fora do poder

João Paulo deve estar vivendo o pior ano político de sua trajetória. Sua saída do Governo mostrou que realmente está com dificuldades de conviver politicamente com outros grupos após ter saído da Prefeitura do Recife.

Os episódios que JPLS se envolveu no começo do ano só o colocaram em dificuldades, fazendo com que ele diminuísse politicamente, sem necessariamente ter diminuído eleitoralmente. Mas entre a classe média que acompanha política (que é minoria) sua imagem ficou desgastada.

Como escrevi anteriormente, acredito que Eduardo Campos não agiu corretamente com JPLS. Sabendo do destempero do aliado, Eduardo Campos deveria ter articulado melhor a saída do Diretor do Porto, e ainda ter deixado JPLS tomando conta de sua secretaria sem ingerências de outros secretários.

O problema principal é que Governo é assim mesmo. É um tal de um se meter nos assuntos do outro que não tem fim. Só que na Prefeitura JPLS mandava, e no Governo era subordinado. Nem todos têm perfil para isso.

JPLS mais uma vez acabou tendo uma postura que o prejudicou. Segundo pessoas próximas ao Governador, preocupado com a eleição interna do PT, o ex-prefeito queria que Eduardo interferisse no processo de escolha de Senador. Só que o Governador tem mais o que fazer do que se meter na cozinha alheia.

A inabilidade de Eduardo foi ter deixado os coices de seus secretários em JPLS, no momento que este precisava pelo menos de um “afago”. Parece coisa de menino, mas em política isso às vezes é importante. A surpresa maior é que Eduardo Campos sempre foi muito habilidoso no tratamento dos aliados.

Em 1996, situação semelhante aconteceu com jarbas Vasconcelos. Saiu da Prefeitura com alta aprovação, elegeu seu sucessor (Roberto Magalhães), e passou 2 anos na planície até a eleição de Governador. Jarbas agiu com grande competência, voltando suas atividades para o seu escritório político, se preparando para a eleição estadual. Não se via dando declarações estapafúrdias ou fora de contexto.

JPLS deveria seguir o exemplo de Jarbas. Poderia armar uma série de debates para consolidar seu nome no interior, em universidades, escolas e associações. Garanto que muita gente está disposta a ouví-lo e a debater política com ele.

No final o episódio foi ruim para ambos: JPLS e Eduardo Campos. Tudo que o Governador não quer é uma fissura dentro de sua base aliada. Vem realizando um bom Governo, e não é conveniente uma confusão desnecessária.

Já JPLS voltará à difícil vida fora do poder. Mas ainda tem tempo para se recuperar.

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