pra casa, no começo da tarde daquele dia, vi a militância deitando as bandeiras de sua campanha. E aquela cena me pareceu mais solene do que todas as bandeiras oficiais a meio-mastro que já vi.

Eduardo tinha conseguido, em Pernambuco, uma façanha incrível. Ser um político que não era visto apenas como político. De alguma maneira, que eu até hoje não se explicar, quando falávamos dele, nas mesas de bar e até quando o criticávamos, era como se tivéssemos com ele uma intimidade que, de fato, não tinha razão de ser.

Falávamos “Dudu vai ser presidente!”, “se não agora, em 2018″, “2018 é dele”. Falávamos de”Dudu” como se fossêmos habitués da casa dele.

Mesmo seus adversários políticos mantinham em relação a ele um de respeito aliado à inveja de sua habilidade política singular

Sua morte, logo após a fatídica frase pronunciada no Jornal Nacional, deixou-nos um sentimento de presença ainda mais forte.

Eduardo se tornou depois daquele dia 13 de agosto, uma espécie de Dom Sebastião. Um cavaleiro, desaparecido em batalha, mas que trazia, mesmo na sua ausência, a esperança de dias melhores.

Dia melhores que dependeriam não apenas dele, mas de cada um, através da mística frase pronunciada na véspera da tragédia: “Não vamos desistir do Brasil”.

21 Comentários + Add Comentário

  • Só lamento Lula e Dilma não estarem naquele avião também. Hoje estaríamos livres destas pestes.

    • Para pestes,pesticidas.Para ratos,raticidas.O ódio se oculta nos corações dos tolos.Quem não apresenta argumento,só lhes cabe a retaliação cega…

      • Petista chamam os outros de coxinhas, facistas , reaças e etc. Aí, quando são hostilizados após serem pegos com a boca na botija, ficam falando em amor. Nem para humoristas servem!!

  • Engraçado, ontem saiu o quanto foi roubado na Abreu e Lima. Mas, ele morreu, portanto é um politico honesto.

    • Se tudo que morre fosse honesto,quantos neurônios no céu não haveriam…

  • Depois que morre, todo mundo vira santo.

    Quando o safado do Lula morrer (espero que logo) o PT vai pedir ao Vaticano para canonizar o marginal.

    • Se ele for “safado”,quem lhe ocupará o lugar?

  • Quanta PALHAÇADA esse pseudo-sentimentalismo de merda.

    • È melhor ser como vc,né Machona?

  • Quem mais lamenta essa morte são os fazendários que esperavam um aumento de 500% no salário de Dudu estivesse vivo.

  • Alguém sabe dizer, finalmente, a quem pertencia o avião causador da tragédia??? Ou esse tipo de coisa também se sublima, com a morte???

  • Tenho minhas duvidas ….

    Quando É40! assumiu em 2007, rapidamente todos os veículos oficiais deixaram de ser “chapa branca” e passaram a ser de locadoras, inclusive as viaturas policiais (só as motos não).

    Quem é o dono deste contrato?

    Quais as clausulas deste contrato ?

    Será que É40! e o PSB foram (e permanecem) com algum “toco por fora” a respeito ?

    É um assunto que merece ser esclarecido e investigado

    • Só Deus sabe as maracutaias que tinham nesse governo de Duduzão.

      Mas agora que ele morreu, foi beatificado.

  • Hoje assistimos os resultados do tal ” choque de gestão”. Mas não esqueçam de colocar a catástrofe na conta dos vagabundos petistas. Eles eram amiguinhos de Dudu em praticamente todo governo Dudu. Agora criticam para posarem de bons moços !

  • Eduardo Campos foi um político a frente do seu tempo. Soube fazer, e dominava como ninguém a arte de transformar compromissos em realidade. O legado construído seguirá firme, com a certeza que podemos e vamos fazer muito mais.

  • Tem que reconhecer queiram ou não o trabalho que Eduardo fez por Pernambuco. Pernambuco cresceu em todos os lados, saúde educação, cultura, infraestrutura, emprego. Pernambuco encontrasse em outro patamar e deve ao esforço de uma equipe. Eduardo vive em tudo que construiu. E a avaliação de um governo só pode ser feita no fim. Esperem para criticar.

  • Rhayam e Lucas, o legado dele está num Estado quebrado ! Isso sim. Mas ele sai como gênio ( afinal nosso povo não sabe relacionar as coisas) e esse otário que por hora se diz governador que vai pagar o pato!!

  • Eduardo não amarrava nem as chuteiras do véio Arraes! Era um líder… isso era! Tanto que o PSB tá no orfanato agora, e ouso dizer, vai virar nanico sem ele.

    “Já ouviu falar em poupança e investimentos ? Por isso precisa pegar busão às 04h30, mané vermelho!!”
    Usuário Alexsandro, em 12/08/2015 no Post “A sensacional Agenda Brasil”

  • Blog de merda e chapa branca do PSB, patético

  • O blog não vais soltar nada quanto a PF rondando nossas bandas?

    “Já ouviu falar em poupança e investimentos ? Por isso precisa pegar busão às 04h30, mané vermelho!!”
    Usuário Alexsandro, em 12/08/2015 no Post “A sensacional Agenda Brasil”

    • Se refere a Arena PE, mané vermelho ? Lembre que Dudu “choque de gestão” e o marginal no Lula eram amiguinhos na época. Portanto, petista que agora fala mal da Arena não passa de um mal caráter. Ficaram com raivinha porque Dudu mala conseguiu passar a perna no marginal de 9 dedos e dessa forma os PTbas foram varridos do Estado. Mas sobre a Arena tenho algo para dizer : Todo castigo para partido socialista é pouco!!! Que a corja de Dudu vá em cana como a corja PTba!

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MARCO BAHÉJornalista
É formado em Jornalismo e pós-graduado em História Contemporânea e História do Nordeste do Brasil. Foi repórter da Gazeta Mercantil para os estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Também atuou como repórter do Jornal do Commercio, editor da Folha de Pernambuco e repórter especial do Diario de Pernambuco. É correspondente da revista Época no Nordeste desde 2003. Tamb´m atua com publicidade e marketing eleitoral desde 2004.
PIERRE LUCENADoutor em Finanças
É doutor em Finanças pela PUC-Rio e mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. É professor adjunto de Finanças da UFPE e foi secretário-adjunto de Educação de Pernambuco. É autor de vários trabalhos publicados no Brasil e no exterior sobre o mercado financeiro, e participa como revisor de várias revistas acadêmicas na área. É sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Finanças. Foi comentarista de Economia do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (TV Jornal e Rádio CBN). Atualmente é coordenador do curso de administração da UFPE, e Coordenador do Núcleo de Estudos em Finanças e Investimentos do Programa de Pós-graduação em Administração da UFPE (NEFI).